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sábado, 8 de junho de 2013

Formatura em Harvard II


"Mais vale procurar refúgio no Senhor do que  confiar no homem. Mais vale procurar refúgio no Senhor do que confiar nos grandes da terra." (salmo 117).

"Feliz o homem que pôs sua esperança no Senhor." (salmo 39)


O texto de hoje pode parecer um pouco esnobe, mas essa não é a minha intenção. Ele tem um único objetivo : louvar a Deus por sua infinita bondade para conosco. Somente Deus poderia prever que uma pessoa tão simples, com o dinheiro contadíssimo, mas com muita fé Nele, e no poder intercessor de Nossa Senhora Aparecida, estaria um dia na Universidade de Harvard assistindo a formatura de uma neta. Escrevo mais para testemunhar a bondade de Deus, para homenagear os meus pais, a minha afilhada Helô e a meu irmão Geraldo, pessoas que amo muito.


A Viagem

Peguei as crianças na escola às 15:40. Entraram no carro e nos dirigimos para Boston. A partir de Ottawa a viagem deveria durar sete horas, por isso não poderíamos ir direto; fiz uma parada para dormirmos em White River Juction, em Vermont, depois de dirigir cinco horas. Fomos via Montreal, trajeto mais longo e mais rápido, segundo o GPS e o Google Maps. Nada disso. Porque atravessamos Montreal na hora do rush, e pegamos uma tranqueira (gaúchês da Fabiana) danada. 

A outra opção seria trinta quilômetros a menos, mas levaria mais tempo, pois passaríamos por estradas vicinais, com a velocidade menor. Mas o engafarramento em Montreal off set a vantagem deste caminho por ser estrada de alta velocidade. 

Fazendo a viagem de volta, saímos do hotel às 11 da manhã de segunda-feira, 3 de junho. Optei por ir pela zona rural de Vermont, depois de ter atravessado New Hampshire. Via Montreal passaríamos novamente na cidade no mesmo horário praticamente. Paramos três vezes, e fizemos a viagem em nove horas. Que paisagem linda. Vermont, descoberto primeiro por franceses, é a junção de duas palavras verts monts , montanhas verdes. Assim as placas pelas estradas anunciam: Green Mountains State, Estado das Montanhas Verdes. 

E como um assunto puxa outro, dirigindo e conversando; conversando e dirigindo com a minha senhôra, voltamos a assunto recorrente, lugar comum: Ottawa tem árvores em todas ruas, muitas árvores, milhares de árvores; Boston tem muitas árvores, só onde não tem árvores é Manaus. O turista vai chegar na Arena da Amazônia, e vai pensar aqui não tem árvores. Lá e em lugar nenhum da cidade. A av. Djalma Batista tem aquelas palmeiras ridículas que não servem para nada. Vão ter mesma impressão que teve a Fabiana quando chegou em Manaus: É uma cidade sem árvores.


A Formanda

O motivo da viagem era assistir a formatura da Heloísa de Lima Nogueira - ou simplesmente Helô, minha querida sobrinha, muita amada, uma das minhas paixões, minha afilhada - na Harvard University. Que ocorreria dia 30 de maio de 2013. Seria o 362o Harvard Commencement (formatura de número 362). Esse evento deveria ter ocorrido há exatos cinco anos. 

A irmã mais nova da Helô, Daniela, graduou-se por Harvard em maio de 2011 (Formatura em Harvard - http://nogueiraclaudio.blogspot.ca/2011/05/formatura-em-harvard.html). Portanto, a graduação da Helô deveria ter ocorrido antes.

A Helô iniciou Harvard e depois parou, resolveu trabalhar. A família ficou pensando na possibilidade de ela não mais voltar aos bancos escolares para concluir os estudos. Afinal, Bill Gates, fundador da Microsoft, e Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, também estudaram em Harvard, mas não concluíram. Steve Jobs começou um curso superior, mas nunca terminou. Mas a Helô, por vontade própria, ouvindo a opinião de seus pais, e de seu ex-classmate, hoje seu lifemate, Daniel Rubin-Willis, o cara, decidiu voltar. Helô trabalhou numa editora, revisava livros, lia tudo. Isso não era trabalho para ela, era prazer.

Helô é uma benção de Deus, com certeza. Ninguém é bonito ou inteligente por esforço próprio. São dons gratuitos de Deus.  Mas ela tem outros dons, como uma personalidade encantadora. Uma das melhores que conheço. Ser padrinho de batismo dela foi um dos maiores presentes que recebi na vida. Sou apaixonado por ela. Raramente nos tratamos pelos nossos nomes. Geralmente eu a chamo de padrinho e ela me chama de padrinho. Por isso quando lhe envio um email, a receptora é padrinho e o remetente também.

Heloisa é filha do meu brother Geraldo Nogueira, que trabalhou vinte e tantos anos na Philips. Inicialmente trabalhou na Philips da Amazônia S.A., depois foi enviado para Piracicaba, onde ela e o seu irmão gêmeo nasceram; posteriormente foram morar em São Paulo, e depois voltaram para Manaus. Helô, Marcus e Daniela  foram alfabetizados em Frankfurt, Alemanha; para onde Geraldo foi transferido para trabalhar; lá e na Hungria. Ia e voltava de um país ao outro.

Depois de morarem dois anos na Alemanha foi transferido para trabalhar na Ciudad Juarez, México, e morar em El Paso, Texas. As duas cidades são separadas pelo rio (nem tão) Grande. A cidade mexicana hoje chega aos noticiários como uma das mais violentas do México, devido a briga de traficantes de drogas.   
Antes de saírem da Alemanha sua professora entregou uma carta aos seus pais dizendo que em vinte e tantos anos de magistério nunca havia tido uma aluna igual. Seus pais orgulhosos nos mostraram a carta, mas até a presente data não sei se ela teve conhecimento disso. Sempre a preservaram de qualquer vaidade adquirida. 
Em El Paso, Geraldo atravessava a fronteira e a ponte de tráfego intenso e lento todos os dias. Era o plant manager da fábrica da Philips localizada na cidade mexicana. Em El Paso moraram por dez anos, até o Geraldo sair da Philips, e se mudarem para Raleigh, capital da Carolina do Norte.
Daniela, sua irmã, desde pequena dizia que iria estudar em Harvard. Helô não. Não demonstrava esse sonho. O seu sonho era a Columbia University. Mas não sei se uma visita que fizemos a universidade em julho de 1998, quando o Geraldo trabalhava temporariamente em Nova York, a fez mudar de idéia. A região em que a universidade está localizada é um pouco desestimulante.
Em agosto Heloísa e Daniel mudam-se para Chicago, onde ele vai cursar MBA. Estamos muito orgulhosos disso. Helô chegou lá porque se esforçou muito, ralou muito. Ninguém entra ou conclui um curso desses sem muito esforço pessoal. 
Um grande beijo para o padrinho. Que Deus lhe abençoe, e que sejas muito grata a Ele.
Não obstante o esforço da Heloísa (somente ela, e ninguém mais poderia fazer isso por si mesma), não posso deixar de registrar e de lembrar os esforços dos seus pais para que esse dia acontecesse. 

Homenagem aos pais

Geraldo, que nasceu sem berço, foi ajudante de pedreiro. Tio Pedro Nogueira era o pedreiro, ele era o ajudante. Depois de certo treinamento ele mesmo levantava paredes. A nossa casa foi construída assim. Geraldo, que vendeu  cocos na terça-feira-ambulante de Aparecida, é Master of Science in Management (MScM), engenheiro eletrônico formado pela UTAM (primeira turma), com cursos de pequena duração no MIT; os quais ajudou a deslanchar sua carreira. É também um ex-aluno de Harvard, onde estudou num programa onde somente são admitidos presidentes ou vices-presidentes de companhias: o Advanced Business Management Program. Um curso de 12 meses com carga de 14 horas por dia. Morava na universidade. Na época ele era o vice-presidente da Global Supply Chain (Cadeia Mundial de Suprimentos), da multinacional inglêsa Invensys. Em 2010 voltou para o Brasil (SP), hoje é diretor executivo da IGB Eletrônica S.A, nova denominação da Gradiente Eletrônica S.A. 
A mãe de Heloísa, Mônica de Lima  é Ph.D em engenharia de computadores, formada em engenharia elétrica pela UFAM.Quando professora ajudou o curso de Computação a se tornar um dois mais qualificados da instituição, motivando os alunos a fazerem mestrado e doutorado.

