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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Vale do Silício é bem ali

Pré- texto de Vicente Gioielli para o UOL Tecnologia

Os estereótipos atribuídos ao sertão nordestino são dezenas e muito conhecidos. Os mais difundidos remetem à imagem de rostos e corpos magros, maltratados pela dura vida na seca que racha em milhares de pedaços o chão e os sonhos sertanejos. No entanto, uma pequena cidade encravada no Sertão dos Inhamuns, no Ceará, mostra uma realidade diferente daquela que estamos acostumados a ver e ouvir.

Tauá, município localizado a 340 km de Fortaleza, é pacata como tantos outros recantos do interior cearense. Ficou bastante conhecida pela produção de cabras, ovelhas e bodes, e há poucos meses foi surpreendida por uma novidade cujo nome foi inspirado pelos pastos locais: o Bodefone.

À primeira vista, trata-se de uma cabine telefônica de acrílico, que leva a imagem do caprino. Mas a tecnologia da telefonia deste "orelhão" exige grande conectividade em Internet banda larga - o que o município, surpreendentemente, possui. O sistema utilizado pelos Bodefones é o VoIP (Voice over Internet Protocol), que barateia muito os custos das ligações telefônicas.

Vale do Silício é bem ali
Publicado em 30 de outubro de 2011 no Diário do Nordeste
Por Mauro Oliveira - ex-sec. Telecomunicações do Ministério das Comunicações

Steve Jobs "partiu pra sua nuvem", recentemente, sem a autorização de seus 5 milhões de admiradores (youtube.com/watch?v=66f2yP7ehDs). "Menino danado" do Vale do Silício americano, ele se tornou um ícone de inovação tecnológica para os terráqueos cibernéticos. Entretanto, Malcolm Gladwell em seu instigante best-seller "Outliers" (Fora de Série) argumenta que o talento inato é apenas uma parte do sucesso. Segundo Gladwell, sem formação, oportunidade e ambiente cultural favorável, Steve Jobs, Bill Gates e outros famosos passariam, provavelmente, despercebidos no "international digital jet-set".

Ou seja, ser a pessoa certa, na hora certa, no lugar certo e numa cultura favorável é fundamental para o "self-made man". Shakespeare, talvez não tivesse a mesma notoriedade se nascido na terra do Cafita, o querido animador da sociedade itapipoquense durante várias décadas e que inspirou a criação da RUI (www.maurooliveira.com.br), a primeira "rádio na Internet", em 1992.

O município de Tauá, no Ceará, dá ares de ter compreendido cedo o mundo de Gladwell.

O futuro de seus jovens talentosos será afetado pela cultura digital que o município inaugurou no início desse século, que já se vai rápido demais.

Tendo a universalização da Internet "no rumo da venta", Tauá tornar-se-á, em novembro deste ano, o primeiro município digital do Brasil com 100% de cobertura de Internet gratuita em seu território.

Não é por acaso que o item banda larga é um dos considerados pelo Fórum Econômico Mundial que avaliou a Suiça como o país mais competitivo do planeta. Na Finlândia, mais de 96% das residências têm banda larga (100 Mbps, assegurados por lei), o que certamente contribui para que ela seja a nação mais próspera do mundo, segundo o Legatum Prosperity Index de 2009, publicado na famosa Economist.

A primeira aplicação (uso) em grande escala do nosso Cinturão Digital deverá acontecer em Tauá, experiência que poderá ser reaplicada para o restante do estado.

Trata-se do projeto LARIISA, uma solução para apoiar a tomada de decisão na área da saúde cujo protótipo está sendo iniciado.

Antes, o município já tinha marcado presença no cenário eletrônico nacional com vários projetos de inclusão digital, tais como os quiosques digitais em lugares públicos e o Teletauá, popularmente conhecido como Bodefone, orelhões que permitem ao cidadão comum fazer chamadas telefônicas gratuitas, via computador.

A agenda Tauá 2020 prevê, em breve, o lançamento do conceito de cidade universitária em Tecnologia da informação (TI) com a instalação de cursos de graduação e mestrado profissional em TI.

