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terça-feira, 15 de abril de 2025

Alguém Precisa Apresentar David Ricardo a Donald Trump.

 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou no mês passado guerra aberta ao livre comércio. Sob o lema "America First", ele iniciou uma série de medidas protecionistas que ficaram conhecidas como o "Tarifaço de Trump". A mais emblemática delas foi o acirramento da guerra comercial com a China, que envolveu a imposição de tarifas sobre centenas de bilhões de dólares em produtos chineses importados.

Mas o tarifaço não se limitou à China. Tarifas sobre aço e alumínio atingiram também aliados históricos, como a União Europeia, o Canadá e o México. O governo justificava as medidas com base em segurança nacional ou alegações de concorrência desleal, mas o resultado foi uma escalada de retaliações e uma perturbação nas cadeias globais de suprimento. O tarifaço abrangeu dezenas de países, incluindo tanto rivais estratégicos quanto aliados históricos dos Estados Unidos, como Israel. Trump pensou: "Amigos, amigos... negócios à parte.

O objetivo declarado era reduzir o déficit comercial dos EUA, proteger indústrias nacionais e forçar empresas estrangeiras a trazer empregos de volta para o território americano.
Não há nada de errado com esse objetivo. O ponto crítico está mesmo no método adotado para atingi-lo.

O "pai da criança", segundo a imprensa, é o economista e assessor de Trump, Peter Navarro, que tem uma visão fortemente protecionista e nacionalista da economia — algo bem fora do mainstream acadêmico. Ele escreveu livros como Death by China, ou Morte pela China, em que acusa os chineses de práticas desleais que estariam destruindo a indústria americana, roubando empregos e representando uma ameaça econômica e até militar aos EUA.

Ou seja, isso é música para os ouvidos de Trump.

Mas afinal, quem é esse David Ricardo — e por que Trump deveria conhecê-lo?

David Ricardo foi um economista britânico do século XIX, cujas ideias continuam mais vivas do que muito plano econômico moderno. Ele é o pai da teoria das vantagens comparativas, um conceito que explica por que até países menos eficientes em tudo ainda se beneficiam ao entrar no jogo do comércio internacional.

Ricardo provou que o comércio entre nações não é um jogo de "ganha-perde", mas sim um jogo em que todos ganham. Cada país deveria se especializar naquilo que faz relativamente melhor — ou menos pior — e trocar com os outros. Todo mundo sai ganhando com mais eficiência, produtividade e bens mais baratos. Simples assim.

Se Trump tivesse lido Ricardo e não ouvido Navarro, talvez pensasse duas vezes antes de sair distribuindo tarifa pra todo lado como se fosse brinde de campanha.

Vou dar um exemplo com valores hipotéticos. Se o importador americano pode comprar uma camisa feita em Bangladesh por US$ 2,00, por que ele fabricaria nos Estados Unidos a um custo unitário de US$ 10,00? A camisa de Bangladesh, que tem um custo muito mais baixo, permite que o americano gaste os US$ 8,00 a mais economizados em outro produto ou serviço — seja em educação, saúde, ou até mesmo em mais camisas de outros lugares.

Outro exemplo clássico de Ricardo é o caso do vinho e do tecido. Imagine que Portugal é super eficiente na produção de vinho e na fabricação de tecido, enquanto a Inglaterra é excelente na produção de tecido, mas apenas razoável no vinho. Em vez de cada país tentar ser autossuficiente em tudo, Ricardo sugeriu que a Inglaterra se especializasse na produção de tecido e comprasse vinho de Portugal, e vice-versa. Isso soma positiva para ambos, pois cada um se concentra no que faz de melhor.

Em termos mais modernos, imagine que o Brasil é muito bom em produzir soja, mas o Japão tem uma grande vantagem na fabricação de chips eletrônicos. Ao invés de ambos se esforçarem para produzir tudo sozinho, o Brasil poderia exportar soja para o Japão, enquanto o Japão venderia seus chips para o Brasil. O que todos ganham? Maior eficiência, menores custos, mais recursos para investir em outras áreas da economia e produtos mais baratos para o consumidor.

Se Trump tivesse absorvido essas ideias, talvez ele visse o comércio internacional mais como uma cooperação do que uma ameaça.


    

Vamos pegar um caso concreto: o comércio entre Estados Unidos e China, mas o que vamos ver nesse exemplo serve para todos os países que têm um superávit comercial com os Estados Unidos. A China exporta US$ 450 bilhões para os Estados Unidos, e importa US$ 170 bilhões. Isso produz um déficit contra os EUA de US$ 280 bilhões.

O que Trump deseja é reduzir esse déficit. E isso é justo da parte dele. Aparentemente, nesse comércio, a China — e qualquer país que tenha um superávit com os Estados Unidos — está levando vantagem, “está roubando e sendo desleal com a América”, como alegou Mr. Trump. Mas será mesmo? A teoria da vantagem comparativa não se aplica mais nos dias atuais?

Vamos ver se isso é mesmo desvantagem. Algumas coisas devem ser lembradas:

  1. Foi o consumidor americano quem optou livremente pela compra de produtos chineses. Com certeza, isso ocorreu por não existirem similares nacionais ou porque os fabricados nos Estados Unidos são mais caros. Devem agradecer por ter essa opção.
  2. O poder aquisitivo do americano é alto; por isso ele compra muito. E é exatamente porque o salário médio americano é alto, que a mão-de-obra é cara; muito mais cara do que na China e em muitos países do mundo. Isso inviabiliza a produção de muitos produtos nos Estados Unidos. Esse é o motivo pelo qual muitas empresas americanas produzem no exterior e não na América.

3.     O dólar é uma moeda forte. O que torna a compra de produtos americanos por outros ainda mais cara.. Além disso, os Estados Unidos têm a vantagem única de produzir a moeda de reserva global, o dólar. Isso permite que financiem déficits comerciais com relativa tranquilidade, o que não é possível para a maioria dos países. Ou seja, um déficit na balança comercial não impede necessariamente que o PIB cresça - como de fato cresceu durante boa parte dos anos de globalização acelerada.

  1. A China e outros países podem comprar menos dos Estados Unidos porque encontraram produtos que necessitam mais baratos em outros lugares, ou porque não têm dinheiro para comprar tudo o que gostariam. O comércio entre os EUA e a China é mais complexo do que simplesmente uma questão de “preço”. O comércio com a China envolve não só bens de consumo, mas também matérias-primas, eletrônicos e outros produtos intermediários que são vitais para a cadeia de suprimento global. 

É sempre bom lembrar que o comércio internacional é multifacetado e envolve não apenas aspectos econômicos, mas também geopolíticos, tecnológicos e sociais. As soluções unilaterais de tarifa podem, de fato, prejudicar a economia americana em muitas áreas, apesar de uma redução no déficit comercial. Com o aumento das tarifas, confirma o que David Ricardo previu, no sentido oposto. Ela vai produzir um aumento do preço final ao consumidor americano, no que deverá reduzir a demanda, provocando desemprego na China. Ou seja, ambos os lados saem perdendo.

