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domingo, 28 de julho de 2013

Os Primeiros 70 anos - parte I

        Foi no segundo semestre de 1942. O mundo estava em guerra, fechado numa gigantesca luta que, eventualmente, terminaria no extermínio de milhões  de pessoas  na destruição de centenas de cidades, na devastação das nações da Europa e das Ilhas do Pacífico, e estava para surgir um novo estilo de devastação terrível: a bomba atômica.
Na sede provincial dos Redentoristas da Província [religiosa] de São Luís (EUA), Superior Provincial, mui Reverendo Francis J. Fagen, CSSR, sentou-se à mesa relendo uma carta que acabara de ser entregue a ele por um mensageiro especial do Govemo norte-americano.
Foi um dia de outubro claro e fresco, particularmente bonito e colorido, famoso no outono do meio-oeste americano. O humor do Padre Provincial correspondeu ao tempo. Mesmo sabendo que os dias escuros e frios do outono estavam se aproximando, Padre Fagen tinha um maravilhoso hábito de olhar além da escuridão do inverno para a primavera que o seguiria. Realmente, ele era como a "Memorabília" da Província de São Luís o descreveu: "um eterno otimista."
...
Nesta época, a Província de São Luís estava se expandindo. Expandiu-se  pelo território do meio-oeste dos Estados Unidos, da fronteira com Canadá ao Golfo do México. Teve, incluindo a Vice-Província de Oakland na Califórnia, vinte e seis comunidades distribuídas em vinte e uma paróquias, um seminário maior, dois seminários menores, um novicido e uma casa de retiros em Glenview, Illinois. Em agosto de 1942, a Província compôs-se de 380 confrades, sendo que 312 eram ordenados. A maioria destes Missionários Redentoristas estavam ocupados e engajados na pastoral paroquial e na pregação das Santas Missões.
O seminário menor, Colégio São José em Kirkwood, Missouri, estava lotado com 115 estudantes na escola de 2° grau e os primeiros dois anos de filosofia. Dezessete noviços estavam fazendo o noviciado em DeSoto, Missouri. Cerca de 75 estudantes professos estavam estudando teologia no seminário maior em Oconomowoc, Wisconsin, sem contar os padres récem-ordenados no último ano dos estudos teológicos.
Era tempo para expandir e Padre Fagen foi o homem certo para supervisionar a expansão. Ele procurou novos horizontes e apostolados para seus confrades, mesmo que estes estivessem em terras estrangeiras. De fato, antes dos Estados Unidos entrarem na Segunda Guerra Mundial com o bombardeio de Pearl Harbor, a Província de São Luís havia aceitado provisoriamente uma Missão na Tailândia e já tinha enviado confrades recém-ordenados, Padres Joseph Buhler e Joseph Elo para estudarem missiologia e francês (a língua falada pela maioria pessoas da Igreja na Tailândia) na Universidade Católica em Washington, D.C.
A "Guerra no Pacífico," envolvendo vastas operações militar Extremo Oriente, cortou ou pelo menos demorou os planos da Província de São Luís em abrir uma Missão estrangeira no maravilhoso Reino de Sião (Tailandia). Mas a guerra não pôde diminuir nem destruir o otimismo incurável e o zelo intenso do Padre Francis Fagen.
Então foi com um extraordinário senso de responsabilidade que reuniu com seus consultores oficiais e leu em voz alta a carta que recebeu. A carta original foi escrita em português, e assim o Padre Fagen descobriu qual era a língua falada no Brasil. Foi traduzida em inglês e endereçada ao "Mui Reverendo Provincial dos Redentoristas em São Luís, Missouri. Talvez o que mais impressionara o Padre Fagen tenha sido o fato da carta ter vindo de um lugar tão distante, Rio de Janeiro, capital do Brasil na época, por um mensageiro do Governo dos Estados Unidos. Eis a carta:

"Rio de Janeiro
 1° de Outubro de 1942
 Laudetur Jesus Christus

Como Vossa Reverência já sabe, existe grande interesse por parte Governo norte-americano em colaborar com as autoridades civis locais no desenvolvimento econômico da vasta região Amazônica. Por esta razão, certamente, nós estaremos recebendo em nosso território numerosos americanos para os trabalhos técnicos e sociais que serão estabelecidos aqui. Agora nós realmente desejamos que nossos interesses religioso mais vitais não sejam sacrificados.
Esta é a razão por que vim agora propor a Vossa Reverência que o pedido da criação, que vos ofereço, de uma Missão na minha Diocese de Manaus, o futuro centro de todas as atividades que estão sendo consideradas. O povo brasileiro ficaria muito feliz com a chegada ao seu país de uma Missão Redentorista, solidificando, assim, as ligações espirituais que nos unem. Para que Vossa Reverência possa ter em mente uma idéia concreta, eu vos ofereço, desde já, duas Paróquias, numa área de 40.000 habitantes, localizadas nos municípios de Coari e Codajás. Podem, também, ter uma residência na sede da minha Diocese, a cidade de Manaus, capital do Estado do Amazonas.
O intermediário desta carta é o Sr. Berent Friele, representante especial e coordenador dos Assuntos Inter-Americanos (Inter-American Affairs) no Brasil, que fará isto como gesto de cortesia.
Esperando pela aceitação definitiva da parte de Vossa Reverência do meu convite oficial, subscrevo-me vosso
Servidor em Jesus Cristo,
Dom Joao da Matta Andrade e Amaral
Bispo de Manaus."

Na discussão, após a leitura da carta, tornou-se mais claro para Padre Fagen e seus consultores que o convite de Dom João da Matta foi realmente um chamado de Deus. Chegaram a esta conclusão, mesmo cientes do evidente interesse do Governo norte-americano em ter pessoal americano (mesmo religiosos) presente e atuando no Vale Amazônico do Brasil. Esta vasta área, apelidada por alguns de "Inferno Verde," foi muito importante para as Forças Aliadas sendo, na época, a única fonte acessível de borracha bruta (as outras estavam sob o controle do Japão).
Depois de achar os mapas da América do Sul e localizar o Estado do Amazonas e sua capital, Manaus, Padre Fagen e seus consultores tomaram a seguinte posição: os Redentoristas da Província de São Luís estavam interessados em estabelecer uma Missão no Brasil. Mas algumas questões importantes ainda precisavam ser respondidas satisfatoriamente. Estas questões foram colocadas na seguinte carta, mandada para Dom João pelo Padre Fagen:

"28 de Outubro de 1942
Mui Reverendo Dom Joao da Matta A. de Amaral
Bispo de Manaus Estado do Amazonas, Brasil

Vossa Excelência:

Eu recebi, por meio de um oficio do coordenador dos Assuntos Inter-Americanos, sua carta oferecendo duas Paróquias de sua Diocese para nossos padres da Província de São Luís. Eu quero assegurar a Vossa Excelência que aprecio sua oferta e que lhe darei toda consideração.
Posso pedir da Vossa Excelência mais algumas informações?
1)   Quais são as exigências de linguagem para que nossos padres possam trabalhar com uma certa eficiência entre seu povo?
2) Qual é exatamente a natureza do trabalho que gostaria que nossos padres fizessem?
3) Há residências em Coari e Codajás, onde nossos padres possam morar e viver sua vida comunitária? Entende como é muito importante que eles vivam em comunidade. Gostaria de estabelecer uma pequena comunidade em cada lugar, provavelmente de quatro padres e um irmão.
 4) Quais são os recursos com que os padres podem contar para seu sustento?
          Quando receber a resposta de Vossa Excelência, levarei este assunto ao nosso Padre Geral em Roma. Estou confiante em que ele concordará com qualquer negociação combinada entre nós.
Esperando que os Missionários da Província dos Redentoristas de São Luís possam servir a Vossa Excelência, permaneço,

Sinceramente em Cristo,
 Francis J. Fagen, CSSR, Provincial”            

Na época desta correspondência entre Dom João e Padre Fagen, existiam grandes dificuldades em realizar ou manter intercâmbio...
Um pouco antes do Natal de 1942, o Bispo de Manaus mandou resposta para o Padre Fagen. Em sua carta, Dom João da Matta respondeu as questões do Provincial direta e jubilosamente... Em sua carta, Dom João, antes de tudo, prometeu que "o Bispo, Governador e o povo do Amazonas receberão com braços abertos os filhos do grandioso Santo Afonso." Depois, procurou dar uma resposta adequada às dúvidas do Padre Fagen.                                  |
Ele informou ao Provincial: "A língua falada no Amazonas é o português. Não existem índios selvagens nas Paróquias de Codajás e Coari. Todos eles são civilizados. Há, porém, uma enorme ignorância  religiosa por causa da falta de padres. As pessoas são de caráter agradável e muito dócil. A população é completamente católica...
...
As respostas de Dom João eram tudo que o Padre Fagen precisava para prosseguir com a fundação de um novo apostolado missionário para os Redentoristas da Província de São Luís. Ele mandou um telegrama para o Superior Maior em Roma, pedindo permissão para prosseguir com a nova fundação. A permissão foi dada e, no dia 26 de Fevereiro de 1943, Padre Fagen mandou esta carta ao esperançoso correspondente em Manaus:
       “Imediatamente, após receber a sua graciosa carta telegrafei ao Padre Geral para obter permissão de negociar com você sobre Coari e Codajás. Dentro de poucos dias recebi sua resposta:
‘A Congregaçao Sagrada foi consultada. Você pode aceitar Coari e Codajás em fase de experiência. Sucesso e bênçõos para eles e os pioneiros. (assinado) Patrick Murray, CSSR."'

Padre Fagen explicou ao Bispo: "Estou pensando em mandar uma comunidade de cinco padres e um irmão. E, caso meus planos atuais se materializem, eles deverão estar indo para o Brasil logo depois da Páscoa. Estarei indo a Manaus antes do final de março, para encontrar com você pessoalmente e conhecer mais de perto as condições em que a comunidade cai viver e trabalhar."
Antes de embarcar para o Brasil, Padre Fagen nomeou os confrades da Província de São Luís que seriam os primeiros Missionários Redentoristas no Vale Amazônico. Eram cinco, sendo quatro padres e um irmão. Saíram rumo a Manaus em julho de 1943.
Os cinco pioneiros da Província de São Luís eram os Padres João McCormick, José Maria Buhler , José Elworthy, Jaime Martin e Irmão Cornélio Ryan.
Devido a nenhum destes ter ainda uma proficiência em falar português Padre André Joerger da Vice-Provincia de Oakland (...) foi escolhido temporariamente liderar o grupo e ser o primeiro "Superior” Amazonas. Padre André era um linguista brilhante e, como um missionário experiente com os hispânicos de Califórnia, já possuía um alto grau de fluência no espanhol, uma língua muito semelhante ao português.
Até o momento das suas nomeações para as missões brasileiras cinco pioneiros da Província de São Luis tinham trabalhado em postulados que, de várias maneiras, ajudaram a preparar a turma para nova missão. Desde sua ordenação, Padre João era um professor de grego e latim no seminário menor em Kirkwood. Os Padres José e José Maria (como notado acima) fizeram cursos de missiologia na Universidade Católica. Padre Jaime trabalhava com o povo que falava espanhol em San Antônio, Texas. Irmão Cornélio, um habilidoso carpinteiro e construtor tinha servido em várias comunidades da Província, especialmente seminário menor em Kirkwood.
