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sábado, 20 de julho de 2013

Alyrio Lima, o Padre Construtor

Dia 22 deste mês celebra-se os 70 anos da chegada,na Amazônia, dos padres Redentoristas da Congregação do Santíssimo Redentor (CSsR), fundada por Santo Afonso Maria de Liguori. Dez dias antes desta data morreu o padre Alyrio Lima dos Santos, mas conhecido com padre Lima. Primeiro brasileiro redentorista da Vice- Província de Manaus. 
Faço o registro para homenageá-lo - considerando que os redentoristas americanos foram embora - e para que os redentoristas que estão dando continuidade a Vice-Província (VP) de Manaus, inclusive expandindo-a para o Acre, conheçam um pouco de sua própria história.

Esse texto foi possível devido à duas importantes fontes. A primeira é um texto detalhado escrito em 1996 pela senhora Jane Rocha, da paróquia de São Geraldo, por ocasião dos quarenta anos de sacerdócio do Pe. Lima. A outra fonte é uma colaboração do amigo Nelson Peixoto. Somam-se a essas fontes uma entrevista filmada com o Pe. Lima, que fiz em 7 de março de 2012, já pensando em colher dados sobre os setenta anos da chegada dos Redentoristas.

Padre Lima nasceu em 19 de dezembro de 1931; portanto, tinha 81 anos. Em 1990, se desvinculou da Congregação Redentorista e foi incardinado na Arquidiocese de Manaus, como padre diocesano.
Apesar da idade ainda celebrava, eventualmente, missas na igreja de São Geraldo e, regularmente, do outro lado da rua, na igreja do convento das Irmãs Adoradoras do Sangue de Cristo. 
Fez os votos temporários ainda muito jovem, em janeiro de 1951; com apenas 19 anos, e foi ordenado 1956, com 24 anos.
Era o filho mais novo de uma  família pobre com quatro filhos; seus pais tiveram que lutar muito para educá-los.

O Primeiro Seminário
Terminado o curso primário, com onze anos de idade ingressou no Seminário Diocesano, o qual após vários anos sem funcionar, havia sido reativado por Dom João da Mata, bispo da Diocese de Manaus. 
Nesta “nova primeira turma” estava alguns colegas que se tornaram mais tarde bastante conhecidos na sociedade manauense, entre os quais os padres: Luiz Ruas, Tiago de Souza Braz, Jorge Normando, Manuel Bessa Filho e  Francisco Pinto; além do médico  Platão Araújo e do professor  Orígenes Martins. 
Neste seminário ficou apenas dois anos (1942-43). Foram os dois primeiros anos do “ginásio”.  Prosseguiu o ginásio e o “clássico” no colégio Dom Pedro II. Nesse meio tempo, os Padres Redentoristas chegaram a Manaus (1943) e iniciaram suas atividades justamente no bairro de Aparecida, onde morava com a família. Não demorou muito para o ex-seminarista  se envolver na nova paróquia  e começar a sentir mais uma vez a centelha da vocação, desta vez de uma maneira mais consciente.
“Devido às atividades de coroinha, por entender um pouco de latim, nas missas celebradas na rua Ramos Ferreira, na vila são Vicente de Paulo” [onde hoje é um depósito de bebidas, em frente à Escola de Samba de Aparecida] pelo padre Thomas Murphy [futuro bispo auxiliar de Salvador e titular de Juazeiro, na Bahia], foi que decidi entrar para a Congregação Redentorista”.
Em Coari os Redentoristas já tinham iniciado o seu próprio seminário com as primeiras vocações regionais. Como Alyrio Lima estava bem mais adiantado, foi enviado para a Província Redentorista de São Paulo; completando os estudos  no seminário de  Aparecida do Norte. Em seguida fez o ano do noviciado em Pindamonhangaba. Era o Ano Santo de 1950. Concluído o noviciado, em janeiro de 1951, Alyrio Lima, com 19 anos de idade, fez os votos temporários; seguindo com seus colegas de turma para a cidade de Tietê, onde ficava o seminário maior dos paulistas. Ali estudou dois anos de Filosofia e Teologia.  As matérias de Teologia cativaram o jovem “frater” (assim são chamados os seminaristas maiores). Os superiores Redentoristas em Manaus (americanos) julgaram que o frater Lima devia ter um banho de cultura americana, uma vez que, mais tarde, já como padre, deveria conviver com confrades americanos. Frater Lima foi, então, enviado para o seminário maior Imaculada Concepção, em Oconomowoc, no estado de Wisconsin, para completar seus estudos superiores. Lá teve como colegas futuros padres que um dia trabalhariam na Amazônia, como o padre Carlos Steiner, Pascoal Stenger e Noé Aggeler.

Seminário nos Estados Unidos
A vida nos States não foi inicialmente fácil. Seus conhecimentos da língua inglesa eram rudimentares. Havia aprendido inglês básico no colégio Dom Pedro II, em Manaus. Teve que aprender o restante no sufoco e na observação, “...mas foi um tempo prazeroso e de encantamento. Tudo era novidade, a começar pelo clima do centro-norte americano, aonde a temperatura chega até 20 graus negativos.O grande lago que banhava parte do terreno do seminário congelava completamente e se prestava aos esportes de inverno.” Frater Lima aprendeu logo a patinar no gelo e tomou gosto pelo esporte.  Em Oconomowoc foi ordenado padre no dia 2 de julho de 1956, junto com Alfred Ernest Novak e John Moffit, respectivamente, padres Alfredo e João no Brasil. 
Padre Alfredo Novak trabalhou até abril de 1979 no Amazonas, quando se tornou bispo auxiliar de São Paulo. Em 1989, Dom Alfredo Novak tornou-se bispo de Paranaguá até a sua aposentadoria em 2006.
Como o padre Lima era o primeiro redentorista amazonense a se ordenar nos Estados Unidos, a Província Redentorista de St. Louis procurou dar o máximo de divulgação ao evento. Assim foram programadas duas “primeiras missas”: uma em Chicago e a outra em Detroit. Ambas com muita pompa e circunstâncias.  Para um neo sacerdote, com apenas 24 anos de idade, recém-saído do seminário com um regime de formação completamente fechado, enfrentar de repente duas celebrações ruidosas, mesmo que cercado de pessoas acolhedoras, mas completamente desconhecidas, foi muito interessante para a assembleia, mas aterrorizante para o homenageado; ainda mais que ele teve de fazer as suas duas primeiras homilias num idioma que ainda não dominava totalmente.
Terminadas as festividades, os novos padres tiveram que voltar para Oconomowoc para mais seis meses de estudos, na condição de “padres-estudantes”. Nesse período as práticas pastorais faziam parte do aprendizado. Os sobressaltos continuaram. Nos finais de semana cada padre-estudante era escalado para celebrar missa em alguma cidadezinha da vizinhança; e ouvir confissões. "Isso foi também um difícil teste."  Nas primeiras confissões que atendeu padre Lima estava com mais medo do que os penitentes, pois, alguns pecados eram confessados em gíria que ele desconhecia.  
De Oconomowoc sua turma seguiu para Pine City, no estado de Minnesota. Foram mais seis meses fazendo o “segundo noviciado”. Era o último estágio de formação para enfrentar o ministério sacerdotal.