Aliás, o próprio Trump já percebeu que não é tão simples quanto parece. Quando anunciou tarifas sobre produtos chineses, incluiu na lista os smartphones — o que atingiria diretamente a Apple, uma das maiores empresas americanas. Mas, diante da possibilidade de aumento de preços para o consumidor final e de impactos negativos nas ações da empresa (e na economia como um todo), ele voltou atrás e retirou os iPhones da lista de produtos tarifados.

O motivo é simples: quem paga a conta das tarifas não é a China — é o consumidor americano. O aumento do custo de importação acabaria sendo repassado para o preço final. E quando o preço sobe, a demanda cai. Quando a demanda cai, as empresas vendem menos, lucram menos e, em última instância, contratam menos ou até demitem. Um tiro no próprio pé porque afeta empresas americanas. Por exemplo, tão logo foi anunciado o tarifaço, o valor de mercado da Apple diminuiu US$ 75 bilhões em apenas dois dias.

    E a Apple não foi um caso isolado. Outras empresas americanas também sentiram o baque do tarifaço. A Harley-Davidson, símbolo do estilo de vida americano, foi atingida pelas tarifas retaliatórias da União Europeia e anunciou que transferiria parte da produção para fora dos EUA — justamente o oposto do que Trump desejava. A Boeing, maior exportadora dos Estados Unidos, viu suas encomendas ameaçadas após a China retaliar tarifas com restrições a produtos americanos, inclusive aviões. E os produtores rurais, especialmente os de soja, milho e carne, amargaram prejuízos bilionários quando a China suspendeu ou reduziu suas compras. Os estoques cresceram, os preços despencaram — e a base eleitoral rural de Trump começou a sentir no bolso os efeitos da guerra comercial. Ou seja, o tiro não só saiu pela culatra, como acertou aliados e gigantes da economia americana.

No seu projeto de "Make America Great Again", Trump não poupou nem mesmo aliados. A Tesla, de Elon Musk, também acabou sendo atingida. Com a imposição de tarifas sobre componentes importados da China, os custos de produção da montadora aumentaram significativamente — afinal, muitos dos insumos usados na fabricação dos carros elétricos vinham justamente do país asiático. A Tesla teve que renegociar contratos, rever projeções e lidar com oscilações no mercado financeiro.

 Diante do prejuízo, sobrou para Peter Navarro, o principal conselheiro por trás da estratégia protecionista. Musk, como muitos outros líderes empresariais, não podia criticar diretamente o presidente - então canalizou sua frustração para Navarro, que se tornou o "alvo oficial" da insatisfação de Wall Street e do Vale do Silício.

No fim das contas, talvez alguém realmente precise apresentar David Ricardo a Donald Trump. A teoria das vantagens comparativas não é só uma aula de economia: é uma lição de bom senso. O mundo está mais conectado do que nunca, e políticas comerciais feitas na base da canetada, movidas por instinto nacionalista e desconfiança, podem parecer firmes no palanque — mas custam caro no mercado. Proteger a indústria nacional é legítimo, claro. Mas fazer isso ignorando princípios básicos da economia global é como tentar apagar fogo com gasolina. Ou, como já dizia um velho ditado que nem precisa ser inglês: quem planta tarifa, colhe retaliação.

Mr. Trump, da próxima vez que for mexer com o comércio global, tente conversar com o David Ricardo. Ele já morreu, mas está mais atualizado que certos assessores. Ou assista o vídeo abaixo sobre o que Ronald Reagan, republicano como o senhor, tem a dizer sobre  isso.

 

Cláudio Nogueira                                     


 

 

sábado, 12 de abril de 2025

Por que Caifás Matou Jesus ?

 

O Evangelho da manhã deste sábado, 12 de abril de 2025 - véspera de Domingo de Ramos - é o de São João 11, 45-53, que relata a profecia de Caifás sobre a morte de Jesus.

45 Muitos judeus que tinham ido à casa de Maria, e viram o que Jesus fizera, creram nele.
46 Mas alguns deles foram ter com os fariseus e lhes contaram o que Jesus realizara.
47 Então os príncipes dos sacerdotes e os fariseus reuniram o conselho e disseram
46 Mas alguns deles foram ter com os fariseus e lhes contaram o que Jesus realizara.
47 Então os príncipes dos sacerdotes e os fariseus reuniram o conselho e disseram [ e pensaram: Basta ! Já chega ! Agora Ele foi longe demais.]: “Que faremos? Este homem faz muitos milagres”.
48 Se o deixarmos assim, todos crerão nele, e virão os romanos e destruirão a nossa cidade e a nossa nação.”
49 Um deles, chamado Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano, disse-lhes: “Vós nada entendeis!
50 Não compreendeis que vos convém que morra um só homem pelo povo, e não pereça toda a nação?”
51 Ora, ele não disse isso por si mesmo, mas sendo o sumo sacerdote daquele ano, profetizou que Jesus devia morrer pela nação.
52 E não somente pela nação, mas também para reunir na unidade os filhos de Deus que estavam dispersos.
53 E desde aquele dia resolveram tirar-lhe a vida.
 

    Essa passagem da Bíblia sempre me intrigou. Todas às vezes que eu a ouço, eu penso: por que São João disse que Caifás profetizou?                                                                Nessa manhã, após a missa na igreja de Nossa Senhora de Fátima do Amial, aqui no Porto, decidi tirar essa dúvida com o frei Fernando, O.F.M. Mas fui interrompido por pessoas que aguardavam o frei terminar a missa para se confessarem. 

    O que é profecia, no sentido bíblico ?

Para responder essa pergunta, primeiro é preciso lembrar que quem fazia profecias eram os profetas. Caifás não era um profeta. Na realidade, ele estava muito longe de sê-lo.

Um profeta era alguém chamado por Deus para transmitir mensagens divinas: oráculo do Senhor. Mensagens direcionadas, com fins específicos.

Por conta disso, eu fico pensando, refletindo profundamente, todas as vezes que ouço essa passagem. Nunca entendi muito bem por que São João disse isso. Sem poder contar com a ajuda do frei, vou tentar entendê-la sozinho. Aí é que mora o perigo.

 Quem era Caifás ?

Caifás não era flor que se cheire. Ele era o sumo sacerdote do Sinédrio, o tribunal religioso judaico, indicado pelo governo romano. A sua “profecia” sobre Jesus, em resumo, foi: Ele morrerá porque vamos assassiná-Lo. Profecias desse jeito podem ser concretizadas facilmente, se “profetizadas” por Putins, Netanyahus e outros.

Ele liderou o julgamento ilegal de Jesus (Mateus 26,57-68), acusando-O de blasfêmia por declarar-se Filho de Deus (João 11,49-53). Também alegou “Se o deixarmos assim, todos crerão nele, e virão os romanos e destruirão a nossa cidade e a nossa nação.”

Essa afirmação vem logo após a ressurreição de Lázaro, um milagre que causou grande alvoroço. Muitos começaram a crer em Jesus por causa desse sinal, e isso preocupou os líderes religiosos, que viram sua autoridade e estabilidade ameaçadas.

O Medo dos Líderes Religiosos

Qual era o medo deles? Jesus estava se tornando extremamente popular entre o povo. Os líderes temiam perder o controle religioso e político. Jesus estava se tornando um líder religioso e denunciou a corrupção no Templo. Isso foi interpretado comum ataque direto à estrutura de poder controlada por Anás e Caifás.