Depois ele anunciar as nomeações históricas destes pioneiros, o próprio Padre Fagen veio averiguar o território onde eles se estabeleceriam e trabalhariam. Sob os auspícios da Corporação de Desenvolvimento Borracha (uma agência do Governo dos Estados Unidos), ele viajou para Manaus onde se encontrou pessoalmente com Dom João da Matta. Foi encontro de dois entusiastas, cuja confiança mútua e idealismo superaram qualquer previsão de problemas para os futuros missionários.
Padre Fagen também foi de avião para Coari, onde desembarcou, encontrou com as autoridades locais, viu a Matriz, (a igreja dedicada Sant'Ana) e prometeu que logo os Redentoristas estariam lá. Logo depois voltou para Manaus. Na volta, o avião sobrevoou a pequena cidade Codajás para que o Padre Provincial pudesse pelo menos ver, com o olhar de um pássaro, a outra Paróquia que seria administrada pelos seus confrades.
A visita rápida em Coari e a breve vista aérea de Codajás for suficientes para que o Provincial, sempre positivo no seu modo de pensar ficasse com as esperanças animadas de ver uma história gloriosa para a Missão Redentorista no Vale Amazônico.
...
Foi para este labirinto sem fim de selvas e rios, dentro de um inóspito e hostil clima de calor e chuva, com animais e insetos que eles nunca tinham ouvido falar, que os Padres André, João, José Maria, José, Jaime e Irmão Cornélio vieram viver e anunciar a Boa Nova do Evangelho com o espírito missionário próprio de Santo Afonso de Ligório, fundador dos Redentoristas. Mas não vieram sem uma Celebraçao de Envio.
A celebração foi realizada no dia 11 de Julho de 1943, na "Rock Church" (Igreja de Pedra) em São Luís. Eis aqui como um dos pioneiros, Padre João McCormick, descreve os procedimentos em suas memórias:
"Os planos preparatórios para a Missão Amazônica, que têm ocupado o Padre Provincial Fagen nos últimos meses, chegaram ao seu ponto alto na solene Celebração de Envio realizada nesta noite às 19:30 horas.
O Padre Provincial pregou um sermão inspirador sobre o espírito missionário da Igreja. Arcebispo Glennon de São Luís, acompanhado por mais ou menos 50 padres diocesanos, também falou algumas palavras. Mais ou menos 50 confrades Redentoristas participaram da celebração. A "Rock Church" estava bastante cheia de parentes, amigos e benfeitores dos Redentoristas. A cerimônia constou-se de uma procissão que saiu da casa paroquial em direção à igreja por acólitos, padres diocesanos, Missionários Redentoristas e o Arcebispo. A celebração também incluiu um hino para Nossa Senhora, o hino "Vinde Espírito Santo," um sermão do Padre Provincial, as "Orações Itinerárias" do breviário e a entrega da Cruz da Missão para os missionários enviados. Encerrou-se a celebração com a solene bênção do Santíssimo Sacramento.
Em seguida, houve uma recepção social no jardim da casa paroquial. Calculou-se que 700 pessoas participaram da recepção. O Arcebispo permaneceu por mais de uma hora."
Outro pioneiro, Padre José Elworthy, em seu relato conta que o Arcebispo Glennon disse: "Quando os missionários saem da Irlanda, os sinos da Catedral de Shannon tocam 'Ibo et non redibo," (Eu vou e jamais voltarei). Eu fiquei feliz porque a voz do Arcebispo foi fraca e minha mãe estava longe do altar e não a ouviu."
Padre José também recorda que Padre Fagen, em seu sermão, relembrou o que Dom João da Matta tinha dito há pouco tempo durante a visita do Provincial a Manaus: "Finalmente os rios Amazonas e Mississippi se encontram."
Por causa de complicações com vistos, os pioneiros se atrasaram em sair de São Luís. Finalmente, no dia 15 de Julho de 1943, eles embarcaram num trem para a viagem de dois dias rumo a Miami, Flórida. Lá eles foram bem recebidos por um oficial chamado Hall, da Corporação de Desenvolvimento da Borracha (CDB), que era também um coronel do Exército norte-americano. O mesmo mostrou a cidade de Miami aos missionários em transito. Mais uma vez houve uma demora nos seus planos de viagem até que conseguiram lugares no avião da CDB que ficou para levá-los sobre o Caribe até a América do Sul. O plano original era para todos viajarem juntos, saindo de Miami no dia 20 de julho de 1943. Às vezes, devido estar em tempo de guerra, fazia-se necessário que horários e planos fossem rapidamente mudados. Somente no próximo dia, quarta-feira, 21 de julho, os Padres André Joerger e João McCormick foram informados que podariam ocupar os últimos dois assentos disponíveis no avião anfíbio da marca Sikorsky, de 11 passageiros, apelidado o "Baby Clipper," com destino a Manaus. Os outros quatro pioneiros esperaram até 26 de julho, segunda-feira, para poderem viajar. A propósito, vale ressaltar que a rota aproveitada para este voo era nova, traçada pelo famoso Capitão Eddie Rickenbacker.
Nestes dias, chegar ao Brasil de avião normalmente levava dois, três, até quatro dias, sendo que os aviões voavam devagar e o tempo de voo se restringir somente às horas diurnas. Somente na hora do pôr-do-sol da quarta-feira, 28 de julho de 1943, os pioneiros se encontraram novamente, desta vez no solo brasileiro.