De editor de revista a estudante em Roma
Pe. Lima voltou para Manaus no início de 1958, após 9 anos de ausência. Celebrou mais uma “primeira missa” na nova igreja de Aparecida. Sua primeira missão foi na cidade de Coari. Ali ensinava inglês e religião no Seminário Menor, e era o vigário coadjutor na paróquia. Essa última função incluía algumas viagens nos finais de semana para atender pequenas comunidades ribeirinhas às margens do Solimões e do lago de Coari.  Essas pequenas viagens eram feitas em pequenos barcos, em “voadeiras” ou até em canoas com motor de rabeta; pequenas aventuras. 
Permaneceu em Coari por quase quatro anos. Nesta época foi organizada pela VP uma pequena editora com sede em Belém com o objetivo de publicar e distribuir folhetos populares de formação cristã nas missas dominicais.  O nome do folheto era “Lê e Vê”. Foi escolhido para ser o editor. A tiragem desse folheto começou com 50.000 mil unidades, inicialmente para as cidades de Belém e Manaus. Não demorou muito para alcançar outras capitais em praticamente todas as regiões do país, inclusive São Paulo e Rio de Janeiro. 
“A partir do Rio de Janeiro - paróquia de Santo Afonso, na Tijuca - pretendia-se chegar a todas as paróquias e não apenas as redentoristas. Era um sonho da Congregação dotar aqui no Brasil uma editora católica do tipo que tinham na Província Redentorista de Saint Louis, Missouri." 
Essa experiência teve curta duração, pois, os superiores determinaram que Pe. Lima fosse para Roma fazer um curso  em Direito Canônico. Não era assunto de sua predileção, mas foi por obediência alto. “O lado prazeroso dessa experiência foi a oportunidade de conhecer a beleza e as preciosidades históricas da Cidade Santa.” E também outros lugares entraram no roteiro. Ele aproveitava o período de férias para conhecer outros países da Europa e fazer pequenos cursos de verão.

De volta ao Amazonas
Em 1964 retornou à VP de Manaus e mais uma vez foi nomeado para Coari. Logo que lá chegou, Dom Mário Anglim - recém assumido como primeiro bispo de Coari - o escolheu para ser seu vigário geral. Assumindo também a direção da Rádio Educação Rural de Coari.  
Esse foi o período mais longo e frutuoso da sua missão na prelazia de Coari. Foi nessa época que Pe. Lima, por necessidade, começou a se envolver em pequenos projetos de engenharia. Na verdade essa “vocação paralela” começou bem antes, quando ele ainda era seminarista no Seminário Maior de Tietê, SP. 
No início dos anos 50, o Pe. João McCormick, o vice-provincial, pediu ao frater Lima que esboçasse um projeto para a nova igreja da paróquia de Aparecida, em Manaus.  O pretensioso frater aceitou o desafio, mas parece que seu projeto foi considerado ousado demais. O projeto escolhido foi o do engenheiro Jatyr Pacu de Aguiar. Mais tarde, já como padre, ainda na sua primeira experiência em Coari, foi-lhe confiado um novo projeto: o novo seminário que a VP decidira construir próximo a Belém, nos limites das cidades de Marituba e Benevides, no estado do Pará. Dessa vez o projeto vingou e o prédio foi realmente construído de acordo com a planta apresenta
Padre Alrio Lima dos Santos - 2012
da. Foi, porém, na sua volta a Coari que Pe. Lima, apesar de suas funções de vigário-geral e diretor da rádio, se envolveu em diversos projetos de construção. O primeiro foi um centro de treinamento para lideranças da zona rural. Em seguida, a reestruturação de um pequeno prédio para abrigar os novos estúdios para a emissora de rádio. Depois veio a reforma e ampliação da catedral de Coari, a capela de Santo Afonso, outro centro de treinamento na cidade de Codajás, a igreja na cidadezinha de Anamã e outras pequenas obras.
A administração da rádio foi tarefa muito difícil; as pequenas empresas da cidade não tinham força financeira que desse sustentação econômica para a emissora. Por outro lado, era o período da ditadura militar que impunha uma série de limitações, que dificultavam o funcionamento da emissora. Assim se passaram vários anos. 

Contador-Tesoureiro
No final de 1971, Pe. Lima foi nomeado ecônomo (algo como contador e tesoureiro - administrador dos bens) da Vice-Província Redentorista de Manaus. Continuou dirigindo a rádio, em Coari, até a nomeação de um substituto.
Sua gestão como ecônomo foi bastante tumultuada, "mas profissional". Foi um período de decisões radicais na Vice-Província; as quais exigiam renúncias por parte dos confrades e até leigos sob a sua direção. Exigiam, também, trâmites legais perante órgãos do governo. Tudo isso tinha de ser “executado” por ele, na qualidade de ecônomo. 
Na época os redentoristas da VP trabalhavam em Manaus, nas paróquias de Nossa Senhora Aparecida  - constituída pela igreja matriz e pela capela de Perpétuo Socorro - Santa Luzia, na Matinha e São Geraldo; em Manacapuru, Codajás, Coari, Anori, Anamã, no Amazonas; no seminário de Marituba/Benevides e na paróquia de Perpétuo Socorro, em Belém. 
Nas paróquias, ao lado das igrejas, havia também os colégios gratuitos pertencentes à Congregação. Foi nesse período que a VP se desfez do prédio residência dos padres na paróquia de Aparecida, onde hoje funciona a Faculdade de Farmácia da UFAM. Foi vendida também a propriedade conhecida como Pedreiras (hoje o Parque do Mindú). 
Muitas outras decisões polêmicas tiveram de ser tomadas. Todas essas mudanças mexeram com muita gente; e o ecônomo, que era apenas o executor, foi alvo de muitas críticas. "Ele pôs a VP na legislação do Terceiro Setor como Organização Filantrópica, assim como foi um ecônomo fiel aos princípios da vida fraterna, plantou o futuro que daqui para frente às gerações missionárias serão beneficiadas."

De Volta a Vida Pastoral
Em 1979, Pe. Lima deixou o cargo de ecônomo e foi premiado com um “ano sabático” nos Estados Unidos. Foi um tempo de repouso para refletir, meditar e reorganizar os neurônios e se atualizar com os avanços da teologia e das pastorais. De volta a Manaus, lecionou Direito Canônico no CENESC (atual CETESP) por um semestre. Em 1981, assumiu a administração da comunidade N.S. do Perpétuo Socorro, na rua Leonardo Malcher esquina com a rua Luís Antony, ligada à paróquia de Nossa Senhora Aparecida. Além das atividades pastorais, mobilizou os paroquianos para a reforma completa da pequena igreja. Quando deixou a comunidade sete anos depois, a reforma já estava concluída, exceto por alguns detalhes externos. No decorrer da sua gestão nessa comunidade foi nomeado pároco de Aparecida, ofício que exerceu por três anos. Depois voltou a se dedicar somente a comunidade do Perpétuo Socorro. 
Em maio de 1987, Dom Clóvis Frainer, arcebispo de Manaus, nomeou-o presidente do Tribunal Eclesiástico Regional Norte I; e em setembro do mesmo ano,
Igreja de São Geraldo, sua última obra
 Pe.Lima foi empossado pároco da paróquia de São Geraldo. Continuou, simultaneamente, à frente da comunidade do Perpétuo Socorro. Por mais de um ano o novo pároco dividiu sua cura pastoral entre essas duas comunidades. Na paróquia de são Geraldo fez a sua última construção: a nova igreja.

