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sábado, 9 de outubro de 2010

Os Tribuneiros Chegaram lá

No início dos anos 80, eu estudava os cursos de licenciatura em física, engenharia elétrica e economia na UA (Universidade do Amazonas, futura UFAM, Universidade Federal do Amazonas). Em 1979, João Pedro Gonçalves, Eronildo Bezerra e outros, como George Tasso, criaram o CUCA - Centro Universitário do Curso de Agronomia.
Jefferson Praia também estudava Agronomia, posteriormente graduou-se em Economia. Omar Aziz estudava Engenharia Civil e Eduardo Braga Engenharia Elétrica. Vanessa Graziotin cursava biologia.
Anos depois, quando eu ensinava nas engenharias da UFAM, vi Omar ainda estudante. Havia parado, mas voltou a estudar e graduou-se.
Alfredo Nascimento estudava estatística ou matemática, não sei ao certo. Mas com certeza, lembro-me dele nos blocos do Instituto de Ciências Exatas (ICE) no campus do Coroado. Depois não o vi mais; sei que se formou em letras e o reencontrei nas aulas-palestras ideológicas de Estudo de Problemas Brasileiros I e II ministradas pelos coronéis do Exército Gustavo Fregapani e Breno Celestino, ambos professores de desenho descritivo nos cursos de engenharia da UFAM, ambos ex-professores meus no Colégio Militar de Manaus, quando ainda eram capitães.
Fregapani era um funcionário ativo do odiado Serviço Nacional de Informação (SNI) dentro da Universidade.  O objetivo oficial do SNI era coletar e analisar informações estratégicas para a segurança nacional, mas, na prática, tornou-se um dos principais instrumentos de vigilância política do regime militar.
Em determinada ocasião, o vi participando de um debate de alunos da Jaqueira, como membro de uma chapa que concorria ao diretório dos estudantes de direito; do outro lado, debatiam com ele Thomaz Nogueira, também seu ex-aluno no CMM, Ana Aleixo, Francy e Fátima Litaiff. Em outro momento, o vi batendo boca sobre marxismo com um professor colega do seu no Departamento de Hidráulica e Saneamento da Faculdade de Tecnologia (FT) da UFAM.
Omar Aziz, João Pedro, Eron Bezerra, George Tasso e Massami Miki eram tribuneiros. Vanessa Graziotin namorava o Hermes, estudante de engenharia civil. Vanessa, que andava sempre com a Maristela, a Beth e o Paulo, todos da biologia, tornou-se tribuneira e trocou o Hermes pelo ideólogo do partido, Eron Bezerra. João Pedro tornou-se presidente do Diretório Universitário, DU - que anos depois, teve o nome mudado para DCE, Diretório Central de Estudantes - sucedendo a José Carlos Sardinha, hoje respeitado médico dermatologista.
No grupo dos tribuneiros também constavam outros nomes que hoje não fazem parte do noticiário político, como os mencionados acima, além de Lúcia Antony, estudante de odontologia, que viria a se casar e, posteriormente, se divorciar de João Pedro.
Minha professora de introdução à sociologia, no curso de economia, em 1980, era Marilene Corrêa, hoje doutora em sociologia, ex-secretária de Estado de Ciência e Tecnologia e ex-reitora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), nos governos de Eduardo Braga e Omar Aziz. 
Nesta eleição de 2010, ela concorreu ao Senado, junto com Jefferson Praia, na chapa de Alfredo Nascimento, que era senador pelo Partido Liberal (PL), mas estava licenciado para exercer o cargo de ministro dos Transportes do governo Lula. Ele concorreu ao governo do Amazonas e perdeu para Omar Aziz, então vice-governador de Eduardo Braga. Jefferson Praia era senador também. Cargo herdado com a morte de Jefferson Peres em 2008. Marilene e Praia foram derrotados por Vanessa Grazziotin e Eduardo Braga, que também derrotaram  Arthur Virgílio Neto.
Em 1982 nasce o PT e um grupo de estudantes lança a chapa Pé na Terra para disputar a direção do DU. O surgimento desse grupo irrita os tribuneiros. Primeiro, porque era um grupo concorrente na direção da política estudantil na UA; segundo, alegavam que o novo grupo era o PT camuflado.