Eles tinham temor da reação romana. A Judeia era uma província do Império Romano. Os romanos toleravam certa autonomia judaica, especialmente religiosa, desde que não houvesse revoltas. Um movimento messiânico, como o que Jesus parecia representar, poderia ser visto como uma ameaça política.

Destruirão a nossa cidade e a nossa nação.” Eles temiam que, se o povo proclamasse Jesus como rei ou Messias (no sentido político), os romanos reagiriam com força, destruindo Jerusalém e o Templo - o centro da identidade judaica.

Essa desculpa para matar Jesus para “salvar a nação” acabou se mostrando um argumento falacioso. Trinta e sete anos depois da morte de Cristo, no ano 70, os romanos realmente destruíram Jerusalém e o Templo, como Jesus havia profetizado (Lucas 19, 43-44).

Essas foram as desculpas usadas para mascarar a verdadeira motivação: a inveja. Ele e outros líderes religiosos sentiam inveja do prestígio crescente de Jesus.

Por que condenar alguém que só fez o bem? Jesus curou vários cegos (Mateus 20,29-34, Marcos 10,46-52, Lucas 18,35-43, Marcos 8,22-26, João 9,1-12 e Mateus 9,27-31) e paralíticos (Mateus 9,1-8, Marcos 2,1-12, Lucas 5,17-26, João 5,1-15, Mateus 12,9-13, Marcos 3,1-6, Lucas 6,6-1, Mateus 8,5-13, Lucas 7,1-10,). O número exato é difícil de se determinar: “Vieram a Ele grandes multidões, trazendo consigo coxos, aleijados, cegos, mudos e muitos outros, e os colocaram aos seus pés; e Ele os curou.” (Mateus 15,30-31). “E foram ter com Ele no templo cegos e coxos, e Ele os curou.” (Mateus 21,14).

Ele ressuscitou mortos, como o filho da viúva de Naim (Lucas 7,11-17), a filha de Jairo (Marcos 5,35-43) e Lázaro (João 11,1-44). Curou leprosos: “Os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados...” (Mateus 11,5; Lucas 7,22). De uma única vez curou dez leprosos (Lucas 17,11-19); depois mais outro (Mateus 8,1-4, Marcos 1,40-45, Lucas 5,12-16). Tocar um leproso era impensável - Jesus quebra barreiras com compaixão.

Ele pregou o amor e mansidão como ninguém jamais havia feito. Numa  época em que vigorava a “lex talionis” ou Lei do Talião ou da retaliação: “Olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé...” (Êxodo 21,24, Levítico 24,20, Deuteronômio 19,21). Disse coisas absurdas para todas as épocas: “Se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a outra” (Mateus 5,39). E ainda: “Se alguém quiser tirar-te a túnica, dá-lhe também o manto” (Mateus 5,40).

Sua vida foi dedicada à compaixão, à justiça e à misericórdia: “Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor” (Marcos 6:34). “Movido de compaixão, Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: Quero. Seja purificado! (Marcos 1:41)

Pede que amemos o próximo com gestos concretos: dar comida, água, abrigo, a quem precisar (Mateus 25:35,40)

Mesmo no sofrimento extremo, Jesus responde com misericórdia e o perdão: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem.” (Lucas 23:34).

Mesmo assim, foi rejeitado e assassinado. Jesus morreu não por causa de sua vida, mas por causa da inveja, do medo e do orgulho dos que não suportavam sua luz.

Inveja, teu nome é Caifás e Anás, teu sobrenome.

 Os Responsáveis pela Assassinato de Jesus

Quem era Anás? Em João 18,12-24, Jesus é levado primeiro a Anás, ex-sumo sacerdote, antes mesmo de ser apresentado a Caifás. Isso mostra como ele ainda era politicamente influente, mesmo sem o título oficial.

“Levaram-no primeiro a Anás, pois era sogro de Caifás, o sumo sacerdote daquele ano.” (João 18,13)

Anás interrogou Jesus sem autoridade legal, numa espécie de “pré-julgamento” informal. Isso já mostra que o “processo” contra Jesus era, de fato, manipulado desde o começo.

Caifás e Anás são os principais responsáveis pela morte de Jesus. Pilatos declarou: “Eis que vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele crime algum.” (João 19,4). “Tomai-o vós e crucificai-o; quanto a mim, não acho nele culpa.” (João 19,6).

Religião Decadente

A vinda de Jesus, naquele momento da história da humanidade, está intimamente ligada às figuras religiosas, como Caifás, Anás, fariseus, saduceus, mestres e doutores da lei. Foi uma escolha divina profundamente significativa. Era uma época em que apesar da aparência de religiosidade, o coração do povo – e, principalmente, de seus líderes - estava distante de Deus. A religião institucionalizada dos judeus havia se tornado, em muitos aspectos, uma estrutura secularizada, mais preocupada com poder, controle e aparências do que com a essência da fé: o amor a Deus e ao próximo. Jesus veio num tempo de profunda decadência espiritual. Ele veio quando a religião - que deveria conectar o homem a Deus - havia se tornado apenas uma aparência, um sistema, uma estrutura fria e distante do coração do Pai.

Os líderes religiosos da época ocupavam posições de poder e influência; seus corações estavam longe de Deus. O que deveria ser a "igreja" de Israel, a guardiã da aliança, havia se tornado uma instituição vazia, voltada para o controle, o lucro e a aparência. Jesus denunciou essa hipocrisia com palavras fortes:

“Ai de vocês, mestres da Lei e fariseus, hipócritas! Vocês são como sepulcros caiados: belos por fora, mas por dentro cheios de ossos e de toda podridão.”
(Mateus 23,27)

O Templo de Jerusalém, símbolo máximo da fé judaica, era a imagem real da decadência religiosa. Já não era mais um lugar de verdadeira adoração.

“Jesus entrou no templo e expulsou todos os que ali vendiam e compravam. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas, e lhes disse:
‘Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração! Mas vocês estão fazendo dela um covil de ladrões!”
(Mateus 21,12-13).

“Covil de ladrões !?” Jesus viu o que não vimos. Ele sabia o que estava dizendo.

Foi nesse cenário que Jesus surgiu - não como um reformador do sistema religioso, mas como a encarnação do próprio amor e da justiça de Deus. Ele veio trazer uma fé viva, baseada na compaixão, na verdade e na presença do Reino de Deus entre os homens.

“Este povo me honra com os lábios, mas o coração está longe de mim.”
(Mateus 15:8)

Jesus veio justamente porque o coração da religião havia se perdido. Veio para chamar os cansados, os oprimidos, os rejeitados - e oferecer um caminho de reconciliação com Deus, não baseado em aparências ou regras humanas, mas em graça e verdade.

Os fariseus ensinavam a Lei de Moisés, mas não viviam o que pregavam. Disse Jesus: “Fazei, pois, e observai tudo o que eles vos disserem, mas não imiteis as suas ações! Pois eles falam e não fazem.

Atam fardos pesados e insuportáveis e os põem sobre os ombros dos outros, mas eles mesmos não os querem mover sequer com um dedo.” (Mateus 23,3-4)

A fé tornou-se um fardo. O amor a Deus foi substituído por regras. A misericórdia deu lugar à condenação. A justiça, à manipulação. A religião virou política.