A Formatura

Assistir uma formatura em Harvard exige muito preparo físico. Só entra quem tem convite, mas não garante um lugar sentado, o que pode ser coisa muito estressante, considerando que passavam de 30 mil o número de convidados, espalhados em duas grandes áreas. Em uma é possível se ver os oradores; na outra, ao lado, somente através de telões, ou em tempo real pela internet.
Oprah Winfrey - paranifa da turma
O convite avisava que os portões seriam abertos às 6:30. A Velhinha acordou antes das 5:00. Tinha de se aprontar, cuidar do cabelo e se deslocar. Só saiu de lá após às 17 horas. Fazia um dia lindo, um sol escaldante e calor infernal. A mamãe saiu alquebrada, bronzeada e feliz. 
A procissão de todos os formandos (a universidade inteira) começa às 8:30. A colação começa às 9:30. É séria e descontraída ao mesmo tempo, com muito humor feito pelos diretores de faculdades, ao apresentarem ao presidente da Universidade "os candidatos" e pedir que lhes conceda o grau respectivo. Colação com direto a se ouvir a oradora do curso de letras fazer seu discurso em latim. Às 11:45 termina a colação; alunos e convidados dirigem-se aos dormitórios ou as respectivas escolas para receber o diploma, e para um coquetel. Depois, às 1:30, tem início a procissão de ex-alunos, divididos por anos.  Em geral os ex-alunos têm comemoração especial por anos de formados, com especial destaque, com direito de ficar no palco, a turma  que estava fazendo bodas de prata. Mas haviam turmas com ex-alunos desde 1937. Foram homenageados um ex-aluno com 104 e uma ex-aluna com 97 anos.
Após o "desfile" tem início a reunião anual da associação de ex-alunos. Os portões são liberados. Cada um, formandos e convidados sentam-se onde for possível. Os dois gramados e as escadarias da biblioteca principal estão lotados, mais de 30 mil pessoas assistem a reunião e o falatórios da assembléia anual de ex-alunos. Mas todos esperam a convidada do dia: Oprah Winfrey. Foi o clímax da graduação; meus filhos e mais de 30 mil pessoas adoraram. O discurso completo pode ser assistido em http://www.youtube.com/watch?v=GMWFieBGR7c.

É um grande momento para agradecermos a Deus por tantas graças recebidas.
Muito obrigado Deus todo poderoso por esse dia. Deus de Isaac, Abraão e Jacob. Essas, com certeza, seriam as palavras de seu avô paterno, Brígido Torres Nogueira, se vivo estivesse.

Moral da história: "Feliz o homem [a mulher, a família] que pôs sua esperança no Senhor." (Salmo 39)

Parabéns Helô, parabéns Geraldo.


Cláudio Nogueira

quarta-feira, 8 de maio de 2013

O Fim da Manaus Antiga, Início da Manaus Moderna II

Esse texto foi escrito há três anos (8 de maio de 2010) e lido por mais de 9.000 pessoas (até 2022), segundo estatísticas oferecidas pelo Blogger. É muito, considerando que eu esperava que fosse lido apenas por um público formado por amigos. Hoje, na data de seu terceiro aniversário, ele é republicado, pois o tema continua atualíssimo. No entanto, fiz pequenos acréscimos.

Na introdução do post anterior - O Destino em Nossas Mãos, por Jaime Benchimol 
http://nogueiraclaudio.blogspot.ca/2013/04/o-destino-em-nossas-maos-por-jaime.html) que traz excelentes e factíveis propostas, havia afirmado que gostaria de fazer alguns comentários.Vou aproveitar a oportunidade e acrescentá-los aqui. Os tempos são outros, temos um novo prefeito, secretários ocupados com o centro histórico de Manaus; e o secretário que tem a chave do cofre veio da iniciativa privada; portanto, tem visão empresarial.


O Fim da Manaus Antiga, Início da Manaus Moderna - escrito originalmente em 08.05.2010 - com acréscimos.


Os jornais noticiaram que a Prefeitura vai acabar com a Manaus Moderna. Que beleza ! Que maravilha! Aquilo ali pode se tornar em um dos mais bonitos cartões postais de Manaus, até mesmo da região norte. Dependendo do que for feito, o Amazonino pode entrar para história da cidade [infelizmente não entrou, vamos torcer pelo Arthur Neto],como entrou Eduardo Ribeiro.  

                                                                      
Aquilo lá de moderno não tem nada. A Manaus Moderna, naquela área, poderá estar nascendo agora. Dependendo do que lá for feito. Aquilo é a Manaus atrasada; porque a Manaus antiga, com a arquitetura do mercado municipal, era muito bonita. 
Manaus Atrasada 

Por que não privatizar o mercado Adolpho Lisboa ou cedê-lo em uma concessão por uns 30 anos ? Semana passada, visitei o Marché Bonsecours, em Montreal, que era o "Adolpho Lisboa" deles: sujo, cheio de barracas de verdura dentro e fora. Hoje, é um shopping center. A questão aqui não é a verdura; é a bagunça, é a sujeira da feira da banana. A feira do Byward Market, bem no centro de Ottawa, onde moro no momento, vende frutas, verduras, flores, comida, etc., e é uma gracinha.

Minato Mirai 21 e o Manaus Rio Negro Bayside

Em 2000, voltei ao Japão - onde morei por dois anos - depois de dez anos. Passei dois meses fazendo um curso sobre desenvolvimento e projetos industriais. Tínhamos aulas em Tóquio, mas nos deslocávamos com frequência para outras cidades, a fim de visitarmos empreendimentos públicos e privados. E um dos projetos que recebemos informações detalhadas foi a revitalização da área portuária de Yokohama. 

Quem esteve lá, para a final da Copa de 2002, possivelmente, conheceu uma parte muito bonita da cidade chamada Mirato Mirai 21, ou Porto do Futuro 21 (http://www.japan-guide.com/e/e3200.html), uma referência ao novo século que se aproximava. Lá tem um prédio bastante alto, no formato de um barco a vela, que mais tarde foi imitado, e também pode ser visto em Dubai.

Byward - Ottawa

A área, segundo a administração do consórcio que a revitalizou, tinha a forma da letra U. Em uma das pontas, o porto; na outra a estação ferroviária; que no Japão são sempre bem movimentadas. E no meio: nada. Nada que prestasse. Desvalorização imobiliária, prostituição, degradação material e humana, marginalidade, cheiro de urina, drogas, e tudo mais que conhecemos muito bem.

O que foi que o governo fez ? Um novo bairro ? Sim, essa é a resposta deles. A minha é que fizeram uma pequena cidade dentro de Yokohama; com shopping centers, centro de convenções, museus, hotéis, supermercados, a torre mais alta do Japão, Landmark Tower, o Cosmo Clock 21, um parque de diversões, e uma infinidade de atividades de prestações de serviços.

Como fizeram isso? Criaram uma empresa, cujos sócios eram os governos estadual e municipal e empresas privadas; algo parecido com a nossa PPP, parceria pública privada. A empresa comprou a área, fez a infraestrutura e os prédios que desejava fazer e revenderam o resto. Depois que a iniciativa privada soube o que iria ser feito, não faltou comprador, assim ajudou a financiar o investimento. O resultado foi espetacular.

O consórcio, como eles chamam a empresa, recebe visitas de empresas, governadores, prefeitos, executivos, estudantes e curiosos do mundo inteiro para conhecer como se deu o processo, e explicam tudo nos detalhes.

Com vasto material sobre o assunto, voltei para o Brasil empolgado com a ideia. A área que tinha em mente era justamente a da Manaus Moderna. Sempre achei que aquela bagunça e sujeira tinham de sair dali. Vivo incomodado de vivermos de costas para o rio.

Mandei o material para o vice-governador Samuel Hanan, depois falei com o prefeito Alfredo Nascimento, a quem entreguei  o material pessoalmente.
Como se diz por aqui: it is easier said than done. No vernáculo: falar é fácil. Não posso criticá-los; cada governo tem suas prioridades e limitações orçamentárias. É um  projeto arrojado, tem de se ter uma disposição muito grande em fazê-lo. E sobretudo uma vontade política. Tem de se ter um pensamento e disposição de JK ou de Eduardo Ribeiro.

Minato Mirai 21 - Yokohama











O material entregue trazia um texto explicativo, números e valores; fazia referência a outras áreas, cidades e países, e quão bonito a frente de Manaus poderia se tornar.