Mas o que significava ser tribuneiro ? Significava pertencer a um grupo de estudantes que fazia política na universidade e distribuía o jornal Tribuna da Luta Operária, do PC do B. Defendiam as ideias e os ideais stalinistas. Aí daquele que falasse mal da Albânia e do seu ditador, Enver Hoxha.
Os Pé-na-Terra eram o grupo ao qual eu pertencia. Éramos simpatizantes do recém-criado Partido dos Trabalhadores. Muito embora muitos de nós não tivéssemos nenhuma ligação direta com o partido. Estávamos lá por discordarmos da ditadura, pela afinidade intelectual, pelas amizades existentes ou pela defesa de uma universidade de melhor qualidade. Não tínhamos, portanto, a mesma estrutura do PCdoB. Havia, sim, alguns membros que eram ativos dentro do PT. Éramos pró-trabalhadores, mas não do tipo dos PTBistas, e muito menos defendíamos a implantação do comunismo no Brasil.
Faziam para deste grupo, Thomaz Nogueira, aluno de direito, funcionário de carreira da SEFAZ-AM, e hoje seu secretário executivo da Receita, trabalhando como o governador Omar Aziz; Públio Caio Bessa Cyrino, estudante de filosofia, hoje procurador de Justiça; Socorro Jatobá, aluna do curso de filosofia, hoje professora da UFAM e doutora em filosofia; Maria Bernadete Mafra de Andrade, aluna de filosofia, formada em Belas Artes, grande artista plástica, ex-dirigente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) , que nos deixou há dois anos; Ângela Bulbol, aluna de Administração, hoje mestra e professora da UFAM, diretora da Escola Municipal de Serviço Público; Rafael Bernardes e Cirilo Fonseca, mineiros, alunos de biologia e geologia, voltaram para Minas após a graduação; Ednaldo Nelson, estudantes de biologia, doutor em sua área, ex-vice diretor do INPA;  Beto, aluno de química, depois pesquisador do INPA; Guilherme Cunha, aluno da geologia, que veio para Manaus, porque sua universidade, a Unisinos, no Rio Grande do Sul, tinha pegado fogo; João Evangelista, mais conhecido como João Jaburu, por causa das longas pernas, estudante de medicina; o casal Ivanci dos Santos e Arinete Barroncas, alunos de geologia e matemática, que após o casamento se mudaram para o ABC paulista, porque queriam ficar mais perto do PT; além de vários outros.
Arinete Barroncas, Tarcíso Leão e eu fundamos o Centro Acadêmico de Matemática. Sim. Antes de cursar física, eu estudava matemática; posteriormente, mudei de curso. Na realidade, eu fui meio coadjuvante; os dois foram quem teve a iniciativa.
Não vejo o Tarcísio Leão pessoalmente há mais de 25 anos. Vi-o, na última eleição, na TV, concorrendo ao Senado pelo PSTU. Ele e Irinéia, irmã do Ivanci, saíram do PT para fundar o PSTU no Amazonas. Também não vejo há muitos anos a linda, loira e, sobretudo, inteligente aluna de filosofia, Natacha Andrade, filha do dono do jornal A Notícia, Andrade Neto, desafeto de Fábio Lucena, que o desafiou para um duelo na Praça do Congresso, no melhor estilo do faroeste americano. A Natacha tocava violão e cantava muito bem. Com isso, deixava um tribuneiro babando na barba.
Entre os professores contávamos com o professor do curso de medicina, Marcus Barros, futuro reitor e presidente do Ibama no governo Lula; Marilene Corrêa, José Ribamar Bessa Freire, o Babá e Selda, a generala, todos fundadores do PT-AM e da ADUA, Associação dos Docentes da Universidade do Amazonas. O reitor era o Hamilton Mourão, pai da Arminda Mourão, presidente da Assua, Associação dos Servidores da Universidade do Amazonas, que nem por isso deixava de puxar, de quando em vez, uma greve. Seria encomendada ? Yo no lo creo ! Mas lembro-me bem do chefe de gabinete do reitor, Júlio Bamonte, pedindo-nos que fizéssemos greve em uma determinada situação, quando o Públio Cyrino era o presidente do DCE,  pois o magnífico concordava com as nossas reivindicações, mas alegava que não tinha como nos atendê-las; queria ser obrigado a tal.
Não preciso dizer que Pé-na-Terra e Tribuneiros se odiavam. Há várias décadas existiam o PC do B e o PCB; a chegada dos petistas ao mundo político irritava muito o PC do B, que via o seu território ser invadido por um partido menos radical e cheio de intelectuais. Sem passado e mais digestível do que um partido comunista.
