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sexta-feira, 7 de abril de 2017

45 anos do Colégio Militar de Manaus

Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome. Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios. (Salmo 102)

 Há exatos 45 anos, em 7 de abril de 1972, era inaugurado oficialmente o Colégio Militar de Manaus. Está vivo para relembrar esse dia, com o meu irmão Thomaz, que também estudou lá, e com vários outros amigos de banco escolar, é uma benção. Por esse motivo não posso deixar de agradecer a Deus Pai Todo Poderoso por essa generosidade; lembrando-me com saudades dos amigos que já se foram.

Como já disse em textos anteriores sobre esse assunto, o CMM foi criado em 2 de agosto de 1971; somente no papel. Em seguida foi realizado o concurso de admissão para os filhos de civis. Em fevereiro de 1972 aprendermos a marchar, ordem unida, etc. Em março começaram as aulas; mas como é testemunhado pelos jornais da época e por esses olhos que a terra a de comer, o Colégio Militar de Manaus foi inaugurado - com formatura na frente do seu prédio e desfile do Corpo de Alunos em volta do mesmo - no dia 7 de abril de 1972.
Para maiores detalhes e outras estórias aconselho ao e-leitor ler esse texto: 7 de abril de 1972 ( clique nele para abri-lo).  Já escrevi demais sobre isso. Nesse post vou colocar o bonito texto de Lúcio Bezerra de Menezes, escrito em 16 de abril de 2013. 

Reminiscências

Por  Lúcio M. S. B. Menezes

Parecia que ia ser um ano como outro qualquer aquele de 1972, ano que o Colégio Militar chegava a Manaus. A cidade era uma província, o censo demográfico do IBGE de 1970 (dois anos antes do inicio das atividades do CMM) registrava 314.197 habitantes, nós, descendentes de Ajuricaba, hibernávamos esparramados sobre o status quo da hereditariedade silvícola. Não estávamos preparados para as mudanças que adviriam nos anos subsequentes, afinal, a população feminina era maior que a masculina (ainda bem) e nos éramos “os caras”. Eu morava na rua José Clemente e o contingente de alunos internos do CMM vindos das mais distintas plagas desse país continente, também.                            
7 de abril de 1972
Em meados dos anos noventa eu estava em Lissenshousen, uma minúscula cidade nos arredores de Munique. Chamou-me atenção à reação do jovem Simon, um alemãozinho filho do meu estimado amigo Rolf Seiter, que após ouvir o meu relato do modo de vida dos jovens manauaras e cotejá-lo ao dos jovens da Bavária, escapou-lhe a seguinte exclamação: “Manaus is a paradise!” Se para o Simon a Manaus dos anos noventa era um paraíso o que dizer da Manaus dos anos setenta?
A chegada daquele bando de “pica-paus estrangeiros” aparentemente seria insignificante e, em tese, não abalaria nossa Taba, abalou. Quatro fatores, creio, responderam pelo abalo: muitos dos “pica-paus estrangeiros” eram vistos pelas nativas como o Nacib era visto pela Gabriela: moços bonitos. A estatura média deles era superior à nossa, os dialetos desses muitos Brasis aqui aportaram trazendo um diferencial que a elas encantava e essas, como que sob-hipnose, esqueciam o encanto milenar dos botos do lugar e se extasiavam com as estórias de pica-paus.
Os japoneses, em ataque surpresa, bombardearam Pearl Habour com aviões e navios torpedeiros, os estrangeiros do CMM bombardearam nosso Porto de Lenha com seus  moços bonitos de olhos matizados, dialetos e estórias de pica-paus. Foi avassalador. Os caras atacaram as tribos do Bancrévea, Cheik, Beasa, União Esportiva, Círculo Militar e outras menos populosas a conquistar, em profusão, os corações das cunhãs. Como pássaros, andavam em bando e era comum, quando do retorno das invasões às tribos antes mencionadas e com os ponteiros do relógio a passar da meia-noite, ouvir os pica-paus contando suas conquistas, os corações arrebatados, os beijos arrancados, as carícias ousadas, os seios bolinados... Ouvir aquilo desde a janela ou o batente da minha casa era um golpe de morte, o cheiro de perfídia se espalhava pelos quatro cantos da cidade, a famosa desculpa do “vamos dar um tempo” virou epidemia, o caos se instalou. O quadro era desastroso, não era um caso de xenofobia, não, é que mexia com os nossos brios, com a nossa masculinidade, não havia hipótese de aceitação pacifica. Égua, que porra é essa! Nossa miscigenação não acolhe o sangue dos conterrâneos de Charles de Gaulle, mas precisávamos mostrar resistência, resistimos.
Vários foram os palcos de batalhas, com destaque para a Praça do Congresso e as esquinas das ruas José Clemente com Lobo d’Almada. Algumas vezes, por conta do enorme número de “inimigos”, apelávamos para tribos vizinhas e, em nosso socorro, vinham guerreiros da Luiz Antony, Dez de Julho, 24 de Maio e adjacências reforçar a nossa Tribo. Não há registros oficiais, contudo arriscaria dizer que os moços bonitos sofreram muito mais revezes que nos, autóctones. 
Eu mesmo, guerreiro colecionador de revezes em embates de lutas corporais, protagonizei a “Batalha da Calçada da Santa Casa”, não houve baixas, lembro que, de punhos cerrados, eu pulava que nem um macaco, no fundo no fundo torcendo para que o oponente mantivesse distancia, felizmente assim foi.
Dos moços bonitos lembro os nomes: Marco Antônio, Peres, Emmanuel, Marco Canongia e Noronha, mas Leal foi o grande predador, abateu muitas cunhãs e dilacerou corações, Leal é um cara do bem, ele e eu firmamos boa amizade, Leal é meu face friend.
Com o passar dos anos as batalhas foram cessando e a paz foi selada. Os “pica-paus estrangeiros” deixaram de ser novidade, o encanto inicial foi decantando, perdendo sua intensidade; os olhos castanhos e pretos voltaram a reinar, os botos do lugar resgataram suas majestades, a beleza dos Barés retomou seu trono. Os moços bonitos foram se acomodando, namorando de porta, alguns casaram, outros por aqui ficaram e, como o Leal, muitos se tornaram meus amigos, não que eu tenha sido cooptado com espelhos, mas porque os tempos eram outros e eles, percebendo que jamais seriam um de nos, assumiram termos e expressões do amazonês; trocaram feijoada, churrasco, buchada e outras iguarias, pela caldeirada de peixe e a incomparável tartarugada, os “pica-paus estrangeiros” mimetizaram.
Das primeiras safras do Colégio Militar de Manaus homenageio os amigos nativos: Manoel Ribeiro, Hamilton Henrique, Claudio Barros Gomes, João Litaiff e Guilherme Sandoval.
Que tempo bom!

Eu de novo: 
Obviamente que muita coisa pode ser dita desses 45 anos. Muitas conquistas dos seus ex-alunos, desde dos mais velhos e até os que saíram em 2016. Mas isso é assunto para um livro, não cabe nesse espaço. 

Deus seja louvado por esses 45 anos.

Um pouco dessa história contada em fotos:


 TC Jorge Teixeira apresentando o CMM ao Gen. Muniz de  Aragão
Gen. Muniz de  Aragão, chefe do Dep. de Ensino e  Pesquisa  passando revista no CMM




Estudando ao som dos bate-estacas
Construção dos prédios da Dez de Julho e Epaminondas
Lembranças dos bate-estacas

Parte da Primeira Turma a cursar todas as séries do CMM  72-78

Parte da Primeira Turma a cursar todas as séries do CMM
Minha turma - 72-78
45 anos depois do primeiro encontro


Encontro de alunos Pioneiros-Fundadores - Agosto de 2016
45 anos de criação do CMM




Filhos de civis aprovados no primeiro concurso


Para finalizar agradeço a Deus por esses 45 anos e pelas amizades que perduram até hoje. Peço a Deus por todos aqueles que já nos deixaram. E finalmente, gostaria de lembrar alguns nomes, começando por aqueles que comigo ( CLÁUDIO
Lúcio Queiroz Nogueira, 319) estudaram, seguido por outros que compartilharam conosco essa experiência: Thomaz Afonso QUEIROZ Nogueira (tenente aluno em 1973), 318; Nilton BARBOSA Filho,837,(tenente-coronel aluno em 1978); Carlos Túlio dos Santos DEMASI,309; Jussi Soares CALOBA, 802; MOÍSES dos Santos,57; Marcos Pinto da COSTA LIMA, 337; Alfredo  Jorge Mendes JOVEM,299;Carlos Alonso ALENCAR Queiroz ,456; Daniel Israel do AMARAL,310; José SANTOS, 320; Sérgio Augusto MORAES, 286; DIÓGENES Moraes e Silva,75; Geraldo Salles CHÃ Filho,308; DOURIVAL Pereira dos Santos,902; Aldemiro REZENDE Dantas Jr. (também oficial aluno), 312;VALDER dos Santos, 63; Jorge Luis de Souza GENNARI, 996;  Francisco RODRIGUES dos Santos Neto, 62; Marco Antônio AVELINO, 304;Antônio Jorge PORTELA Marques Ribeiro,306; ROGÉRIO Menezes Franco de Sá, 999; EDILSON Carvalho, 78; Oswaldo TENNYSON Júnior (tenente aluno em 1973), 302; João CLEITON Fontoura Blós,646; Sidney TERTULIANO, 1447; PAULO Botocudo, 315; Raimundo SENA, 314; NELSON Costa,1413; Rogério TODESCHINI, 655; FLORINEY Casas, 824; Paulo Ayrton LINHARES, 61; José Augusto LIZARDO, 96; ABEDENEGO Souza Lima Filho, 230; Mário César PERES de Freitas, 67;  Augusto LOTT Rodrigues Colás Amaral (esses dois últimos oficiais da Marinha Mercante), 14; Fernando Nunes da FROTA, 300; Francisco José de Souza VENTILARI, 10; RAIMUNDO Pequeno, 290; SANDOVAL Fernando Cardoso de Freitas,1216; Geraldo Nery, 251; EMÍLIO Pereira da Silva Neto, 706; Carlos AUGUSTO Santos Moraes , 287; Geraldo NAZARENO de Moraes e Silva, 843; FADOUL Alves, 81;Milton CÓRDOVA Júnior,1447; Antônio ARTARXERXES de Sá Ferreira; João EVANGELISTA,307; Bepi SARTO Neves Cyrino, 36; João Alves da SILVA JÚNIOR, 224; José Raimundo LEITE LEÃO, 174; José APARÍCIO,86; JOSÉ LUÍS de Moraes Silva,97; SÍLVIO Gomes, 609;  Paulo César de MORAES SILVA, 118; José Augusto SANTOS MORAES, 795; AGNOR Aparício dos Santos, 275; AGUINALDO Ribeiro, 205;  CARLOS Eduardo Bittencourt, 105; JAIR, 617; Cézar ALEX da Silveira, 49; José “Caxias” FERNANDES, 204; Os militares, hoje todos coronéis do Exército: Elson RANGEL Calazans,34; Roberto ESCOTO, 1161(coronel aluno de 1978 - general);Lúcio EBLING, 121; Raul Augusto de Mendonça BORGES, 695; Pedro Ihara HIROSHI, 313; AMILTON Santos, 208;Benjamin Acioli RONDON do Nascimento, 311; JURANDIR Nascimento da Silva, 627 (tenente aluno 1974); Mário Ferreira VILLAÇA Neto, 1629; José Cristovão Guedes VILARIM, 33; José Vicente da SILVA JÚNIOR, 435; Josemar CARNEIRO Araújo, 71; e o coronel PM CRISTOVÃO Sampaio, 501.