Em síntese: Jesus veio para resgatar a essência do relacionamento com Deus, que os fariseus haviam reduzido a ritos vazios. Ele veio para nos dizer o quanto o Pai nos ama, que Ele é bom e  misericordioso. Cristo nos revela um Deus que não está distante, mas que caminha conosco, que acolhe os quebrantados, cura os feridos e convida todos a viver uma fé viva, íntima e transformadora.

... E a profecia de Caifás ?

Aparentemente, este texto tomou um rumo diferente do que foi proposto inicialmente. O meu questionamento era: por que São João disse que Caifás profetizou? Isso me levou a explorar quem era Caifás.

Vamos recapitular ao que deu origem a tudo isso. Disse Caifás: “Vós nada sabeis, nem considerais que nos convém que um só homem morra pelo povo, e que não pereça toda a nação.” (João 11,50). E João comenta: “Ora, ele não disse isso de si mesmo; mas, sendo sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus devia morrer pela nação. E não somente pela nação, mas também para reunir em um só corpo os filhos de Deus que andavam dispersos.” (João 11, 51-52)

Vou tentar encontrar uma explicação para porque São João chamou isso de profecia, para não me importunar mais com essa afirmação. Vou me autoconvencer que ele tem razão. Afinal trata-se do “discípulo que Jesus amava”, o único a estar ao pé da cruz, o único não martirizado e que teve a honra de nos representar a todos como filhos de Maria.

O discurso de Caifás foi político e cínico. Estava buscando a solução do que era um “problema” para os seus interesses. Ele não estava, conscientemente, “profetizando” no sentido de ser movido pelo Espírito de Deus, mas sim racionalizando um assassinato como sendo "necessário" para preservar a segurança nacional. Para ele, Jesus era um risco, um problema a ser resolvido e não o redentor.

Caifás achava que estava salvando Israel de Roma ao matar Jesus. Mas, sem perceber, ele disse a verdade: Jesus de fato morreria pelo povo - não para salvá-los de Roma, mas do pecado. Não apenas por Israel, mas por todos os filhos de Deus em todo e para sempre. 

"Ele  disse isso não como quem sabia o que dizia, mas como instrumento da profecia divina (...) Deus pode falar até mesmo por meio dos ímpios." Santo Agostinho em Tractatus in Ioannem, Trato 49.

Caifás, em sua intenção, não profetizou nada espiritual - ele apenas articulou um plano maquiavélico disfarçado de pragmatismo religioso e político.

“Disse isto não por si mesmo, mas como sendo sumo sacerdote naquele ano, profetizou. (...) Pois como outrora o Espírito falou por meio de Balaão, assim também falou agora por meio de Caifás.” São Tomás de Aquino em  Catena Aurea.

São Tomás de Aquino vê aí uma “profecia involuntária”. Algo parecido com o que acontece com Balaão, “profeta pagão” no Antigo Testamento: um homem que não estava em sintonia com Deus, mas que ainda assim foi usado por Ele para dizer algo verdadeiro (Números 22-24).

Em resumo: São João revela que Deus transformou aquela decisão política em parte do Seu plano de redenção. É uma das ironias mais profundas da Bíblia: o sumo sacerdote que condenou Jesus sem querer declarou a verdade sobre Sua missão.

Será que é por isso que dizem que “Deus escreve certo por meio de linhas tortas ?”

Tenham todos uma abençoada Semana Santa.

 Cláudio Nogueira

PS. Se não tivesse pecadores na igreja do Amial, esse texto não existiria.  

 

 

segunda-feira, 29 de julho de 2024

Os amigos de Jesus: Marta, Maria e Lázaro.


  Hoje, o que era a festa somente de Santa Marta, tornou-se, por determinação do Papa Francisco, a festa dos três irmãos amados por Cristo: "Jesus amava Marta, Maria, sua irmã, e Lázaro" (Jo.11,5). Para quem não se lembra, "Maria foi quem ungiu o Senhor com óleo perfumando e lhe enxugou os pés com os cabelos" (Jo.11,2) e Lázaro foi ressuscitado por Jesus. Isso que é amigo, meu irmão!
  Quando Jesus encontrou Maria e viu a sua tristeza devido a morte do seu irmão, Jesus também chorou (Jo.11,35). Isso impressionou os judeus que disseram: “Vede como ele o amava!” (Jo.11,36).
  Você consegue imaginar ser amigo de Cristo? Onde eles se conheceram ? Eram amigos de infância ? Se for verdade, por que chamam Jesus de Senhor? Por que sabiam quem Ele era ou porque Ele era mais velho? Jesus tinha entre trinta e trinta e três anos. Não era um senhor.
   Para a primeira parte da pergunta a resposta é sim. Marta disse: “Eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, aquele que devia vir ao mundo.” (Jo.11,27). Então eram cientes que Ele era Filho de Deus.
 Será que se conheceram na Sinagoga? Jesus era catequista e eles eram catequisandos ? Teriam se conhecido no grupo de jovens ou simplesmente eram vizinhos?
   Um belo dia Jesus deu uma pausa na sua missão e foi tomar um café com os seus amigos; mas chegou meia hora antes do combinado, pegando-os de surpresa. Marta, já tinha feito o café e o bolo, mas ainda estava com os pasteis de nata e os pães de queijo no forno; e a mesa ainda não estava completamente arrumada. Ela tinha separado a melhor toalha e a louça que só usava em dia de festa. Ficou meio agoniada.
  Jesus entrou, sentou-se e Maria prontamente correu e sentou-se aos seus pés. Marta vendo aquilo disse a Jesus: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe só a servir? Dize-lhe que me ajude”. Jesus respondeu-lhe: “Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas; no entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolheu a boa parte, que lhe não será tirada”. (Lc.10,39-42).
   Marta havia esquecido o que ela disse na sua profissão de fé citada acima: ali na sua frente estava o Filho de Deus. Ele igualmente Deus. “Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito”. (Jo.1,3). “Ele é a imagem de Deus invisível, o Primogênito de toda a Criação. Nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as criaturas visíveis e as invisíveis. Tronos, dominações, principados, potestades: tudo foi criado por ele e para ele”.(Col.1,15-17). Nada é mais importante do que Ele; por isso Maria escolheu a melhor parte. “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo”.(Mt.6,33).
   Diferente da samaritana a quem Jesus disse “Dá-me de beber” ao vê-la tirando água do poço de Jacó (Jo.4,7), Marta sabia quem estava ali na sua presença. Essa situação é uma parábola viva. As nossas atividades, às vezes, nos ofuscam, e nos impedem de procurar primeiro a Deus.
   O que Jesus disse para Marta de forma mais branda, pois ela era uma amiga querida, Ele disse de forma mais contundente e direta quando escolheu um discípulo: “Segue-me”. Mas ele pediu: “Senhor, permite-me ir primeiro enterrar meu pai”. Mas Jesus disse-lhe: “Deixa que os mortos enterrem seus mortos; tu, porém, vai e anuncia o Reino de Deus”.
    É o mesmo raciocínio: o escolhido estava na presença de Deus vivo; em carne e osso, mas queria fazer outra coisa? O que seria mais importante do que seguir a Cristo ? Quem O segue está vivo, quem não O segue está morto.
    Ele é o caminho, a verdade e a vida. Segui-Lo deve ser a nossa prioridade, todo o resto virá por acréscimo.
   A boa nova é que nós também podemos sermos amigos muito amados de Cristo. Na realidade, podemos ser muito mais. Podermos ser a mãe, o irmão, a irmã de Cristo. Foi ele mesmo quem disse: “Todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe. (Mt.12,50).
    Essa é a boa nova.

quarta-feira, 13 de março de 2024

A Esquerda acabou em Portugal. O último a sair, apague a luz.