Pura bobagem porque o inimigo comum era o Mourão e a ditadura, que já dava sinais de enfraquecimento. A "abertura" já estava em andamento; a campanha de Diretas Já começava a ganhar corpo.
Tribuneiros e Pé-na-Terra tinham algo em comum: não gostavam e falavam mal, inicialmente, da ditadura e de Hamilton Mourão; depois de Gilberto Mestrinho e de Amazonino Mendes.
Alfredo Nascimento, sargento da Aeronáutica, controlador de voo, odiava Lula (naturalmente !). Tanto quanto não morriam de amores pelo líder do PT, João Pedro, Eron Bezerra, Vanessa Grazziotin e Omar Aziz. Este, possivelmente, não admirava Eduardo Braga, que circulava no mesmo espaço, nos mesmos blocos da Faculdade de Tecnologia (FT) e do Instituto de Ciências Exatas (ICE), entre outros boyzinhos de direita filiados à Arena, que também lançavam suas chapas para o DCE
Em determinado ano, uma chapa de direita copiou o logotipo do açúcar União e fez o seu logo, e também publicou uma foto do grupo, buscando mostrar prestígio, com ministro da Aeronáutica Délio Jardim de Matos, o que provocou muito burburinho. Éramos todos jovens.
O DCE era oficial; a reitoria marcava a data da eleição e paralisava as aulas para que ela fosse realizada; também pagava a sede e mantinha um funcionário. Mas o candidato a presidente, assim como todos os futuros diretores, deveria ter concluído mais de dois terços dos créditos exigidos para a graduação e ter o coeficiente de rendimento escolar acima de seis. O que ocorria era que alguns alunos não cumpriam esses requisitos, então eram registrados alunos que os cumpriam. Na prática, as chapas apresentadas à comunidade eram outras.
Na eleição de 1982 para o DCE, o candidato a presidente pela chapa Pé na Terra foi o Públio; e pelo lado dos Tribuneiros, Eronildo Bezerra; que se autointitulava o sujeito mais popular da UA. Foram vários debates, e o Públio venceu com uma diferença de 1500 votos.
Com os pés-na-terra assumindo o DCE, as assembleias estudantis pegavam fogo entre os dois grupos. Havia votação de coisas absurdas. Por exemplo: se o DCE deveria ou não apoiar o movimento Solidariedade na Polônia. Os pés-na-terra eram a favor; os tribuneiros eram contra porque o "movimento de Lech Walesa ia de contra a causa operária, servia ao capitalismo burguês." Pode um negócio desses? Que diferença a nossa posição faria? Como afetaríamos o que estava acontecendo na Polônia ?
Houve lutas que beneficiaram a todos, como o ônibus gratuito entre os campi, ambos no Coroado, mas a seis quilômetros distantes um do outro; lutávamos por uma melhor qualidade de ensino, por melhores salários para os professores, pelo reconhecimento, pelo MEC, de alguns cursos, por melhores laboratórios, pela instalação do restaurante universitário (RU), pela retirada do histórico escolar das disciplinas reprovadas, em que o aluno tinha a opção de pedir o histórico com ou sem reprovação; pela escolha pela comunidade universitária dos diretores das faculdades e institutos e pela eleição direta para reitor; que aconteceu depois de 13 anos de reinado do Mourão, que caiu porque Marcus Barros e outros descobriram as traquinagens que o magnífico fazia com aplicações no "overnight" do dinheiro da Universidade. O presidente Figueiredo não teve outra opção: com uma canetada, aposentou o Mourão.
Na primeira eleição direta para reitor venceu Roberto Vieira, e na sequência viria Marcus Barros.
Havia um terceiro grupo, o pessoal do PCB, tendo como um dos seus líderes Guto Rodrigues, que nessa eleição (2010) concorreu a deputado federal, e Lino Chixaro, hoje advogado e presidente da Cigás, ex-presidente da Assembleia estadual, eleito, em 2002, pelo PPS de Eduardo Braga. Isso mesmo, naquele ano Braga foi eleito pelo PPS. Também fazia parte do PCB o hoje delegado de polícia, Mariolino Brito. A característica desse grupo era querer agradar gregos e goianos. A polarização entre tribuneiros e pés-na-terra obrigava o pessoal do PCB a agir dessa forma, buscando agradar aos adeptos dos dois lados para não desaparecer politicamente. Quando viam o pau quebrando entre tribuneiros e pés-na-terra, posicionavam-se fazendo o gênero em "cima do muro", no estilo paz e amor. Por isso às vezes eram chamados de comunistas cor-de-rosa.