To be continued

Cláudio Nogueira

O texto acima foi retirado do livro  Redentoristas na Amazônia - Os Primeiros Cinquenta Anos, escrito pelo padre Normando J. Muckerman, C.Ss.R

Relação de padres e irmãos Redentoristas que trabalharam na Amazônia

Não existe ex-sacerdote. Tal coisa não existe. O que existe são sacerdotes que pediram para ter suas atividades sacerdotais suspensas. Por esse motivo a relação não excluem  - pelo menos tenta - ninguém.

O Senhor jurou e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec.(Salmo 109,4)

Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedec.(Hebreus 5,6)

Nome no Brasil
Nome de batismo
1. Padre André
Jorger,Andrew

2. Padre João
 McCormick, John              

3. Padre José Maria
Buhler, Joseph                

 4. Padre José
 Elworthy, Joseph  D.               

5. Irmão Corrnélio
 Ryan, Cornelius Clement                 

6. Padre Jaime
 Martin, James              

7. Padre Matias
Huber, Mathias                

8. Irmão Stanislaus
 Dunn, Charles  (Stanislaus)   

9. Padre Liguori
Cullen, William              

10. Padre José
Brunner, Joseph               

11. Padre Agostinho
 Liebst, Robert  (Gus)              

12. Irmão Gabriel
Medic, John    (Gabriel)      

13. Padre Frederico
Stratman, Frederick       

14. Padre Afonso
Abadie, Alphonse              

15. Padre Bernardo
VanHoomissen, Bernard      

16. Padre Normando
Muckerman, Norman 

17. Padre Clemente
Weirich, Clement           

18. Padre João
Kreuzer, John                 

20. Dom Tomás
Murphy, Thomas William

21. Padre  Guilherme
Fitzgerald, William J.       

22. Padre Roberto
Hanlen, Robert               

23. Padre Eugênio
Oates, Eugene                

24. Padre Pedro
Weitzel, Robert            

 25. Padre Paulo
Broker, John            

 26. Padre Jorge
Joly, George           

27. Padre Francisco
Hirsch, Robert                

28. Padre Eduardo
 Wilhelm, Edward               

29. Padre Miguel
Rossbach, Robert           

30. Padre Guilherme
McKee, William          

31. Padre Leão
Tong, Paul                   

32. Padre Vicente
McLaughlin, Rex           

33. Dom Mário
Anglim,Robert Emmet   

34. Padre Daví
Shannon, David             

35. Padre Antônio
Stuebben, Anthony          

36. Padre Patrício
Hogan, William   Frederick             

37.Padre Rafael
Tobin, Gerard                

38. Padre Sebastião
Leitheiser, Doug              

39. Padre Tiago
Springer, James   Edward            

40. Padre Lucas
Hoefler, Herbert            

41. Padre Luis
Ohlinger, Frank              

42. Padre Marcos
Weninger, Ronald  Joseph          

43. Padre Jorge
Springer, George        

 44. Padre Mateus
George, Wallis Walter Herbert 

45. Padre Ricardo
Garrett, Richard              

46. Padre Jorge
Ford, George                  

47. Padre Daniel
Nugent, William               

48. Padre Alberto
Kern, Edward             

49. Padre Felipe
DeBaldo, Vincent  Francis      

50. Padre Cristovão
Farrell, Paul               

51. Padre Geraldo
Brinkmann, Gerard          

52. Padre Raimundo
Scheuermann, Raymond          

53.Padre Tomé
Morrissey, Thomas             

54. Padre Jaime
Fish, James                   

55. Padre Carlos
Steiner, William             

56.Padre André
Patterson, James              

57. Padre Bento
Parsons, William            

58. Padre Joaquim
Shannon, James                

59. Padre Vicente
Schnaar, Vincent              

60. Padre Leonardo
O'Leary, Thomas            

61.Padre João
Moffitt, John                

62.Dom Alfredo
Novak, Alfred Ernest   

63.Padre Pascoal
Stenger, Joseph            

64. Padre Pio
Fisher, Leonard               

65. Padre Maurício
Governale, Nicholas          

66. Padre Noé
Aggeler, Vincent              

67. Padre Luis
Miller II, Donald  F.                   

68. Padre Afonso
McCluskey, Ronald           

69.Padre Henrique
Zeipelt, Vincent            

70.Padre Lino
Marler, Corrie               

71. Padre Inácio
Rietcheck, Gerald           

72.Padre Flavio
Freuler, John                 

73. Padre Xavier
O'Brien, James               

74.Padre Rui
Hergenreder, John          

75.Padre Ivo
Tobin, Joseph Emmett.           

76.Padre Domingos
McCarthy, John     

77. Padre Roberto
Drinkwater, Malcolm         

78. Padre José
Morin, Joseph            

79.Padre Nakamura
Nakamura, George              

80.Padre João
Gouger, John                 

81.Padre Paulo
Kipper, Leonard              

82. Padre Miguel
McIntosh, Thomas              

83. Padre Luis
Kirchner, Donnell

84. Irmão Leo
Patin, Leo                  

86. Irmão Simon
Ripp, Kendal   (Simon)              

87. Padre José
Butz, Joseph              

88. Padre Vitor
Karls, Victor                

90. Padre Gary
Heinecke, Gary                

91. Padre Kevin
Fraher, Kevin            

92. Padre Martin
Laumann, Martin              

93. Padre Antônio
Judge, Anthony               

94. Padre José Patricio
Dorcey, Joseph                

95.Padre  André
Thompson, Andrew             

96. Padre Eduardo
Vella, Edward               

97. Padre Patrício
McBride, Patrick          

99. Padre Alberto
Keyes, Patrick Albert 











Sacerdotes brasileiros

1. Alyrio Lima dos Santos  2.  Paulo Rodolfo Furtado     3. Areolino Araújo     4. Frank Martins  5. João Bosco Barreto   6. Raimundo Bastos    7.  Abrahim Correa  Costa      8.  João de Deus Palheta     9. Leonardo Martins 10. José  Amazonas Ramos de Lima  11. Gutemberg Freire Regis (bispo)   12. Mário Arruda da Costa (diácono permamente) 13. Tadeus  Nogueira   14.  Vicente Moreira     15. Pedro Paulo Afonso Nunes (irmão)   16. Francisco Geraldo de Lima (irmão)  17. Manuel Leocarpio   Soares  18. Sombra Manual  da Silva (irmão) 19. Raimundo Facundo  Leite 20. Adonias   Sampaio 21. Carlos Fernando Barbosa   22. Jaime Sindonio Barbosa 23. Nelson José de Castro Peixoto     24. Jacson Damaceno Rodrigues   (bispo)  25.  Adonias  Tavares da Silva   26. Francisco Humberto Rodrigues Borges   27. José Carlos Martins  Cabral   28. José Nogueira dos Santos  29. Ronaldo  Mendonça de Oliveira   30. Franciso Agnaldo Barbosa da Silva  31.  José Rodrigues   Pessoa Neto   32.  Valter Freitas de  Oliveira    33.  Francisco Aureomar da Silva   34.  Inácio Raposo da  Silva  35.  Zenildo Luiz Pereira da Silva 36. Eliomar de Sousa  Pereira (irmão) 37.  Wolney Augusto da Souza Mourão     38. Francisco de Assis Martins Pinheiro    39.  Emerson Alencar da Costa 40.  Cleverton Araujo da Silva    41.  Igson Monteiro da   Silva (irmão)  45.  Seni Ferreira dos Santos  Santos   46. Raimundo Elson Redrigues  48. José Amarildo Luciano da  Silva  49.  Marino Nerys de  Almeida  50. João Bosco Veiga Rodrigues  51. Marcos Antonio Vasconcelos da Silva  52. Jozinaldo Alves de Souza   53, Jander Castro de Araújo  54.  Agildo Alves de Souza  55. Francisco Bebastião Nazare de   Andrade.  56. Josinaldo                 
                                                                                                      

sábado, 20 de julho de 2013

Alyrio Lima, o Padre Construtor

Dia 22 deste mês celebra-se os 70 anos da chegada,na Amazônia, dos padres Redentoristas da Congregação do Santíssimo Redentor (CSsR), fundada por Santo Afonso Maria de Liguori. Dez dias antes desta data morreu o padre Alyrio Lima dos Santos, mas conhecido com padre Lima. Primeiro brasileiro redentorista da Vice- Província de Manaus. 
Faço o registro para homenageá-lo - considerando que os redentoristas americanos foram embora - e para que os redentoristas que estão dando continuidade a Vice-Província (VP) de Manaus, inclusive expandindo-a para o Acre, conheçam um pouco de sua própria história.

Esse texto foi possível devido à duas importantes fontes. A primeira é um texto detalhado escrito em 1996 pela senhora Jane Rocha, da paróquia de São Geraldo, por ocasião dos quarenta anos de sacerdócio do Pe. Lima. A outra fonte é uma colaboração do amigo Nelson Peixoto. Somam-se a essas fontes uma entrevista filmada com o Pe. Lima, que fiz em 7 de março de 2012, já pensando em colher dados sobre os setenta anos da chegada dos Redentoristas.

Padre Lima nasceu em 19 de dezembro de 1931; portanto, tinha 81 anos. Em 1990, se desvinculou da Congregação Redentorista e foi incardinado na Arquidiocese de Manaus, como padre diocesano.
Apesar da idade ainda celebrava, eventualmente, missas na igreja de São Geraldo e, regularmente, do outro lado da rua, na igreja do convento das Irmãs Adoradoras do Sangue de Cristo. 
Fez os votos temporários ainda muito jovem, em janeiro de 1951; com apenas 19 anos, e foi ordenado 1956, com 24 anos.
Era o filho mais novo de uma  família pobre com quatro filhos; seus pais tiveram que lutar muito para educá-los.