Pe. Lima esteve à frente de muitos outros trabalhos não mencionados aqui. Tanto na VP redentorista quanto na paróquia de são Geraldo, onde motivou o profundo engajamento dos leigos, com a criação da Escola de Teologia.
Deve ser lembrada a sua participação no Movimento Eclesial de Base (MEB) em Coari. Por uma questão de espaço outras atividades deixaram de ser mencionadas.
“Outro trabalho na Congregação foi a elaboração da Constituição - um tipo de Estatuto da VP de Manaus, onde teve um protagonismo, marcando-o com os conteúdos da Conferência de Medellin e com a radicalização do seguimento de Santo Afonso para estar no meio dos pobres. A Teologia da Libertação, a Liturgia bem encarnada e a Leitura da Palavra de Deus na vida do povo e nas notícias foram pontos fortes que resultaram desse protagonismo. Uma piedade encarnada e nada piegas foi a marca dos Redentoristas naqueles tempos que anteciparam a Conferência Episcopal de  Puebla. Pe. Lima conseguia conciliar de forma inteligente essas vertentes que para alguns pareciam contraditórias. Ele ia ao essencial da mensagem e saia-se sempre consistente em suas argumentações.”
Pe. lima se destacou, também, por uma inteligência privilegiada. Em certa ocasião, em 1978, Pe. Daniel Nugent, CSsR., disse a esse escriba: “Às vezes, em nossas reuniões, recebíamos um texto de algumas páginas para lermos e debatermos. O Lima dava uma olhada nas páginas e pronto. Pensávamos que não tinha lido porque foi muito rápido. Quando começávamos a discussão percebíamos  que ele havia entendido tudo.”

Por todo o seu trabalho e dedicação, espero que Deus na sua misericórdia, tenha recebido o padre  Alyrio Lima em sua morada. Porque na casa do Pai há muitas moradas nos esperando.


Cláudio Nogueira.