Tinha também o folclórico Movimento Socialista Estudantil, que em todas as assembleias se posicionava e era composto de um único sujeito, Ilmar Pontes Pires, hoje funcionário aposentado da SEFAZ no cargo de Analista do Tesouro Estadual.
As nossas diferenças não nos impediram de irmos juntos a dois encontros nacionais da UNE. O 34º Congresso,  realizado em Piracicaba, SP, em 1982, e o encontro de Cabo Frio, RJ, no ano seguinte. 
Para Piracicaba foram João Jaburu, Rafael, Nelson, Arinete e Mário Gomes do nosso grupo, e João Pedro, Tasso, Sandro, Alonso Alencar e outros do grupo deles. Éramos uns trinta ou mais. Fomos de ônibus até Porto Velho; em seguida, de avião até Cuiabá e, novamente, de ônibus até Piracibada. O anfitrião, peitando a ditadura, foi o prefeito da cidade, João Herrmann Neto. Ficamos hospedados nas salas de aula da Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP). Neste congresso, Lula esteve presente, como presidente do Partido dos Trabalhadores. Piracicaba já havia sediado, dois anos antes, o 32º Congresso. Quem presidia a UNE era Javier Alfaya, que chegou ao Brasil com apenas 5 anos de idade e sofria a ameaça de ser expulso por ser estrangeiro fazendo política.
Durante o Congresso, "a inteligência do regime militar executou a Operação Pira, que teve ação conjunta de 8 equipes do Exército, da Marinha, da Aeronáutica e do Departamento de Polícia Federal. A operação Pira tinha como objetivo colher informações sobre os próximos movimentos dos estudantes e propaganda política."
Houve um momento muito tenso: estávamos dentro do ginásio ouvindo palestrantes quando ouvimos várias rajadas de tiros. O susto foi grande. No ano seguinte, em Cabo Frio, já éramos veteranos.
Após graduados, os pés-na-terra, volto a repetir, formados por filiados e não filiados ao PT – se dispersaram, tomando rumos fora da política profissional. Os nossos encontros eram na Universidade ou no DCE.
Os ex-pés-na-terra tornaram-se bons profissionais em diversas áreas. Eram bons alunos. E sem falsa modéstia, o grupo era formado por estudantes de capacidade intelectual acima da média.
Se naquela época, um maluco fizesse precisões do rumo que tomaria as vidas dos tribuneiros, diria-se que com certeza ele tinha fumado maconha estragada.
Hoje, para os ex-tribuneiros, é Deus no Céu e Lula na Terra, a quem eles odiavam muito. Seria total insanidade dizer que João Pedro largaria o PC do B e se filiaria ao PT, chegando a ser presidente estadual do partido. Esperto, com a queda do Muro de Berlim, mudou de partido, percebeu que o mundo tinha mudado e que a doutrina marxista-lenista ficara difícil de ser defendida. Antes havia sido vereador e deputado estadual pelo PC do B, e até março deste ano era senador pelo PT. Voltando ao tempo, é impossível de acreditar, tanto quanto era absurdo prever, que o militar Alfredo Nascimento passaria por todos os cargos que passou e seria ministro de Lula, e Marcus Barros não. 
Vanessa Grazziotin, eleita vereadora, foi catapultada da Câmara Municipal de Manaus para a Câmara Federal por conta de um safanão que levou da também vereadora Conceição Lins, em pleno plenário. Se o catiripapo não foi forte o suficiente para Vanessa fazer a viagem entre câmaras, o ex-presidente regional do PT, José Ribamar Bessa Freire, o Babá, deu uma força fazendo com que o eleitor até o dia da eleição não se esquecesse da surra que Vanessa levou. E isso serviu de combustível para a sua viagem até Brasília. Ela foi eleita em 1998 e reeleita em 2002 e 2006. Foi eleita senadora, em 2010, graças, pasme, você, que morreu na primeira metade da década de oitenta e reencarnou recentemente  com ajuda de Lula e de Eduardo Braga.