Paralelamente, um parque tecnológico em TI se inicia com a consolidação de empresas do projeto Incubadoras Digitais e com a cooperação técnico-cientifica firmada com a Microsoft e com o LDS, Laboratório de Desenvolvimento de Software do IFCE (Instituto Federal Cearense).

Que a ousadia de Tauá em quebrar velhos paradigmas econômicos, por vezes ineficazes no semiárido, inspire outros municípios a investirem na democratização da TI como ferramenta de desenvolvimento socioeconômico.

Quem sabe, em 2020, quando "gringos" chegarem no Pinto Martins a procura do Vale do Silício Cearense, qualquer "cabra da peste" saiba responder: é bem ali, lá em Tauá!

Mauro Oliveira - ex-sec. Telecomunicações do Ministério das Comunicações

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A Morte de um iGênio

Morreu ontem, dia 5 de outubro, aos 56 anos, o mais famoso garoto propaganda do mundo, Steve Jobs. Nessa função usava sempre uma única roupa: uma camisa preta, uma calça jeans e um tênis. Ninguém lançava um produto melhor do que ele. Steve Jobs era também o co-fundador e CEO, aquele que manda em todos, da Apple. Foi chamado para inovar em algum outro lugar. Sorte de quem vai recebê-lo.
Será, possivelmente, lembrado como uma das mais inventivas mentes do fim do século XX, e início do novo milênio; e como o homem que criou a intimidade do cidadão comum com a tecnologia digital. Segundo alguns, ele foi o homem que inventou o futuro.
Ele inventou coisas que não sabíamos que precisávamos como o personal computer, o Apple II; foi o primeiro a produzir o chamado all-in-one (todos componentes agrupados, como CPU, monitor, drive de CD, etc.), iMac, MP3, iPod, iPad, iPhone, computadores com menos de 1 cm de espessura, até chegar nos tablets. Inventou coisas que hoje não conseguimos viver sem elas. Foi também o primeiro a usar o mouse em um computador. Muito antes da internet ser criada, profetizou que os computadores nos uniria a todos em uma grande rede.
Não será difícil a Apple continuar inovando sem ele, mas acho difícil encontrarem alguém que pare a mídia mundial no lançamento de um novo produto como ele fazia. O mundo adorava ver o criador e a criatura juntos.
O que pouca gente sabe que a gravadora dos Beatles chamava-se Apple Records, e quando Steve Jobs e Steve Wozniak criaram a maça mordida, tiveram de pedir autorização da Apple Records, que concordou desde que a nova empresa não entrasse no ramo de gravação ou comercialização de discos ou records.
Abaixo tem um vídeo que se tornou famoso, onde ele fala dele mesmo em uma formatura na Stanford University, na Califórnia. É interessante por vários motivos. Mas antes do vídeo, temos algumas frases ditas por ele:

“Não me incomodo com o sucesso deles. Só me incomodo com o fato de que eles fazem produtos de terceira categoria”. -- Sobre a Microsoft, em 1996

Relações destrutivas não ajudam ninguém na indústria atualmente” -- Ao anunciar a parceria com a Microsoft, em 1997

“Não faz sentido olhar para trás e pensar: devia ter feito isso ou aquilo, devia ter estado lá. Isso não importa. Vamos inventar o amanhã, e parar de nos preocupar com o passado” -- Em 2007, comentando sua orientação aos funcionários da Apple em 1997, quando voltou à empresa:

“Se você faz algo de bom e tudo dá certo, acho que é hora de pensar em outra coisa e tentar adivinhar o que vem pela frente”: -- 2006, em entrevista ao canal NBC:

“Não penso muito em legado para as próximas gerações. Penso apenas em acordar de manhã e trabalhar com pessoas brilhantes para criar coisas que, espero, sejam tão apreciadas por outras pessoas como são apreciadas por nós”. -- Em 2007, em evento do Wall Street Journal

“Para se ter sucesso, é necessário amar de verdade o que se faz. Caso contrário, levando em conta apenas o lado racional, você simplesmente desiste. É o que acontece com a maioria das pessoas.” -- Em 2007, em evento do Wall Street Journal:

“Ninguém quer morrer. Mesmo as pessoas que querem chegar ao Paraíso não querem morrer pra estar lá. Mas, apesar disso, a morte é um destino de todos nós. Ninguém nunca escapou. E deve ser assim, porque a morte é provavelmente a maior invenção da vida. É o agente de transformação da vida. Ela elimina os antigos e abre caminho para os novos”. -- Em 2005, durante palestra na Universidade de Stanford, um ano após ter passado por cirurgia para retirada de um tumor no pâncreas.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Irmão Sol, Irmão Lua, Irmão Zé Alberto


 “O temor do Senhor é o começo da sabedoria” Salmo 110


Será que existe alguém que entende como funciona a cabeça de Deus ? Possivelmente, somente Ele mesmo e o Filho de Dele, o que é a mesma coisa.
José Alberto Barbosa partiu hoje, cercado pela esposa, filhos, cunhados, irmãs, parentes e amigos que o amavam muito. Partiu em paz , em clima de oração, todos orando serenamente em sua volta, cantando hinos de louvares. Partiu como poucos partem. Partiu às 18 horas, hora do Angelus.
Partiu dessa para melhor. Aí é que reside a questão. O Barbosa, como o chamavam uns, ou Zé Alberto chamado por outros, partiu para o Paraíso. Só não foi para lá se não quis. Portador de doença na próstata há uns seis anos, tendo nesse período vários momentos difíceis, teve oportunidade de sobra de se arrepender de seus pecados, condição simplória para se entrar no Paraíso.
A Fabiana sempre me questionou: Então basta o sujeito se arrepender no último minuto que está tudo perdoado? Exatamente. Não foi isso que aconteceu com o ladrão arrependido ao lado da Cruz de Cristo ?
- “Em verdade te digo hoje mesmo estarás comigo no Paraíso.” ( Lucas 23,43)
Pronto simples desse jeito.
- Então quer dizer que o sujeito pinta e borda, e no último segundo se arrepende, ele está salvo ? Pergunta ela.
-Exatamente, respondo eu. Só que tem um detalhe: há milhões de pessoas que morrem todos os dias que não se utilizam deste presente de Deus, por alguns motivos: não acreditavam em Deus; tinham outras religiões e não sabiam que isso era possível ou morreram tão rapidamente, inesperadamente.
E há os sujeitos que pintam e bordam, que não vão se lembrar de se arrepender no último segundo. Deus que é perfeito e conhece a cada um, vai permitir ou não que o sujeito se lembre de pedir perdão no último segundo. E uma doença prolongada, pode produzir um sofrimento aqui, justamente para que não haja sofrimento lá, e a pessoa tenha bastante tempo para fazer uma reflexão e se arrepender sinceramente de seus pecados. É sempre bom lembrar que a Deus ninguém engana.
Conheci um senhor que aprontou muito, várias mulheres, várias esposas ao mesmo tempo, filhos da mesma idade com mulheres diferentes. Fazia séculos que não entrava em uma igreja, um dia disse que tinha sonhado com Dom Bosco, e este lhe dizia  que se confessasse. Ex-aluno do Colégio Salesiano de Manaus, atendeu o pedido do santo. Se estava realmente arrependido, e tinha firme próposito de não mais repetir o que fazia de errado, se contou tudo para o padre, nunca saberemos; mas pouco mais de um mês depois veio a falecer.
Então, é Deus que conhece a cada um de nós. Se vamos ou não nos arrepender das nossas faltas no último segundo, isso será decidido por ele. Se deixarmos para a última hora, talvez isso não ocorra. Se o Barbosa tivesse deixado para a última hora, estaria em situação difícil, por que na última hora não estava mais acordado.
O perdão de Deus como consequência do nosso arrependimento é expresso na Bíblia de várias formas, como a do ladrão citada acima. Tem o perdão dado ao rei Davi, que pecou para ficar com a mulher de Urias;  Maria Madalena foi perdoada, e assim o Filho Pródigo. Existem várias outras passagens da Sagrada Escritura sobre a misericórdia de Deus.
“ O Senhor é bom e misericordioso, lento para a cólera e cheio de clemência. Ele não está sempre a repreender, nem eterno é o seu ressentimento. Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos castiga em proporção de nossas faltas.” (Salmo 102,8-10).