quarta-feira, 26 de junho de 2013

Saindo do Caritó

Há 14 anos, neste dia,  eu me casava pela segunda vez; com pouco mais de vinte dias de diferença entre o primeiro e o segundo casamento. Casei pela primeira vez na presença do juiz em 2 de junho de 1999, em Manaus; gostei da experiência, casei  novamente no dia 26 de junho de 1999, na igreja de Nossa Senhora dos Navegantes, em Porto Alegre.
Eu casei duas vezes, mas graças a Deus, eu só tenho uma sogra, que tem o coração de duas. Casei duas vezes com a mesma pessoa, não podia correr o risco de ficar no caritó.
Caritó, quem se lembra dessa palavra ? É muito velha.
No casamento de Daniel Nakamura Bessa Freire, James Fish, amigo dos pais do noivo e amigo nosso, se dirigindo a sua esposa, e se referindo a mim disse: "Esse aí tá no caritó." James Fish é ex-padre, estudou muito latim e grego, com ele aprendi que caritó é uma palavra grega que significa encalhado, solteirão, ninguém quis, e por aí vai. Foi por isso que casei duas vezes. Mas com essa mulher maravilhosa, Fabiana, eu casaria mil vezes. Isso é uma benção de Deus na minha vida. Me deu quatro filhos: Maria Fernanda, 12 anos; João Paulo, 11 anos;  Pedro Henrique, 9 anos e a Maria Rafaela, 7. Isso mesmo sou um sujeito bem produtivo, digo, reprodutivo. Quando se está no caritó se tem pressa.
Os Cupidos
Os culpados, digo, cupidos foram a Aparecida e Glorinha inicialmente, e depois o Hilário, todos irmãos meus. Em 1994 me disseram que tinha uma loirinha linda em Porto Alegre que eu deveria conhecer, e que se parecia com a Patrícia Pilar. Disseram isso por três motivos: Porque gostavam de mim, porque sabiam que eu babava quando via a Patrícia Pilar e porque, não sendo escocês, usando saia, eu corria atrás.
Passaram 4 anos dizendo isso, e eu, pasmem (não estava me reconhecendo), respondia: Com tanta caboquinha dando sopa aqui, eu vou me mandar lá para Porto Alegre ? Foram 4 anos nessa conversa.
A Fabiana é assistente social, a Aparecida também. Se conheceram em um encontro delas em 1994, em Vitória. A Cida depois de um certo convívio, profetizou: "Tu vais casar com o meu irmão." E fez um relato completo sobre o gostosão aqui. Só qualidades. A candidata à esposa ao ouvir o relato perguntou:
- Quantos anos ele tem ?
- É um ano mais novo que eu, tem 35.
- Com tantas qualidades e ainda é solteiro, deve ser gay. Sentenciou Fabiana.
Passaram-se quatro anos. Nesse meio tempo, sem eu ter conhecimento, o Hilário, que mora no Paraná, a Glorinha e sua filha  Anne visitaram Porto Alegre e se hospedaram na casa da Fabiana.
O Milagre
Em outubro de 1998 fui com um grupo de oito pessoas a Medjugorje, na Bósnia Herzegovina, cidade onde acredita-se (acredito) que Nossa Senhora aparece diariamente desde 24 de junho de 1981 (veja o post : Trinta anos de Medjugorje -   http://nogueiraclaudio.blogspot.com/2011/06/trinta-anos-de-medjugorje.html ). No grupo tinha uma amiga, Lúcia, a beata. E quando estávamos subindo a montanha das peregrinações, o Podbrdo, morro alto,com um caminho cheio de pedras, eu disse: Lúcia, se tu subires descalça esse morro eu desencalho. É claro, que disse isso porque jamais pensei que ela fosse capaz de subir descalça, doí muito, e falei no tom de brincadeira. Ela me disse: "Agora mesmo"; e subiu.
Seja como for, voltei para Manaus dia 20; dia 24, sábado, o Hilário do outro lado da linha me disse:
 - Fala aqui com a tua noiva ?
- Com quem ?
- Com a tua noiva, Fabiana. E aí passou o telefone para ela.
Hilário e Glorinha estavam em Porto Alegre hospedados na casa da Fabiana.
É claro que conversamos alguma coisa meio sem graça.
No dia seguinte fui a missa e lá encontrei a Glorinha.
- Que palhaçada é essa de minha noiva ?
- Há quatro anos estamos tentando colocar vocês para conversar mais tu não se interessa, eu e o Hilário decidimos colocar vocês dois em contato.
- Me dá o telefone dela. Era domingo.
No sábado seguinte eu liguei.
- Oi tudo bem, disse.
- Tudo bem.
- Os meus irmãos ficam dizendo as minhas qualidades, mas eles disseram os meus defeitos ?
- Nós podemos ser amigos, eu não estou atrás de namorado. Eles falam bem de ti.
- Tu sabes que eu sou careca ?
- Sim.
- Tu sabes quando anos eu tenho ? 39 anos. Qual a é a tua idade ?
- 24 anos.
- São 15 anos de diferença.
- A mesma diferença entre os meus pais.
- E eu me pareço com o Hilário. Essa informação teve o efeito contrário do esperado. Disse isso  por julgá-lo feio. Muito depois fiquei sabendo que ela ficou contente com essa informação, porque tinha uma guria que trabalhava na loja da mãe dela que achava que o Hilário "era um gatinho".
- Eu já disse que podemos ser amigos.
Continuamos conversando. Passei a telefoná-la todos os sábados. Dia 18 de dezembro ela concluiu a pós-graduação em Administração Hospitalar, dei um jeito dela receber, pouco antes da colação, um telegrama e um buquê de flores.
O alcoviteiro do Hilário me disse:"Ela gosta de música italiana." Num dos telefonemas cantei em italiano para ela."Cláudio ela adorou." Me disse ao telefone o cupido.
Ela me mandou uma foto. E  eu mandei, obviamente, uma foto escolhida a dedo para impressioná-la. Ela não teve o mesmo cuidado. Mandou uma foto que não agradou muito. Mostrei-a para a mamãe, que ao ver a foto comentou: "Eh, eh... não é tão assim como a Glorinha falou, mas o importante é que ela é uma boa moça." Depois comentando pessoalmente que a foto enviada por ela não fazia jus com a realidade ela me disse: "Foi idéia da minha mãe, ela disse que se tu fosses gostar seria pela pessoa e não pela beleza." Sogra é sogra, ela não sabe o risco que a Fabiana correu. Ou será que fui eu ?
O Hilário informou novamente: "Não vai dizer que eu te disse, mas ela me disse que tu vais ter de raspar o bigode."
"Em dezembro, eu vou para o casamento da Piedade, vou chegar dia de Natal." Ela me informou em uma ligação.
A Piedade, minha irmã, se casou dia 26 de dezembro de 1998. Jefferson, o noivo, tinha vindo de Curitiba para o casamento da Hilário, há três anos,quando eles se conheceram. A Fabiana veio para o casamento da Piedade, e nos conhecemos. O Hilário casou com a Cláudia, uma curitibana. Era o sul salvando o norte.
Finalmente chegou o grande dia, 25 de dezembro de 1998, fui ao aeroporto buscar a Fabiana. Ela havia me dito: "Se gostar do que vi, eu vou dar um abraço apertado." Chegou, magra, alta, linda, cabelo loiro escuro e cacheado. Gostei do que vi. Ela me deu abraço, que quase quebrou as minhas costelas (ela não gosta quando digo isso). Fomos para o encontro da família, 100 pessoas, que estavam reunidas fazendo o amigo oculto do Natal. A noite fomos todos a missa, e depois para a sorveteria, sem saber que moraríamos há duas quadras dali.
No dia seguinte, dia do casamento da Piedade, encontrei a Fabiana e a Glorinha no Amazonas Shopping. Cheguei perto como um lobo perto da Chapeuzinho Vermelho, sussurrei no pescoço: Oi loirinha ! Ela congelou, petrificou e emudeceu, mas conseguiu responder oi.
Cheguei em casa, encontrei o Hilário e disse:
- Não vai dar, não vai rolar. Fui falar com ela, ela mal respondeu.
- Tu tás pensando que ela é uma dessas tuas que tu pintas e bordas de saída, a moça é de família. Disse o cupido.
A noite na recepção do casamento, no Dulcila's do Aleixo, apresentei para toda a família como minha noiva, sem que o primeiro beijo já tivesse acontecido. A cara de reação de muitos era visível. Estás noivo ?
Para efeito de registro, começamos a namorar dia 27 de dezembro de 1998, na Vivenda Verde, passando o dia na casa do saudoso José Alberto Barbosa, que gentilmente foi o motorista da noiva no dia anterior.
Dia 2 de janeiro de 1999, dia do casamento de outro Daniel, Fábio Jacob Nogueira, ela voltou para Porto Alegre após a festa. Dia 15 de fevereiro estava eu em Porto Alegre comemorando os meus 40 anos. Estava prestes a sair do caritó.
Entre idas e vindas de Manaus para Porto Alegre, e de Porto Alegre para Manaus, passaram-se exatos seis meses e 66 dias de encontros pessoais, em uma ou outra cidade. Se a Maria Fernanda fizer isso, eu tiro ela do meu testamento.
Dia 4 de abril de 1999, no almoço de Páscoa na casa da Glorinha ficamos noivos. Convidei o padre Carlos Stainer para benzer as alianças. Foi tudo surpresa. Dei para ela um ovo de Páscoa, e quando abriu encontrou as alianças.
Depois do casamento civil, no dia 2 de junho, na casa da minha irmã Ana, ela voltou para Porto Alegre e eu fiquei em Manaus. Dia 22 de junho, quatro dias antes do casamento comprei a nossa casa.
- Fabiana, tenho uma coisa para te dizer. Disse-lhe ao telefone.
- Diga.
- Não vai ter lua de mel por que estou liso, comprei uma casa.
- Não vai ter viagem, mas lua de mel tem de ter.
Dia 24 de junho cheguei em Porto Alegre. Andando pelo Shopping Praias de Belas, em um quiosque de uma agência de viagem encontrei uma galinha morta: um pacote com tudo incluso com 4 dias em Buenos Aires e 4 dias em Bariloche. Teve lua de mel.
Mas quase não tinha casamento. Na manhã do 26 de junho acordei ruim do estômago e uma ligeira dor de cabeça. Pela manhã fui comprar um sapato, no dia anterior tinha comprado um no shopping e deixado lá mesmo. Dei uma passada pela loja da D.Selma, que é apenas cinco anos menos jovem do que eu, e perguntei se havia terremoto por lá, porque o chão estava tremendo. O que na realidade estava balançando era a minha cabeça. Ao chegar na casa da Fabiana, encontrei o meu sogro, "seo" Pedro, o Thomaz, meu irmão e um tio da Fabiana tomando vinho. Eu pensei, preciso dormir para sair bem nas fotos, vou tomar uns bons copos de vinho para amolecer a carne e dormir. Dormi, mas antes disso fiquei bêbado. O que deixou a mamãe e o Thomaz numa situação difícil, explicando para os pais da noiva que eu não bebo. Eu só bebo quando caso. Dormi e acordei com uma dor de cabeça infernal, colocando tudo que tinha dentro para fora. Fiz isso no banho e a caminho da igreja também. A minha sogra, parou o carro, foi numa farmácia e comprou um remédio. Sóbrio, mas de ressaca, eu casei. Na recepção os convidados, os parentes velhos e novos, e a noiva curtindo a festa e eu morrendo de dor de cabeça. Quero casar de novo. Tenho que fazer uma festa que eu me lembre.
Uma prima, Sérgia e um primo de Manaus, estavam de férias no Rio de Janeiro; foram lá  para o casamento. Afonso de Ligori, irmão da Sérgia disse para ela: "Eu só acredito que o Cláudio Lúcio (nome escolhido pelo pai dele) casou, se alguém ver. Vai lá e após o casamento me liga confirmando." Pedido e feito. A Sérgia ligou após a cerimônia: "Casou. Ele casou !"
No dia seguinte, com uma vaquinha feita pelos parentes e os meus queridos amigos e padrinhos, Antônio e Luzia Sena Barros de Carvalho, alugamos um ônibus e fomos todos para Gramado. No café colonial quem se enganou com o vinho foi a Sérgia.
Assim conheci o amor da minha vida, Fabiana Farias da Fontoura, há quartoze anos Fabiana Fontoura Nogueira.
... Mas nenhuma me fez tão feliz como você me faz. Você não é mentira, você é verdade. É tudo que um dia eu sonhei pra mim...