De que estamos falando? De derrubar o mercado/feira (da carne e da banana) do local e fazer uma praça bonita? Que pobreza! Isso é pensar pequeno. Falo de algo como bastante conhecido dos amazonenses: Bayside Market Place, em Miami; ou do Vieux Carré, em Nova Orleans (antes do Katrina); Puerto Madero, em Buenos Aires; Water Front de Atlantic City, em Nova Jersey e assim por diante. No nosso caso seria um beira-rio caboco.

De onde viria o dinheiro? Do orçamento próprio da Prefeitura, do governo do Estado, do Banco Mundial, da Corporação Andina de Fomento (que já financiou viadutos), do Banco Interamericano de Desenvolvimento, do Ministério das Cidades, do Ministério do Turismo, do BNDES, do Jorge Paulo Lemann, que anda distribuindo dinheiro; do Ike Batista, que comprou o Maracanã; das construtoras, dos parceiros privados, das revendas de lotes comprados, etc.

É trabalhoso, mas é possível e viável. Brasília foi tudo isso e muito, muito mais, em uma dimensão muito maior.

De que estamos falando ? Estamos falando de um mega projeto, arrasa-quarteirões, no sentido figurado e físico. Para quem fez o Prosamim, faz a ponte sobre o rio Negro (R$ 1,1 bilhão), vai fazer a nova Arena esportiva (R$ 600 milhões), o monotrilho (?) (R$1,3 bilhão), o novo campus da UEA, fazer a verdadeira Manaus Moderna não seria nenhum bicho de sete cabeças.

E o que fazer com o povo que trabalha na velha Manaus Moderna ? O povo que trabalha lá vem de longe, muito longe. Portanto, se deslocar é com eles.  E o povo que compra também; não obstante, muitos terem feiras nas proximidades onde vivem.

Quando era adolescente, fui muitas vezes com meu pai fazer compras na feira da CEASA, que também fica perto do rio Negro, onde os barcos vindos do interior podem descarregar seus produtos. A feira tem amplas instalações, mas está entregue às baratas. Que mudem esse povo para lá. Outra opção seria a estação de passageiros da balsa São Raimundo–Cacau Pireira, recém-inaugurada (hoje fechada). Qual será a utilidade dela após a inauguração da ponte?

Com certeza, gestores e legisladores públicos estão muito mais capacitados do que eu para encontrar uma solução. Afinal, a função deles é resolver problemas; a minha é dar palpites. E, se a medida de fechar a Manaus Moderna já foi anunciada, é porque o novo local já deve existir.

É tudo uma questão de vontade política, já dizia JK. Quem sabe na nova “ação conjunta” entre Estado e Prefeitura isso seja possível, e construam a verdadeira e nova Manaus Moderna. Para mim o importante é ser construído. Seja pelo atual ( de 2010 - essa opção está descartada), ou um novo prefeito.

Seja como for, não posso deixar de elogiar a iniciativa da atual administração de acabar com a feira/mercado na frente da cidade. Herança de uma época que já acabou; mas ainda é comum em várias cidades do interior, localizadas nas margens dos rios onde elas foram fundadas. Na ribeira encontra-se o mercado e mais adiante a igreja.

Vamos substituir a velha Manaus Moderna por algo que o turista lá de dentro do transatlântico se admire e os manauaras sintam orgulho.

Zoo e Jardim Botânico

Dos bondes que cruzaram Manaus, eu só vi os trilhos, antes de serem cobertos por asfalto nas ruas onde circulavam. Mas, ainda que vagamente, lembro-me do aquário público existente na praça da Matriz, e do zoológico do CIGS, onde levei algumas vezes meus filhos. O aquário acabou, e o zoológico tá que dá pena.
No texto mencionado acima, 
O Destino em Nossas Mãos, o economista Jaime Benchimol escreveu:  Já que - acertadamente - abrimos mão de usar boa parte dos recursos da nossa natureza [isto é, não destruir a floresta] , devemos buscar exibi-los através de museus que façam justiça a nossa riqueza nas áreas de ciências naturais e de cultura indígena. Precisamos de jardim botânico, aquário, orquidário, zoológico, parques ecológicos com teleféricos para visualização da vegetação e dos animais nas copas das árvores etc."

Biodôme - Montreal

É muito bom ter pessoas pensando assim. Meus prezados e minhas prezadas e-leitores. Agora não sou eu quem está dizendo isso. Não é esse palpiteiro de plantão, mas uma pessoa séria, respeitada. Então acredite nele. Porque ele entende de economia e é empresário; sabe o que afirma é factível.

 Visitei o Biodôme de Montreal, localizado na mesma área do parque olímpico, um dos sítios das Olimpíadas de 1976. Entre outras coisas, você encontra a floresta Amazônica: "A floresta tropical do Biodôme contém milhares de plantas e animais, incluindo a arara vermelha, um papagaio cujas penas são regularmente cortadas para evitar que sejam devoradas por jacarés, uma espécie de crocodilo que compartilha espaço ecossistema com as aves." E mesmo que a temperatura esteja abaixo de zero, ao entrar no local, você vai dizer: "Voltei para Manaus". A primeira coisa que se sente é aquele bafo quente e úmido que sentimos quando as portas do aeroporto Eduardo Gomes se abrem e saímos do ar-condicionado, quando se chega em Manaus. Umidade igual, água correndo, mata, bichos, piranhas, araras, etc. Não tem nada lá que não tenhamos de sobra aqui. E o pavilhão está sempre repleto de gente querendo ver como é a Rain Forest. E nós, aí em Manaus, que temos todo esse material, não temos uma estrutura para recepcionar o turista de forma que ele possa apreciar nossa natureza.

No zoológico da cidade de Buffalo, no estado de Nova York, a história se repete em menor escala. Eles também têm uma seção do zoológico que reproduz a nossa floresta, habitada por animais típicos, como jacarés, tartarugas, araras, tucanos, peixes-boi e até um tamanduá-bandeira.

Ao ver pessoalmente, nessas localidades, as nossas riquezas naturais, enche-me de orgulho e de tristeza ao mesmo tempo. 

Não na mesma intensidade, mas a história se repete no Georgia Aquarium em Atlanta. Lá há uma ala sobre os nossos peixes, com destaque para a piranha "vermelha". As quatro fotos seguidas mais abaixo mostram um pouco sobre isso. Ao entrar nele o sentimento descrito se repetiu. Chego até sentir uma revolta. Não contra eles, mas conosco mesmo.

Zoo de Buffalo, NY










Moral da história: nós não temos leão, girafa, pinguim; e nem precisamos deles, mas o que temos é do interesse do mundo.
E como financiar tudo isso ? Com recursos de todas as instituições mencionadas acima, com patrocínios e doações.

Doações aí é que reside o problema. Nós não sabemos pedir, pedimos mal e erradamente. Por essas bandas e nos Estados Unidos se pede e se recebe muito. Na América do Norte as universidade pública e privadas, pedem e pedem muito, e recebem muito.

Georgia Aquarium - Atlanta
Georgia Aquarium - Atlanta

Georgia Aquarium - Atlanta
Georgia Aquarium - Atlanta

Vamos começar pela que mais arrecadou em doações um único ano: Stanford University. Ela arrecadou um bilhão de dólares ano passado. Antes que seja dito que esse exemplo não serve, me antecipo e digo: não serve. Mas é útil para ilustrar a cultura de doação existente na Estados Unidos e Canadá. É muito comum uma instituição rica, um Bradesco, uma Votorantim americana apoiar financeiramente um museu, um zoológico, uma orquestra etc. Você entrar em um museu americano, lá está à lista das instituições que patrocinam suas atividades. Jorge Paulo Lemann, brasileiro, dono da cadeia de lanchonete Burger King, dono da AB Inbev, a maior cervejaria do mundo; das Lojas Americanas e de mais meia dúzia de empresas; fundador da Fundação Estudar, "uma organização sem fins lucrativos criada em 2002, e [que] tem como objetivo melhorar a qualidade da educação pública no Brasil", doou 16,5 milhões de dólares para a Universidade de Illinois, para o Centro de Estudos Latinos e Caribenhos; e mais alguns muitos milhões para a criação do "Lemann Institute for Brazilian Studies" na Universidade de Columbia. Isso serve para exemplificar que é pedindo que se recebe. Ou como diz o ditado  chinês: quem não chora não mama.