A Matemática da Fé e a Ausência de Lógica

Desde que o Zé Alberto adoeceu - este que já era uma pessoa muito religiosa, cercado de familiares e amigos religiosos - as orações foram intensificadas. Foram rezados centenas de rosários. Multiplicaram-se os encontros, várias noites de orações, vários pedidos, várias súplicas, muitos louvores e agradecimentos. Sem sobra de dúvida a doença do Zé serviu para sarar muita gente, e com certeza a ele mesmo. Somando-se  crença e fé com a inteligência, com certeza gerou o arrependimento. Em seis (ou sete ?) longos anos de dor, com o sofrimento e as orações o Zé Alberto se penitenciou, e ganhou um lugar melhor que esse. Mal ele sabia que seria justamente no dia do aniversário de sua mãe, Francisca, por causa do Francisco. Não pode ter sido coincidência.
Mas agora vem a pergunta que não quer calar: O José Alberto partiu para o Paraíso, mas em contrapartida deixou a esposa, ainda jovem, três filhos, mais jovens ainda, três netos e uma multidão de amigos sofrendo a dor da saudade. Isso tem lógica ? A primeira resposta é: Isso não foi feito para ter lógica. A fé é uma coisa irracional. Deus é que nem eletricidade, a gente sente mas não vê.
Vou repetir: O Zé Alberto partiu para o Paraíso e a Vânia ficou sofrendo. Sofrimento repetido, pois ainda adolescente passou por tudo isso com a doença do pai dela. Isso tem lógica ? Pare e pense quantas coisas na vida você entende como funciona. Muita gente não entende como é que a imagem da TV chega na sua casa, e várias outras coisas simples da vida, como é que vai entender isso ? Você entende como um óvulo é fecundado e sozinho, vai se multiplicando, se multiplicando e se transformando,  se transformando, até se formar um ser humano ? Aquele que deu a vida  gratuitamente  tem o direito de tirar quando bem lhe aprouver porque tudo a Ele pertence.
Quantas pessoas foram curadas pela doença do Zé Alberto, talvez, ele tenha sido chamado para outra missão, outra etapa de sua existência. Quem sabe a ele foi designado um grupo de pessoas por quem deve orar e pedir ao Pai constantemente, coisa que não faria se estivesse aqui, por motivos óbvios. Talvez o plano inicial era somente adoecer e ficar curado, mas tocou tanta gente, que foi premiado. Quem sabe... ?  Talvez... Nunca saberemos.
O que sabemos é devemos agradecer a Deus por termos tido ele em nossas vidas. Sempre muito prestativo,sempre disposto ajudar, sempre encabeçando, gerenciado ações de ajuda aos outros. Agradecer a Deus, como ele mesmo agradeceu, por tantos momentos felizes vividos com a sua família, com os amigos. As viagens, os churrascos dominicais na Vivenda, e muitos outros grandes momentos.
Talvez não tenha vivido como um santo, como nós também não vivemos, mas Deus na sua infinita misericórdia, fez uma caminhada com ele, e o preparou para a Sua Glória.
Vai ser muito difícil para a sua família viver sem ele, mas peço a Deus que lhes dê força nesse momento tão difícil.
Irmão Zé Alberto intercessada por nós, que estaremos aqui sempre intercedendo por vós.

Cláudio Nogueira

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A Dor que Salva

Ontem visitei no hospital Check Up, o José Alberto Alves Barbosa, o Barbosão, marido da prima Vânia Bessa Cyrino Barbosa. Somente há dois dias fui informado disso, mas ele já está hospitalizado há dez dias. Já faz algum tempo que luta contra doença na próstata.
Ir ao Check UP já virou rotina. No mês passado, por estar muito perto da escola das crianças, ficou muito fácil visitar, quase que diariamente, o padre Carlos Steiner, amigo nosso, que ficou quase um mês internado lá.
Ontem a Vânia me disse, que tem um grupo de amigos de oração - uma cinquenta pessoas - que se reunem às quintas-feiras para rezar pela saúde do Zé Alberto, também como é conhecido.Não realidade o número é bem maior, se considerarmos os parentes e amigos (os nogueiras estão sempre rezando) que não frequentam o grupo, e que também rezam pela a recuperação do Barbosa ( A Maria Cecília, minha sobrinha, chama-o de tio grandão).
O outro hóspede do Check UP, padre Carlos, nascido William (Bill) Steiner, americano, que come e adora tudo que os caboquinhos daqui comem, está no Brasil há quase sessenta anos - membro ativo em diversas pastorais, que congregam pessoas de vários bairros de Manaus - não consegue partir em paz (graças a Deus !). Os anjos o chamam pra lá, os dois milheiros de amigos seguram ele por aqui. Mas puxem-no pelas mãos, não toquem nas pernas, pois querendo ser caboco de verdade, carrega em uma das pernas uma erisipela braba, que não lhe dá trégua. Se tivesse vivido na sua Chicago, isso não teria acontecido. Mas também não teria provado da costela de tambaqui no tucupi, que tanto gosta.