Vanessa e Omar sempre lutaram por um lugar ao sol, digo, no plenário. Omar foi vereador (Partido Social Liberal) e deputado estadual (Partido Progressista Reformador), sendo o mais votado, vice-prefeito (Partido da Frente Liberal) de Alfredo Nascimento e vice-governador de Eduardo Braga, além de governador (Partido da Mobilização Nacional) indicado por Amazonino Mendes para os dois cargos.
Eron Bezerra foi deputado estadual, ex-secretário estadual de Produção Rural - cargo que conseguiu para parar de fazer oposição ao governo de Eduardo Braga - tentou ser federal, mas não conseguiu. Os votos da esposa dele, Vanessa Grazziotin, migraram para o vereador Francisco Praciano, do PT. Lúcia Antony tentou ser deputada estadual, mas vai ser vereadora na vaga de Marcelo Ramos (PSB), eleito para a Assembleia do Amazonas. George Tasso, no momento continua como secretário estadual de questões fundiárias. Cargo que chegou apadrinhado por Arthur Virgílio Neto, quando o PSDB ainda fazia parte do primeiro governo de Braga. 
João Pedro, suplente do senador Alfredo Nascimento, poderá voltar ao Senado se Alfredo Nascimento for escolhido para ser ministro em um possível governo de Dilma Rousseff. O que não é impossível. Massami Miki, que perdeu a eleição para deputado estadual, vai continuar vereador. E com Omar Aziz eleito governador do Amazonas e Vanessa Graziotin eleita senadora, constato aqui, tirando o meu chapéu para eles: os tribuneiros chegaram lá.
E o Jefferson Praia,  citado no início do texto, tem a ver com isso, se ele não era tribuneiro ? Não era, mas estudava com eles. Ele e João Pedro estudavam juntos, ambos se tornaram senadores pela via indireta, suplentes que se tornaram titulares. Os dois entraram, os dois saíram. João Pedro continua suplente; Praia concorreu à reeleição e perdeu, azar do Senado.
Não sei se o leitor captou. Esse texto é sobre os tribuneiros ? Com certeza. Mas é também sobre o inimaginável. Quando é que nós poderíamos imaginar que João Pedro um dia fosse suplente de Alfredo Nascimento. O primeiro era pós-graduado em política, comunista assumido. O segundo, pacato cidadão, low profile, que nas aulas ideológicas de EPB concordava com tudo o que os coronéis falavam, porque acreditava piamente naquilo. Tinha ojeriza a comunistas, petistas, emedebistas, sindicalistas, etc. Só pensava no que faria no dia em que fosse para a reserva. Talvez economizando um pouco do soldo extra, que recebia quando era transferido, para ajudar na mudança, sobrasse dinheiro para comprar um puxadinho na Ponta Negra. Não nessa daqui, naquela de lá da terra dele, sua cidade Natal.
Seria insanidade prever que Omar e Vanessa, que faziam política 24 horas por dia, iriam ser governador e senadora, graças à ajuda dada por um estudante de direita, Eduardo Braga, que não fazia política nenhuma e ia para o campus apenas estudar. 
Por conta dessa vida agitada que era o campus do Coroado e o Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) no fim da ditadura, quando fui estudar nos Estados Unidos em 86, fiquei decepcionado quando vi estudantes brincando no campus, andando de patins, de skate, fazendo piquenique nos gramados. Para mim eram um bando de alienados: nada de política.
Política é a arte do impossível. Para Deus (espero que Ele me perdoe por isso) e na política tudo é possível. Alguns políticos seguem a máxima criada pelo ACM, Toninho Malvadeza: "Na política nunca seja tão amigo que não possa brigar, e nem tão inimigo que não possa compor." O Príncipe, de Maquiavel , tem muito que aprender com esses sujeitos.
Contudo, jamais um jovem capitão ou major, que tinha o sonho, nos anos oitenta, de se tornar ministro do Exército, teria o pesadelo de bater continência para o “sindicalista baderneiro”, o “sapo barbudo”. Mas aconteceu, e hoje, como comandante das Forças Armadas, deve fazê-lo com a maior tranquilidade. Mas tem muita gente que parou no tempo, e ainda não sabe que o Muro de Berlin já caiu, e com isso os dois lados começaram a conviver sob nova realidade.