A revista Forbes, em dezembro do ano passado, para a edição comemorativa de seu 30aniversário reuniu 161 bilionários e milionários na Biblioteca Pública de Nova York, no dia 26 de junho de 2012, para The Forbes 400 Summit on Philanthropy. Encontros de bilionários para falarem de suas atividades assistenciais. Para tanto, muitos deles criaram empresas unicamente com essa finalidade. Lá estavam Warren Buffet, Bill Gates, Oprah Winfrey e muitos outros. Há relatos de vários tipos de atividades filantrópicas. Um jovem milionário, John Kluge, 29 anos, criou uma empresa para construir um milhão de sanitários em países pobres. A lista de doações e enorme, e nela constam vários museus, zoos e outras coisas do gênero.
Aqui, no Exército da Salvação, uma instituição sem fins lucrativos, que vende coisas usadas doadas pela população, tem cartazes com fotos de favelas brasileiras, pedindo dinheiro para o Brasil. Já vi também onde se pedia dinheiro para a conservação da floresta amazônica.

Como é mais fácil dizer do que realizar, diria que o começo é se ter um projeto pronto. Não é difícil sonhar. Com uma ideia definida na cabeça, determinando a área que se deseja trabalhar, e com um profissional que saiba utilizar a ferramenta gráfica CAD (desenho realizado com ajuda do computador), pode-se ter em 3D uma noção e visão do resultado desejado. E depois é sair pelo mundo em buscar de patrocinadores. Tenho um amigo em Manaus que criou há mais ou menos uma década uma ONG que presta muitos serviços à comunidade em que está instalada; e devido a uma constante pesquisa tem conseguido alguns patrocínios no exterior.
Trabalhemos por um zoo decente ou um jardim botânico, por uma Manaus realmente moderna.


Cláudio Nogueira


PS1. The Biodôme: Inside the Tropical Rainforest of the Americas Ecosystem:
https://espacepourlavie.ca/en/tropical-rainforest-biodome

PS2. Zoo de Buffalo, NY:  http//www.buffalozoo.org

PS3. Acrescento mais dois bons exemplos: A Estação das Docas, na Baía de Guajará, em Belém:  https://viagemeturismo.abril.com.br/atracao/estacao-das-docas/

Um outro excelente exemplo que se enquadra dentro da nossa realidade  e a revitalização da zona portuária de Rio de Janeiro, chamado de Porto Maravilha, com a criação do maior aquário marinho da América do Sul.

PS5. Ao que foi dito "não temos nada", devo fazer uma correção: não posso deixar de mencionar o MUSA - Museu da Amazõnia:  
http://museudaamazonia.org.br/pt/
 

 

sábado, 13 de abril de 2013

O Destino em Nossas Mãos, por Jaime Benchimol

O texto abaixo foi escrito por Jaime Benchimol, que não precisa de apresentação. Economista, empresário, professor da UFAM por muitos anos; onde tive a honra de ter sido seu aluno, e com quem aprendi muito, principalmente sobre microeconomia e economia monetária, que na época tinha o nome de moedas e bancos. O Jaime Benchimol, filho do respeitado professor Samuel Benchimol, é uma das cabeças mais brilhantes do Amazonas. 
Quando fui seu aluno no início dos anos 80, já era uma cabeça brilhante, e com o passar do tempo ficou mais brilhante ainda, principalmente quando está suado e debaixo de uma lâmpada. Brincadeiras a parte, porque o assunto é sério. Pedi permissão dele para publicar o texto abaixo, lido durante a cerimônia do prêmio Grandes Amazônidas, conferido a ele pela Associação PanAmazônia. "Em 2010, a Associação Panamazônia criou a Medalha Grandes Amazônidas para enaltercer personalidades que desenvolvem a região na área econômica, social, cultural, na ciência e na tecnologia". 
Eu gostaria muito de comentar alguns pontos mencionados pelo Jaime, mas percebi que o post ficaria muito longo. Vou fazer isso no próximo  post, pois há coisas  abordadas no texto que são músicas nos meus ouvidos. O Jaime Benchimol é um estudioso do modelo Zona Franca de Manaus, sendo autor de uma das primeiras teses de mestrado escrito sobre o assunto na Walter A. Haas School of Business da University of California, Berkeley.

"O Destino em Nossas Mãos" 

Agradeço a Associação PanAmazônia pela homenagem que recebi hoje ao ser indicado para a IV Edição do Prêmio Grandes Amazônidas  (18/03/2013)
Fico honrado pela lembrança do meu nome pela Associação PanAmazônia. Orgulha-me participar de um grupo tão seleto e com tantas contribuições nas áreas da cultura, da academia e do empresariado.

Como sei que estou sendo lembrado como empresário, desejo compartilhar essa distinção com todos os dirigentes, sócios e colaboradores da Bemol e da Fogás

No meu trajeto de Amazônida tenho me dedicado a compreender a região como estudante, professor e especialmente como empresário. Nessa capacidade nossas empresas tem buscado desenvolver estratégias específicas para prosperar na região, respeitando a sua grandeza, criando oportunidades para a sua gente, pagando impostos aos seus governos, atuando com responsabilidade e respeito junto aos nossos Clientes e as comunidades que servimos.

Ao longo dos últimos 45 anos de prosperidade da ZFM reconheço que a região avançou dramaticamente beneficiando a milhões de amazonenses e a milhares de empresas, dentre as quais as nossas. Ao mesmo tempo reconheço que nos tornamos vulneráveis por continuarmos alicerçados no modelo do PIM, sujeito a instabilidades regulatórias, burocracia excessiva e a choques externos advindos principalmente de mudanças e avanços tecnológicos que nos colocam continuamente na incômoda posição de dependente da união, de seus subsídios e isenções.
Penso que é hora de tomarmos o nosso destino em nossas próprias mãos...

Hoje já temos orçamentos bilionários (o estado do Amazonas arrecada US$2.000 per capita, valor equivalente a arrecadação per capita do estado Califórnia, um dos mais ricos dos EUA) e se gerirmos esses recursos com eficiência podemos assumir o nosso destino, preservando a ZFM, mas ao mesmo tempo criando alternativas econômicas convergentes com as nossas vocações estratégicas. 

Embora já tenhamos feito algum progresso em áreas promissoras há ainda muito mais a fazer nos setores econômicos que relaciono resumidamente a seguir:

Na área de mineração além de óleo e gás temos grande potencial em potássio, calcário, ouro e muitos outros minérios.

Há desafios e grandes oportunidade na indústria naval, na piscicultura, em essências e fragrâncias,  na bio-genética para produção de fármacos e fitoterápicos. Nas culturas como pimenta, cupuaçu, abacaxi, mamão que são apropriadas e adaptadas ao nosso clima e ecossistema, produzimos as variedades mais saborosas que conheço.

Precisamos com urgência de portos modernos tanto para carga como para passageiros, e tanto em Manaus quanto nos municípios do interior que nos permitam desabrochar o pleno potencial de transporte da região. Atualmente, por exemplo, apenas no município de Manaus é possível manusear containers com alguma eficiência.

Ha ainda oportunidade na indústria de Call centers e telesserviços que empregam no Brasil mais de um milhão de pessoas em telemarketing, pesquisas de mercado, serviços de cobrança, monitoramento remoto de segurança etc para aos quais a distância amazônica pode ser superada a baixo custo com as tecnologias atuais.

Gostaria porém de enfatizar as oportunidades de agregação de valor na indústria do turismo. Precisamos de mais do que o Teatro Amazonas, o Encontro das Águas e o Boi-Bumbá. Já que - acertadamente - abrimos mão de usar boa parte dos recursos da nossa natureza, devemos buscar exibi-los através de museus que façam justiça a nossa riqueza nas áreas de ciências naturais e de cultura indígena. Precisamos de jardim botânico, aquário, orquidário, zoológico, parques ecológicos com teleféricos para visualização da vegetação e dos animais nas copas das árvores etc. Podemos ainda atrair eventos nacionais e internacionais de pesca, remo, canoagem, motonáutica, esqui aquático, ciclismo, rallyes e corridas off-road, triatlon, rapel, tirolesa, safaris fotográficos de animais, de pássaros, de insetos, de flores e de plantas. As iniciativas nesse sentido do INPA, MUSA e CIGS são esforços louváveis na direção certa, mas são ainda tímidos, diante do profissionalismo com que essas atividades são tratadas no mundo atual. Apenas como exemplo, visitei recentemente em Cingapura (que tem a mesma latitude do Amazonas e vegetação muito similar) o maior, mais sofisticado e espetacular Jardim Botânico que eu conheço. Um investimento de US$800 milhões capaz de atrair turistas e obrigá-los a estender em pelo menos um dia a visita aquele país.