Roberto CORRÊA DANTAS, 487 ANTÔNIO Freitas, 329, AGOSTINHO de Oliveira Freitas Junior,328,padre DAMÁSIO Raimundo Santos de Medeiros,38; ; Sidney Barros de ALARCÃO,194; Carlos Piccinini SCHWEDER, 148; João GUILHERME de Moraes Silva, 844; João de Amorim LITAIFF Júnior, 399; TRAJANO Amorim Litaiff,398; ANFRIMAR Nunes, 578; Sérgio JOIA de Figueiredo da Costa,398; EMMANUEL Medeiros, 130; Marco Lúcio SOUTO MAIOR; Rubens da Cunha BARBOSA LIMA,104; MANOEL RIBEIRO da Costa, 423; Helton MIRANDA, 254; Horácio Castro de RAMALHO, 53; Afonso Celso Brandão NINA, 343; George TARSO, Cláudio BARROS Gomes, 439; Marco Antônio BARSOTTELLI Botelho,582; Eduardo BIACHI Ramalho, 54; Roberto CARRERA,157; Nizardo CHAGAS FILHO, 525; Mauro Cézar Gama PERES, 508; José Luiz de SIQUEIRA e Silva,336; Cézar TODESCHINI, 218;  Paulo Barbosa Ricardo da TRINDADE, 213; Roberto ABECASSIS, 210; Antônio Carlos Fonseca VINADÉ, 491; AQUILES da Conceição Silva Dias; Paulo AROUCK; Jéferson GARCIA Guterrez,222, GÉRSON Garcia Guterrez, 223; Alfredo Augusto T. do Couto VALLE Júnior, 416; GILTON Almeida Silva, 189; Abelardo O. GUERRA Jr, 225; Érlon Garcia GUTERREZ 486; Emerson HOFFMAN, 240; Evandro IMBIRIBA, 378; Adnar LEAL, 250; Wally Nobre MESQUITA; Altervir RESENDE, 151; RICARDO Castro de Ramalho,55; Gilberto SALUSTIANO Moraes e Silva, 74; Raimundo Afonso SEABRA da Silva, RUDIMAR Lima de Oliveira,238; Celso CAITETE; Wilson PRADO,485; ANDRÉ Luís Martins Rodrigues,43; CÉSAR Augusto Bonetti LOUREIRO,367; Ricardo BARAUNA; Robeto CHAGAS NETO; Marcos Gomes LEMOS; MARCO AURÉLIO Sousa Lima; Jorge PONTES; MARCO ANTÔNIO Gonçalves,210; Carlos Frederico Affonso SAMPAIO,160; ADALBERTO Corrêa de Almeida,262; Rubens BOTELHO da Silva,666; HÉLVIO Feitosa,191; Carlos César LYRA Guerra,226; Paulo TASHIRO,156; Flávio CARNEIRO; Gilson BRUM; Roberto BUBNIAK; Marcos Antônio Costa CAVALCANTI; Adalberto COSTA E SILVA; Jorge COUTINHO; HÉLIO Barbosa,203; JOÃO ALBERTO Ferreira, 612; Luiz Carlos de Liz KOCHE,631; LÚCIO FLÁVIO Arantes Esteves,492; Roberto George Freitas de NORONHA, 219; Nilton de SOUZA E SILVA; Murilo SUANO,330; Sebastião VITALINO da Silva; WALDEMAR Lopes,473; Lauro Luiz Schubach PASTOR Almeida,182; ÁLVARO da Cunha Barbosa, 103; José Carlos BENVENUTTI,278; MARCONI Duarte da Silva, Luciano PORTO Lima,193; Walter Antônio Pereira BOEGER,617; João Osorio Muniz RETAMAL, Emilio BELAMARIK; Marcos Antônio DUARTE; Elirez Bezerra da Silva, 142; GODOY Coutinho, 117; José HASHIGUSHI de Brito; HAYDEN; HÉLCIO Augusto,469; HUMBERTO Batista Leal; MARCO ANTÔNIO de Souza Lima; Rogério MEIRELLES,214; Roberto NAIMAIER Duarte,198; Rubens PEREIRA,616; Sérgio Luis TEIXEIRA GOMES, 661; ULISSES Dias; Joaquim Pedro Naimaier DUARTE, 199; Nélson SCHWEDER JR,147; Paulo José LIMA ROCHA,215; NELSON Luiz Carneiro Correia, 196; Júlio Cesar Barreto MOREIRA, 691; Mário do Nascimento GOMES; Cassiano TAVARES; Vanderlei MARQUES; Celso MELLO JR, 331; Julio Cesar Barreto MOREIRA,691; OLDEMAR Almeida Silva, 188; João Inácio Manato PAGANI, ROGÉRIO de Jesus,438; Ludgero SALAU; Nilton de SOUZA E SILVA; José Murilo Ferraz SUANO,330; Marcelo José Ferraz SUANO,1564.

Com a patente de 1972: Cel. Jorge TEIXEIRA de Oliveira, Major Francisco SCHIMDLIN de Castro, Sgt. Ismael KURTZ, Cap. Paulo da SILVA MAIA, Sgt. Sebastião NATALINO Vicente, Sgt. JAIR Ferreira Pedra, Sgt. Geraldo Augusto CHAPINOTTO, Sgt. Otávio ROSSETI, Sgt. Neiva, Cap. Domingos Carlos Sá NOVAES, capitão Jorge ANDRADE Filho, capitão LÁZARO Amorim Soares, Major Nunes, Cap. Francisco BARCELOS (Chicão), prof. José ROCHA (Rochinha), prof. José AMAZONAS Ramos de Lima, T.Cel. Hélio CASIMIRO, Cap. Gustavo FREGAPANI, Cap. Carlos Breno CELESTINO, T.Cel RODOLPHO Freitas Filho, prof. Enéas, Cap. Jaime CRESPO Filho, T.Cel Renato Cézar Ferreira, Cel. Leonardo JAEGER, Sub-tenente KLÉBER Silvério, Sub-tenente Viegas, Major Paulo MENDONÇA Viana, Ten. José VIDAL Bezerra, Cap. RAMIRO Mello Filho; prof. Alberto Makarem, TCel Oswaldo GISSONI, prof. Reinaldo BARBALHO, prof. Josias Figueiredo; prof. Francisco das Chagas de Albuquerque, prof. Evanir Barroso; prof. Eber Soares Leão, prof. Cleômenes do Carmo Chaves, prof. Adroaldo Rosseti,prof. Ernando Marques, prof. Ayssor Mourão, Sgt. João Dantas Cyrino, prof. Eduardo Riker, Cap. Arnaldo Natividade FLEURY Curado, Cap. Estevão Alves CORRÊA NETO, profa. Helena Soares da Cruz, Cap. Luiz Felipe FRAGOSO de Albuquerque,Sgt. Primo FANELLI e Sgt. PAULO Farias.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O PT acabou: introdução.


O PT acabou. O último que sair apague a luz.
Eu tenho um bocado de amigos de esquerda - que os conheci, principalmente, na universidade - e parentes também. E tenho muitos amigos de direita - que conheci nos tempos de colégio - e parentes também. Tenho muito poucos amigos de centro.
Os da esquerda não estão muito assustados com os resultados das eleições. Há até quem esperava um resultado bem pior. Os da direita, na sua maioria esmagadora, têm absoluta certeza que o PT morreu. Não é no sentido figurado não. Isto é, vai sobreviver e vai se tornar um partido nanico. 
Accccaaaaaaaaaaaabbbbbbbboooouuuuuuuuuu!! Entendeu ou quer que eu desenhe ? 
“Dessa vez o PT desaparece. Tenho certeza absoluta.” Me disse um amigo.

Quando ocorreram as primeiras prisões do mensalão, a revista Veja também tinha essa certeza, até fez uma capa profetizando.
Aqui vai minha humilde opinião. Não é exercício de futurologia, porque do futuro, ou melhor, no futuro, como dizia John Maynard Keynes, estaremos todos mortos. Portanto, não tenho essa capacidade de prever e afirmar que o PT vai morrer. E se isso vai se confirmar saberemos muito em breve: em 2018.
Eu não apostaria as minhas fichas nisso, mesmo que desejasse que o PT morresse. 