 Dia 10 deste mês ocorreu a eleição em Portugal de deputados para Assembleia da República e, consequentemente, a escolha do novo primeiro-ministro. 
António Costa, do Partido Socialista, que está no cargo há 8 anos, e que havia sido reeleito para um novo mandato de quatro anos, em 2022, renunciou em setembro do ano passado, alegando que não poderia permanecer no cargo pesando sobre ele a acusação de corrupção. Por conta disto, o presidente Marcelo Sousa convocou nova eleição, com dois anos de antecedência.
Eu sempre gostei de tirar informações dos números do resultado de uma eleição. Venho fazendo isso há algum tempo no Brasil. Estando eu cá, além-mar, vou tentar fazer o mesmo.
O primeiro número que chamou a minha atenção foi o número de eleitores aptos a votarem ou registados9.271.479. Considerando o último censo, em 2021, a população de Portugal era 10.344.802. Se considerarmos que o número de eleitores é atual e o número da população está defasado em dois anos, os eleitores são 90% da população. Um número elevado. Como a idade mínima para votar é de 18 anos, isso significa que somente 10% da população tem menos de 18 anos.
  Para efeito de comparação, em 2022, ano da última eleição no Brasil, a população brasileira era de 203 milhões e o número de eleitores passava de 156 milhões; isso significa que 77% da população é eleitor e 23% tem menos de 18 anos. Na realidade, esse percentual pode ser maior, pois, no Brasil, aqueles que desejarem, podem votar a partir dos 16 anos.
 O partido majoritário, em tese, tem direito de indicar o primeiro-ministro. E o vencedor foi a coligação de centro-direita “Aliança Democrática”, AD - composta pelos seguintes partidos: Partido Social-Democrata (PPD/PSD), Partido Popular (CDS–PP) e Partido Popular Monárquico (PPM) - que obteve 1.811.027 votos, ou 29,49% dos votos válidos ou 19,53% dos eleitores aptos a votarem. Qual a representatividade disto? É menos de um terço dos votos válidos. Vai ser necessário  compor com outros partidos ? 
Se Luís Montenegro, líder do PSD, tornar-se o novo primeiro-ministro, ele terá batido o recorde negativo de Cavaco Silva, também do PSD, que se tornou primeiro-ministro com apenas 29,87% dos votos, em 1985.
   O derrotado foi o Partido Socialista, PS, que está há oito anos no poder. Contudo, ele quase empatou com a AD, tendo 1.759.998 ou 28,66% dos votos válidos ou 18,98% dos eleitores. Eu diria que foi, razoavelmente, um bom resultado para o PS. A Aliança Democrática elegeu 79 deputados, apenas dois a mais do que tem hoje; e o PS elegeu 77. Tendo uma redução de 43 deputados com relação aos eleitos em 2022, quando obteve maioria absoluta.
  Eu acreditava que o PS teria menos deputados, considerando que nos últimos meses os noticiários exibiam diariamente as greves dos policiais, dos médicos e dos professores. Isso serviu como propaganda negativa contra o governo. Somando-se a isso, a oposição batendo direto, é possível que, como Fernando Haddad, do PT, em 2018, a esquerda portuguesa tenha descoberto o seu limite mínimo de eleitores fiéis. 
 Indubitavelmente, o grande vencedor foi o Partido Chega de extrema-direita, que quadruplicou a sua bancada de 12 para 48 deputados; obtendo 18,06% dos votos válidos.
  Considerando a não redução do número de deputados da Aliança Democrática, podemos dizer que o Chega tomou votos do PS ? Isso é possível, mas chamo a atenção do leitor que em toda parte do mundo, quem vota na esquerda ou na extrema-direita não troca de camisola: são votos ideológicos. O eleitor votava no Partido Socialista e mudou o voto para um partido de ultradireita ? Está meio estranho isso.
  O que parece é que o Chega recebeu votos de protestos. Fato muito parecido com a eleição de Bolsonaro em 2018. Só saberemos se isso realmente aconteceu, quando a política em Portugal – sem greves e campanhas negativas – voltar a situação normal de temperatura e pressão.
  Na realidade, é muito mais fácil ser oposição do que ser governo. A oposição, seja ela de direita ou esquerda, tem solução ótima para tudo. Ela sempre pode pagar salários melhores para os grevistas, etc., etc.
  Nesta eleição o Chega inovou: elegeu o primeiro deputado brasileiro para a Assembleia da República, Marcus Vinicius Teixeira Soares dos Santos. Isso parece ser uma novidade em terras lusas. Nós tivemos uma deputada portuguesa, Ruth Escobar, também atriz, nascida aqui perto, em Campanhã, Porto. Já tivemos inúmeros filhos de estrangeiros na política. Outra portuguesa muito ativa na política brasileira e economista respeitada é Maria Conceição Tavares, de Aveiro, professora titular da Unicamp e emérita da UFRJ. Foi deputada federal pelo PT.
Isso é muito comum em países que recebem imigrantes. Na Inglaterra, o primeiro-ministro é indiano. Portugal é um país de emigrantes que agora experimenta a chegada de estrangeiros que vieram para ficar.
Em Portugal, em 2022, Lula teve 23.256 (64%) votos e o Bolsonaro 13.081 (36%). Não vai demorar para a esquerda brasileira ter o seu deputado aqui. Lembro que a comunidade brasileira é muito maior que isso.
Isso vai dar certo? Teremos de esperar. Estou pagando para ver como vai reagir André Ventura quando foi contestado por um deputado estrangeiro. 

  Chega pra lá.