Essas indústrias podem - em uma ou duas décadas - diversificar a nossa base econômica e dar novo e sustentável ímpeto ao nosso crescimento, livre das atuais dependências da união e em harmonia com as nossas mais verdadeiras vocações.

Temos, ao mesmo tempo, que nos reconciliar com as virtudes do capitalismo, da empresa privada, da livre iniciativa e da liberdade de escolha. Essas instituições formam o dínamo que impulsiona a inovação, a competição e o crescimento econômico. Precisaremos de investidores privados para empreender a maior parte das sugestões acima.

É necessário aproveitar nossos melhores anos de arrecadação, de entusiasmo empresarial e de interesse mundial para com o Brasil e com a Amazônia para conquistarmos a autonomia sobre o nosso futuro. 

Muito Obrigado.
Jaime Benchimol

domingo, 7 de abril de 2013

7 de abril de 1972

Hoje o  Colégio Militar de Manaus faz 41 anos de inauguração, o texto abaixo foi publicado há dois anos. Foi editado para o dia 7.4.2013.

O Decreto

Hoje, 7 de abril de 2013, o Colégio Militar de Manaus faz 39 anos de fundação. Ninguém nasce no dia que é gerado, o mesmo acontece com o CMM - que como muito bem informa o seu site, - foi "Criado no governo do Presidente Emílio Garrastazu Médici, pelo decreto-lei nº 68.996, de 02 de agosto de 1971, o Colégio Militar de Manaus (CMM) inaugurou (o negrito é meu) suas atividades em 07 de abril de 1972, tendo como idealizador e primeiro comandante o Coronel Jorge Teixeira de Oliveira, sendo o oitavo CM fundado no Brasil." Exatamente. Sou testemunha ocular e ativa do evento. Veja se você consegue me localizar na foto abaixo.

No texto original escrevi:  Diferente desta quinta-feira que choveu muito em Manaus, naquela sexta-feira, 7 de abril de 1972 fez uma manhã ensolarada.

A Localização

O papai chegou em casa, chamou o Geraldo, meu irmão, e disse: “Ensina matemática para o Cláudio e o Thomaz que eles vão fazer exame para o Colégio Militar, que vai funcionar lá no 27.”
O 27º Batalhão de Caçadores era um quartel localizado no General Osório. Era desta forma que a população chamava a guarnição militar localizada no centro de Manaus: 27 ou General Osório. Na realidade, o 27º BC funcionou no prédio até 1961. Depois, até 1969, foi o Quartel General de Grupamento de Elementos de Fronteira.

"As instalações ocupadas [pelo CMM] desde a sua criação, cuja construção data de 1863, já foi sede das seguintes Organizações Militares: 1º Grupo de Artilharia de Posição (1863 até 1915); 45º Batalhão de Caçadores (1915 até 1919); 27º Batalhão de Caçadores (1919 até 1961); Quartel-General do Grupamento de Elementos de Fronteira (1961 até 1969); e o Comando Militar da Amazônia (1969 até 1971)."

Localizado à rua José Clemente, nos limites do bairro de Aparecida com início do centro de Manaus, o prédio do CMM ocupa um quarteirão inteiro, sendo circundado pela rua Dez de Julho, nos fundos, pela av. Epaminondas a sua esquerda e pela rua Luís Antony a sua direita. A sua frente, separado pela rua José Clemente, encontra-se o campo de futebol e pista de atletismo - onde mais tarde também foi construído o ginásio esportivo coberto e a piscina semiolímpica - fazendo limite com o colégio salesiano Dom Bosco. Neste campo era realizado todos os anos, no mês de junho, o Festival Folclórico do Amazonas. Sendo transferido para a "bola"da Suframa, com a criação do Colégio.

O Concurso e as Fotos

Trinta e tantos anos depois, após uma missa com parentes em comum, o sargento João Dantas Cyrino, primeiro administrador de Iranduba - braço direito do Teixeirão, que para onde quer que fosse o levava junto, inclusive para Prefeitura de Manaus e para o governo de Rondônia - me contou como foi a nossa inscrição para o concurso. O papai nos inscreveu no pagar das luzes, nos 45 minutos do segundo tempo. Ele trabalhava na rua José Clemente, na Delegacia Federal de Saúde, e morávamos no bairro de Aparecida, e por isso ia a pé para o trabalho. Passando na frente do Colégio, ao saber do concurso, entrou para fazer a nossa inscrição. Aí não havia mais tempo, nem fotos, mas o sgt. Cyrino, nosso vizinho, providenciou duas fotos 3x4 de dois sujeitos.

Fizemos o concurso e fomos aprovados. Eu por mais de trinta anos acreditei que o tinha ficado no penúltimo lugar e o Thomaz (Queiroz, no Colégio) tinha ficado no último. Essa ideia se desfez quando fui informado (e comprovado) que a lista dos aprovados não era por classificação, mas pelo número de inscrição. No ano seguinte, o Thomaz seria tenente-aluno. E quarenta anos depois superintendente da Suframa e secretário de Planejamento, Ciência e Tecnologia do Amazonas.
Era o ano de 1971 e ambos fazíamos a 5a série do primário no Colégio Nossa Senhora Aparecida. Assim, em 1972, eu me tornei o 319, tendo Cláudio como nome de guerra, e o Thomaz, daquela data em diante virou o 318 ou Queiroz. Ambos iríamos para o primeiro ano do ginásio, mas fomos para a 5a série do primeiro grau. De novo a mesma série ? Sim. Teve uma reforma escolar naquele ano que passou a quinta série do primário para o ginásio, ou quinta série do primeiro grau (hoje fundamental).

Queiroz é o nosso sobrenome materno, mas não raro, o papai chegava em casa dizendo que nas reuniões de pais e mestres no Colégio, ele era chamado de seo Queiroz.
Eu passei graças aos meus conhecimentos em português, matemática e história, e mais uma ajudinha indireta na prova de geografia. Um conhecido sujeito do CMM, capitão na época, fez uma revisão básica, na hora da prova, com o aluno sentado a minha frente, só para ver se o sujeito se lembrava do que havia estudado. Lembro-me muito bem, ele sentado na ponta de um piano que tinha na sala, e eu logo atrás na outra. Graças ao vento a favor, as respostas chegaram até os meus ouvidos. Isso é o que eu chamo de estar no lugar certo, no momento certo. As provas foram realizadas no Colégio Benjamin Constant, na av. Ramos Ferreira. Na ocasião o Benjamin Constant, nome muito apropriado para o local de um exame de seleção para uma escola militar, pertencia a uma congregação religiosa de freiras.

A Inauguração

Em fevereiro de 1972 aprendemos as primeiras noções da hierarquia militar, além da ordem unida para aprendermos a marchar e os comandos quando em forma; como esquerda, direita volver, sentido, descansar, apresentar armas, etc. Em março teve o início das aulas, e no dia 7 de abril de 1972, o grande dia, a formatura de inauguração, o nascimento do Colégio Militar de Manaus. A cerimônia ocorreu na frente do Colégio, na rua José Clemente, com a presença de autoridades
militares, civis e eclesiáticas; presente também uma grande multidão. Garbosamente “desfilamos”  no sentido anti-horário, pelas ruas em torno do prédio. Foi um dia para ficar para história de Manaus, do Amazonas e de cada um de nós. Eu tinha acabado de fazer 13 anos e o Queiroz 12. Éramos todos jovens, entre 11 e 17 anos, distribuídos das turmas da 5a série do primeiro grau (hoje fundamental) ou antiga primeira série ginasial, até a 1a série do segundo grau ou colegial (hoje ensino médio). O CMM tinha a seguinte estrutura: O CA, Corpo de Alunos, comandado pelo major Schmidlin, a 1a CIA, constituída pelos alunos internos, comandada pelo capitão Silva Maia, a 2a ….