Fabiana eu e os nossos filhos te amamos muito.

Cláudio 

sábado, 8 de junho de 2013

Formatura em Harvard II


"Mais vale procurar refúgio no Senhor do que  confiar no homem. Mais vale procurar refúgio no Senhor do que confiar nos grandes da terra." (salmo 117).

"Feliz o homem que pôs sua esperança no Senhor." (salmo 39)


O texto de hoje pode parecer um pouco esnobe, mas essa não é a minha intenção. Ele tem um único objetivo : louvar a Deus por sua infinita bondade para conosco. Somente Deus poderia prever que uma pessoa tão simples, com o dinheiro contadíssimo, mas com muita fé Nele, e no poder intercessor de Nossa Senhora Aparecida, estaria um dia na Universidade de Harvard assistindo a formatura de uma neta. Escrevo mais para testemunhar a bondade de Deus, para homenagear os meus pais, a minha afilhada Helô e a meu irmão Geraldo, pessoas que amo muito.


A Viagem

Peguei as crianças na escola às 15:40. Entraram no carro e nos dirigimos para Boston. A partir de Ottawa a viagem deveria durar sete horas, por isso não poderíamos ir direto; fiz uma parada para dormirmos em White River Juction, em Vermont, depois de dirigir cinco horas. Fomos via Montreal, trajeto mais longo e mais rápido, segundo o GPS e o Google Maps. Nada disso. Porque atravessamos Montreal na hora do rush, e pegamos uma tranqueira (gaúchês da Fabiana) danada. 

A outra opção seria trinta quilômetros a menos, mas levaria mais tempo, pois passaríamos por estradas vicinais, com a velocidade menor. Mas o engafarramento em Montreal off set a vantagem deste caminho por ser estrada de alta velocidade. 

Fazendo a viagem de volta, saímos do hotel às 11 da manhã de segunda-feira, 3 de junho. Optei por ir pela zona rural de Vermont, depois de ter atravessado New Hampshire. Via Montreal passaríamos novamente na cidade no mesmo horário praticamente. Paramos três vezes, e fizemos a viagem em nove horas. Que paisagem linda. Vermont, descoberto primeiro por franceses, é a junção de duas palavras verts monts , montanhas verdes. Assim as placas pelas estradas anunciam: Green Mountains State, Estado das Montanhas Verdes. 

E como um assunto puxa outro, dirigindo e conversando; conversando e dirigindo com a minha senhôra, voltamos a assunto recorrente, lugar comum: Ottawa tem árvores em todas ruas, muitas árvores, milhares de árvores; Boston tem muitas árvores, só onde não tem árvores é Manaus. O turista vai chegar na Arena da Amazônia, e vai pensar aqui não tem árvores. Lá e em lugar nenhum da cidade. A av. Djalma Batista tem aquelas palmeiras ridículas que não servem para nada. Vão ter mesma impressão que teve a Fabiana quando chegou em Manaus: É uma cidade sem árvores.


A Formanda

O motivo da viagem era assistir a formatura da Heloísa de Lima Nogueira - ou simplesmente Helô, minha querida sobrinha, muita amada, uma das minhas paixões, minha afilhada - na Harvard University. Que ocorreria dia 30 de maio de 2013. Seria o 362o Harvard Commencement (formatura de número 362). Esse evento deveria ter ocorrido há exatos cinco anos. 

A irmã mais nova da Helô, Daniela, graduou-se por Harvard em maio de 2011 (Formatura em Harvard - http://nogueiraclaudio.blogspot.ca/2011/05/formatura-em-harvard.html). Portanto, a graduação da Helô deveria ter ocorrido antes.

A Helô iniciou Harvard e depois parou, resolveu trabalhar. A família ficou pensando na possibilidade de ela não mais voltar aos bancos escolares para concluir os estudos. Afinal, Bill Gates, fundador da Microsoft, e Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, também estudaram em Harvard, mas não concluíram. Steve Jobs começou um curso superior, mas nunca terminou. Mas a Helô, por vontade própria, ouvindo a opinião de seus pais, e de seu ex-classmate, hoje seu lifemate, Daniel Rubin-Willis, o cara, decidiu voltar. Helô trabalhou numa editora, revisava livros, lia tudo. Isso não era trabalho para ela, era prazer.

Helô é uma benção de Deus, com certeza. Ninguém é bonito ou inteligente por esforço próprio. São dons gratuitos de Deus.  Mas ela tem outros dons, como uma personalidade encantadora. Uma das melhores que conheço. Ser padrinho de batismo dela foi um dos maiores presentes que recebi na vida. Sou apaixonado por ela. Raramente nos tratamos pelos nossos nomes. Geralmente eu a chamo de padrinho e ela me chama de padrinho. Por isso quando lhe envio um email, a receptora é padrinho e o remetente também.

Heloisa é filha do meu brother Geraldo Nogueira, que trabalhou vinte e tantos anos na Philips. Inicialmente trabalhou na Philips da Amazônia S.A., depois foi enviado para Piracicaba, onde ela e o seu irmão gêmeo nasceram; posteriormente foram morar em São Paulo, e depois voltaram para Manaus. Helô, Marcus e Daniela  foram alfabetizados em Frankfurt, Alemanha; para onde Geraldo foi transferido para trabalhar; lá e na Hungria. Ia e voltava de um país ao outro.

Depois de morarem dois anos na Alemanha foi transferido para trabalhar na Ciudad Juarez, México, e morar em El Paso, Texas. As duas cidades são separadas pelo rio (nem tão) Grande. A cidade mexicana hoje chega aos noticiários como uma das mais violentas do México, devido a briga de traficantes de drogas.   
Antes de saírem da Alemanha sua professora entregou uma carta aos seus pais dizendo que em vinte e tantos anos de magistério nunca havia tido uma aluna igual. Seus pais orgulhosos nos mostraram a carta, mas até a presente data não sei se ela teve conhecimento disso. Sempre a preservaram de qualquer vaidade adquirida. 
Em El Paso, Geraldo atravessava a fronteira e a ponte de tráfego intenso e lento todos os dias. Era o plant manager da fábrica da Philips localizada na cidade mexicana. Em El Paso moraram por dez anos, até o Geraldo sair da Philips, e se mudarem para Raleigh, capital da Carolina do Norte.
Daniela, sua irmã, desde pequena dizia que iria estudar em Harvard. Helô não. Não demonstrava esse sonho. O seu sonho era a Columbia University. Mas não sei se uma visita que fizemos a universidade em julho de 1998, quando o Geraldo trabalhava temporariamente em Nova York, a fez mudar de idéia. A região em que a universidade está localizada é um pouco desestimulante.
Em agosto Heloísa e Daniel mudam-se para Chicago, onde ele vai cursar MBA. Estamos muito orgulhosos disso. Helô chegou lá porque se esforçou muito, ralou muito. Ninguém entra ou conclui um curso desses sem muito esforço pessoal. 
Um grande beijo para o padrinho. Que Deus lhe abençoe, e que sejas muito grata a Ele.
Não obstante o esforço da Heloísa (somente ela, e ninguém mais poderia fazer isso por si mesma), não posso deixar de registrar e de lembrar os esforços dos seus pais para que esse dia acontecesse. 