Poemeu
Quem não se lembra do poema do Carlos Drummomd ?

“João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém.
João foi para o Estados  Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto

Pois Zé! Assim é na política. Não existe nada mais instável e mutante do que a política. Em dois anos tudo muda. 
Havia Lula que amava Dilma que amava Temer que amava Cunha que não amava ninguém. Deu no que deu.

Havia Omar - oito anos vice de Braga - que amava Melo, que foi seu vice. Os dois amavam Braga - de quem Melo foi secretário - que odiava Arthur, que odiava Braga, mas amava Omar e Melo. Melo foi para o governo; Omar e Braga para o Senado. Arthur para a Prefeitura; mas dois anos antes perdeu a cadeira de senador para Braga e Vanessa. Por isso declarou:

 Minha eleição foi roubada pelo ódio, pela insensatez e pelo despudor de alguns. Acuso frontalmente o candidato Eduardo Braga de ser o mandante da maior fraude eleitoral da história do Amazonas, em seu favor e da candidata Vanessa Grazziotin. E afirmo: não ficarão impunes."
...
"A sociedade, que está chocada desde a noite de 3 de outubro, saberá agora porque os “vencedores” sequer tiveram ânimo de comemorar a “vitória” do dinheiro sujo."

Keywords: Fraude eleitoral;  Fui roubado; Dinheiro sujo; Pampulha; Alto Solimões; R$ 18 milhões; Obras fantasmas.

Dois anos depois dessa derrota para o Senado, Arthur deu o troco:  derrotou Vanessa, candidata a Prefeitura de Manaus. Hoje Arthur e Braga estão juntos contra Omar Aziz e José Melo. São amigos desde criança. Arthur buscar a reeleição e Braga é o seu principal cabo eleitoral. Os dois fizeram um acordo para as eleições de 2018. Para daqui a dois anos !? Uma eternidade.
Entre políticos acordos foram feitos para serem quebrados. Se Arthur ficar na Prefeitura e se fizer um bom governo deverá/poderá concorrer contra Eduardo Braga ao governo do Estado. Se perder, só terá chances no Senado. E se Melo, que está caçado, ficar até o final do mandato, as chances de Omar Aziz concorrer ao governo estadual aumentam. 
Companheiros (para os da esquerda) e camaradas (jargão da caserna), com Arthur ganhando ou perdendo, logo, logo Eduardo Braga vai tentar tirar o Melo da cadeira dele, porque o tempo dele no Senado vai acabar. Já Omar Aziz tem mais quatro anos. Pode se dar o luxo de concorrer e perder. 
E a senadora Vanessa Grazziotin ? Tem chances de ser reeleita porque novamente serão duas vagas. Mas creio que o Pauderney Avelino vai tentar de novo.
Ela tem chances se e somente se arranjar um patrocinador. Isso analisando hoje – porque em dois anos tudo muda – e, paradoxalmente, justamente pelo fato que as eleições não serem hoje. Hoje ela perderia. Deu pra entender ?

Pelo resultado da eleição de domingo , Arthur Neto (35,17%) vai disputar o segundo turno contra Marcelo Ramos (24,86%). 
Serafim Corrêa e Silas Câmara candidatos que tiveram 10,91% e 11,17% dos votos válidos, respectivamente,  declararam apoio ao Marcelo Ramos. O candidato do PT, José Ricardo, teve 10,99% dos votos, e disse que não vai apoiar ninguém. E precisa? Será que nessa altura do campeonato petista vai votar em tucano ?

Tem mais gente nessa história: Omar Aziz odiava Alfredo Nascimento que odiava Omar. Alfredo amava Lula e Dilma, de quem foi ministro dos Transportes, e votou a favor do impeachment dela. Omar e Alfredo hoje se amam e são os cabos eleitorais de Marcelo Ramos.
Então vamos somar: 24,86 + 10,91 + 11,17 +10,99 = 57,93%. Ainda faltam 6,89% dos outros candidatos.  Mesmo assim Marcelo Ramos está eleito.
Alto lá! Isso se os candidatos derrotados que estão lhe apoiando transferirem realmente os votos; caso contrário, a vaga ainda não tem dono. Só quem transferia 99,98% dos votos  era o Brizola. Lembram-se quando ele transferiu integralmente os votos deles para o Lula?
É por isso que acredito que o PT...
- Peraí! Mas onde o fim do PT entrou nessa texto ?
- Isso é apenas a introdução do “ PT Acabou II”. Está escrito lá em cima. No próximo post vou dar a minha opinião.
Dado as devidas proporções, o que acontece entre os políticos aqui na província, se repete por todo país. Não existe mais nada dinâmico, no sentido mais pejorativo da palavra, do que a política.
Não viram no processo de impeachment de Dilma e Cunha? O senador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB) posou de paladino da anticorrupção. Logo ele que quando governador foi cassado por esse motivo. E observe que ele não é senador biônico. Ele foi eleito pelo voto direto. Roubou, votaram, voltou.
Viram que fizeram os deputados que tornaram Eduardo Cunha, o culpado útil, o malvado mais querido do Brasil ? Cassaram o mandado dele.
Por essas e outras será que o PT morreu mesmo? Não é somente os políticos que mudam. O eleitor também, de eleição para eleição. 
Além do que há uma parte da esquerda que ficou órfã do PT; mas não virou direita. Veja quem está no segundo turno no Rio de Janeiro: um partido nanico e de esquerda, o PSOL.
Reflexionemos juntos no próximo post sobre a morte do PT.

Cláudio Nogueira






domingo, 10 de julho de 2016

Phryné Maryan

Depois de um ano e meio de sofrimento devido a uma doença pulmonar que lhe consumiu muito e testou sua fé, partiu prematuramente, nesta tarde, uma prima muito querida. Filha da irmã mais velha da minha mãe, tia Cleonice; Phryné era baiana nascida em São Paulo, criada uma boa parte de sua vida em Brasília.

Morava na Bahia. E se não havia partido antes, não foi por causa dos remédios ou oxigênio adicional que recebeu nos últimos 18 meses, em São Paulo, onde estava morando com sua irmã Wladilene. Foi justamente o amor excessivo que recebeu da irmã, e dos outros membros da família que ficaram em Salvador, mas que lhe visitavam constantemente: marido, filhos e irmã, que lhe oxigenaram a vida, e impediam que ela partisse. Retribuindo-lhe o amor que sempre receberam dela.

Phryné era a matriarca dos Maryans em Salvador. Administrava-os com muito amor, carinho e suporte de todos os tipos, inclusive financeiro.

Inteligência privilegiada, era formada em Ciências Contábeis e em Direito. Professora a Universidade Federal da Bahia.Foi por muitos, até se aposentar, funcionária da SEFAZ baiana. Após sua aposentadoria continuou trabalhando, pois seria muito desperdício que uma pessoa tão brilhante parasse para ficar observando a paisagem.

Filha, mãe, irmã, prima, tia, avó, sobrinha, cunhada muito querida. Agora tem uma nova missão: vai continuar olhando pelos seus. Só que agora é full time, tempo integral, orando, rezando por eles.

Deus foi-lhe caridoso, se pararmos para pensar que no período de sofrimento ela se apegou, e se aproximou mais Dele. 

E hoje partiu justamente quando eu estava na missa rezando por ela. E vários amigos e parentes, em Manaus, Salvador, Brasília e São Paulo rezavam, oravam por ela. Desde já invejo por uma partida igual.

Deve ter sido uma recepção e tanto. Estou muito triste e muito feliz. Triste porque ela vai fazer falta para muita gente que lhe amavam muito; e feliz porque Deus lhe deu a oportunidade de refletir sobre sua vida nesse ano e meio. Teve bastante tempo de se arrepender de seus pecados. Arrependeu-se, como me disse há três dias pelo whatsapp.

Muito obrigado Senhor Deus Pai Todo Poderoso pelos 63 anos da Phryné, ou di Phryné, como dizem os baianos.

Vá para perto de Deus nossa querida prima. E não esqueça de interceder por nós que te amamos muito.

Deus seja louvado.


Cláudio Nogueira

sexta-feira, 8 de julho de 2016

For the Record : Preso na Carolina do Norte

Para Maria Fernanda, João Paulo, Pedro Henrique e Maria Rafaela.


Há 25 anos fui preso na cidade de Fayetteville, na Carolina do Norte. Já não me lembrava mais dessa história, mas domingo (03/07), em uma conversa de irmãos com um amigo,sobre a Carolina do Sul e a do Norte, o Vicente comentou: "Ele foi preso na Carolina do Norte."
É verdade, eu nem me lembrava mais disso: fui preso e algemado. Mas já paguei minha dívida com a sociedade.

Toefl Test
Dia 6 de agosto de 1991 embarquei para Miami, para fazer a prova do TOEFL, Test of English as a Foreign Language. Para quem deseja estudar em uma universidade americana tem que fazer o Toefl, que atesta o nível de proficiência do candidato. Ele é válido somente por dois anos. Eu já havia feito anteriormente, mas já tinha perdido a validade.

Campeões do Mundo
Antes de prosseguir, não posso deixar de registrar uma coisa muito interessante que ocorreu no front desk do hotel. Disso eu jamais me esquecerei. O senhor que me atendeu, quando soube que eu era brasileiro, disse-me os nomes de todos os jogadores da seleção brasileira de 1958; quando fomos campeões pela primeira vez. Isso é incrível ou não é? O cara era argentino.

Eu tinha planejado que depois que terminasse o teste eu iria dirigindo para Rockville, em Maryland, que é a Goiás do States, pois dentro dela fica a capital Washington. Rockville fica a meia hora de Washington; e tem trens ligando as duas.

Iria visitar uma namorada, que era daqui de Manaus, mas que foi morar com a irmã. Na realidade não era um namoro firme, como se dizia na época, era uma ficante, como se diz hoje. Estávamos em fase de negociação. Fui lá pra ver se a gente fechava o contrato.