Cláudio Nogueira

PS. Os comentários abaixo foram postados no http://www.blogdoholanda.com.br/ , onde este texto foi publicado em 09.10.10

15 comentários:

  1. welitonvital disse em 09/10/2010 às 22:25:10 de outubro de 2010 às 17:53

    E o Amazonino?

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  2. Paulo Rodrigo disse em 09/10/2010 às 22:43:10 de outubro de 2010 às 17:54

    Que aula vc deu nesse seu texto..agora sei um pouco da historia politica dos politicos amazonenses.. Parabéns pelo seus feitos

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  3. Thomaz Nogueira disse em 10/10/2010 às 00:15:10 de outubro de 2010 às 17:55

    Claudio, o nome que não lembrastes é do Ilmar Pontes Pires, funcionário aposentado da SEFAZ no cargo de Analista do Tesouro Estadual. Fundador, coordenador, líder e redator de todos os manifestos do Movimento Socialista Estudantil.

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  4. Leitor assíduo do blog disse em 10/10/2010 às 00:35:10 de outubro de 2010 às 17:56

    Texto muito bom!!! Esse mundo em que vivemos dá muitas voltas, e em se tratando de política então, temos muitas vezes que admitir que é possível nascer "chifre em cabeça de cavalo". Parabéns ao autor.

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  5. da disse em 10/10/2010 às 00:43:10 de outubro de 2010 às 17:57

    Adorei ler tudo isso, bacana mesmo!

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  6. Quanta vaidade Cláudio disse em 10/10/2010 às 11:01:10 de outubro de 2010 às 17:57

    O artigo do Cláudio ilustra bem o que era o embrião do PT(Pé-na-terra), vaidoso, maniqueísta e ignorante(alienado), ilustrado por este auto-elogio: "Os ex-Pés-na-Terra tornaram se bons profissionais em diversas áreas. Eram bons alunos. E sem falsa modéstia, o grupo era formando de estudantes de capacidade intelectual acima da média". Como expressão da vaidade cita o atual estágio profissional de seus ex-membros, como mestres e doutores, etc. Só esquece que há diversos ex-tribuneiros Doutores como a Prof.Dta. Arminda Mourão, o Pesquisador do INPA Doutor Antonio Carlos "Brabo" e a Prof.Dta.Selma Baçal, uma das atuais Sub-Reitoras da UFAM. Quanto ao apoio a Lula, sejamos honestos Claúdio, os tribuneiros foram apoiadores de 1ª hora das candidaturas de Lula Presidente em 1989, 1994, 1998, 2002 e 2006, mesmo quando em 2002 o PT(Pé-na-Terra) achou que Lula já deu o que tinha que dar, lançando até o Suplicy e o Pomar para presidente.

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  7. Greg@bol.com.br disse em 10/10/2010 às 20:17:11 de outubro de 2010 às 16:46

    Não entendi. Fiz uma ponderação sobre o que Cláudio disse sobre Francisco Praciano e ela não figura nos comentários ao texto. O que houve? Repito: Praciano não é caçador de coisa alguma na política, a não dos rastros legados pelo senador Jefferson Péres, os quais ele não tem envergadura para percorrer. Passou todo o primeiro mandato de deputado federal agindo como vereador ainda fosse. Acrescentou pouco, mas, uma vez reeleito, já se posicionou para prefeito. Estamos bem de figuraas cheias de pinta no pedaçõ político, não?

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  8. François Harb Filho disse em 10/10/2010 às 21:35:11 de outubro de 2010 às 16:50

    Eu queria ler o comentário da querida Vânia Tadros sobre o texto do Cláudio. Interessante a narrativa histórica. A vida é assim mesmo, Cláudio, é tudo uma questão do ponto de vista que me interessa.

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  9. fatima disse em 11/10/2010 às 09:12:11 de outubro de 2010 às 16:51

    Me senti nos degraus da FACED ali na Tapajós,no dia em que a polícia invadiu nossa Faculdade prá tirar o João Pedro lá de dentro e os soldados na torre da Igreja de S.Sebastiaão caçando o resto do grupo.Tempos menos perigosos pois sabíamos quem eram nossos inimigos, agora de onde menos se espera...