Homenagem aos pais

Geraldo, que nasceu sem berço, foi ajudante de pedreiro. Tio Pedro Nogueira era o pedreiro, ele era o ajudante. Depois de certo treinamento ele mesmo levantava paredes. A nossa casa foi construída assim. Geraldo, que vendeu  cocos na terça-feira-ambulante de Aparecida, é Master of Science in Management (MScM), engenheiro eletrônico formado pela UTAM (primeira turma), com cursos de pequena duração no MIT; os quais ajudou a deslanchar sua carreira. É também um ex-aluno de Harvard, onde estudou num programa onde somente são admitidos presidentes ou vices-presidentes de companhias: o Advanced Business Management Program. Um curso de 12 meses com carga de 14 horas por dia. Morava na universidade. Na época ele era o vice-presidente da Global Supply Chain (Cadeia Mundial de Suprimentos), da multinacional inglêsa Invensys. Em 2010 voltou para o Brasil (SP), hoje é diretor executivo da IGB Eletrônica S.A, nova denominação da Gradiente Eletrônica S.A. 
A mãe de Heloísa, Mônica de Lima  é Ph.D em engenharia de computadores, formada em engenharia elétrica pela UFAM.Quando professora ajudou o curso de Computação a se tornar um dois mais qualificados da instituição, motivando os alunos a fazerem mestrado e doutorado.

A Formatura

Assistir uma formatura em Harvard exige muito preparo físico. Só entra quem tem convite, mas não garante um lugar sentado, o que pode ser coisa muito estressante, considerando que passavam de 30 mil o número de convidados, espalhados em duas grandes áreas. Em uma é possível se ver os oradores; na outra, ao lado, somente através de telões, ou em tempo real pela internet.
Oprah Winfrey - paranifa da turma
O convite avisava que os portões seriam abertos às 6:30. A Velhinha acordou antes das 5:00. Tinha de se aprontar, cuidar do cabelo e se deslocar. Só saiu de lá após às 17 horas. Fazia um dia lindo, um sol escaldante e calor infernal. A mamãe saiu alquebrada, bronzeada e feliz. 
A procissão de todos os formandos (a universidade inteira) começa às 8:30. A colação começa às 9:30. É séria e descontraída ao mesmo tempo, com muito humor feito pelos diretores de faculdades, ao apresentarem ao presidente da Universidade "os candidatos" e pedir que lhes conceda o grau respectivo. Colação com direto a se ouvir a oradora do curso de letras fazer seu discurso em latim. Às 11:45 termina a colação; alunos e convidados dirigem-se aos dormitórios ou as respectivas escolas para receber o diploma, e para um coquetel. Depois, às 1:30, tem início a procissão de ex-alunos, divididos por anos.  Em geral os ex-alunos têm comemoração especial por anos de formados, com especial destaque, com direito de ficar no palco, a turma  que estava fazendo bodas de prata. Mas haviam turmas com ex-alunos desde 1937. Foram homenageados um ex-aluno com 104 e uma ex-aluna com 97 anos.
Após o "desfile" tem início a reunião anual da associação de ex-alunos. Os portões são liberados. Cada um, formandos e convidados sentam-se onde for possível. Os dois gramados e as escadarias da biblioteca principal estão lotados, mais de 30 mil pessoas assistem a reunião e o falatórios da assembléia anual de ex-alunos. Mas todos esperam a convidada do dia: Oprah Winfrey. Foi o clímax da graduação; meus filhos e mais de 30 mil pessoas adoraram. O discurso completo pode ser assistido em http://www.youtube.com/watch?v=GMWFieBGR7c.

É um grande momento para agradecermos a Deus por tantas graças recebidas.
Muito obrigado Deus todo poderoso por esse dia. Deus de Isaac, Abraão e Jacob. Essas, com certeza, seriam as palavras de seu avô paterno, Brígido Torres Nogueira, se vivo estivesse.

Moral da história: "Feliz o homem [a mulher, a família] que pôs sua esperança no Senhor." (Salmo 39)

Parabéns Helô, parabéns Geraldo.


Cláudio Nogueira

quarta-feira, 8 de maio de 2013

O Fim da Manaus Antiga, Início da Manaus Moderna II

Esse texto foi escrito há três anos (8 de maio de 2010) e lido por mais de 9.000 pessoas (até 2022), segundo estatísticas oferecidas pelo Blogger. É muito, considerando que eu esperava que fosse lido apenas por um público formado por amigos. Hoje, na data de seu terceiro aniversário, ele é republicado, pois o tema continua atualíssimo. No entanto, fiz pequenos acréscimos.

Na introdução do post anterior - O Destino em Nossas Mãos, por Jaime Benchimol 
http://nogueiraclaudio.blogspot.ca/2013/04/o-destino-em-nossas-maos-por-jaime.html),  que traz excelentes e factíveis propostas, havia afirmado que gostaria de fazer alguns comentários.Vou aproveitar a oportunidade e acrescentá-los aqui. Os tempos são outros, temos um novo prefeito, secretários ocupados com o centro histórico de Manaus; e o secretário que tem a chave do cofre veio da iniciativa privada; portanto, tem visão empresarial.


O Fim da Manaus Antiga, Início da Manaus Moderna - escrito originalmente em 08.05.2010 - com acréscimos.


Os jornais noticiaram que a Prefeitura vai acabar com a Manaus Moderna. Que beleza ! Que maravilha! Aquilo ali pode se tornar em um dos mais bonitos cartões postais de Manaus, até mesmo da região norte. Dependendo do que for feito, o Amazonino pode entrar para história da cidade [infelizmente não entrou, vamos torcer pelo Arthur Neto],como entrou Eduardo Ribeiro.  

                                                                      
Aquilo lá de moderno não tem nada. A Manaus Moderna, naquela área, poderá estar nascendo agora. Dependendo do que lá for feito. Aquilo é a Manaus atrasada; porque a Manaus antiga, com a arquitetura do mercado municipal, era muito bonita. 
Manaus Atrasada 

Por que não privatizar o mercado Adolpho Lisboa ou cedê-lo em uma concessão por uns 30 anos ? Semana passada, visitei o Marché Bonsecours, em Montreal, que era o "Adolpho Lisboa" deles: sujo, cheio de barracas de verdura dentro e fora. Hoje, é um shopping center. A questão aqui não é a verdura; é a bagunça, é a sujeira da feira da banana. A feira do Byward Market, bem no centro de Ottawa, onde moro no momento, vende frutas, verduras, flores, comida, etc., e é uma gracinha.