Reminiscências

O fato de ainda estarmos vivos quarenta e um anos depois é uma benção. Mas ainda estão vivos alguns professores que em 1972 já era coronéis; portanto. Esse ano (2011) troquei emails com o meu professor de francês daquela época, Altino Berthier Brasil. Coronel Berthier já passou dos 90 e tantos anos. Ele veio meio que a contra gosto para Amazônia, e daqui saiu apaixonado, sendo autor de várias obras sobre a região. Atualmente mora em Porto Alegre. Outros dois militares (apenas para mencionar alguns) que viram o CMM nascer e ainda estão vivos são o Coronel Paulo Viana Mendonça (faleceu em 2011) e o Sargento Cyrino, ambos já passando dos oitenta anos. Mas que ainda têm boas memórias para recordar fatos da construção do Colégio.
O Sgt. Cyrino colocou a minha disposição uma grande quantidade de informações e de fotos. O coronel Mendonça é meu vizinho; de vez em quando recordamos o nosso tempo de Colégio.  O Coronel Mendonça é conhecido de todos Pioneiros. Todos nós lembramos da boletim lido diariamente. Nele a Quarta Parte chamava-se "Justiça e Disciplina". Onde era lido a ordem do dia, elogios e punições. Era ele quem assinava.
Recentemente, ganhei um vizinho novo, o coronel Pedro Ihara Hiroshi, o 313, engenheiro químico pelo IME, e colega quatro turmas, iniciando na A3, em 1972, até a D2 na 8a série. No segundo grau nos separamos; ele foi pra EsPCex, Escola Preparatória de Cadetes do Exército. Eu me recordo o Cel. Berthier lhe perguntando: “ Você fala japonês ? Um emprego em São Paulo para quem fala japonês paga até sete milhões”. Depois de trinta anos nos reencontramos. Somos vizinhos. O 313 acabou de ir para a reserva, e está devendo o churrasco da casa nova.
Mas há um professor que nenhum de nós esquecemos, e que a medida que íamos subindo de ano, ele nos acompanhava, era o Tenente Coronel (inicialmente) Renato Cézar Ferreira, o Renatinho. Nosso professor de português, um senhor sério, altamente parcial, cheio de preferências; ele tinha os peixes dele. Baixo e gordo, e com um cacoete constante: levava o ombro direito até o rosto, inclinando ligeiramente a cabeça para o lado, para poder fazer o encontro entre ombro e rosto, e esfregava ligeiramente e repetidamente um contra o outro, simultaneamente, segurava o cós da calça e a puxava para cima, porque esta insistia e em descer empurrada pelo peso da barriga. Descrever psicologicamente o cel. Renato requereria algumas páginas. Com ele as nossas avaliações, três, eram sempre as mesmas: redação, leitura e gramática. As minhas notas de leitura e de redação por seis anos, também, eram sempre as mesmas, porque eram notas subjetivas. Mas a de gramática, porque tinha um gabarito, não. A prova de leitura era feita em alto e bom tom, para todos ouvirem, e sempre de surpresa em algum dia do mês. Nunca sabíamos quando seríamos chamados a ficar de pé e ler determinado texto. Fazíamos constantemente redações sobre qualquer tema. Em certa ocasião, nos foi pedido para escrevermos sobre a comida dos astronautas. Não importava se sabíamos ou não o que os astronautas comiam, isso não era o caso. O importante é que o texto tivesse coerência, começo (introdução), meio (que ele chamava de desenvolvimento) e conclusão. No primeiro dia de aula, todos os anos, era a mesma coisa, tínhamos de escrever um texto sobre as nossas vidas de estudante indo lá no início da alfabetização. Cada um de nós tinha uma ficha, com a qual ele relatava o nosso desempenho como estudantes para os nossos pais. Ele escrevia e os pais davam o ciente. Em certa ocasião ele me perguntou:
- 319, cadê a sua ficha (ele jamais me chamou pelo nome) ?
- Não trusse, respondi.
- O que foi que você disse?
- Esqueci.
- Não. Use aquele outro verbo.
- Não trouxe, consertei.
Aluno 319
Ele tinha uma frase famosa: “Cabelo branco não é pó de giz.” Repetia essa frase todos os dias, sempre que respondíamos: Qui é ? Ao invés de: Senhor, quando ele nos chamava. Tinha uma outra expressão também: “Entrou pela janela”, dita ao aluno que entrou no Colégio sem passar pelo concurso de admissão e não era filho de militar. Se fosse dito ao TC Renato - que partiu junto com a esposa, em triste acidente na serra a caminho de Petrópolis – que o 319 pretendia escrever um livro sobre o CMM, ele diria que aquilo era uma brincadeira de mal gosto. Quando fazíamos redações muito longas, ele reclamava: “Quem muito escreve, muito erra.” Coitado do Renatinho, posso escrever o que quiser sobre ele, que ele não pode se defender. Isso é sacanagem! Que Deus o tenha.

Os Pioneiros

São muitas histórias que podem ser contadas por cada um dos Pioneiros. Tem aquela do “tronco” no CFR; aquela outra do Vilarim dizendo ao coronel Renato que ele era injustiçado; tem a da perna do Horácio Ramalho que virou carne assada ao passar por dentro de um círculo em chamas, numa demonstração de ginástica acrobática no campo de futebol; tem aquela da batalha campal na praça do Congresso, em que o Luizão Sampaio, 1,90 m, 200 kg, levantou um cara pelo cabelo, e tem também aquela outra do..... Mas nenhum história do CMM na sua primeira década de existência está completa se não for citado a sua musa: Natália Sampaio.
Ao lado do Colégio, na esquina da rua José Clemente com a av. Epaminondas tinha o bar Natália, e ela era filha do dono. O interessante era que seus pais e seu irmão falavam português, e ela falava brasileiro. Estudava no Colégio Dom Bosco, bonita e muito simpática, sempre risonha. Natália, era objeto de desejo de 9 em cada 10 aluno. Em 2009 participou de um pequeno encontro de ex-alunos no Rio de Janeiro. Hoje vive em Lisboa. O Thomaz, indo a trabalho a Lisboa, já se encontrou com ela. Ela de declara embaixadora do Amazonas em Portugal.
Nos anos setenta, os militares não sabiam, mas nós éramos os donos do Colégio Militar de Manaus. O Colégio éramos nós, o Colégio era nosso. E assim que nos sentíamos até hoje: donos do CMM na década de setenta. Ele nos pertencia, aquela época está viva em nossas memórias. Mas acentuadamente nas dos alunos da 1a Cia, os internos, aqueles que moravam no Colégio (é óbvio !), cujo o lar era lá.
Depois de 30 anos,  alunos voltam a Manaus para o 35 anos do CMM
Em agosto de 2007 comemoramos o 35o aniversário do CMM. Naquele ano 7 de abril era sábado de aleluia. Eu, na data estava em Porto Alegre visitando parentes, jantei em Porto Alegre com outros Pioneiros, que não os via há mais de trinta anos, e que foram internos no CM. Estavam lá um coronel da primeira turma a concluir o Colégio, César Todeschini, já na reserva; os civis, Paulo Barbosa Ricardo da Trindade, Carlos Piccinini Schweder e Rubens da Cunha Barbosa Lima, e o capitão de mar e guerra, Mário Gomes Lemos. Todos ansiosos para voltar a Manaus depois de mais de trinta anos. E assim foi. Vieram de todo o Brasil, 53 ex-alunos que aqui viveram na década de setenta e nunca mais voltaram a cidade.
O encontro de 2007 ocorreu graças ao empenho de algumas pessoas, com destaque para Sidney Barros Alarcão. Residente no Rio de Janeiro, foi interno por dois anos (72 e 73), e em 2002 começou um email grupal, saindo caçando Pioneiros por todo o Brasil. Quando lançou a idéia do grande encontro, encontrou apoio, em Manaus, de Roberto Corrêa Dantas. Roberto é mais conhecido como cabo Dantas, porque na sua camisa de meia branca, que usávamos como segundo uniforme, trazia escrito no peito C. Dantas. A turma de Corrêa Dantas desde 1978 se encontra regularmente para um almoço de confratenização todo segundo sábado do mês de dezembro.

Para que o evento ocorresse, foram imprescendíveis as ajudas do então sub-comandante do Colégio, na época ainda tenente coronel, Elson Rangel Calazans (34, da minha turma) e do comandante coronel Said Brandão Sayd. Depois do encontro em Manaus em 2007, houveram outros: em Fortaleza, em 2008; Porto Alegre, em 2009; Brasília, em 2010, [Rio de Janeiro ou Salvador em 2011 e São Luis em 2012] onde compareceram vários civis e militares que estudaram e serviram no CM na década de setenta, e desde de então não mais colocaram os pés em Manaus. Além desses encontros outros menores têm acontecido, como em Belém e em outras cidades brasileiras. O e-leitor tem de ter em mente que a maioria dos internos eram filhos de não amazonenses, de militares de todo o Brasil, que aqui serviam na Amazônia; portanto, hoje há ex-alunos em várias cidades do país, que se reunem para lembrar da sua juventude nessa região. Esses encontros são feitos para rever amigos e contar “causos” e situações como as vividas durante o serviço militar ou CFR, Curso de Formação de Reservistas, feito por aqueles que estavam na idade de servir.