Sem Cartão
O negócio começou errado logo na chegada. Fui alugar um carro e descobri que não tinha levado o cartão de crédito. Ninguém aluga carro com pagamento em cash.  No cartão está toda a vida da pessoa. É muito mais seguro para quem aluga. Depois de rodar por várias locadoras e não conseguir alugar um carro, uma pessoa me indicou a Rainbow rent a car; que aceitou o pagamento em espécie.

Fiz o teste, que acabou por volta de uma da tarde; comi alguma coisa e peguei a estrada: I90 N, interstate 90 north. Seria algo em torno de 15 horas de estrada. Por volta das 23 horas o sono chegou, e chegou com muita vontade.

Essa viagem foi uma leseira baré, pois não verifiquei se de avião era mais barato; e porque havia decidido ir dirigindo sem parar. Mas parei em uma rest area, lugar onde motoristas profissionais e carros de passeio param para beber alguma coisa, ir ao banheiro e descansar.
Não aguentei. Parei e dormi um pouco. Quando acordei fui ao banheiro, tomei água e um pouco de café. Ao voltar para o carro constatei que ele estava fechado com a chave dentro. Tentei abri-lo, mas não consegui. Pedi ajuda dos presentes,mas não conseguimos. Era um Mitsubishi, do tamanho de um Gol. Nas laterais, além dos vidros das portas do motorista e do passageiro, havia um terceiro vidro, em forma de um triângulo. Igual ao que o fusca tem na frente. Só que era atrás e não abria, era fixo.

Havia um caminhão de mudança estacionado. Fui falar com o motorista, que me deu uma lata de tinta. Dei uma cacetada com a lata no vidro pequeno, que o assento detrás ficou cheio de vidro. Consegui entrar no carro e seguir viagem. Depois de andar alguns quilômetros, percebi que a gasolina estava entrando na reserva, e naquele trecho a estrada estava muito escura. Até que vi uma placa informando a próxima saída: Fayetteville Regional Airport. Eu pensei: é pra lá que eu vou. Aeroporto é sempre um lugar movimentado. Era uma hora da manhã do dia 8.

Teje Preso
O aeroporto era pequeno. Lembrou-me do nosso Ponta Pelada. O estacionamento estava cheio de carros; mas o aeroporto estava fechado. Não tinha uma viva alma. Estacionei, e comecei a gritar: anybody there? Tem alguém aí ? Imaginei que deveria ter um vigia. Como ninguém respondeu, me conformei, e pensei: vou ficar aqui até amanhecer. E decidi dar uma volta no estacionamento. Nisso, como nos filmes, apareceram do nada dois carros de polícia com as sirenes tocando. Do primeiro desceu uma loira, que apontando uma arma para mim dizia: "Mãos na cabeça". Não senti medo. Não tinha feito nada de errado.
Fayetteville Regional Airport
A loira e um policial latino mandaram me virar de costas, e começaram a me revistar. Eu repetia: não tem nada de errado. A loira repetia: "Cala a boca ! Cala a boca !". Alguém tinha ido ao carro e voltou dizendo: " O carro é roubado, ele quebrou o vidro".
Acharam o meu passaporte no meu bolso. A loira falou pelo rádio o meu nome e disse para verificarem se entrei legalmente no país. Trouxeram um cão para cheirar o carro, em busca de drogas, eu acho. O cão parecia se negar a fazer o serviço. Não parecia muito interessado. Colocavam-no dentro do meu carro, mas ele saia imediatamente. Abriram a mala do carro, e colocaram o cão para cheirar. A mesma coisa; não se mostrou muito interessado. Aí abriram a minha mala. Ouvi quando um policial gritou que tinha liguor, bebida alcoólica. Eu levava cinco garrafas de Velho Barreiro, era encomenda do dono da casa. Médico americano, especialista em malária, que andou por essas bandas, onde conheceu a sua esposa, e gostava muito de caipirinha.
Quando acharam a cachaça, eu pensei: agora estou roubado. Mas isso - e o cachorro revistando o carro - eu assistia algemado, sentado na gaiola do carro da polícia. Porque o melhor já tinha ocorrido antes. Ao me revistarem, eles acharam o passaporte e 14 mil dólares nas minhas meias. O que levou o policial latino a exclamar: "Ó my God !". E a pensar: " Esse tá ferrado."Mas não fiquei com medo. Eu pensei: esse dinheiro não é meu. Se ele tirarem uma quantia como imposto não estou nem aí. Hoje quando me lembro que os autodenominados apóstolo e a bispa Estevam e Sônia Hernandes pegaram um ano de cadeia por terem sidos descobertos com dólares não declarados à alfândega americana, eu sinto um calafrio na espinha. A barba grande ajudava a completar o quadro de que eu não era flor que se cheirasse.
E assim as horas iam passando. Um grande movimento de policiais pra lá e pra cá; mais carros haviam chegado. O dia estava amanhecendo. Até que por volta de uma seis da manhã, um sujeito entra no carro, tira as minhas algemas, e me diz: " Você entrou legalmente no país, e achamos o recibo do aluguel do carro".

Na Delegacia
O carro ficou no aeroporto, e me levaram para a delegacia de polícia. Chegando lá, outros policiais, colocaram  o dinheiro numa mesa, na minha frente e pediram que eu contasse. E muitos simpáticos perguntaram-me como havia conseguido aquilo. Conversaram bastante. Perguntaram-me, também, o que eu fazia na vida. Disse-lhes que era engenheiro e professor, num que um disse para o outro: "He is smart. He is smart." Depois acrescentou: "Você é maluco. Você não sabe o risco que você passou. Por uma nota nesse valor (mostrou-me uma nota de 20 dólares) você poderia ser morto". Eu não entendi. Eles me explicaram que poderia ter sido assaltado.
Nisso apareceu a policial loira, o latino e um que parecia ser o chefe,que me tirou as algemas. E me disseram que eu iria falar com um juíz. Dito e feito. Na presença do juiz, a loira com voz suave, narrou o que aconteceu. E disse que tinha sido um engano por parte deles, e que não foi encontrado nada de errado. O juiz ouviu tudo, e me perguntou:
- Você quer registrar alguma queixa ?
- Não. Eu gostaria de ir embora.
- You are free to go. Sentenciou o magistrado.
A loira me levou até o estacionamento do aeroporto, onde o meu carro estava, e depois me levou até um posto de gasolina. Mas tudo isso para me fazer um pedido. Ela queria saber se não dava para lhe dar uma garrafa do liguor. Disse-lhe que infelizmente não era possível,  porque era uma encomenda e não me pertenciam. Peguei a estrada e me mandei para  Rockville.

Mundo Pequeno
No período que estive retido e algemado, como não me lembrei que poderia ser preso por não ter declarado o dinheiro, não tive medo. Fayetteville é a cidade de uma amiga americana, que o destino nos conectou, que me chama de brother. Eu a conheci em Kumamoto, no Japão, em 1989, quando morávamos lá. Ela era missionária luterana, e por isso assisti muitas "missas" na igreja dela. Pensei: se necessário for, ligo pra Nancy, seu pai era um lider religioso respeitado na cidade.

Com minha sister Nancy em Alexandria
Quando cheguei em Rockville, entrei em contato com ela e lhe contei a história. Ela estava mais perto do que imaginava; morava em Alexandria, na Virginia. Washington, DC fica na fronteira dos Estados de Maryland e Virginia. Matei dois coelhos de um só vez. Visitei a ficante e a Nancy ao mesmo tempo. Nancy me mostrou a capital e sua cidade Alexandria.

Em 2004 fui a Raleigh, na Carolina do Norte visitar um irmão que morava lá, cuja esposa era irmã da ex-ficante. Lá encontrei a Nancy de novo; casada, morando em Raleigh. E assim os nossos destinos nos cruzam. Já contei que quando morei em Atlanta em 1986, ela também morava lá ? Fazia faculdade.

De quem era o Dinheiro ?
Mas a pergunta que não quer calar é: de quem era tanto dinheiro ? Não era meu. Uma pessoa amiga me pediu para levá-lo; pois parte era para a sua conta corrente, e para pagar despesas da filha que morava lá. Tinha valores menores de outras pessoas. Era dinheiro quente, pois tinha recibo de compra no Banco do Brasil. Mas nunca mais quis saber de levar dinheiro pra ninguém.

Para finalizar, voltei para o Brasil dia 12 de agosto de 1991. A minha cunhada, que foi me buscar no aeroporto me, disse: "Nasceu o Lucas Afonso. Mas ele tem um problema". Nesse instante a minha cabeça rodou mais que juizo de doido. Que problema seria esse ? Lucas é filho de um irmão.
Era  problema muito sério. E deu trabalho para resolvê-lo. Em geral, as crianças que nascem com esse problema, têm atraso mental, mas graças a Deus, Lucas tinha um problema físico, mas não mental. Ficou curado e hoje é um engenheiro de computação.

Teje Preso no Japão
Meus filhos, já contei pra vocês quando e porque fui preso no Japão? Lá foi diferente. Não fui algemado, mas fui posto numa cela na cadeia. Mas tiveram a gentileza de colocar uma mesa e uma cadeira, e, ao meu pedido, esperar o meu orientador chegar.  Mas isso é assunto para outro post.

Deus seja louvado.

Cláudio Nogueira

PS. A Fabiana quer saber por que o Lucas entrou no texto. Porque a vida é assim mesmo, uma coisa conectada na outra. E nunca mais esqueci dessa data.

For the Record : Preso na Carolina do Norte

Para Maria Fernanda, João Paulo, Pedro Henrique e Maria Rafaela.

Toefl Test
Há 25 anos fui preso na cidade de Fayetteville, na Carolina do Norte. Já não me lembrava mais dessa história, mas domingo (03/07), em uma conversa de irmãos com um amigo,sobre a Carolina do Sul e a do Norte, o Vicente comentou: "Ele foi preso na Carolina do Norte." É verdade, eu nem me lembrava mais disso: fui preso e algemado. Mas já paguei minha dívida com a sociedade.