Tem muita gente rezando por eles ( tem gente orando também, porque crente não reza, ora. Qual é a diferença ? Não sei. Talvez mera questão de marketing, diferenciação de produto). Como disse, tem muita gente rezando pelo padre Carlos e pelo Zé Alberto. Isso demanda, requer e exige uma reflexão; e a seguinte pergunta: Afinal quem é que está salvando quem nessa história ? Somos nós que estamos salvando eles, ou são eles que estão nos salvando ?
Cristo nos salvou com a sua dor. Se ele tivesse vindo, pregado, feito milagres e voltado, muito possivelmente não estaríamos ligados a Ele, ou até mesmo, simplesmente, falando Nele como estamos.
Rezamos pelos dois porque gostamos deles, e queremos que fiquem aqui mais um pouco. O meu raciocínio é muito simples: como católico acreditamos na existência do Inferno, Purgatório e Céu. Acreditamos que a alma é eterna, e é para um desses lugares que iremos, depois que alma e corpo forem separados (eu acho que vou ser mandado para um Reformatório. Coitado do Mário Dandão, que é crente - ou seria descrente ? - e não acredita em Purgatório). Eu acredito, que um dia teremos o seguinte diálogo com quem estiver por perto:
- Eu vivi na Terra há duzentos anos atrás.
- Só!? Eu vivi há setecentos anos.
Talvez, seja este o único motivo que segure carlos e zealbertos por aqui. Pra que pressa? O tempo por aqui é curtíssimo. O de lá é infinito. Deixem eles curtirem um pouco mais os seus amigos, confrades, filhos, netos, esposa, etc.
Fora isso a partida dos dois só causa prejuízos (emocional, etc.) em quem fica.
Afinal quem está salvando quem ? Quantas orações você já fez pelo padre Carlos ? E pelo Barbosa ?
Engraçado né ? Se eles tivessem vendendo saúde, você teria rezado tanto assim ? Você teria aumentado tanto a sua intimidade com Deus? Quem está salvando quem ? Quem é que está sendo curado ? Já foram ditas tantas orações por esses dois, que os contadores de pecados deles devem estar zerados.
Se não fosse tanto a vontade deles de ficar, poderíamos dizer que não deveriam mais resistir, mas que partissem em paz. Mas sabem que quem não vai ficar em paz somos nós.
Veja como são as coisas, possivelmente, devido aos seus exemplos de vida, aos seus arrependimentos pessoais, somado as nossas orações, eles estejam salvos, e se fossem espertos (e egoístas) deveriam pedir para partir agora. E nós poderíamos, de certo modo, dizer que contribuímos para a salvação deles. Mas há uma certa reciprocidade, os sofrimentos deles contribuem para a nossa salvação, exatamente como o sofrimento de Cristo. Com uma diferença enorme: o sofrimento de Cristo foi deliberado, gratuito. Mas mesmo assim, o sofrimento de cada um não está sendo em vão.
Dezenas de pessoas rezam e oram pelos dois, porque os amam. E calados eles não respondem, mas nos salvam. As orações por eles nos aproximam de Deus e contribuem para a nossa salvação.
E agora fiquei na dúvida. Eu rezo pelo pronto restabelecimento dos dois ? Mas se eles ficarem curados, nós vamos parar de rezar ? A resposta é o que eu gosto de chamar de poupança espiritual. O negócio é rezar sempre, antes que qualquer tragédia nos aconteça. Vamos rezar antecipadamente.
Querem outro paradoxo ? Na dor nos reunimos para rezar, nos aproximamos de Deus. Possivelmente cada um faz a sua reflexão pessoal, se arrepende de seus pecados. Se não se arrependeu, perdeu tempo, melhor que estivesse assistindo a novela das oito. A dor nos salva. E nos salvamos na tristeza.
E nas festas estamos felizes, alegres. Mas, talvez, fazendo coisas que nos afastam de Deus. É ou não é um paradoxo ? It depends, diria o padre Carlos. Não necessariamente. Podemos muito bem nos aproximar de Deus sem que estejamos com problemas, na alegria também. A Bíblia, nos Salmos de Davi, nos exorta a louvamos ao Senhor com instrumentos musicais. Já ouviram falar da cítara ? Pois é. Então, nas festas também podemos nos aproximar do Senhor, e lhe agradecer por tantos momentos bons que vivemos com os amigos e familiares.
Desde modo padre Carlos e Zé Alberto descansem em paz... recuperem as forças que há muito ainda para ser vivido por aqui. Não se empolguem.
No mais espero que o dia mais feliz de nossas vidas, seja o dia da partida de cada um.