Minato Mirai 21 e o Manaus Rio Negro Bayside

Em 2000, voltei ao Japão - onde morei por dois anos - depois de dez anos. Passei dois meses fazendo um curso sobre desenvolvimento e projetos industriais. Tínhamos aulas em Tóquio, mas nos deslocávamos com frequência para outras cidades, a fim de visitarmos empreendimentos públicos e privados. E um dos projetos que recebemos informações detalhadas foi a revitalização da área portuária de Yokohama. 

Quem esteve lá, para a final da Copa de 2002, possivelmente, conheceu uma parte muito bonita da cidade chamada Mirato Mirai 21, ou Porto do Futuro 21 (http://www.japan-guide.com/e/e3200.html), uma referência ao novo século que se aproximava. Lá tem um prédio bastante alto, no formato de um barco a vela, que mais tarde foi imitado, e também pode ser visto em Dubai.

Byward - Ottawa

A área, segundo a administração do consórcio que a revitalizou, tinha a forma da letra U. Em uma das pontas, o porto; na outra a estação ferroviária; que no Japão são sempre bem movimentadas. E no meio: nada. Nada que prestasse. Desvalorização imobiliária, prostituição, degradação material e humana, marginalidade, cheiro de urina, drogas, e tudo mais que conhecemos muito bem.

O que foi que o governo fez ? Um novo bairro ? Sim, essa é a resposta deles. A minha é que fizeram uma pequena cidade dentro de Yokohama; com shopping centers, centro de convenções, museus, hotéis, supermercados, a torre mais alta do Japão, Landmark Tower, o Cosmo Clock 21, um parque de diversões, e uma infinidade de atividades de prestações de serviços.

Como fizeram isso? Criaram uma empresa, cujos sócios eram os governos estadual e municipal e empresas privadas; algo parecido com a nossa PPP, parceria pública privada. A empresa comprou a área, fez a infraestrutura e os prédios que desejava fazer e revenderam o resto. Depois que a iniciativa privada soube o que iria ser feito, não faltou comprador, assim ajudou a financiar o investimento. O resultado foi espetacular.

O consórcio, como eles chamam a empresa, recebe visitas de empresas, governadores, prefeitos, executivos, estudantes e curiosos do mundo inteiro para conhecer como se deu o processo, e explicam tudo nos detalhes.

Com vasto material sobre o assunto, voltei para o Brasil empolgado com a ideia. A área que tinha em mente era justamente a da Manaus Moderna. Sempre achei que aquela bagunça e sujeira tinham de sair dali. Vivo incomodado de vivermos de costas para o rio.

Mandei o material para o vice-governador Samuel Hanan, depois falei com o prefeito Alfredo Nascimento, a quem entreguei  o material pessoalmente.
Como se diz por aqui: it is easier said than done. No vernáculo: falar é fácil. Não posso criticá-los; cada governo tem suas prioridades e limitações orçamentárias. É um  projeto arrojado, tem de se ter uma disposição muito grande em fazê-lo. E sobretudo uma vontade política. Tem de se ter um pensamento e disposição de JK ou de Eduardo Ribeiro.

Minato Mirai 21 - Yokohama











O material entregue trazia um texto explicativo, números e valores; fazia referência a outras áreas, cidades e países, e quão bonito a frente de Manaus poderia se tornar.

De que estamos falando? De derrubar o mercado/feira (da carne e da banana) do local e fazer uma praça bonita? Que pobreza! Isso é pensar pequeno. Falo de algo como bastante conhecido dos amazonenses: Bayside Market Place, em Miami; ou do Vieux Carré, em Nova Orleans (antes do Katrina); Puerto Madero, em Buenos Aires; Water Front de Atlantic City, em Nova Jersey e assim por diante. No nosso caso seria um beira-rio caboco.

De onde viria o dinheiro? Do orçamento próprio da Prefeitura, do governo do Estado, do Banco Mundial, da Corporação Andina de Fomento (que já financiou viadutos), do Banco Interamericano de Desenvolvimento, do Ministério das Cidades, do Ministério do Turismo, do BNDES, do Jorge Paulo Lemann, que anda distribuindo dinheiro; do Ike Batista, que comprou o Maracanã; das construtoras, dos parceiros privados, das revendas de lotes comprados, etc.

É trabalhoso, mas é possível e viável. Brasília foi tudo isso e muito, muito mais, em uma dimensão muito maior.

De que estamos falando ? Estamos falando de um mega projeto, arrasa-quarteirões, no sentido figurado e físico. Para quem fez o Prosamim, faz a ponte sobre o rio Negro (R$ 1,1 bilhão), vai fazer a nova Arena esportiva (R$ 600 milhões), o monotrilho (?) (R$1,3 bilhão), o novo campus da UEA, fazer a verdadeira Manaus Moderna não seria nenhum bicho de sete cabeças.

E o que fazer com o povo que trabalha na velha Manaus Moderna ? O povo que trabalha lá vem de longe, muito longe. Portanto, se deslocar é com eles.  E o povo que compra também; não obstante, muitos terem feiras nas proximidades onde vivem.

Quando era adolescente, fui muitas vezes com meu pai fazer compras na feira da CEASA, que também fica perto do rio Negro, onde os barcos vindos do interior podem descarregar seus produtos. A feira tem amplas instalações, mas está entregue às baratas. Que mudem esse povo para lá. Outra opção seria a estação de passageiros da balsa São Raimundo–Cacau Pireira, recém-inaugurada (hoje fechada). Qual será a utilidade dela após a inauguração da ponte?

Com certeza, gestores e legisladores públicos estão muito mais capacitados do que eu para encontrar uma solução. Afinal, a função deles é resolver problemas; a minha é dar palpites. E, se a medida de fechar a Manaus Moderna já foi anunciada, é porque o novo local já deve existir.

É tudo uma questão de vontade política, já dizia JK. Quem sabe na nova “ação conjunta” entre Estado e Prefeitura isso seja possível, e construam a verdadeira e nova Manaus Moderna. Para mim o importante é ser construído. Seja pelo atual ( de 2010 - essa opção está descartada), ou um novo prefeito.

Seja como for, não posso deixar de elogiar a iniciativa da atual administração de acabar com a feira/mercado na frente da cidade. Herança de uma época que já acabou; mas ainda é comum em várias cidades do interior, localizadas nas margens dos rios onde elas foram fundadas. Na ribeira encontra-se o mercado e mais adiante a igreja.

Vamos substituir a velha Manaus Moderna por algo que o turista lá de dentro do transatlântico se admire e os manauaras sintam orgulho.

Zoo e Jardim Botânico

Dos bondes que cruzaram Manaus, eu só vi os trilhos, antes de serem cobertos por asfalto nas ruas onde circulavam. Mas, ainda que vagamente, lembro-me do aquário público existente na praça da Matriz, e do zoológico do CIGS, onde levei algumas vezes meus filhos. O aquário acabou, e o zoológico tá que dá pena.
No texto mencionado acima, 
O Destino em Nossas Mãos, o economista Jaime Benchimol escreveu:  " Já que - acertadamente - abrimos mão de usar boa parte dos recursos da nossa natureza [isto é, não destruir a floresta] , devemos buscar exibi-los através de museus que façam justiça a nossa riqueza nas áreas de ciências naturais e de cultura indígena. Precisamos de jardim botânico, aquário, orquidário, zoológico, parques ecológicos com teleféricos para visualização da vegetação e dos animais nas copas das árvores etc."