Dia 6 de agosto de 1991 embarquei para Miami, para fazer a prova do TOEFL, Test of English as a Foreign Language. Para quem deseja estudar em uma universidade americana tem que fazer o Toefl, que atesta o nível de proficiência do candidato. Ele é válido somente por dois anos. Eu já havia feito anteriormente, mas já tinha perdido a validade.

Campeões do Mundo
Antes de prosseguir, não posso deixar de registrar uma coisa muito interessante que ocorreu no front desk do hotel. Disso eu jamais me esquecerei. O senhor que me atendeu, quando soube que eu era brasileiro, disse-me os nomes dos jogadores da seleção brasileira de 1958; quando fomos campeões pela primeira vez. Isso é incrível ou não é? O cara era argentino.

Eu tinha planejado que depois que terminasse o teste eu iria dirigindo para Rockville, em Maryland, que é a Goiás do States, pois dentro dela fica a capital Washington. Rockville fica a meia hora de Washington; e tem trens ligando as duas.

Iria visitar uma namorada, que era daqui de Manaus, mas que foi morar com a irmã. Na realidade não era um namoro firme, como se dizia na época, era uma ficante, como se diz hoje. Estávamos em fase de negociação. Fui lá pra ver se a gente fechava o contrato.

Sem Cartão
O negócio começou errado logo na chegada. Fui alugar um carro e descobri que não tinha levado o cartão de crédito. Ninguém aluga carro com pagamento em cash.  No cartão está toda a vida da pessoa. É muito mais seguro para quem aluga. Depois de rodar por várias locadoras e não conseguir alugar um carro, uma pessoa me indicou a Rainbow rent a car; que aceitou o pagamento em espécie.

Fiz o teste, que acabou por volta de uma da tarde; comi alguma coisa e peguei a estrada: I90 N, interstate 90 north. Seria algo em torno de 15 horas de estrada. Por volta das 23 horas o sono chegou, e chegou com muita vontade.

Essa viagem foi uma leseira baré, pois não verifiquei se de avião era mais barato; e porque havia decidido ir dirigindo sem parar. Mas parei em uma rest area, lugar onde motoristas profissionais e carros de passeio param para beber alguma coisa, ir ao banheiro e descansar.
Não aguentei. Parei e dormi um pouco. Quando acordei fui ao banheiro, tomei água e um pouco de café. Ao voltar para o carro constatei que ele estava fechado com a chave dentro. Tentei abri-lo, mas não consegui. Pedi ajuda dos presentes,mas não conseguimos. Era um Mitsubishi, do tamanho de um Gol. Nas laterais, além dos vidros das portas do motorista e do passageiro, havia um terceiro vidro, em forma de um triângulo. Igual ao que o fusca tem na frente. Só que era atrás e não abria, era fixo.

Havia um caminhão de mudança estacionado. Fui falar com o motorista, que me deu uma lata de tinta. Dei uma cacetada com a lata no vidro pequeno, que o assento detrás ficou cheio de vidro. Consegui entrar no carro e seguir viagem. Depois de andar alguns quilômetros, percebi que a gasolina estava entrando na reserva, e naquele trecho a estrada estava muito escura. Até que vi uma placa informando a próxima saída: Fayetteville Regional Airport. Eu pensei: é pra lá que eu vou. Aeroporto é sempre um lugar movimentado. Era uma hora da manhã do dia 8.

Teje Preso
O aeroporto era pequeno. Lembrou-me do nosso Ponta Pelada. O estacionamento estava cheio de carros; mas o aeroporto estava fechado. Não tinha uma viva alma. Estacionei, e comecei a gritar: anybody there? Tem alguém aí ? Imaginei que deveria ter um vigia. Como ninguém respondeu, me conformei, e pensei: vou ficar aqui até amanhecer. E decidi dar uma volta no estacionamento. Nisso, como nos filmes, apareceram do nada dois carros de polícia com as sirenes tocando. Do primeiro desceu uma loira, que apontando uma arma para mim dizia: "Mãos na cabeça". Não senti medo. Não tinha feito nada de errado.
Fayetteville Regional Airport
A loira e um policial latino mandaram me virar de costas, e começaram a me revistar. Eu repetia: não tem nada de errado. A loira repetia: "Cala a boca ! Cala a boca !". Alguém tinha ido ao carro e voltou dizendo: " O carro é roubado, ele quebrou o vidro".
Acharam o meu passaporte no meu bolso. A loira falou pelo rádio o meu nome e disse para verificarem se entrei legalmente no país. Trouxeram um cão para cheirar o carro, em busca de drogas, eu acho. O cão parecia se negar a fazer o serviço. Não parecia muito interessado. Colocavam-no dentro do meu carro, mas ele saia imediatamente. Abriram a mala do carro, e colocaram o cão para cheirar. A mesma coisa; não se mostrou muito interessado. Aí abriram a minha mala. Ouvi quando um policial gritou que tinha liguor, bebida alcoólica. Eu levava cinco garrafas de Velho Barreiro, era encomenda do dono da casa. Médico americano, especialista em malária, que andou por essas bandas, onde conheceu a sua esposa, e gostava muito de caipirinha.
Quando acharam a cachaça, eu pensei: agora estou roubado. Mas isso - e o cachorro revistando o carro - eu assistia algemado, sentado na gaiola do carro da polícia. Porque o melhor já tinha ocorrido antes. Ao me revistarem, eles acharam o passaporte e 14 mil dólares nas minhas meias. O que levou o policial latino a exclamar: "Ó my God !". E a pensar: " Esse tá ferrado."Mas não fiquei com medo. Eu pensei: esse dinheiro não é meu. Se ele tirarem uma quantia como imposto não estou nem aí. Hoje quando me lembro que os autodenominados apóstolo e a bispa Estevam e Sônia Hernandes pegaram um ano de cadeia por terem sidos descobertos com dólares não declarados à alfândega americana, eu sinto um calafrio na espinha. A barba grande ajudava a completar o quadro de que eu não era flor que se cheirasse.
E assim as horas iam passando. Um grande movimento de policiais pra lá e pra cá; mais carros haviam chegado. O dia estava amanhecendo. Até que por volta de uma seis da manhã, um sujeito entra no carro, tira as minhas algemas, e me diz: " Você entrou legalmente no país, e achamos o recibo do aluguel do carro".

Na Delegacia
O carro ficou no aeroporto, e me levaram para a delegacia de polícia. Chegando lá, outros policiais, colocaram  o dinheiro numa mesa, na minha frente e pediram que eu contasse. E muitos simpáticos perguntaram-me como havia conseguido aquilo. Conversaram bastante. Perguntaram-me, também, o que eu fazia na vida. Disse-lhes que era engenheiro e professor, num que um disse para o outro: "He is smart. He is smart." Depois acrescentou: "Você é maluco. Você não sabe o risco que você passou. Por uma nota nesse valor (mostrou-me uma nota de 20 dólares) você poderia ser morto". Eu não entendi. Eles me explicaram que poderia ter sido assaltado.
Nisso apareceu a policial loira, o latino e um que parecia ser o chefe,que me tirou as algemas. E me disseram que eu iria falar com um juíz. Dito e feito. Na presença do juiz, a loira com voz suave, narrou o que aconteceu. E disse que tinha sido um engano por parte deles, e que não foi encontrado nada de errado. O juiz ouviu tudo, e me perguntou:
- Você quer registrar alguma queixa ?
- Não. Eu gostaria de ir embora.
- You are free to go. Sentenciou o magistrado.
A loira me levou até o estacionamento do aeroporto, onde o meu carro estava, e depois me levou até um posto de gasolina. Mas tudo isso para me fazer um pedido. Ela queria saber se não dava para lhe dar uma garrafa do liguor. Disse-lhe que infelizmente não era possível,  porque era uma encomenda e não me pertenciam. Peguei a estrada e me mandei para  Rockville.

Mundo Pequeno
No período que estive retido e algemado, como não me lembrei que poderia ser preso por não ter declarado o dinheiro, não tive medo. Fayetteville é a cidade de uma amiga americana, que o destino nos conectou, que me chama de brother. Eu a conheci em Kumamoto, no Japão, em 1989, quando morávamos lá. Ela era missionária luterana, e por isso assisti muitas "missas" na igreja dela. Pensei: se necessário for, ligo pra Nancy, seu pai era um lider religioso respeitado na cidade.

Quando cheguei em Rockville, entrei em contato com ela e lhe contei a história. Ela estava mais perto do que imaginava; morava em Alexandria, na Virginia. Washington, DC fica na fronteira dos Estados de Maryland e Virginia. Matei dois coelhos de um só vez. Visitei a ficante e a Nancy ao mesmo tempo. Nancy me mostrou a capital e sua cidade Alexandria.

Com minha sister Nancy em Alexandria
Em 2004 fui a Raleigh, na Carolina do Norte visitar um irmão que morava lá, cuja esposa era irmã da ex-ficante. Lá encontrei a Nancy de novo; casada, morando em Raleigh. E assim os nossos destinos nos cruzam. Já contei que quando morei em Atlanta em 1986, ela também morava lá ? Fazia faculdade.

De quem era o Dinheiro ?
Mas a pergunta que não quer calar é: de quem era tanto dinheiro ? Não era meu. Uma pessoa amiga me pediu para levá-lo; pois parte era para a sua conta corrente, e para pagar despesas da filha que morava lá. Tinha valores menores de outras pessoas. Era dinheiro quente, pois tinha recibo de compra no Banco do Brasil. Mas nunca mais quis saber de levar dinheiro pra ninguém.

Para finalizar, voltei para o Brasil dia 12 de agosto de 1991. A minha cunhada, que foi me buscar no aeroporto me, disse: "Nasceu o Lucas Afonso. Mas ele tem um problema". Nesse instante a minha cabeça rodou mais que juizo de doido. Que problema seria esse ? Lucas é filho de um irmão.
Era  problema muito sério. E deu trabalho para resolvê-lo. Em geral, as crianças que nascem com esse problema, têm atraso mental, mas graças a Deus, Lucas tinha um problema físico, mas não mental. Ficou curado e hoje é um engenheiro de computação.