Cláudio Nogueira.

PS1. Quando o padre Carlos estava meio indeciso, “vou ou fico”, eu aproveitei a oportunidade, no seu apartamento lá no Check Up para lhe dizer: Nós queremos muito o senhor aqui, mas se o senhor partir, lembre-se que lhe amamos, e dê um beijo no meu pai quando se encontrar com ele.

PS2. José Alberto partiu dia de São Francisco, 4 de outubro. No dia do aniversário de sua mãe. Padre Carlos partiu dia 17 de novembro. Estava sendo submetido a hemodiálise por três vezes ao dia. Graças a Deus isso acabou. Estão os dois na casa do Pai. Lá há muitas moradas, eles devem está em uma delas.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Universidade da Aleam - Chamem a Polícia II

Ser político nesse país é um bom negócio. Eu preciso escrever aqui o porque? Não. Os meus e-leitores são capazes de escrever vários volumes, uma enciclopédia inteira de motivos, por isso não vou ficar aqui chovendo no molhado. Que existem políticos honestos, decentes, que realmente se preocupam com as coisas públicas, eles também sabem. Não só sabem como são capazes de nomeá-los. Quem presta e quem não presta, o povo sabe. Quem é capacho e quem honra os votos recebidos, o povo sabe. Eu mando, via email, esse texto para mais de 2000 pessoas: amigos, colegas de trabalhos, alunos, ex-alunos, professores, jornalistas, intelectuais, etc.; e para uma multidão de políticos daqui e de Brasília; então, tenho certeza que o sujeito se identifica, e pensa: o honesto sou eu; o capacho sou eu. Se me encontrar pessoalmente, sem eu mencionar o nome dele(s), o sujeito é capaz de me agredir, para eu parar de citá-lo. Como fez o vereador covarde, que agrediu uma repórter no Pará.
Pois bem! Agora no Amazonas, não é somente bom ser político, mas é muito bom trabalhar para eles, trabalhar com eles. Vocês se lembram das denúncias das bolsas de estudos distribuídas pela Assembléia ? Não !? Então vou recordar:

"A escandalosa distribuição de bolsas de estudo
O jornal A Crítica de hoje, está publicando uma relação de deputados e ex-deputados quem mantém, com o nosso dinheiro, filhos e apaniguados estudando em faculdades particulares. A benemerência é feita pela Assembleia Legislativa, como se aquele poder fosse a Casa São Vicente de Paulo, cuja finalidade é ajudar as pessoas carentes.
Um dos filhos do Belão, o pentapresidente, recebe uma pequena ajuda de quase 5 mil reais por mês, só para bancar os estudos."

Escreveu Ronaldo Tiradentes no seu blog:
http://www.cbnmanaus.com.br/ronaldotiradentes/?p=3501

Agora eles foram mais longe, e resolveram criar a Universidade da Assembléia Legislativa do Estado do Amazonas - UniAleam. Sendo pública - portanto, financiada com o nosso dinheiro - todos os cidadãos amazonenses poderão fazer o vestibular dela, certo ? Errado. Só poderão estudar nela - e nós vamos pagar para isso - os funcionários da Casa: 2000.