 O Chega quer ser governo. Já se ofereceu para isso. André Ventura, líder do partido, está ameaçando não votar no orçamento se não fizer parte do futuro governo. Aqui, impasse na votação do orçamento, que eles chamam de chumbo, pode levar a convocação de novas eleições.
Ele alega que quer enfrentar o inimigo comum: o PS. O Chega não quer ser simples apoiador, quer ministérios, quer governar junto com o PSD. Mas Luís Montenegro, provável novo primeiro-ministro, não quer acordo com o Chega.
  Desconheço o motivo pelo qual o PSD não quer ser governo com o Chega. Mas tenho os meus palpites. Não obstante ao fato de que, aparentemente, o Chega roubou votos do PS e não do PSD, volto a repetir que foram votos de protestos. Quem vota no PS, não vota no Chega e vice-versa. O Chega é concorrente do PSD e não do PS. O Chega e PSD concorrem pelo mesmo tipo de eleitor: o da direita. Como no Brasil, aqui o eleitor de extrema-direita votava nos candidatos da direita porque não tinha opção. No Brasil, até aparecer o Bolsonaro, a extrema-direita votavam nos candidatos do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) por ser o principal adversário do PT. Com o advento do bolsonarismo, o PSDB praticamente acabou. Seus eleitores foram para a esquerda ou para a direita. E Luís Montenegro não vai querer criar cobra, para ser mais tarde mordido por ela. Além do que, há uma máxima que diz: não empregue quem você não possa demitir.
  A união do Chega com o PSD seria muito bom para o PS. Ambos tornar-se-iam governo. Sendo governo somente o PSD, o Chega poderá apontar soluções maravilhosas para tudo, dando-lhe oportunidade de cair nas graças da população.
 Portugal tem problemas estruturais, não conjunturais, sérios: falta de moradias (e caras) e baixos salários estão entre os mais preocupantes; e não serão resolvidos no período de um ou dois governos.
   A qualidade do ensino, em todos os níveis, em Portugal subiu bastante. Reconhecida e certificada pela Comunidade Europeia. Como eles costumam dizer: “Temos a melhor capacitação de sempre”. Meus filhos que estudaram aqui, comentavam que não raro, empresas estrangeiras fazem workshops dentro das universidades, convidando os alunos a se mudarem para os seus países/empresas quando graduarem.
  Um dos ataques que o PS sofre, é devido a essa fuga de cérebros para outros países por causa dos baixos salários em Portugal. Mas isso é um problema muito antigo. Os cinquenta anos de salazarismo atrasaram muito Portugal. Isso não será resolvido nem a médio prazo. Há muitas décadas os portugueses emigram; e agora que se tornaram mais capacitados, Portugal sofre concorrência de todos os países da União Europeia.
  Sobre isso abordaremos em outro texto. Será um texto sobre economia. Uma coisa já posso adiantar: não é possível elevar os nível geral de salários em curto prazo de tempo. Nem PSD, nem Chega conseguirão fazer isso.
 Portugal teve um crescimento espetacular, de mais de dez vezes, do seu Produto Interno Bruto, a partir de 1986, quando entrou na União Europeia, até a crise financeira mundial em 2008. Portugal tem de formular uma política de desenvolvimento, uma meta a ser perseguida no médio e longo prazo, e trabalhar para sua implementação como fizeram a República da Irlanda e Singapura. Hoje esses países têm per capitas astronômicos.

 Chega de Infantilidades.

  O líder do Chega, André Ventura, disse que caso viesse a se tornar primeiro-ministro, como resultado da eleições do dia 10, e se Lula desejasse participar da cerimônia dos 50 anos da Revolução dos Cravos, ele não permitiria a entrada do presidente brasileiro em Portugal: “Eu garanto que se eu for primeiro-ministro, o senhor Lula da Silva ficará no aeroporto e, se insistir, vai para uma cadeia”.
 Também disse que restringiria a entrada do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchez, do Partido Socialista Operário Espanhol.
  Mas por qual motivo o líder do Chega disse isto ? O que de tão grave fizeram esses senhores ? Nada. A resposta é que a cabeça dele, funciona exatamente como funciona a cabeça da extrema-direita em todo mundo: agressão gratuita física e verbal é a principal característica deles. Eles odeiam a todos que não pensam igual a eles. Eles não contra-argumentam ideias opostas; partem para o argumentum ad hominem, isto é, agridem o interlocutor.  Observe todas as pessoas de ultradireita que você conhece. Assim são os bolsominions no Brasil e os trumpistas na América.
 É um comportamento agressivo. Feito para estimular o ódio entre os seus seguidores. Mesmo comportamento, em relação ao Lula, tem o presidente da Argentina, Javier Milei. Todos os dias faz ataques ao Lula. Esse senhor aumentou o próprio salário em 48%, em meio ao enorme fardo que impôs a população argentina, mas teve de voltar atrás devido a protestos. Infelizmente, a Argentina, por três meses seguidos, tem a maior inflação do mundo.
É muita dor de cotovelo. Lula deve causar muita inveja a esse povo.
  O Lula deve ser o mais influente líder da esquerda no mundo neste momento. Até dezembro ele é presidente do G20, grupo dos vinte maiores economias do mundo. Os seus dois primeiros mandatos foram um grande sucesso. Ao sair da presidência, com 82% de aprovação popular, deixou o Brasil entre as seis maiores economias do mundo. No atual mandato recebeu o Brasil na décima segunda posição, um ano depois já está na nona posição. Tirou 30 milhões de brasileiros da miséria; e de devedor do FMI, o Brasil passou para posição de credor. Não foi à toa que Barack Obama disse que “Lula era o gajo!”
 Lula é pragmático. A Argentina é o segundo maior país do Mercosul e importante parceiro comercial. Ele não perde tempo com as idiotices desse tipo. Mas como eu não sou o Lula, vou lembrar para o André Ventura somente uma coisa: "O Brasil foi o melhor investimento que a TAP fez em 50 anos", defendeu o ex-administrador Diogo Lacerda Machado, esta terça-feira, na audição parlamentar de Economia, afirmando categoricamente que "o hub de Lisboa [hoje uma mais-valia] não existia sem o Brasil".
  O Brasil é a maior fonte de receita da TAP, companhia aérea estatal portuguesa. Bastaria que Lula suspendesse os voos para o Brasil para causar enormes prejuízos a companhia. Felizmente, ninguém confunde o comportamento infantil de uma pessoa, principalmente, ela querendo ser o que não é, com o bom relacionamento entre os dois países.
 
   Seis por meia dúzia.
 
  Como dizemos no Brasil, a situação política de Portugal foi trocada de seis por meia dúzia. O presidente dissolveu o parlamento em nome da estabilidade política. Mas situação atual está longe de ser estável. Na Inglaterra, o ex-primeiro-ministro Boris Johnson, do Partido Conservador, caiu por participar de uma festa na época do lockdown e foi substituído por Liz Truss do seu partido. Ela ficou no cargo apenas 49 dias. Não deu certo; foi substituída por outro membro do partido, Rishi Sunak. Em Portugal, um governo que teve maioria absoluta, não poderia ter o primeiro-ministro substituído, tinha de se dissolver o parlamento.
 Queira Deus que essa instabilidade termine e um novo governo seja estabelecido.
  E por que esse título dizendo que a esquerda acabou ? Primeiro, para gerar curiosidade no leitor sobre o texto. E depois, lembrei-me de um texto de Stephen Kanitz, “A Esquerda Acabou. Saiba o por quê”, escrito quando o Fernando Haddad perdeu a eleição presidencial para Bolsonaro em 2018. O gajo confundiu desejo com realidade. Ainda teremos esquerda e direita por muito tempo, na política lá e cá.
 
Cláudio Nogueira
 
 
 
PS1. Lula 'é o cara', diz Obama durante reunião do G20, em Londres. Presidentes se encontraram durante almoço de líderes. Para Obama, Lula é o 'político mais popular do mundo'. Disponível em:
https://g1.globo.com/noticias/economia_negocios/0,,mul1070378-9356,00-lula+e+o+cara+diz+obama+durante+reuniao+do+g+em+londres.html

PS2. Por mais de dois séculos a Irlanda era um dos países mais pobres da Europa, até os anos de rápida entre 1995 a 2007, nesse período a economia irlandesa cresceu a uma taxa média anual de 9,4%. A história de Singapura é igualmente extraordinária.