A Missão

O Colégio foi criado para dar um ensino de qualidade para os filhos de militares que serviam na Amazônia. Mas também estudavam filhos de civis, nós,os maternos, como os internos nos chamavam. O CMM tem cumprido o seu papel, sendo hoje “uma das melhores instituição de ensino a distância de todo o Brasil”, me disse em 2007, o então sub-comandante, o tenente coronel Calazans.
Em 2007, depois de exatos 30 anos sem nos vermos, um amigo comum me disse: "Deixa eu te apresentar o sub-comandante do CM, cel Calazans." Olhando para cara do sujeito apresentado, e para a surpresa do apresentador, eu disse: como é o nome desse filho da mãe ? E eu mesmo respondi: esse é Rangel, 34,  o voador, deve ter mudando de nome para enganar os credores. Conheço desde garoto. Foi uma excelente surpresa reencontrá-lo. A última vez que o havia visto foi na extinta boîte Papagaio na Ponta Negra, quando ainda era capitão e servia no CIGS.

Os Campeões
Desde do início o Colégio Militar inovou, tendo pela primeira vez em Manaus uma equipe de ginástica olímpica; e a prática de vários esportes de quadra, no seu então moderníssimo ginásio coberto. O Colégio sempre se destacou nos jogos estudantis amazonense, revalizando-se no basquete 
Time de nadadores do CMM
com o colégio Dom Bosco e no voleibol com a Escola Técnica Federal do Amazonas. Nas olímpiadas dos Colégios Militares sempre fizemos bonito com a nossa equipe de nadadores, que além do meu amigo Barbosa Lima, nos dois primeiros anos, e dos irmãos Ramalhos: Ricardo, Horácio e Eduardo Bianchi, tinha um dos mais premiados nadadores do Amazonas, ou talvez do norte-nordeste, Cézar Alex Moraes da Silveira,49. Alex no Colégio, Cezinha fora dele, Pequeno, 1,48 m, nadava como um peixe; grande amigo do CM e da Faculdade de Economia, que em 1983 tirou a própria vida.

Do CMM sairam além dos militares, profissionais em várias áreas; políticos de várias cores e matizes, secretários estaduais e municipais no Amazonas, e em outros estados; professores universitários, advogados, médicos, engenheiros, prefeito e superintendente da Suframa, mas sobretudo, saíram de lá cidadãos, pais de famílias (hoje tem também alunas), que dão a sua contribuição para nossa sociedade. Há ex-alunos que serviram na missão de paz no Haiti (MINUSTAH), como o capitão de mar e guerra, Manoel Ribeiro, primeiro comandante e coronel aluno do CMM em 1974; e o coronel (hoje general) Roberto Escoto, comandante e coronel aluno da nossa turma em 1978.

A qualidade do ensino é pública e notória, oferecendo uma das melhores relação benefício-custo entre as escolas existentes na cidade. Por esse motivo e outros motivos é que este ano, a relação de candidatos por vaga no exame de admissão era de 25 para 1.

Concluíndo

Esse texto já passou dos limites. E lembrando o que o tenente coronel Renato dizia, vou ter de parar por aqui.
Há um email grupal e uma homepage (http://br.groups.yahoo.com/group/ex-cmm/?yguid=206338373) com milhões de fotos onde compartilhamos idéias e ideais.

Há entre os ex-alunos algumas diferenças enormes no campo da ideologia e das preferências políticas, há quem deteste a Dilma e há admiradores de Lula. Há os que reverenciam Bolsanaro e criticam outros políticos, mas há sobretudo, um grande respeito as opiniões dos outros. Ninguém esconde ou nega suas preferências, mas o confronto é evitado. Já vivemos mais da metade de nossas vidas, já aprendemos que para quase 100% de nosotros, o que tinha de acontecer de excepcional já aconteceu, com raríssimas exceções; então o negócio é tocar a vida numa boa. Eu defendo a Dilma; o Antônio Carneiro prefere o Serra (e é fã de carterinha do Alckmin, que é da terra dele, Pindamonhangaba), escrevemos os nossos pontos de vista, e a vida continua, sobretudo a amizade. Tem padre (Raimundo Damásio, 38, professor universtário em Roma), tem pastor ( Cel. PM Cristovão Sampaio, 501). Já fizemos até um culto ecumênico. Tem até Pai-de-Santo. Somos ainda muitos jovens, mas já começamos a curtir nossas vidas passadas, e apreservar as boas amizades.

Vamos nos preparar para a grande festa dos 45 anos do CMM, em 7 de abril de 2017. Alô Corrêa Dantas, vamos formar a comissão préparatória.

(Lembre-se o texto original foi escrito em 2011)
Tenham todos uma feliz e abençoada Páscoa, e quem estiver carregado de pecados, já meio torto pelo peso deles, aproveite a Semana Santa que se aproxima ( não coma carne e nem bacalhau só porque é peixe ) para pedir perdão e se arrepender das traquinagens cometidas.

Cláudio Nogueira

PS1. Acréscimo do texto revisado: Outros Nogueiras, bem mais jovens do que nós passaram pelo Colégio, Daniel, Luciana, Isabela. Esse ano entrou no CM mais uma sobrinha Maria Gabriela Nogueira Belasque.

PS2. Acréscimo ao texto revisado: No dia 22 de março de 2013 foi postado no texto original:

39 anos do CMM http://nogueiraclaudio.blogspot.ca/2011/04/39-anos-do-cmm.html

o seguinte comentário (há mais alguns outros): " Milton Córdova Júnior, Aluno 1447 (filho do "Cachorrão", o Cel Córdova, nosso professor de Matematica) se apresentando!"  É claro que lembramos que os caninos são sempre bons amigos.

Veja também : 
Colégio Militar de Manaus completa 40 anos: http://www.d24am.com/noticias/amazonas/colegio-militar-de-manaus-completa-40-anos/55011

Para finalizar agradeço a Deus por esses 41 anos e pelas amizades que perduram até hoje. Peço a Deus por todos aqueles que já nos deixaram. E finalmente, gostaria de lembrar alguns nomes, começando por aqueles que comigo ( CLÁUDIO
Lúcio Queiroz Nogueira, 319) estudaram, seguido por outros que compartilharam conosco essa experiência: Thomaz Afonso QUEIROZ Nogueira (tenente aluno em 1973), 318; Nilton BARBOSA Filho,837,(tenente-coronel aluno em 1978); Carlos Túlio dos Santos DEMASI,309; Jussi Soares CALOBA, 802; MOÍSES dos Santos,57; Marcos Pinto da COSTA LIMA, 337; Alfredo  Jorge Mendes JOVEM,299;Carlos Alonso ALENCAR Queiroz ,456; Daniel Israel do AMARAL,310; José SANTOS, 320; Sérgio Augusto MORAES, 286; DIÓGENES Moraes e Silva,75; Geraldo Salles CHÃ Filho,308; DOURIVAL Pereira dos Santos,902; Aldemiro REZENDE Dantas Jr. (também oficial aluno), 312;VALDER dos Santos, 63; Jorge Luis de Souza GENNARI, 996;  Francisco RODRIGUES dos Santos Neto, 62; Marco Antônio AVELINO, 304;Antônio Jorge PORTELA Marques Ribeiro,306; ROGÉRIO Menezes Franco de Sá, 999; EDILSON Carvalho, 78; Oswaldo TENNYSON Júnior (tenente aluno em 1973), 302; João CLEITON Fontoura Blós,646; Sidney TERTULIANO, 1447; PAULO Botocudo, 315; Raimundo SENA, 314; NELSON Costa,1413; Rogério TODESCHINI, 655; FLORINEY Casas, 824; Paulo Ayrton LINHARES, 61; José Augusto LIZARDO, 96; ABEDENEGO Souza Lima Filho, 230; Mário César PERES de Freitas, 67;  Augusto LOTT Rodrigues Colás Amaral (esses dois últimos oficiais da Marinha Mercante), 14; Fernando Nunes da FROTA, 300; Francisco José de Souza VENTILARI, 10; RAIMUNDO Pequeno, 290; SANDOVAL Fernando Cardoso de Freitas,1216; Geraldo Nery, 251; EMÍLIO Pereira da Silva Neto, 706; Carlos AUGUSTO Santos Moraes , 287; Geraldo NAZARENO de Moraes e Silva, 843; FADOUL Alves, 81;Milton CÓRDOVA Júnior,1447; Antônio ARTARXERXES de Sá Ferreira; João EVANGELISTA,307; Bepi SARTO Neves Cyrino, 36; João Alves da SILVA JÚNIOR, 224; José Raimundo LEITE LEÃO, 174; José APARÍCIO,86; JOSÉ LUÍS de Moraes Silva,97; SÍLVIO Gomes, 609;  Paulo César de MORAES SILVA, 118; José Augusto SANTOS MORAES, 795; AGNOR Aparício dos Santos, 275; AGUINALDO Ribeiro, 205;  CARLOS Eduardo Bittencourt, 105; JAIR, 617; Cézar ALEX da Silveira, 49; José “Caxias” FERNANDES, 204; Os militares, hoje todos coronéis do Exército: Elson RANGEL Calazans,34; Roberto ESCOTO, 1161(coronel aluno de 1978 - general);Lúcio EBLING, 121; Raul Augusto de Mendonça BORGES, 695; Pedro Ihara HIROSHI, 313; AMILTON Santos, 208;Benjamin Acioli RONDON do Nascimento, 311; JURANDIR Nascimento da Silva, 627 (tenente aluno 1974); Mário Ferreira VILLAÇA Neto, 1629; José Cristovão Guedes VILARIM, 33; José Vicente da SILVA JÚNIOR, 435; Josemar CARNEIRO Araújo, 71; e o coronel PM CRISTOVÃO Sampaio, 501.