Teje Preso no Japão
Meus filhos, já contei pra vocês quando e porque fui preso no Japão? Lá foi diferente. Não fui algemado, mas fui posto numa cela na cadeia. Mas tiveram a gentileza de colocar uma mesa e uma cadeira, e, ao meu pedido, esperar o meu orientador chegar.  Mas isso é assunto para outro post.

Deus seja louvado.

Cláudio Nogueira

PS. A Fabiana quer saber por que o Lucas entrou no texto. Porque a vida é assim mesmo, uma coisa conectada na outra. E nunca mais esqueci dessa data.

domingo, 26 de junho de 2016

Saindo do Caritó - edição revisada

Há 17 anos, neste dia,  eu me casava pela segunda vez; com pouco mais de vinte dias de diferença entre o primeiro e o segundo casamento. Casei pela primeira vez na presença do juiz em 2 de junho de 1999, em Manaus; gostei da experiência, casei  novamente no dia 26 de junho de 1999, na igreja de Nossa Senhora dos Navegantes, em Porto Alegre.
Eu casei duas vezes, mas graças a Deus eu só tenho uma sogra, que tem o coração de duas. Casei duas vezes com a mesma pessoa, não podia correr o risco de ficar no caritó.
Caritó, quem se lembra dessa palavra ? É muito velha.
No casamento de  Daniel Nakamura Bessa Freire, James Fish - aqui citado há três dias no post "For the Record: 23 de junho de 1986", amigo dos pais do noivo e amigo nosso - se dirigindo a sua esposa, e se referindo a mim disse: "Esse aí tá no caritó". James Fish é ex-padre, estudou muito latim e grego, com ele aprendi que karitoh é uma palavra grega que significa encalhado, solteirão, ninguém quis, e por aí vai. Foi por isso que casei duas vezes. Mas com essa mulher maravilhosa, Fabiana, eu casaria mil vezes. Isso é uma benção de Deus na minha vida. Me deu quatro filhos: Maria Fernanda, 15 anos; João Paulo, 14 anos;  Pedro Henrique, 12 anos e a Maria Rafaela, 10. Isso mesmo sou um sujeito bem produtivo, digo, reprodutivo. Quando se está no caritó se tem pressa.
Eu fui obrigado a ter quatro filhos, mas na frente explico porque.

Os Cupidos

Os culpados, digo, cupidos foram a Aparecida e Glorinha inicialmente, e depois o Hilário, todos irmãos meus. Em 1994 me disseram que tinha uma loirinha linda em Porto Alegre que eu deveria conhecer, e que se parecia com a Patrícia Pilar. Disseram isso por três motivos: porque gostavam de mim; porque sabiam que eu babava quando via a Patrícia Pilar; e porque, não sendo escocês, usando saia, eu corria atrás.
Passaram 4 anos dizendo isso, e eu, pasmem (não estava me reconhecendo), respondia: com tanta caboquinha dando sopa aqui, eu vou me mandar lá para Porto Alegre ? Foram 4 anos nessa conversa.
A Fabiana é assistente social, a Aparecida também. Se conheceram em um encontro delas em 1994, em Vitória. A Cida depois de um certo convívio, profetizou: "Tu vais casar com o meu irmão".Boca santa. E fez um relato completo sobre o gostosão aqui. Só qualidades. A candidata à esposa ao ouvir o relato perguntou:
- Quantos anos ele tem ?
- É um ano mais novo que eu, tem 35.
- Com tantas qualidades e ainda é solteiro, deve ser gay.
Passaram-se quatro anos. Nesse meio tempo, sem eu ter conhecimento, meus irmãos mantinham contato com ela. O Hilário, que mora no Paraná, a Glorinha e sua filha  Anne visitaram Porto Alegre e se hospedaram na casa da Fabiana algumas vezes.

O Milagre

Em outubro de 1998 fui com um grupo de oito pessoas a Medjugorje, na Bósnia e Herzegovina, cidade onde acredita-se (acredito) que Nossa Senhora aparece diariamente desde 24 de junho de 1981 (veja o post : Trinta e cinco anos de Medjugorje - publicado ontem) No grupo tinha uma amiga, Lúcia, a beata. E quando estávamos subindo a montanha das peregrinações, o Podbrdo, morro alto  com um caminho cheio de pedras, eu disse: Lúcia, se tu subires descalça esse morro eu desencalho. É claro, que disse isso porque jamais pensei que ela fosse capaz de subir descalça, dóí muito; e falei no tom de brincadeira. Ela me  disse: "É prá já". E subiu". Santa Lúcia.
Seja como for, voltei para Manaus dia 20; dia 24, sábado, o Hilário do outro lado da linha me disse:
 - Fala aqui com a tua noiva ?
- Com quem ?
- Com a tua noiva, Fabiana. E aí passou o telefone para ela.
Hilário e Glorinha estavam em Porto Alegre hospedados na casa da Fabiana.
É claro que conversamos alguma coisa meio sem graça.
No dia seguinte fui a missa e lá encontrei a Glorinha.
- Que palhaçada é essa de minha noiva ?
- Há quatro anos estamos tentando colocar vocês para conversar mais tu não se interessa, eu e o Hilário decidimos colocar vocês dois em contato.
- Me dá o telefone dela. Era domingo.
No sábado seguinte eu liguei.
- Oi tudo bem, disse.
- Tudo bem.
- Os meus irmãos ficam dizendo as minhas qualidades, mas eles disseram os meus defeitos ?
- Nós podemos ser amigos, eu não estou atrás de namorado. Eles ficam falando bem de ti.
- Tu sabes que eu sou careca ?
- Sim.
- Tu sabes quando anos eu tenho ? 39 anos. Qual a é a tua idade ?
- 24 anos.
- São 15 anos de diferença.
- A mesma diferença entre os meus pais.
- E eu me pareço com o Hilário. Essa informação teve o efeito contrário do esperado. Disse isso  por julgá-lo feio. Muito depois fiquei sabendo que ela ficou contente com essa informação, porque tinha uma guria que trabalhava na loja da mãe dela que achava que o Hilário "era um gatinho".
- Eu já disse que podemos ser amigos.
Continuamos conversando. Passei a telefoná-la todos os sábados. Dia 18 de dezembro ela concluiu a pós-graduação em Administração Hospitalar, dei um jeito dela receber, pouco antes da colação, um telegrama e um buquê de flores.
O alcoviteiro do Hilário me disse: Ela gosta de música italiana. Num dos telefonemas cantei em italiano para ela.
- Cláudio ela adorou. Me disse ao telefone o cupido.
Ela me mandou uma foto. E  eu mandei, obviamente, uma foto escolhida a dedo para impressioná-la. Ela não teve o mesmo cuidado. Mandou uma foto que não agradou muito. Mostrei para a mamãe, que me disse:"Eh, eh... não é tão assim como a Glorinha falou, mas é uma boa moça".
Depois comentando pessoalmente que a foto enviada por ela não fazia jus com a realidade ela me disse: "Foi idéia da minha mãe. Ela disse que se tu fosses gostar seria pela pessoa e não pela beleza". Sogra é sogra ! Ela não sabe o risco que a Fabiana correu. Ou será que fui eu ?
O Hilário informou novamente: "Não vai dizer que eu te disse, mas ela me disse que tu vais ter de raspar o bigode".
- Em dezembro, eu vou para o casamento da Piedade, vou chegar dia de Natal. Me informou em uma ligação.
A Piedade se casou dia 26 de dezembro de 1998. Jefferson, o noivo, tinha vindo de Curitiba para o casamento da Hilário, há três anos,quando eles se conheceram. A Fabiana veio para o casamento da Piedade, e nos conhecemos. O Hilário se casou, com a Cláudia uma curitibana. Era o sul salvando o norte.
Finalmente chegou o grande dia, 25 de dezembro de 1998, fui ao aeroporto buscar a Fabiana. Ela havia me dito: "Se gostar do que vi, eu vou dar um abraço apertado". Chegou magra, alta, linda, cabelo loiro escuro e cacheados. Gostei do que vi. Ela me deu abraço, que quase quebrou as minhas costelas (ela não gosta quando digo isso). Fomos para o encontro da família, 100 pessoas, que estavam reunidas fazendo o amigo oculto, após o almoço de Natal. A noite fomos todos a missa, e depois para a sorveteria, sem saber que moraríamos há duas quadras dali.
No dia seguinte, dia do casamento, encontrei a  Fabiana e Glorinha no Amazonas Shopping. Cheguei perto como um lobo perto da Chapeuzinho Vermelho, sussurrei no pescoço: Oi loirinha ! Ela congelou, petrificou e emudeceu, mas conseguiu responder oi.
Cheguei em casa, encontrei o Hilário e disse:
- Não vai dar. Não vai rolar. Fui falar com ela, ela mal respondeu.
- Tu tás pensando que ela é uma dessas tuas que tu pintas e bordas de saída, a moça é de família.
A noite na recepção do casamento, no Dulcila's do Aleixo, apresentei para toda a família como minha noiva, sem que o primeiro beijo já tivesse acontecido. A cara de reação de muitos era visível. Estás noivo ?
Para efeito de registro, começamos a namorar dia 27 de dezembro de 1998, na Vivenda Verde, passando o dia na casa do saudoso José Alberto Barbosa, que gentilmente foi o motorista da noiva no dia anterior.
Dia 2 de janeiro de 1999, dia do casamento de outro Daniel: Daniel Fábio Jacob Nogueira. Ela voltou para Porto Alegre após a festa. Dia 15 de fevereiro estava eu em Porto Alegre comemorando os meus 40 anos. Estava prestes a sair do caritó.
Entre idas e vindas de Manaus para Porto Alegre, e de Porto Alegre para Manaus, passaram-se exatos seis meses e 66 dias de encontros pessoais, em uma ou outra cidade. Se a Maria Fernanda fizer isso, eu tiro ela do meu testamento.
Dia 4 de abril de 1999, no almoço de Páscoa na casa da Glorinha ficamos noivos. Convidei o padre Carlos Stainer para benzer as alianças. Foi tudo surpresa. Dei para ela um ovo de Páscoa, e quando abriu encontrou as alianças.
Depois do casamento no dia 2 de junho, na casa da minha irmã Ana, ela voltou para Porto Alegre e eu fiquei em Manaus. Dia 22 de junho, quatro dias antes do casamento comprei a nossa casa.
- Fabiana, tenho uma coisa para te dizer. Disse-lhe ao telefone.
- O que é ?
- Não vai ter lua de mel por que estou liso, comprei uma casa.
- Não vai ter viagem, mas lua de mel tem de ter.