O Primeiro Seminário
Terminado o curso primário, com onze anos de idade ingressou no Seminário Diocesano, o qual após vários anos sem funcionar, havia sido reativado por Dom João da Mata, bispo da Diocese de Manaus. 
Nesta “nova primeira turma” estava alguns colegas que se tornaram mais tarde bastante conhecidos na sociedade manauense, entre os quais os padres: Luiz Ruas, Tiago de Souza Braz, Jorge Normando, Manuel Bessa Filho e  Francisco Pinto; além do médico  Platão Araújo e do professor  Orígenes Martins. 
Neste seminário ficou apenas dois anos (1942-43). Foram os dois primeiros anos do “ginásio”.  Prosseguiu o ginásio e o “clássico” no colégio Dom Pedro II. Nesse meio tempo, os Padres Redentoristas chegaram a Manaus (1943) e iniciaram suas atividades justamente no bairro de Aparecida, onde morava com a família. Não demorou muito para o ex-seminarista  se envolver na nova paróquia  e começar a sentir mais uma vez a centelha da vocação, desta vez de uma maneira mais consciente.
“Devido às atividades de coroinha, por entender um pouco de latim, nas missas celebradas na rua Ramos Ferreira, na vila são Vicente de Paulo” [onde hoje é um depósito de bebidas, em frente à Escola de Samba de Aparecida] pelo padre Thomas Murphy [futuro bispo auxiliar de Salvador e titular de Juazeiro, na Bahia], foi que decidi entrar para a Congregação Redentorista”.
Em Coari os Redentoristas já tinham iniciado o seu próprio seminário com as primeiras vocações regionais. Como Alyrio Lima estava bem mais adiantado, foi enviado para a Província Redentorista de São Paulo; completando os estudos  no seminário de  Aparecida do Norte. Em seguida fez o ano do noviciado em Pindamonhangaba. Era o Ano Santo de 1950. Concluído o noviciado, em janeiro de 1951, Alyrio Lima, com 19 anos de idade, fez os votos temporários; seguindo com seus colegas de turma para a cidade de Tietê, onde ficava o seminário maior dos paulistas. Ali estudou dois anos de Filosofia e Teologia.  As matérias de Teologia cativaram o jovem “frater” (assim são chamados os seminaristas maiores). Os superiores Redentoristas em Manaus (americanos) julgaram que o frater Lima devia ter um banho de cultura americana, uma vez que, mais tarde, já como padre, deveria conviver com confrades americanos. Frater Lima foi, então, enviado para o seminário maior Imaculada Concepção, em Oconomowoc, no estado de Wisconsin, para completar seus estudos superiores. Lá teve como colegas futuros padres que um dia trabalhariam na Amazônia, como o padre Carlos Steiner, Pascoal Stenger e Noé Aggeler.

Seminário nos Estados Unidos
A vida nos States não foi inicialmente fácil. Seus conhecimentos da língua inglesa eram rudimentares. Havia aprendido inglês básico no colégio Dom Pedro II, em Manaus. Teve que aprender o restante no sufoco e na observação, “...mas foi um tempo prazeroso e de encantamento. Tudo era novidade, a começar pelo clima do centro-norte americano, aonde a temperatura chega até 20 graus negativos.O grande lago que banhava parte do terreno do seminário congelava completamente e se prestava aos esportes de inverno.” Frater Lima aprendeu logo a patinar no gelo e tomou gosto pelo esporte.  Em Oconomowoc foi ordenado padre no dia 2 de julho de 1956, junto com Alfred Ernest Novak e John Moffit, respectivamente, padres Alfredo e João no Brasil. 
Padre Alfredo Novak trabalhou até abril de 1979 no Amazonas, quando se tornou bispo auxiliar de São Paulo. Em 1989, Dom Alfredo Novak tornou-se bispo de Paranaguá até a sua aposentadoria em 2006.
Como o padre Lima era o primeiro redentorista amazonense a se ordenar nos Estados Unidos, a Província Redentorista de St. Louis procurou dar o máximo de divulgação ao evento. Assim foram programadas duas “primeiras missas”: uma em Chicago e a outra em Detroit. Ambas com muita pompa e circunstâncias.  Para um neo sacerdote, com apenas 24 anos de idade, recém-saído do seminário com um regime de formação completamente fechado, enfrentar de repente duas celebrações ruidosas, mesmo que cercado de pessoas acolhedoras, mas completamente desconhecidas, foi muito interessante para a assembleia, mas aterrorizante para o homenageado; ainda mais que ele teve de fazer as suas duas primeiras homilias num idioma que ainda não dominava totalmente.
Terminadas as festividades, os novos padres tiveram que voltar para Oconomowoc para mais seis meses de estudos, na condição de “padres-estudantes”. Nesse período as práticas pastorais faziam parte do aprendizado. Os sobressaltos continuaram. Nos finais de semana cada padre-estudante era escalado para celebrar missa em alguma cidadezinha da vizinhança; e ouvir confissões. "Isso foi também um difícil teste."  Nas primeiras confissões que atendeu padre Lima estava com mais medo do que os penitentes, pois, alguns pecados eram confessados em gíria que ele desconhecia.  
De Oconomowoc sua turma seguiu para Pine City, no estado de Minnesota. Foram mais seis meses fazendo o “segundo noviciado”. Era o último estágio de formação para enfrentar o ministério sacerdotal.

De editor de revista a estudante em Roma
Pe. Lima voltou para Manaus no início de 1958, após 9 anos de ausência. Celebrou mais uma “primeira missa” na nova igreja de Aparecida. Sua primeira missão foi na cidade de Coari. Ali ensinava inglês e religião no Seminário Menor, e era o vigário coadjutor na paróquia. Essa última função incluía algumas viagens nos finais de semana para atender pequenas comunidades ribeirinhas às margens do Solimões e do lago de Coari.  Essas pequenas viagens eram feitas em pequenos barcos, em “voadeiras” ou até em canoas com motor de rabeta; pequenas aventuras. 
Permaneceu em Coari por quase quatro anos. Nesta época foi organizada pela VP uma pequena editora com sede em Belém com o objetivo de publicar e distribuir folhetos populares de formação cristã nas missas dominicais.  O nome do folheto era “Lê e Vê”. Foi escolhido para ser o editor. A tiragem desse folheto começou com 50.000 mil unidades, inicialmente para as cidades de Belém e Manaus. Não demorou muito para alcançar outras capitais em praticamente todas as regiões do país, inclusive São Paulo e Rio de Janeiro. 
A partir do Rio de Janeiro - paróquia de Santo Afonso, na Tijuca - pretendia-se chegar a todas as paróquias e não apenas as redentoristas. Era um sonho da Congregação dotar aqui no Brasil uma editora católica do tipo que tinham na Província Redentorista de Saint Louis, Missouri." 
Essa experiência teve curta duração, pois, os superiores determinaram que Pe. Lima fosse para Roma fazer um curso  em Direito Canônico. Não era assunto de sua predileção, mas foi por obediência alto. “O lado prazeroso dessa experiência foi a oportunidade de conhecer a beleza e as preciosidades históricas da Cidade Santa.” E também outros lugares entraram no roteiro. Ele aproveitava o período de férias para conhecer outros países da Europa e fazer pequenos cursos de verão.