PS3. O resultado final da eleição, após a contagem dos votos do exterior, para os três primeiros colocados ficou assim: AD com 80 deputados, Partido Socialista com 78 e Chega com 50.

PS4. Finlândia encontra em Portugal <<excelente centro>> de profissionais qualificadosDisponível em: 
https://hrportugal.sapo.pt/finlandia-encontra-em-portugal-excelente-centro-de-profissionais-qualificados/

domingo, 14 de janeiro de 2024

Turismo no Brasil. Estamos perdendo dinheiro.

   Li recentemente que o Brasil vai passar a exigir visto dos americanos para entrarem no Brasil. Acredito que essa medida não seja uma medida muito favorável a economia brasileira. A extinção da exigência de visto ao turista americano foi a única atitude inteligência, a única coisa decente, o único ato do Bolsonaro que beneficiou o Brasil. Embora a sua decisão tenha sido motivada para bajular os americanos, ela deverá trazer benefícios a economia brasileira.

    Por que vistos são exigidos de alguns países ?

    Via de regra um país exige visto de turistas de alguns países e não de outros pelo seguinte motivo: quando há registro de que milhares de turistas de determinada nacionalidade entraram no país (sendo turistas têm a permanência permitida por tempo determinado), mas não saíram. Nesse caso, essas pessoas, geralmente, vivem neste país de forma irregular ou ilegal. Há outros motivos sim, como de ordem ideológica ou a entrada de estrangeiros pode concorrer com a mão de obra nativa.

    Muitos brasileiros viajam aos Estados Unidos; a emissão de visto é uma excelente fonte de receita para os americanos. Em 2011 escrevi um texto sobre esse assunto que continua atual, onde faço uns cálculos do valor dessa receita. É alguns milhões. Para entender porque continuará sendo exigido visto aos turistas  brasileiros dê uma olhada no seguinte texto "Visto americano nunca mais".[1]

   O governo americano tem motivo sim de exigir visto aos brasileiros, considerando a quantidade pessoas que entram como turistas e lá fixam residências. Em algumas localidades a quantidade enorme de brasileiros é notória; nomeadamente nos Estados da Flórida, Nova Jersey e Massachussets. Eu já tive a oportunidade de visitar algumas comunidades nesses estados. Algumas delas ocupam várias ruas ou um bairro inteiro; parece que você está no Brasil. Só se fala português e as informações nas lojas são em português.

 “Segundo dados do Itamaraty existem mais de 4 milhões de brasileiros morando no exterior, estima-se que cerca de 1,4 milhão destes vivem nos Estados Unidos.[2] 

   Por estado: Massachusetts (23%) ocupa o primeiro lugar, seguido pela Flórida (20%),  New Jersey (10,4%), Califórnia (8,7%) e Nova York (7,1%).

1.      Boston, Massachusetts – 53 mil brasileiros;[3]

2.      New York City, New York – 50 mil brasileiros;

3.      Miami, Flórida – 49 mil brasileiros;

4.      Orlando, Flórida – 17 mil brasileiros;

5.      Los Angeles, California – 16 mil brasileiros.” 

         Não estou bem lembrado, mas acredito, que baseado na reciprocidade, o presidente Itamar Franco, por um período, determinou que o Brasil exigisse visto dos americanos. Temos de ser pragmáticos e pensar no que é melhor para o Brasil. Mesmo com as sanções impostas a Rússia, pelos Estados Unidos e União Europeia, devido à guerra da Ucrânia, nem os europeus deixaram de comprar o petróleo russo, nem russos deixaram de vendê-lo. É verdade que houve uma redução, mas não pararam totalmente. Cada um pensou nos interesses de seu país.

 

   O Brasil está perdendo bilhões de dólares tão necessários na redução da pobreza.

 

    O Brasil pelo seu tamanho, suas belezas naturais e potencial é, proporcionalmente, um dos países que menos receber turistas no mundo. Podemos alegar que isso deve-se ao fato da insegurança que temos nas nossas cidades. Isso é meia verdade. O México, que tem os mesmo problemas que nós ou ainda piores, recebeu ano passado, 35 milhões de turistas. Sua posição no rankings dos países que mais recebem turistas tem variado entre a sexta e a oitava posição.

    Os 10 países mais visitados do mundo em 2023[4]:

    1.França – 82,6 milhões;  2. Estados Unidos - 75,6 milhões;   3. Espanha - 75,6 milhões;   4. China – 59,3 milhões;  5. Itália - 52,4 milhões; 6. Reino Unido - 35,8 milhões;  7. Alemanha - 35,6 milhões; 8. México – 35,0 milhões; 9. Tailândia – 32,6 milhões;  10. Turquia – 30 milhões.

     E o Brasil ?

   “As chegadas internacionais também estão batendo recordes este ano.  Mais de 4 milhões de turistas estrangeiros visitaram o Brasil nos primeiros oito meses deste ano, mais do dobro do número de 2022. A previsão para 2023 é atualmente de 6,7 milhões, um terço a mais que 2022”.[5]

    Compare com o México. Isso é simplesmente ridículo; mas pode ficar mais vergonhoso ainda. Poderia, também, mencionar Portugal, onde eu vivo. País pequeno que recebe cinco vezes mais turistas que o Brasil. Mas poderia ser alegado que ele está na Europa. Nesse caso, vou mencionar Cuba. Ela sofreu uma redução enorme de visitantes depois da pandemia; mas nos anos de 2018 e 2019, Cuba recebeu mais de 4 milhões de turista.

   Na América do Sul perdemos para a Argentina, que recebeu mais de 7 milhões de visitantes; Peru e Chile receberam quase a mesma quantidade que nós. Há algo de errado na República do Brasil.

     Onde estamos errando ?

     Seria a falta de uma política adequada ou a ausência de política para o setor ? A indústria do turismo é uma das que mais emprega pessoas com baixa escolaridade. Ela pode ser uma grande aliada na redução da pobreza e da distribuição de renda.Aqui está uma lista de atividades de baixa escolaridade que são indispensáveis à indústria do turismo:

1. Limpeza e Manutenção: Responsáveis pela higiene e conservação de hotéis, restaurantes, locais turísticos, etc.

2. Atendimento ao Cliente: Profissionais que trabalham em recepções de hotéis, guichês de informações turísticas, caixas de restaurantes e similares.

3. Auxiliares de Cozinha: Ajudam no preparo e organização das refeições em estabelecimentos gastronômicos.

4. Motoristas de Transporte Turístico: Conduzem ônibus, vans e outros veículos destinados ao transporte de turistas.

5. Guias de Turismo Local: Oferecem tours e informações sobre pontos turísticos, geralmente sem a necessidade de educação formal avançada.

6. Segurança: Garantem a segurança em hotéis, pontos turísticos e eventos.

7. Jardinagem e Paisagismo: Cuidam dos espaços verdes em resorts, parques e outras áreas turísticas.

8. Camareira(o) de Hotel: Responsáveis pela arrumação, limpeza e organização dos quartos de hotéis.

9. Barmen e Garçons: Servem bebidas e alimentos em bares e restaurantes.

10. Operadores de Atrações Turísticas: Gerenciam e operam equipamentos em parques temáticos e outras atrações.

Isso é apenas um dos benefícios. Há vários outros; sem mencionar a entrada de dólares e euros. Igualando-se a receitas de exportações.