Mas tenho que  fazer um parênteses aqui. Como a minha sogra era uma bem sucedida empresária da moda, meu sogro achou que eu estava dano um golpe, e exigiu um dote. Eu disse : peraí seo Pedro. Quem dá o dote é o pai da noiva para o noivo. Não aceitou o argumento e se manteve firme. A quantia que pediu não tinha como pagar, "acabei de comprar a casa", aleguei. Fizemos um acordo, eu iria pagar parcelado. Mas depois que nasceu a Maria Fernanda, ele me liberou, mas fez outra exigência: queria mais três netos, mas que nenhum saisse com a minha cara. Cumpri com 75% do exigido. Pedro Henrique, se parece comigo, mas é melhorado, isso já sobe para uns 95% do acordado.

Dia 24 de junho cheguei em Porto Alegre. Andando pelo Shopping Praias de Belas, em um quiosque de uma agência de viagem encontrei uma galinha morta: um pacote com tudo incluso com 4 dias em Buenos Aires e 4 dias em Bariloche. Teve lua de mel.
Mas quase não tinha casamento. Na manhã do 26 de junho acordei ruim do estômago e uma ligeira dor de cabeça. Pela manhã fui comprar um sapato. No dia anterior tinha comprado um no shopping e deixado lá mesmo. Dei uma passada pela loja da D.Selma, que é apenas cinco anos menos jovem do que eu, e perguntei se havia terremoto por lá, porque o chão estava tremendo. O que na realidade estava balançando era a minha cabeça.
Ao chegar na casa da Fabiana, encontrei o meu sogro, seo Pedro, o Thomaz, meu irmão e um tio da Fabiana tomando vinho. Eu pensei: preciso dormir para sair bem nas fotos, vou tomar uns bons copos de vinho para amolecer a carne e dormir. Dormi, mas antes disso fiquei bêbado. O que deixou a mamãe e o Thomaz numa situação difícil explicando para os pais da noiva que eu não bebo. Eu só bebo quando caso. Dormi, e acordei com uma dor de cabeça infernal e colocando tudo que tinha dentro para fora. Fiz isso no banho e  a caminho da igreja. Minha já-quase-sogra, parou o carro, foi numa farmácia e comprou um remédio. Sóbrio, mas de ressaca, eu casei. Na recepção os convidados, os parentes velhos e novos, e a noiva curtindo a festa e eu morrendo de dor de cabeça. Quero casar de novo. Tenho que fazer uma festa que eu me lembre.
Uma prima, Sérgia, e um primo de Manaus, estavam de férias no Rio de Janeiro, mas foram lá  para o casamento. Afonso de Ligori, irmão da Sérgia disse para ela: "Eu só acredito que o Cláudio Lúcio (nome escolhido pelo pai dele) casou, se alguém ver. Vai lá e após o casamento me liga confirmando". Pedido e feito. A Sérgia ligou após a cerimônia: "Casou. Ele casou !"
No dia seguinte, com uma vaquinha feita pelos parentes e os meus queridos amigos e padrinhos, Antônio e Luzia Sena de Carvalho, alugamos um ônibus e fomos todos para Gramado. No café colonial quem se enganou com o vinho foi a Sérgia. Ao se levantar as suas pernas denunciaram isso.
Assim conheci o amor da minha vida, Fabiana Farias da Fontoura, há dizessete anos Fabiana Fontoura Nogueira.
Casamos no dia 26 de junho, na igreja de Nossa Senhora dos Navegantes. No dia 25, sexta, foi dia de Nossa Senhora Rainha da Paz, e dia 27,domingo, era a festa de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Estávamos bem protegidos.

. .. Mas nenhuma me fez tão feliz como você me faz. Você não é mentira, você é verdade. É tudo que um dia eu sonhei pra mim...

Fabiana eu e os nossos filhos te amamos muito.

Cláudio 

sábado, 25 de junho de 2016

Trinta e cinco anos de Medjugorje

Hoje, dia 25 de junho, é dia da minha Senhora Rainha da Paz. Se ela não é sua senhora, tudo bem. A escolha é sua. Livre arbítrio meu irmão. Use-o e abuse-o. Digo isso porque já escrevi aqui antes sobre ela (Bodas de Caná: O Poder de Maria). E um evangélico chato, na realidade um amigo meu, me mandou email dizendo, que ela não era mãe de Deus, não era virgem, não era isso e nem aquilo...

Gente Chata e Gente Boa
Nossa Senhora Rainha da Paz
Tem evangélico chato, tem católico chato, tem macumbeiro chato, tem um bocado de gente chata. Como tem evangélico gente boa, como alguns que eu conheço e conversamos sobre aquilo que nos une e não o que nos afasta. Já disse aqui que tem um pastor em Atlanta, Charles Stanley, cuja a pregação eu, quando posso, gosto de ouvi-la pela internet. Ele não tem essas nóias contra Maria.
Também tem o meu amigo pastor Risan Santos, de Ottawa, em cuja salão da igreja [quatros metros abaixo do nível da rua] comemos boas feijoadas, e participamos, em 2008, do lindo culto de comemoração dos 82 anos da instalação da Eastview Baptist Church. Portanto, meu amigo, minha amiga se for para rezar, ou melhor, (crente não reza, ora), se for para orar e não para fazer proselitismo, me convide que eu vou. Mas se eu chegar lá e o sujeito me perguntar: "Você aceita Cristo na sua vida ?" Só posso responder: meu amigo, eu já aceitei há muito tempo. Se ele falar mal de Maria, caio fora.
Eu já participei de vários cultos, convidado por pessoas que realmente pregam a boa convivência, e realmente se apegam ao que realmente interessa.

Antidicomarianitas
Costumo dizer que aqueles que não estão nem aí para essência do Evangelho, mas dedicam suas energias criticando aqueles que amam Maria, acreditam que um dia vão ficar tête-à-tête com Jesus, e ele vai dizer: "Servo bom e fiel, como dedicaste a tua vida falando mal da minha mãe, e criticando aqueles que a amavam, tu vais sentar a minha direita." É ruim hein !!!
Vou começar dizendo que se você não acredita, você está bem acompanhado: o que vou relatar aqui, tem muitos padres e bispos que contestam ou detestam E como hoje eu não estou para brincadeiras, vou dizer sem muito rodeios: azar deles. Ajudaria muito a reforçar suas vocações. Isso é dito em milhares de testemunhos já publicados.

Rainha da Paz
Hoje, dia 25 de junho de 2016, faz exatamente 35 anos que a minha, a nossa e a vossa Senhora, Maria, mãe de Jesus, aparece diariamente na pequena cidade de Medjugorje, localizada na Bósnia e Herzegovina. E mais adiante vou dizer uma coisa, que creio que seja interessante até mesmo para os ateus, agnósticos e pernósticos. Leiam mesmo que não tenham nada a ver com fé ou religião, mas por pura curiosidade. É pagar para ver.
Bósnia e Herzegovina
Dito isto. Vem a pergunta: por que é azar dos bispos e dos padres que não acreditam nessas aparições?
Respondo: nesse momento são 11 horas aqui em Manaus, e lá são 17 horas. No gramado atrás da igreja de são Tiago, ou Jaime, ou James, ou Jakob, ou Jacques, ou Giácomo dependendo da língua que você fala, está reunida uma multidão para missa de aniversário do 35ano de aparição de Nossa Senhora. Presentes mais de 100 mil pessoas vindas do mundo inteiro; uns 2000 padres e mais de 200 bispos de todas as nacionalidades, no altar e no gramado. Como é que sei ? Porque existe transmissões online. Porque em 2011, no 30ano de aparição, tinha seis amigos lá (três senhoras: Luzia Sena, Ana Inhamuns e Maria Cristina Roessing, uma jovem e dois adolescentes, os quais me
Missa campal atrás da igreja de são Tiago
disseram isso pelo telefone).
Na realidade, Maria apareceu pela primeira vez em 24 de junho de 1981 para seis crianças, mas como elas correram com medo, e somente falaram com ela no dia seguinte, a data oficial do primeiro encontro mudou-se para o dia seguinte, 25 de junho.