De volta ao Amazonas
Em 1964 retornou à VP de Manaus e mais uma vez foi nomeado para Coari. Logo que lá chegou, Dom Mário Anglim - recém assumido como primeiro bispo de Coari - o escolheu para ser seu vigário geral. Assumindo também a direção da Rádio Educação Rural de Coari.  
Esse foi o período mais longo e frutuoso da sua missão na prelazia de Coari. Foi nessa época que Pe. Lima, por necessidade, começou a se envolver em pequenos projetos de engenharia. Na verdade essa “vocação paralela” começou bem antes, quando ele ainda era seminarista no Seminário Maior de Tietê, SP. 
No início dos anos 50, o Pe. João McCormick, o vice-provincial, pediu ao frater Lima que esboçasse um projeto para a nova igreja da paróquia de Aparecida, em Manaus.  O pretensioso frater aceitou o desafio, mas parece que seu projeto foi considerado ousado demais. O projeto escolhido foi o do engenheiro Jatyr Pacu de Aguiar. Mais tarde, já como padre, ainda na sua primeira experiência em Coari, foi-lhe confiado um novo projeto: o novo seminário que a VP decidira construir próximo a Belém, nos limites das cidades de Marituba e Benevides, no estado do Pará. Dessa vez o projeto vingou e o prédio foi realmente construído de acordo com a planta apresenta
Padre Alrio Lima dos Santos - 2012
da. Foi, porém, na sua volta a Coari que Pe. Lima, apesar de suas funções de vigário-geral e diretor da rádio, se envolveu em diversos projetos de construção. O primeiro foi um centro de treinamento para lideranças da zona rural. Em seguida, a reestruturação de um pequeno prédio para abrigar os novos estúdios para a emissora de rádio. Depois veio a reforma e ampliação da catedral de Coari, a capela de Santo Afonso, outro centro de treinamento na cidade de Codajás, a igreja na cidadezinha de Anamã e outras pequenas obras.
A administração da rádio foi tarefa muito difícil; as pequenas empresas da cidade não tinham força financeira que desse sustentação econômica para a emissora. Por outro lado, era o período da ditadura militar que impunha uma série de limitações, que dificultavam o funcionamento da emissora. Assim se passaram vários anos. 

Contador-Tesoureiro
No final de 1971, Pe. Lima foi nomeado ecônomo (algo como contador e tesoureiro - administrador dos bens) da Vice-Província Redentorista de Manaus. Continuou dirigindo a rádio, em Coari, até a nomeação de um substituto.
Sua gestão como ecônomo foi bastante tumultuada, "mas profissional". Foi um período de decisões radicais na Vice-Província; as quais exigiam renúncias por parte dos confrades e até leigos sob a sua direção. Exigiam, também, trâmites legais perante órgãos do governo. Tudo isso tinha de ser “executado” por ele, na qualidade de ecônomo. 
Na época os redentoristas da VP trabalhavam em Manaus, nas paróquias de Nossa Senhora Aparecida  - constituída pela igreja matriz e pela capela de Perpétuo Socorro - Santa Luzia, na Matinha e São Geraldo; em Manacapuru, Codajás, Coari, Anori, Anamã, no Amazonas; no seminário de Marituba/Benevides e na paróquia de Perpétuo Socorro, em Belém. 
Nas paróquias, ao lado das igrejas, havia também os colégios gratuitos pertencentes à Congregação. Foi nesse período que a VP se desfez do prédio residência dos padres na paróquia de Aparecida, onde hoje funciona a Faculdade de Farmácia da UFAM. Foi vendida também a propriedade conhecida como Pedreiras (hoje o Parque do Mindú)
Muitas outras decisões polêmicas tiveram de ser tomadas. Todas essas mudanças mexeram com muita gente; e o ecônomo, que era apenas o executor, foi alvo de muitas críticas. "Ele pôs a VP na legislação do Terceiro Setor como Organização Filantrópica, assim como foi um ecônomo fiel aos princípios da vida fraterna, plantou o futuro que daqui para frente às gerações missionárias serão beneficiadas."

De Volta a Vida Pastoral
Em 1979, Pe. Lima deixou o cargo de ecônomo e foi premiado com um “ano sabático” nos Estados Unidos. Foi um tempo de repouso para refletir, meditar e reorganizar os neurônios e se atualizar com os avanços da teologia e das pastorais. De volta a Manaus, lecionou Direito Canônico no CENESC (atual CETESP) por um semestre. Em 1981, assumiu a administração da comunidade N.S. do Perpétuo Socorro, na rua Leonardo Malcher esquina com a rua Luís Antony, ligada à paróquia de Nossa Senhora Aparecida. Além das atividades pastorais, mobilizou os paroquianos para a reforma completa da pequena igreja. Quando deixou a comunidade sete anos depois, a reforma já estava concluída, exceto por alguns detalhes externos. No decorrer da sua gestão nessa comunidade foi nomeado pároco de Aparecida, ofício que exerceu por três anos. Depois voltou a se dedicar somente a comunidade do Perpétuo Socorro. 
Em maio de 1987, Dom Clóvis Frainer, arcebispo de Manaus, nomeou-o presidente do Tribunal Eclesiástico Regional Norte I; e em setembro do mesmo ano,
Igreja de São Geraldo, sua última obra
 Pe.Lima foi empossado pároco da paróquia de São Geraldo. Continuou, simultaneamente, à frente da comunidade do Perpétuo Socorro. Por mais de um ano o novo pároco dividiu sua cura pastoral entre essas duas comunidades. Na paróquia de são Geraldo fez a sua última construção: a nova igreja.

Pe. Lima esteve à frente de muitos outros trabalhos não mencionados aqui. Tanto na VP redentorista quanto na paróquia de são Geraldo, onde motivou o profundo engajamento dos leigos, com a criação da Escola de Teologia.
Deve ser lembrada a sua participação no Movimento Eclesial de Base (MEB) em Coari. Por uma questão de espaço outras atividades deixaram de ser mencionadas.
“Outro trabalho na Congregação foi a elaboração da Constituição - um tipo de Estatuto da VP de Manaus, onde teve um protagonismo, marcando-o com os conteúdos da Conferência de Medellin e com a radicalização do seguimento de Santo Afonso para estar no meio dos pobres. A Teologia da Libertação, a Liturgia bem encarnada e a Leitura da Palavra de Deus na vida do povo e nas notícias foram pontos fortes que resultaram desse protagonismo. Uma piedade encarnada e nada piegas foi a marca dos Redentoristas naqueles tempos que anteciparam a Conferência Episcopal de  Puebla. Pe. Lima conseguia conciliar de forma inteligente essas vertentes que para alguns pareciam contraditórias. Ele ia ao essencial da mensagem e saia-se sempre consistente em suas argumentações.”
Pe. lima se destacou, também, por uma inteligência privilegiada. Em certa ocasião, em 1978, Pe. Daniel Nugent, CSsR., disse a esse escriba: “Às vezes, em nossas reuniões, recebíamos um texto de algumas páginas para lermos e debatermos. O Lima dava uma olhada nas páginas e pronto. Pensávamos que não tinha lido porque foi muito rápido. Quando começávamos a discussão percebíamos  que ele havia entendido tudo.”