Roberto CORRÊA DANTAS, 487 ANTÔNIO Freitas, 329, AGOSTINHO de Oliveira Freitas Junior,328,padre DAMÁSIO Raimundo Santos de Medeiros,38; ; Sidney Barros de ALARCÃO,194; Carlos Piccinini SCHWEDER, 148; João GUILHERME de Moraes Silva, 844; João de Amorim LITAIFF Júnior, 399; TRAJANO Amorim Litaiff,398; ANFRIMAR Nunes, 578; Sérgio JOIA de Figueiredo da Costa,398; EMMANUEL Medeiros, 130; Marco Lúcio SOUTO MAIOR; Rubens da Cunha BARBOSA LIMA,104; MANOEL RIBEIRO da Costa, 423; Helton MIRANDA, 254; Horácio Castro de RAMALHO, 53; Afonso Celso Brandão NINA, 343; George TARSO, Cláudio BARROS Gomes, 439; Marco Antônio BARSOTTELLI Botelho,582; Eduardo BIACHI Ramalho, 54; Roberto CARRERA,157; Nizardo CHAGAS FILHO, 525; Mauro Cézar Gama PERES, 508; José Luiz de SIQUEIRA e Silva,336; Cézar TODESCHINI, 218;  Paulo Barbosa Ricardo da TRINDADE, 213; Roberto ABECASSIS, 210; Antônio Carlos Fonseca VINADÉ, 491; AQUILES da Conceição Silva Dias; Paulo AROUCK; Jéferson GARCIA Guterrez,222, GÉRSON Garcia Guterrez, 223; Alfredo Augusto T. do Couto VALLE Júnior, 416; GILTON Almeida Silva, 189; Abelardo O. GUERRA Jr, 225; Érlon Garcia GUTERREZ 486; Emerson HOFFMAN, 240; Evandro IMBIRIBA, 378; Adnar LEAL, 250; Wally Nobre MESQUITA; Altervir RESENDE, 151; RICARDO Castro de Ramalho,55; Gilberto SALUSTIANO Moraes e Silva, 74; Raimundo Afonso SEABRA da Silva, RUDIMAR Lima de Oliveira,238; Celso CAITETE; Wilson PRADO,485; ANDRÉ Luís Martins Rodrigues,43; CÉSAR Augusto Bonetti LOUREIRO,367; Ricardo BARAUNA; Robeto CHAGAS NETO; Marcos Gomes LEMOS; MARCO AURÉLIO Sousa Lima; Jorge PONTES; MARCO ANTÔNIO Gonçalves,210; Carlos Frederico Affonso SAMPAIO,160; ADALBERTO Corrêa de Almeida,262; Rubens BOTELHO da Silva,666; HÉLVIO Feitosa,191; Carlos César LYRA Guerra,226; Paulo TASHIRO,156; Flávio CARNEIRO; Gilson BRUM; Roberto BUBNIAK; Marcos Antônio Costa CAVALCANTI; Adalberto COSTA E SILVA; Jorge COUTINHO; HÉLIO Barbosa,203; JOÃO ALBERTO Ferreira, 612; Luiz Carlos de Liz KOCHE,631; LÚCIO FLÁVIO Arantes Esteves,492; Roberto George Freitas de NORONHA, 219; Nilton de SOUZA E SILVA; Murilo SUANO,330; Sebastião VITALINO da Silva; WALDEMAR Lopes,473; Lauro Luiz Schubach PASTOR Almeida,182; ÁLVARO da Cunha Barbosa, 103; José Carlos BENVENUTTI,278; MARCONI Duarte da Silva, Luciano PORTO Lima,193; Walter Antônio Pereira BOEGER,617; João Osorio Muniz RETAMAL, Emilio BELAMARIK; Marcos Antônio DUARTE; Elirez Bezerra da Silva, 142; GODOY Coutinho, 117; José HASHIGUSHI de Brito; HAYDEN; HÉLCIO Augusto,469; HUMBERTO Batista Leal; MARCO ANTÔNIO de Souza Lima; Rogério MEIRELLES,214; Roberto NAIMAIER Duarte,198; Rubens PEREIRA,616; Sérgio Luis TEIXEIRA GOMES, 661; ULISSES Dias; Joaquim Pedro Naimaier DUARTE, 199; Nélson SCHWEDER JR,147; Paulo José LIMA ROCHA,215; NELSON Luiz Carneiro Correia, 196; Júlio Cesar Barreto MOREIRA, 691; Mário do Nascimento GOMES; Cassiano TAVARES; Vanderlei MARQUES; Celso MELLO JR, 331; Julio Cesar Barreto MOREIRA,691; OLDEMAR Almeida Silva, 188; João Inácio Manato PAGANI, ROGÉRIO de Jesus,438; Ludgero SALAU; Nilton de SOUZA E SILVA; José Murilo Ferraz SUANO,330; Marcelo José Ferraz SUANO,1564.

Com a patente de 1972: Cel. Jorge TEIXEIRA de Oliveira, Major Francisco SCHIMDLIN de Castro, Sgt. Ismael KURTZ, Cap. Paulo da SILVA MAIA, Sgt. Sebastião NATALINO Vicente, Sgt. JAIR Ferreira Pedra, Sgt. Geraldo Augusto CHAPINOTTO, Sgt. Otávio ROSSETI, Sgt. Neiva, Cap. Domingos Carlos Sá NOVAES, capitão Jorge ANDRADE Filho, capitão LÁZARO Amorim Soares, Major Nunes, Cap. Francisco BARCELOS (Chicão), prof. José ROCHA (Rochinha), prof. José AMAZONAS Ramos de Lima, T.Cel. Hélio CASIMIRO, Cap. Gustavo FREGAPANI, Cap. Carlos Breno CELESTINO, T.Cel RODOLPHO Freitas Filho, prof. Enéas, Cap. Jaime CRESPO Filho, T.Cel Renato Cézar Ferreira, Cel. Leonardo JAEGER, Sub-tenente KLÉBER Silvério, Sub-tenente Viegas, Major Paulo MENDONÇA Viana, Ten. José VIDAL Bezerra, Cap. RAMIRO Mello Filho; prof. Alberto Makarem, TCel Oswaldo GISSONI, prof. Reinaldo BARBALHO, prof. Josias Figueiredo; prof. Francisco das Chagas de Albuquerque, prof. Evanir Barroso; prof. Eber Soares Leão, prof. Cleômenes do Carmo Chaves, prof. Adroaldo Rosseti,prof. Ernando Marques, prof. Ayssor Mourão, Sgt. João Dantas Cyrino, prof. Eduardo Riker, Cap. Arnaldo Natividade FLEURY Curado, Cap. Estevão Alves CORRÊA NETO, profa. Helena Soares da Cruz, Cap. Luiz Felipe FRAGOSO de Albuquerque,Sgt. Primo FANELLI e Sgt. PAULO Farias.


Retirado do livro "7 de abril de 1972"