Os funcionários públicos da Polícia Militar já tem o seu colégio, agora os funcionários da Assembléia terão a sua universidade. Amazonino se toca e transforma a Escola Municipal de Serviço Público em uma universidade municipal, exclusivamente para os funcionários. Ângela Bulbol seria uma magnífica reitora (além de bonita).
Cadê os funcionários da Secretaria Estadual de Saúde que não se mobilizam e pedem ao governador uma faculdade de medicina, outra de farmácia, outra de administração hospitalar e outra de saúde pública só para eles.

E o pessoal da Sefaz ? Que tal cria a ESAF-AM. Como a palavra o meu brother.

Onde estão os funcionários TJ-AM que não lutam para transformar a Escola de Magistratura em uma faculdade pública ministrando o curso de Direito somente para os servidores do Judiciário ?

Quinta-feira participei no auditório do INPA de um seminário sobre os problemas da ZFM. Na ocasião um economista lembrava que existem 125 mil funcionários públicos no Amazonas. Portanto, tem 123.000 funcionários que se desejarem entrar em uma universidade, ou fazer uma pós-graduação vão ter de rala muito, se submeter a um vestibular como todo mundo, ou tirar do seu bolso o pagamento da mensalidade escolar.

Está criado a figura do funcionário marajá. Eu sei que isso já existe há muito tempo, e em outros estados, mas nunca numa quantidade tão grande e com tanta cara de pau.

E põe cara de pau nisso. E nós temos caras de lesos. Num Estado que se constrói num dia um monumento horroso por R$5.500.000,00, e se derruba no outro, tudo é possível. Tudo é permitido. "Vai haver contestação de alguns babacas (será que estou nesse grupo?) num dia; a imprensa vai noticiar no outro, mais depois ninguém mais vai falar nada".
A pergunta que não quer calar é a seguinte: O governador Omar Aziz determinou a realização de eleição direta para o reitor da UEA, como é ele quem manda na Assembléia, será que haverá eleição direta para reitor da UniAleam ?
Claro!!! Político adora uma eleição direta. Ah bom ! Então vamos esperar para ver.

Deem uma lida nas matérias e veja o vídeo d' A Critica sobre a UniAleam:

" Unialeam terá investimentos na ordem de R$ 1,5 milhão nos próximos 18 meses
Segundo o diretor-geral da Aleam, Wander Mota, estima-se que devam ser investidos cerca de R$ 30 mil por curso pelo legislativo Estadual, mais R$270 mil de outras fontes financiadoras, tais como a Fapeam e a UEA."

http://acritica.uol.com.br/manaus/Unialeam-investimentos-ordem-milhao-proximos-Amazonia-Amazonas-Manaus_0_557344563.html

Unialeam começará com cursos sem a aprovação do MEC
O prazo para encaminhar as grades dos cursos para análise do Capes encerrou em julho deste ano, antes da criação da Universidade do Legislativo Estadual.

http://acritica.uol.com.br/manaus/Unialeam-comecara-cursos-aprovacao-MEC-Amazonia-Amazonas-Manaus_0_557944581.html

Tenham todos um bom dia.

Cláudio Nogueira
Abaixo reportagem da TV A Critica

domingo, 4 de setembro de 2011

A Visão do Inferno II - Chamem a polícia

No dia 23 de junho de 2011, eu escrevi aqui sobre a saída, na av. Brasil, da ponte Manaus-Iranduba, também conhecida com estrada da Estanave
(http://nogueiraclaudio.blogspot.com/2011/06/visao-do-inferno.html) (dê uma relida, reescrevo aqui o primeiro parágrafo):

A Visão do Inferno

" Eu ando desenvolvendo um dom premonitório. Estou sentido que a Zona Franca de Manaus está precisando de cuidados; na realidade, ela está precisando é de defensores. Mas agora eu tive uma visão horrível, fechei os olhos e tive uma visão do inferno. Do inferno que vai ficar av. Brasil, perto da sede do governo estadual, na saída da ponte Manaus-Iranduba."