Por todo o seu trabalho e dedicação, espero que Deus na sua misericórdia, tenha recebido o padre  Alyrio Lima em sua morada. Porque na casa do Pai há muitas moradas nos esperando.


Cláudio Nogueira.







quarta-feira, 26 de junho de 2013

Saindo do Caritó

Há 14 anos, neste dia,  eu me casava pela segunda vez; com pouco mais de vinte dias de diferença entre o primeiro e o segundo casamento. Casei pela primeira vez na presença do juiz em 2 de junho de 1999, em Manaus; gostei da experiência, casei  novamente no dia 26 de junho de 1999, na igreja de Nossa Senhora dos Navegantes, em Porto Alegre.
Eu casei duas vezes, mas graças a Deus, eu só tenho uma sogra, que tem o coração de duas. Casei duas vezes com a mesma pessoa, não podia correr o risco de ficar no caritó.
Caritó, quem se lembra dessa palavra ? É muito velha.
No casamento de Daniel Nakamura Bessa Freire, James Fish, amigo dos pais do noivo e amigo nosso, se dirigindo a sua esposa, e se referindo a mim disse: "Esse aí tá no caritó." James Fish é ex-padre, estudou muito latim e grego, com ele aprendi que caritó é uma palavra grega que significa encalhado, solteirão, ninguém quis, e por aí vai. Foi por isso que casei duas vezes. Mas com essa mulher maravilhosa, Fabiana, eu casaria mil vezes. Isso é uma benção de Deus na minha vida. Me deu quatro filhos: Maria Fernanda, 12 anos; João Paulo, 11 anos;  Pedro Henrique, 9 anos e a Maria Rafaela, 7. Isso mesmo sou um sujeito bem produtivo, digo, reprodutivo. Quando se está no caritó se tem pressa.
Os Cupidos
Os culpados, digo, cupidos foram a Aparecida e Glorinha inicialmente, e depois o Hilário, todos irmãos meus. Em 1994 me disseram que tinha uma loirinha linda em Porto Alegre que eu deveria conhecer, e que se parecia com a Patrícia Pilar. Disseram isso por três motivos: Porque gostavam de mim, porque sabiam que eu babava quando via a Patrícia Pilar e porque, não sendo escocês, usando saia, eu corria atrás.
Passaram 4 anos dizendo isso, e eu, pasmem (não estava me reconhecendo), respondia: Com tanta caboquinha dando sopa aqui, eu vou me mandar lá para Porto Alegre ? Foram 4 anos nessa conversa.
A Fabiana é assistente social, a Aparecida também. Se conheceram em um encontro delas em 1994, em Vitória. A Cida depois de um certo convívio, profetizou: "Tu vais casar com o meu irmão." E fez um relato completo sobre o gostosão aqui. Só qualidades. A candidata à esposa ao ouvir o relato perguntou:
- Quantos anos ele tem ?
- É um ano mais novo que eu, tem 35.
- Com tantas qualidades e ainda é solteiro, deve ser gay. Sentenciou Fabiana.
Passaram-se quatro anos. Nesse meio tempo, sem eu ter conhecimento, o Hilário, que mora no Paraná, a Glorinha e sua filha  Anne visitaram Porto Alegre e se hospedaram na casa da Fabiana.
O Milagre
Em outubro de 1998 fui com um grupo de oito pessoas a Medjugorje, na Bósnia Herzegovina, cidade onde acredita-se (acredito) que Nossa Senhora aparece diariamente desde 24 de junho de 1981 (veja o post : Trinta anos de Medjugorje -   http://nogueiraclaudio.blogspot.com/2011/06/trinta-anos-de-medjugorje.html ). No grupo tinha uma amiga, Lúcia, a beata. E quando estávamos subindo a montanha das peregrinações, o Podbrdo, morro alto,com um caminho cheio de pedras, eu disse: Lúcia, se tu subires descalça esse morro eu desencalho. É claro, que disse isso porque jamais pensei que ela fosse capaz de subir descalça, doí muito, e falei no tom de brincadeira. Ela me disse: "Agora mesmo"; e subiu.
Seja como for, voltei para Manaus dia 20; dia 24, sábado, o Hilário do outro lado da linha me disse:
 - Fala aqui com a tua noiva ?
- Com quem ?
- Com a tua noiva, Fabiana. E aí passou o telefone para ela.
Hilário e Glorinha estavam em Porto Alegre hospedados na casa da Fabiana.
É claro que conversamos alguma coisa meio sem graça.
No dia seguinte fui a missa e lá encontrei a Glorinha.
- Que palhaçada é essa de minha noiva ?
- Há quatro anos estamos tentando colocar vocês para conversar mais tu não se interessa, eu e o Hilário decidimos colocar vocês dois em contato.
- Me dá o telefone dela. Era domingo.
No sábado seguinte eu liguei.
- Oi tudo bem, disse.
- Tudo bem.
- Os meus irmãos ficam dizendo as minhas qualidades, mas eles disseram os meus defeitos ?
- Nós podemos ser amigos, eu não estou atrás de namorado. Eles falam bem de ti.
- Tu sabes que eu sou careca ?
- Sim.
- Tu sabes quando anos eu tenho ? 39 anos. Qual a é a tua idade ?
- 24 anos.
- São 15 anos de diferença.
- A mesma diferença entre os meus pais.
- E eu me pareço com o Hilário. Essa informação teve o efeito contrário do esperado. Disse isso  por julgá-lo feio. Muito depois fiquei sabendo que ela ficou contente com essa informação, porque tinha uma guria que trabalhava na loja da mãe dela que achava que o Hilário "era um gatinho".
- Eu já disse que podemos ser amigos.
Continuamos conversando. Passei a telefoná-la todos os sábados. Dia 18 de dezembro ela concluiu a pós-graduação em Administração Hospitalar, dei um jeito dela receber, pouco antes da colação, um telegrama e um buquê de flores.
O alcoviteiro do Hilário me disse:"Ela gosta de música italiana." Num dos telefonemas cantei em italiano para ela."Cláudio ela adorou." Me disse ao telefone o cupido.
Ela me mandou uma foto. E  eu mandei, obviamente, uma foto escolhida a dedo para impressioná-la. Ela não teve o mesmo cuidado. Mandou uma foto que não agradou muito. Mostrei-a para a mamãe, que ao ver a foto comentou: "Eh, eh... não é tão assim como a Glorinha falou, mas o importante é que ela é uma boa moça." Depois comentando pessoalmente que a foto enviada por ela não fazia jus com a realidade ela me disse: "Foi idéia da minha mãe, ela disse que se tu fosses gostar seria pela pessoa e não pela beleza." Sogra é sogra, ela não sabe o risco que a Fabiana correu. Ou será que fui eu ?