Biodôme - Montreal

É muito bom ter pessoas pensando assim. Meus prezados e minhas prezadas e-leitores. Agora não sou eu quem está dizendo isso. Não é esse palpiteiro de plantão, mas uma pessoa séria, respeitada. Então acredite nele. Porque ele entende de economia e é empresário; sabe o que afirma é factível.

 Visitei o Biodôme de Montreal, localizado na mesma área do parque olímpico, um dos sítios das Olimpíadas de 1976. Entre outras coisas, você encontra a floresta Amazônica: "A floresta tropical do Biodôme contém milhares de plantas e animais, incluindo a arara vermelha, um papagaio cujas penas são regularmente cortadas para evitar que sejam devoradas por jacarés, uma espécie de crocodilo que compartilha espaço ecossistema com as aves." E mesmo que a temperatura esteja abaixo de zero, ao entrar no local, você vai dizer: "Voltei para Manaus". A primeira coisa que se sente é aquele bafo quente e úmido que sentimos quando as portas do aeroporto Eduardo Gomes se abrem e saímos do ar-condicionado, quando se chega em Manaus. Umidade igual, água correndo, mata, bichos, piranhas, araras, etc. Não tem nada lá que não tenhamos de sobra aqui. E o pavilhão está sempre repleto de gente querendo ver como é a Rain Forest. E nós, aí em Manaus, que temos todo esse material, não temos uma estrutura para recepcionar o turista de forma que ele possa apreciar nossa natureza.

No zoológico da cidade de Buffalo, no estado de Nova York, a história se repete em menor escala. Eles também têm uma seção do zoológico que reproduz a nossa floresta, habitada por animais típicos, como jacarés, tartarugas, araras, tucanos, peixes-boi e até um tamanduá-bandeira.

Ao ver pessoalmente, nessas localidades, as nossas riquezas naturais, enche-me de orgulho e de tristeza ao mesmo tempo. 

Não na mesma intensidade, mas a história se repete no Georgia Aquarium em Atlanta. Lá há uma ala sobre os nossos peixes, com destaque para a piranha "vermelha". As quatro fotos seguidas mais abaixo mostram um pouco sobre isso. Ao entrar nele o sentimento descrito se repetiu. Chego até sentir uma revolta. Não contra eles, mas conosco mesmo.

Zoo de Buffalo, NY










Moral da história: nós não temos leão, girafa, pinguim; e nem precisamos deles, mas o que temos é do interesse do mundo.
E como financiar tudo isso ? Com recursos de todas as instituições mencionadas acima, com patrocínios e doações.

Doações aí é que reside o problema. Nós não sabemos pedir, pedimos mal e erradamente. Por essas bandas e nos Estados Unidos se pede e se recebe muito. Na América do Norte as universidade pública e privadas, pedem e pedem muito, e recebem muito.

Georgia Aquarium - Atlanta
Georgia Aquarium - Atlanta

Georgia Aquarium - Atlanta
Georgia Aquarium - Atlanta

Vamos começar pela que mais arrecadou em doações um único ano: Stanford University. Ela arrecadou um bilhão de dólares ano passado. Antes que seja dito que esse exemplo não serve, me antecipo e digo: não serve. Mas é útil para ilustrar a cultura de doação existente na Estados Unidos e Canadá. É muito comum uma instituição rica, um Bradesco, uma Votorantim americana apoiar financeiramente um museu, um zoológico, uma orquestra etc. Você entrar em um museu americano, lá está à lista das instituições que patrocinam suas atividades. Jorge Paulo Lemann, brasileiro, dono da cadeia de lanchonete Burger King, dono da AB Inbev, a maior cervejaria do mundo; das Lojas Americanas e de mais meia dúzia de empresas; fundador da Fundação Estudar, "uma organização sem fins lucrativos criada em 2002, e [que] tem como objetivo melhorar a qualidade da educação pública no Brasil", doou 16,5 milhões de dólares para a Universidade de Illinois, para o Centro de Estudos Latinos e Caribenhos; e mais alguns muitos milhões para a criação do "Lemann Institute for Brazilian Studies" na Universidade de Columbia. Isso serve para exemplificar que é pedindo que se recebe. Ou como diz o ditado  chinês: quem não chora não mama.

A revista Forbes, em dezembro do ano passado, para a edição comemorativa de seu 30o aniversário reuniu 161 bilionários e milionários na Biblioteca Pública de Nova York, no dia 26 de junho de 2012, para The Forbes 400 Summit on Philanthropy. Encontros de bilionários para falarem de suas atividades assistenciais. Para tanto, muitos deles criaram empresas unicamente com essa finalidade. Lá estavam Warren Buffet, Bill Gates, Oprah Winfrey e muitos outros. Há relatos de vários tipos de atividades filantrópicas. Um jovem milionário, John Kluge, 29 anos, criou uma empresa para construir um milhão de sanitários em países pobres. A lista de doações e enorme, e nela constam vários museus, zoos e outras coisas do gênero.
Aqui, no Exército da Salvação, uma instituição sem fins lucrativos, que vende coisas usadas doadas pela população, tem cartazes com fotos de favelas brasileiras, pedindo dinheiro para o Brasil. Já vi também onde se pedia dinheiro para a conservação da floresta amazônica.

Como é mais fácil dizer do que realizar, diria que o começo é se ter um projeto pronto. Não é difícil sonhar. Com uma ideia definida na cabeça, determinando a área que se deseja trabalhar, e com um profissional que saiba utilizar a ferramenta gráfica CAD (desenho realizado com ajuda do computador), pode-se ter em 3D uma noção e visão do resultado desejado. E depois é sair pelo mundo em buscar de patrocinadores. Tenho um amigo em Manaus que criou há mais ou menos uma década uma ONG que presta muitos serviços à comunidade em que está instalada; e devido a uma constante pesquisa tem conseguido alguns patrocínios no exterior.
Trabalhemos por um zoo decente ou um jardim botânico, por uma Manaus realmente moderna.


Cláudio Nogueira


PS1. The Biodôme: Inside the Tropical Rainforest of the Americas Ecosystem:
https://espacepourlavie.ca/en/tropical-rainforest-biodome

PS2. Zoo de Buffalo, NY:  http//www.buffalozoo.org

PS3. Acrescento mais dois bons exemplos: A Estação das Docas, na Baía de Guajará, em Belém:  https://viagemeturismo.abril.com.br/atracao/estacao-das-docas/

Um outro excelente exemplo que se enquadra dentro da nossa realidade  e a revitalização da zona portuária de Rio de Janeiro, chamado de Porto Maravilha, com a criação do maior aquário marinho da América do Sul.

PS5. Ao que foi dito "não temos nada", devo fazer uma correção: não posso deixar de mencionar o MUSA - Museu da Amazõnia:  
http://museudaamazonia.org.br/pt/