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  10. lourdes campos disse em 11/10/2010 às 11:12:11 de outubro de 2010 às 16:53

    Texto muito bom, é a historia politca de n/estado, como tudo começou, e o mais importante, dentro da Universidade. Parabéns p/ os Pés na Terra e p/os Tribuneiros, esperos que façam jus aos seus cargos e sejam dignos deles. Em se tratando de politica, os adversarios de ontem são os aliados de hoje e vice-versas, portanto vamos a luta companheiros.

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  11. João Lambança disse em 11/10/2010 às 02:46:11 de outubro de 2010 às 16:57

    "Eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidade... O tempo não não pára !!!" Ótimo texto.

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  12. Nega de unhas vermelhas disse em 11/10/2010 às 17:16:11 de outubro de 2010 às 17:56

    É uma viagem na historia desse Estado. Pena que não entrei na historia, apesar das unhas vermelhas..

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  13. Hugo disse em 11/10/2010 às 18:35:11 de outubro de 2010 às 21:53

    Belo texto Claudio, mas faltou o tribuneiro mo da nossa Jaqueira que ninguem aguentava por perto, que era o Ederval, lembra?, hoje é defensor Público.

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  14. Oi Tomás Nogueira,
    vi que vc fez um comentário,sobre o Ilmar Pontes Pires.Ele é meu Pai,se puder entre em contato pelo meu e-mail.

    calliandra.pires@gmail.com

    Abraço

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  15. Claudio, olá!!!!!!!!!!!!Faz um tempão que a gente não se vê. Gostei do seu texto sobre a chapa" Pé na Terra". E para ilustrar a história tenho as fotos dos Congressos da UNE, Tenho fotos nossa do CECAM( O Centro Acadêmico e Cultural de Matemática). Atualmente moramos em Diadema,(Ivanci e eu), temos 3 filhos (duas meninas e um menino), somos professores da rede pública estadual de São Paulo,sou formada em Matemática, Artes e Pedagogia,o Ivanci além da Geologia cursada na UFAM, fez Matemática aqui em São Paulo e Química,além de Pedagogia. Somos atualmente militantes ativos da APEOESP(Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo que hoje tem cerca de 180 mil sócios).Somos do PSTU e da CONLUTAS. A Irinéia mora aqui e também é militante do PSTU. A Leila Castro "macuxi", também mora em SP e é militante ativa do PSTU(ela era da administração),O Jaburú, mora em Avaré, interior de SP,a Tatiana morou por aqui, mas, atualmente mora aí em Manaus,lembra do pessoal da matemática? O Tarcísio Leão, trabalha como professor em São Gabriel da Cachoeira, é mestre em Educação Matemática, e breve se aposentará, de vez em quando ele nos visita, a Iraídes mora no Triângulo mineiro, é professora por lá, o Djarciro, o Oscar, Ronaldo, Raimundo Travolta são professores aí em Manaus da rede pública estadual e municipal.Faz já algum tempo, que encontrei o CIRILO aqui em Santo André e depois perdi o contato. Sei que o Rafael está em Búzios no Rio de Janeiro.Quanto ao Guilherme da Geologia, soube pela Leila "macuxi", que ele tem ou teve altos cargos políticos e não sei por qual partido em Floripa. E o Dedé, colega dele está trabalhando como geólogo no Rio de Janeiro. O PF(Paulo Flávio que fez medicina junto com o José Carlos Sardinha e o Luiz Claudio Dias), mora em Peruíbe, litoral de São Paulo e também trabalha por lá.A Gleice morou um tempo aqui em SP e depois foi pra Manaus.Lembra do Cristovão? Ele sempre vem por aqui e nos visita também. A Berna quando morou em Sp, por ocasião dos seus estudos do doutorado,deixou saudades. Eu,Ivanci, Leila, Irinéia e os nossos filhos sempre nos encontravamos para comer um peixe juntos e relembrar de Manaus e dos grandes e bons momentos da época do DU e da Pé na Terra. Claudio,um grande abraço pra você e quando for por aí , vou te ver.(arineteferreira@yahoo.com.br)

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