Eu já estive a oportunidade de ir até lá duas vezes: uma em abril de 1997 (junto com 8 pessoas daqui de Manaus - todos da família Sena), durante a Semana Santa; outra em outubro de 1998 (com 10 manauras). Em 2005 tentei ir com a minha mãe, mas na ocasião a Bósnia estava exigindo visto de entrada, o que não ocorreu nas vezes anteriores. Fomos barrados em Roma pela embaixada da Bósnia, que exigia que brasileiros tirassem o visto em Buenos Aires. Felizmente, com a mudança de governo não é mais preciso ter visto para entrar na Bósnia e Herzegovina.
Para chegar lá é necessário ir até Roma, e depois pegar um avião para Split ou Dubrovnik,, na Croácia; ou Mostar, na Bósnia. Recentemente vi que há voos de São Paulo para Dubrovnik, a "Pérola do Adriático".
Depois de ver cristãos serem devorados por leões no Coliseu de Roma, nada dava mais prazer aos imperadores romanos do que tirar férias em Dubrovnik.
E possível chegar a Medjugorje via Zagreb, na Croácia, mas fica um pouco mais longe.
Chegamos a Medjugorje pegando um trem de Roma para Ancona, no mar Adriático, e de Ancona fazendo a atravessia de navio para Split. Essa passagem pode ser comprada sem sair de casa, via internet. De Split pode-se pegar um ônibus ou táxi para Medjugorje, ambos os meios de transportes têm preços razoáveis. Na realidade isso foi na segunda viagem. Na primeira, chegamos em Ancona, e só tinha navio para Split em dois dias; então no dia seguinte atravessamos para Zahar, na Croácia. Não aconselho a fazer isso porque a viagem por estrada é bem mais longa.
Para a Cróacia (Split), o visto nos foi concedido a bordo do navio que liga a Itália com aquele país. E quem vai de avião para Split, como recebe o visto ? Não sei responder. Quem voa para Mostar não é necessário visto.
Observe a quantidade de padres
Para os católicos e outros incrédulos, digo que se aquilo for invenção do diabo (Cristo advertiu sobre os falsos profetas), ele se converteu; porque já dura exatos 35 anos. E o que Nossa Senhora pede lá não é nada fácil de ser cumprido não: jejum todas às quartas e sextas-feiras, somente pão e água a partir das 18 horas, três horas diárias de oração, missa e adoração. Além da confissão regular dos pecados.
O pedido não foi aceito com facilidade por parte do pároco, que contestou alegando que assim a comunidade não faria mais nada na vida, como os trabalhos no campo, etc. Mas cumpriu. Todos os dias das 17 às 20 horas, a igreja e toda a sua área em volta ficam lotadas com gente de todas as nacionalidades do mundo. Mas desde das 6 horas da manhã, de hora em hora, são celebradas missas em línguas diferente até às 17 horas. E é sempre assim: uns 200 padres e mais de 80 bispos por missa. Por esse motivo lamento aqueles do clero que não acreditam ou pregam contra essas aparições. Não há registro de nada parecido na história da Igreja ou de qualquer outro santuário no mundo. Quando estive lá, como um grupo enorme de brasileiros demorou muito a agendar a nossa participação, tivemos nossas missas celebradas em uma capela. Não havia mais disponibilidade de horário para missa em português.
Você já viu, aqui em Manaus, como fica a igreja de Nossa Senhora Aparecida todas às terças-feiras, dia da novena de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro ? Umas vinte mil pessoas assistem às novenas. Imagine muito muito mais gente do que aquilo, todos os dias do ano, durante 35 anos. As aparições em Medjugorje aconteceram praticamente sete décadas depois das aparicões de Nossa Senhora do Rosário de Fátima. Na essência a mensagem é a mesma. Na realidade, são duas aparições muito parecidas: ambas pedem que rezemos pela paz. As mensagens nunca foram tão atuais. Uma é a Nossa Senhora do Rosário de Fátima, que nos fala do poder do rosário, a outra e a Nossa Senhora Rainha da Paz. Em Fátima o mundo estava em guerra. Deveríamos rezar pelo fim da guerra e pela conversão da Rússia; a outra veio depois de um período triste de guerra naquela região.
A propósito, o dia da festa anual de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é dia 27, segunda-feira. Foi nesse dia que Nossa Senhora se identificou como a Rainha da Paz, da mesma forma que um dia se apresentou com a " Imaculada Conceição".
"No quarto dia, após as aparições dos dias 25, 26 e 27 [de junho de 1981], já se reuniram no domingo, dia 28, aproximadamente quinze mil pessoas de Medjugorje e redondezas para acompanharem o fenômeno. E a partir dali o fluxo de peregrinos nunca mais parou de crescer" .

Os Videntes
Lá em Medjugorje, Maria se auto-denominou Rainha da Paz, e tem encontros diários, há trinta e cinco anos com três videntes. No início eram seis videntes. Aos outros três ela já parou de aparecer diariamente. Aparece somente em datas conhecidas e definidas por ela.
Ivanka Ivankovic, tinha 15 anos, "A primeira a ver a Virgem no monte Podbrdo em 24 de junho...", teve aparições diárias até 7 de maio de 1985, quando lhe foi revelado o décimo segredo. A partir de então passou a ver Nossa Senhora uma vez por ano no aniversário das aparições em 25 de junho." 
Subida do  Podbrdo
Mirjana Dragicevic, 16 anos, foi a segunda vidente a ver Nossa Senhora. Teve aparições diárias até no natal de 1982. "Exatamente 18 meses após o início das aparições, no Natal de 1982, Mirjana, numa aparição que durou 45 minutos, foi a primeira vidente a receber o décimo segredo e a deixar de ter aparições diárias". Nossa Senhora lhe aparece todo dia 2 de cada mês, quando recebe uma mensagem que deve ser divulgada ao mundo".
Vicka Ivankovic, 16 anos, é uma das duas videntes que continua recebendo aparições diárias. Conhece nove dos dez segredos. Nossa Senhora pede que reze especialmente pelos doentes.
Ivan Dragicevic, 15 anos, "O foco de sua missão, a pedido de Nossa Senhora, é a oração pelos jovens e pelos sacerdotes". Ainda recebe as aparições diárias, e conhece nove dos dez segredos.
Marija Pavlovic, 15 anos, Ainda tem as aparições diárias. Nossa Senhora lhe confia mensagens para a paróquia e para o mundo. "Desde 1 de março de 1984 a Virgem lhe confia mensagens para a paróquia e para o mundo. Inicialmente eram dadas todas as quintas-feiras, mas a partir de 25 de janeiro de 1987 as mensagens passaram a ser mensais (mensagens para o mundo). A ela foram revelados nove segredos. Marija, a pedido de Nossa Senhora, reza por todas almas que padecem no purgatório".
Marija já esteve em Manaus. Estivemos como ela, em sua casa em Medjugorje (atualmente vive em Monza na Itália) no domingo de Páscoa de 1987. Foi uma retribuição,porque em Manaus hospedou-se na casa da Luzia Sena.
Jakov Colo, 9 anos. " É o mais jovens dos videntes e já há muitos anos tem a missão de recomendar os enfermos à Virgem e a orar por eles. No dia 11 de setembro de 1998, Nossa Senhora o avisou que no dia seguinte (12/09/98) ele teria a sua última aparição diária.  No dia 12 de setembro Nossa Senhora lhe confiou o décimo segredo e lhe disse que a partir desta data ele a veria no natal de cada ano. Foi muito difícil para Jakov aceitar que não veria mais Nossa Senhora diariamente. Por meses ele se perguntou como teria forças para viver. E pela oração ele chegou a aceitar e, então, disse que compreendeu que ele era como qualquer um de nós que não vê Nossa Senhora. Com Vicka, ele foi levado pela Virgem Maria ao Paraíso, ao Purgatório e ao Inferno".
No início das aparições, ainda criança, Jakov, chegou a perguntar de Nossa Senhora se o time dele seria campeão naquele ano.

Mensagens
Nesses encontros diários de alguns minutos apenas, ela sempre manda uma mensagem, mas é no dia 25 de cada mês, que ela envia suas mensagens para todo o mundo.
Lá também, como em Fátima, Nossa Senhora revelou alguns acontecimentos futuros da humanidade, e entregou aos videntes 10 segredos.
Aí você vai dizer lá vem essa história de segredo de novo ? Sim e não. Agora há uma diferença muito grande, o que torna as aparições de Medjugorje completamente únicas. Os segredos serão anunciados três dias antes deles acontecerem. Os videntes informarão para um padre já escolhido, que divulgará ao mundo o segredo. Tem outro fato completamente novo: um dos segredos, um milagre ("Feito ou ocorrência extraordinária, não explicável pelas leis da natureza. Acontecimento admirável, espantoso.") ficará lá de forma permanente e constante. Será, como diz a própria definição de milagre, algo inexplicável, impossível de ter acontecido. Sobre isso Nossa Senhora diz: “Sabe qual é o mais triste dessa história ? Mesmo vendo aquilo, vai ter quem não acredite e não mude de vida. E esses sofreram muito com as coisas que se seguiram aos segredos".
Os 10 segredos ocorreram "no período da vida de vocês (dos videntes)". Portanto, mesmo que eles vivam muito (mais uns 30 anos no máximo), os acontecimentos não estão muito longe de se realizarem.

A História
Se eu for contar sobre os videntes: nomes, idades, suas vidas, encontros com Nossa Senhora, como foram perseguidos por um governo comunista, a recusa da Igreja, um bispo do local que morreu sem acreditar, as perseguições, os testes, psicológicos e com instrumentos elétricos, que foram submetidos, os milhares de milagres comprovados,  o sol que no formato de hóstia, que você olha para ele e a vista não dói (esse eu vi), etc. esse texto vai ficar muito longo. Para aqueles que desejarem saber mais, podem consultar os seguintes sites:
Vídeo no You Tube

Tenham todos um dia. E que Nossa Senhora Rainha da Paz interceda por nós.

Cláudio Nogueira


PS1 - Todas as fotos acima foram tiradas em Medjugorje.
PS2. Em Medjugorje tem uma montanha, o Podbrdo, cheia de pedras que os peregrinos sobem com dificuldades, fazendo pedidos. Em 1998, fiz uma brincadeira com uma amiga minha, a “beata” Maria Lúcia. Disse a ela que se ela subisse aquelas pedras todas, descalça, eu que já tinha 39 anos, sairia por milagre do meu celibato voluntário (há quem chamava-o de encalhamento). Voltei para o Brasil dia 20 de outubro de 1998, dia 24 conheci minha esposa pelo telefone; dia 25 de dezembro nos conhecemos pessoalmente; dia 26 começamos a namorar; dia 4 de abril, na Páscoa, ficamos noivos, e dia 26 de junho de 1999 (dia que a igreja estava disponível- um dia depois da festa de Nossa Senhora Rainha da Paz), exatos seis meses depois de nos conhecemos, nos casamos.