O Hilário informou novamente: "Não vai dizer que eu te disse, mas ela me disse que tu vais ter de raspar o bigode."
"Em dezembro, eu vou para o casamento da Piedade, vou chegar dia de Natal." Ela me informou em uma ligação.
A Piedade, minha irmã, se casou dia 26 de dezembro de 1998. Jefferson, o noivo, tinha vindo de Curitiba para o casamento da Hilário, há três anos,quando eles se conheceram. A Fabiana veio para o casamento da Piedade, e nos conhecemos. O Hilário casou com a Cláudia, uma curitibana. Era o sul salvando o norte.
Finalmente chegou o grande dia, 25 de dezembro de 1998, fui ao aeroporto buscar a Fabiana. Ela havia me dito: "Se gostar do que vi, eu vou dar um abraço apertado." Chegou, magra, alta, linda, cabelo loiro escuro e cacheado. Gostei do que vi. Ela me deu abraço, que quase quebrou as minhas costelas (ela não gosta quando digo isso). Fomos para o encontro da família, 100 pessoas, que estavam reunidas fazendo o amigo oculto do Natal. A noite fomos todos a missa, e depois para a sorveteria, sem saber que moraríamos há duas quadras dali.
No dia seguinte, dia do casamento da Piedade, encontrei a Fabiana e a Glorinha no Amazonas Shopping. Cheguei perto como um lobo perto da Chapeuzinho Vermelho, sussurrei no pescoço: Oi loirinha ! Ela congelou, petrificou e emudeceu, mas conseguiu responder oi.
Cheguei em casa, encontrei o Hilário e disse:
- Não vai dar, não vai rolar. Fui falar com ela, ela mal respondeu.
- Tu tás pensando que ela é uma dessas tuas que tu pintas e bordas de saída, a moça é de família. Disse o cupido.
A noite na recepção do casamento, no Dulcila's do Aleixo, apresentei para toda a família como minha noiva, sem que o primeiro beijo já tivesse acontecido. A cara de reação de muitos era visível. Estás noivo ?
Para efeito de registro, começamos a namorar dia 27 de dezembro de 1998, na Vivenda Verde, passando o dia na casa do saudoso José Alberto Barbosa, que gentilmente foi o motorista da noiva no dia anterior.
Dia 2 de janeiro de 1999, dia do casamento de outro Daniel, Fábio Jacob Nogueira, ela voltou para Porto Alegre após a festa. Dia 15 de fevereiro estava eu em Porto Alegre comemorando os meus 40 anos. Estava prestes a sair do caritó.
Entre idas e vindas de Manaus para Porto Alegre, e de Porto Alegre para Manaus, passaram-se exatos seis meses e 66 dias de encontros pessoais, em uma ou outra cidade. Se a Maria Fernanda fizer isso, eu tiro ela do meu testamento.
Dia 4 de abril de 1999, no almoço de Páscoa na casa da Glorinha ficamos noivos. Convidei o padre Carlos Stainer para benzer as alianças. Foi tudo surpresa. Dei para ela um ovo de Páscoa, e quando abriu encontrou as alianças.
Depois do casamento civil, no dia 2 de junho, na casa da minha irmã Ana, ela voltou para Porto Alegre e eu fiquei em Manaus. Dia 22 de junho, quatro dias antes do casamento comprei a nossa casa.
- Fabiana, tenho uma coisa para te dizer. Disse-lhe ao telefone.
- Diga.
- Não vai ter lua de mel por que estou liso, comprei uma casa.
- Não vai ter viagem, mas lua de mel tem de ter.
Dia 24 de junho cheguei em Porto Alegre. Andando pelo Shopping Praias de Belas, em um quiosque de uma agência de viagem encontrei uma galinha morta: um pacote com tudo incluso com 4 dias em Buenos Aires e 4 dias em Bariloche. Teve lua de mel.
Mas quase não tinha casamento. Na manhã do 26 de junho acordei ruim do estômago e uma ligeira dor de cabeça. Pela manhã fui comprar um sapato, no dia anterior tinha comprado um no shopping e deixado lá mesmo. Dei uma passada pela loja da D.Selma, que é apenas cinco anos menos jovem do que eu, e perguntei se havia terremoto por lá, porque o chão estava tremendo. O que na realidade estava balançando era a minha cabeça. Ao chegar na casa da Fabiana, encontrei o meu sogro, "seo" Pedro, o Thomaz, meu irmão e um tio da Fabiana tomando vinho. Eu pensei, preciso dormir para sair bem nas fotos, vou tomar uns bons copos de vinho para amolecer a carne e dormir. Dormi, mas antes disso fiquei bêbado. O que deixou a mamãe e o Thomaz numa situação difícil, explicando para os pais da noiva que eu não bebo. Eu só bebo quando caso. Dormi e acordei com uma dor de cabeça infernal, colocando tudo que tinha dentro para fora. Fiz isso no banho e a caminho da igreja também. A minha sogra, parou o carro, foi numa farmácia e comprou um remédio. Sóbrio, mas de ressaca, eu casei. Na recepção os convidados, os parentes velhos e novos, e a noiva curtindo a festa e eu morrendo de dor de cabeça. Quero casar de novo. Tenho que fazer uma festa que eu me lembre.
Uma prima, Sérgia e um primo de Manaus, estavam de férias no Rio de Janeiro; foram lá  para o casamento. Afonso de Ligori, irmão da Sérgia disse para ela: "Eu só acredito que o Cláudio Lúcio (nome escolhido pelo pai dele) casou, se alguém ver. Vai lá e após o casamento me liga confirmando." Pedido e feito. A Sérgia ligou após a cerimônia: "Casou. Ele casou !"
No dia seguinte, com uma vaquinha feita pelos parentes e os meus queridos amigos e padrinhos, Antônio e Luzia Sena Barros de Carvalho, alugamos um ônibus e fomos todos para Gramado. No café colonial quem se enganou com o vinho foi a Sérgia.
Assim conheci o amor da minha vida, Fabiana Farias da Fontoura, há quartoze anos Fabiana Fontoura Nogueira.
... Mas nenhuma me fez tão feliz como você me faz. Você não é mentira, você é verdade. É tudo que um dia eu sonhei pra mim...

Fabiana eu e os nossos filhos te amamos muito.

Cláudio