Qual é a solução ?


Uma política séria, um planejamento estratégico, com um objetivo definido. Por exemplo: aumentar para 10 milhões de visitantes nos próximos cinco anos. Não vamos encontrar uma solução sem um estudo aprofundo, sem uma política específica, apenas administrando o que temos.

Creio que temos profissionais competentes para encontrar as medidas adequadas para incrementar a entrada de turistas no Brasil. Temos de fazer um análise crítica da nossa infraestrutura em algumas regiões.

Cancún, México, em 1978
















Quem conhece Porto de Galinhas, em Pernambuco, sai de lá encantado. O seu potencial turístico é enorme, mas a infraestrutura não ajuda a atrair um número maior de turistas, tanto nacionais quanto estrangeiros.  O nordeste tem muitos lugares lindos assim. Na realidade, o município de Ipojuca, onde fica Porto de Galinhas, tem várias outras praias com um potencial muito grande. O Brasil tem muitos lugares lindos assim. Lindos com uma infraestrutura precária e um potencial enorme. Bonito, cidade no Mato Grosso do Sul, é espetacular. Porto Belo, Bombas e Bombinhas na Costa Esmeralda de Santa Catarina são locais pequenos com grande potencial; só para citar alguns exemplos.

Estamos, também, subutilizando em termos do seu potencial turístico, a Amazônia, marca mundialmente conhecida. Em 2023, o jornal New York Times listou 52 cidades no mundo que valiam a pena serem visitadas e uma delas era Manaus.[6] Para este ano quem recomendou a visita a capital do Amazonas foi o respeitado site de viagens Lonely Planet.[7] O mais conhecido hotel de selva da região, Ariaú Amazon Towers, fechou suas portas em 2015.

Em Fernando de Noronha estamos sentados em um pote de ouro. Desenvolveu-se a ideia que tem de mantê-lo intocável, com pequenas pousadas para preservar a natureza. Bobagem. Um hotel ou hotéis cinco estrela lá, não significa que a natureza seria destruída. O Caribe está creio de ilhas desse tamanho, com uma população muitíssimo maior, preservadas, que receberem milhares e milhares turistas e navios de cruzeiros.

Dubai tem 34km2 e quase 3,5 milhões de habitantes. Fernando de Noronha tem 26m2 e pouco mais de 3mil habitantes. Mônaco tem 2 km2 e 10 mil residentes; Cancun no México tem 8km2 e uma população de quase 900 mil. Observe bem esses números. Conclusão: pode utilizar-se uma parte de Fernando de Noronha e ainda deixar uma boa parte como um santuário ecológico. Enquadre os habitantes locais, melhores significativamente as rendas deles, e pergunte a eles se querem ser parceiros, melhorarem o padrão de vida das suas famílias, um futuro melhor para seus filhos ou ficarem adorando a natureza. Na realidade, as duas coisas são plenamente possíveis e compatíveis.


Cancún, México

Permita-me dar uma sugestão, que não é  a única possível, nem engloba todos problemas, mas é apenas um contribuição para aumentar a infraestrutura em algumas regiões.

Proponho que se faça isenção total de impostos de empreendimentos nas áreas selecionadas. A cidade de Bangalore, um dos maiores e mais bem sucedidos centros tecnológicos da Índia, adotou essa política. Lá as empresas recebem isenção fiscal por tempo determinado. O mesmo proponho para essas localidades de grande potencial turístico. Uma torre ou empreendimento hoteleiro horizontal, resort, parque temático, zoológico, aquário ou museu receberia uma isenção fiscal por dez anos, não renovável.  Se a empresa deseja receber mais incentivos fiscais, teria de fazer outro empreendimento. Como é exigido na Zona Franca de Manaus, teria de ser aberto uma nova empresa no local.

Obviamente que os governos, nos três níveis, teriam de fazer a sua parte. Cancún era um pântano na península de Yucatan; onde está localizada, não tinha absolutamente nada. O México procurou um local onde pudesse construir um complexo turístico que alavancasse o setor. Os pouquíssimos moradores sobreviviam da pesca e da venda de cocos. Em abril de 1970 banqueiros e investidores internacionais iniciaram a construção de hotéis e da infraestrutura. Em 1978, onde não tinha absolutamente nada, foi construído um complexo hoteleiro do Club Med. Hoje, numa faixa de terra de 21 km de extensão e 400 metros de largura, vivem quase 900 mil pessoas.

Há vários outros exemplos a serem seguidos/estudados. Tudo pode ser uma questão de vontade política. Aqueles que tiveram a coragem de criar uma infraestrutura para suas localidades com potencial, estão hoje colhendo os frutos. Que o Brasil também tenha uma política específica para a indústria do turismo e saiba utilizar o seu enorme potencial turístico para gerar renda e diminuir a pobreza. Sem mencionar que as classes mais privilegiadas também se beneficiarão enormemente. 


Cláudio Nogueira


[1] Visto nunca mais. Disponível em: 
https://nogueiraclaudio.blogspot.com/2011/07/visto-americano-nunca-mais.html
[2] As maiores comunidades brasileiras nos EUA. Disponível em: https://brzinsurance.com/pt-br/comunidades-brasileiras-nos-eua/
[3] Brazilians in Massachussets. A quantidade de brasileiros vivendo em Boston, Massachusetts, varia conforme diferentes fontes. Uma fonte sugere que em Massachusetts, o qual possui a segunda maior população brasileira nos Estados Unidos, há aproximadamente 84.214 brasileiros, sendo Boston a cidade com a maior concentração desses imigrantes no estado. Framingham, Everett, Lowell e Marlborough também têm um número significativo de imigrantes brasileiros. Disponível em:  https://live959.com/brazilians-immigration-massachusetts/
Latinos in Massachusetts: Brazilians. Por outro lado, outras fontes indicam que a população brasileira em Massachusetts era estimada em cerca de 350.000 pela Embaixada do Brasil em Boston em 2015, mas dados do American Community Survey (ACS) de 2017 estimam aproximadamente 109.786 brasileiros no estado. Essa diferença pode ser devida ao fato de muitos brasileiros terem um status legal precário nos Estados Unidos, o que pode levar a uma subestimação da população brasileira nas pesquisas oficiais. 
Disponível em: https://www.immigrationresearch.org/node/3003
[4] The 30 Most Visited Countries in the World (in 2023). Disponível em:
 https://onestep4ward.com/most-visited-countries-in-the-world
[5] Tourism in Brazil enjoys record-breaking August. Disponível em: https://bric-group.com/article/tourism-in-brazil-enjoys-record-breaking-august
[6] 52 Places to Go in 2023. Disponível em: https://www.nytimes.com/interactive/2023/travel/52-places-travel-2023.html.  Ou em português: Cidade brasileira entra na lista dos melhores destinos turísticos de 2024.  Disponível em: https://www.melhoresdestinos.com.br/lista-nyt-melhores-destinos-turisticos-2024.html
[7] Best Places to Travel in 2024. Disponível em:  https://www.lonelyplanet.com/best-in-travel