Agora alguém aí tem de chamar a polícia, ou o Ministério Público, ou o Bento XVI para nos defender. Defender do dinheiro "jogado fora", que poderia muito bem ter sido utilizado em outras coisas, como construção de escolas, hospitais, etc. E enquanto isso, não se tem a menor misericórdia com a população, e a Santa Casa permanece fechada.

Para você entender do que estou falando, leia o que escrevi no post citado acima, e leia o que publicou o jornal A Crítica na data de hoje. Se você não ficou indignado, comece a se preocupar. Ou é (1) porque você já viu tantas coisas erradas feitas pelo poder público, que perdeu a capacidade de se indignar, e acha até mesmo que isso é perca de tempo; ou (2) porque você tem um caráter duvidoso. Ou melhor, quem te conhece não tem mais dúvidas sobre o seu caráter.

O pior é que o que está sendo feito é necessário. Além da fortuna gasta naquele monumento horroroso, que começou a ser construído muito depois da ponte; não dava para perceber..., não houver planejamento e ver que ele não poderia, sobre hipótese nenhuma, ser construído ali ?

Como vejo situações como essas sendo denunciadas todos os dias, que viram manchetes, e depois ninguém se lembra mais, e não acontece nada, ficando por isso mesmo, o meu consolo é na fé (fazer o que né ?). Eu tenho fé que o diabo existe, e esse povo vai um dia ficar tête-à- tête com ele. Os Malufs da nossa política (esse acabou de completar 80 anos, não vai demorar muito não), os ACMs (esse já está lá, e tem gente de Manaus junto com ele) acham que nunca acaba a roubalheira, mas um dia acaba.

Leia o que foi publicado n' A Crítica:
Monumento da ponte sobre o rio Negro é destruído no AM

O Governo do Estado está demolindo parte da praça do monumento da ponte sobre o Rio Negro, que custou R$ 5,5 milhões, para fazer uma ponte mista que dará acesso aos veículos que saem da estrada da Estanave para a Avenida Brasil. O monumento e a praça foram inaugurados no dia 31 de março do ano passado na maratona de inaugurações feitas pelo ex-governador Eduardo Braga...
Abaixo vídeo publicado no jornal A Crítica:

terça-feira, 2 de agosto de 2011

40 anos de criação do CMM

Em 2 de agosto de 1971, o general Emílio Garrastazu Médici por meio do Decreto 68.966 criava o Colégio Militar de Manaus. Após o concurso para os filhos de não militares, realizado naquele ano mesmo, e a criação do internato para os filhos de militares não residentes em Manaus, começamos a aprender a "ordem unida" e outros comandos militares no mês de fevereiro de 1972. As aulas começaram no mês de março, e no dia 7 de abril de 1972 o CMM foi oficialmente inaugurado; portanto, existem duas datas a serem comemoradas: a criação e a inauguração. Mas há muitos outros motivos para comemorarmos, ex-alunos e a sociedade amazonense. De lá saíram militares das três armas, que há muito já chegaram ao posto de Coronel, Coronel Aviador e Capitão de Mar e Guerra, com alguns atingido o generalato. Da minha turma, que entrou em 1972 e saiu em 1978, todos já são coronéis, alguns ainda na ativa, outros na reserva. E de lá saíram vários profissionais, que atuam em várias áreas, na iniciativa privada e na administração pública, incluindo ex-prefeito, ex-ministro, ex-superintendente da Suframa, ex e atuais secretários municipais e estaduais, não vou citar nomes porque corro o risco de me esquecer de alguém. Recentemente, em um programa da Globo apareceu um ex- aluno que é pesquisador e professor em uma universidade australiana.
Esse fim de semana mais de 50 ex-alunos de todo o Brasil estão vindo para Manaus para comemorar a data. O CMM, por ter muitos alunos que os pais eram de outros estados, mas serviam na Amazônia, tem ex-alunos espalhados por todo o Brasil. Muitos daqueles que eram adolescentes ou jovem e moraram juntos no internato, encontram-se uma vez por ano, geralmente na Semana da Pátria, esse ano o encontro será aqui em Manaus. Na sexta-feira de manhã será a formatura de comemoração da data. SELVA !