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terça-feira, 2 de novembro de 2010

O Amazonas e a eleição da Dilma

O Amazonas foi o estado que, em termos percentuais, contribuiu com mais votos para a eleição de Dilma Roussef. Contribuiu muito bem, mas isso é relativo. Isto é, só ganho percentual não é suficiente para ganhar eleição. No Amazonas Dilma teve 80,57% dos votos válidos, contribuindo de forma líquida com a candidata petista com 866.274 votos; e o Rio de Janeiro obteve 60,48% dos votos válidos para Dilma, ou seja, 20% a menos, mas a sua contribuição líquida foi de 1.710.186 votos, quase o dobro. Não estou dizendo que o Amazonas não cooperou muito com a petista, nada disso. Estou dizendo que ganho percentual não é tudo. Vejamos o caso de Mato Grosso do Sul, onde Serra liderou recebendo 55,13% dos votos válidos. Sabe quanto isso representou de votos a mais do que os obtidos pela Dilma ? 127.022 votos.
A imprensa divulgou que Dilma ganhou nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste; Serra no Sul e Centro Oeste. Mas preste atenção nisso: no Nordeste Dilma teve mais de 10 milhões de votos a mais do que teve José Serra. E este teve somente 128.995 votos a mais que Dilma no Centro Oeste.
Excetuando-se os votos vindos do exterior; Serra, em 11 estados, teve 3.543.278 votos a mais que Dilma. E ela teve nos outros 15 estados + o DF 15.402.871 votos a mais que Serra.
À propósito, a cidade que mais contribuiu, percentualmente, para vitoria de Dilma foi Calumbi, Pernambuco, onde Dilma obteve 96,51% dos votos válidos. Serra teve seu maior percentual em Porto Acre, com 80,33%.
Ganha uma passagem a pé para Itacoatiara, com direito a acompanhante, quem disser, quais foram as cidades que Dilma e Serra tiveram os menores índices percentuais. Promoção válida até meia noite de hoje.
Enquanto isso em Calumbi:
"Os fogos de artifício já estavam prontos e os veículos das lideranças políticas posicionados no Centro da cidade para uma carreata de comemoração. Às 17h30 do domingo, pulos e gritos de euforia explodiram. 'É Calumbi, de novo', diziam os moradores. Pela segunda vez, Calumbi - município pernambucano no Sertão do Pajeú, a 360 quilômetro do Recife - deu a maior votação proporcional a presidenta eleita Dilma Rousseff (PT). 96,5% dos votos válidos, o equivalente a 4.142 pessoas contra 150 de José Serra, do PSDB (3,4%). Já havia conquistado esse mesmo feito no primeiro turno da eleição presidencial (94.8%) e almejava mais." escreveu o Diário de Pernambuco (http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/11/02/politica2_1.asp).
Na verdade, Calumbi perdeu para Havana, Cuba. Lá Dilma teve 97,64% ou 248 votos. Seis eleitores votaram em Serra.
Dilma Rousseff ganhou em todos os municípios de Pernambuco, Maranhão, Amazonas e Amapá. No Ceará, somente Viçosa do Ceará deu vitória ao tucano José Serra, onde teve 51,36% dos votos válidos.
Isso não caiu do céu. Em Pernambuco, o neto de Miguel Arraes, Eduardo Campos (PSB) arrebentou nas urnas, reelegendo-se no primeiro turno com 82,84% dos votos válidos, derrotando Jarbas Vasconcelos, ex-prefeito, ex-governador - que ano passado fez severas críticas as irregularidades de seu próprio partido - e membro da ala do PMDB que não apoiou Dilma. O resultado das urnas também aposentaram Marco Maciel, que perdeu a reeleição para o Senado.
No Ceará Dilma contou com o apoio de Cid Gomes, também do PSB, governador candidato a reeleição, cujo coordenador da campanha foi seu irmão, Ciro Gomes. Venceram com 61,27% dos votos válidos. Lula deverá dá-lhes um agrado por terem desempregado Tasso Jereitassi.
Estados que mais contribuiram percentualmente com Dilma Rousseff:
1 -Amazonas = 80,57%
2 -Maranhão = 79,09%
3 -Ceará = 77,35%
4 -Pernambuco = 75,65%
5- Bahia = 70,85%
6- Piauí = 69,98%
Estados que mais contribuiram com votos líquidos para a vitória de Dilma Rousseff:
1- Bahia = 2.788.495
2- Pernambuco = 2.344.718
3- Ceará = 2.325.841
4- Minas Gerais = 1.797.831
5- Rio de Janeiro = 1.710.186
6- Maranhão = 1.687.697
7- Amazonas = 866.274
Pernambuco e Ceará preparam a fatura para entregar a Dilma. O Maranhão já teve sua recompensa, o PT nacional peitou o PT local e apoiou Roseana Sarney que foi reeleita; na Bahia, o governador reeleito, Jacques Wagner é do PT. O Rio de Janeiro, como no Maranhão, o governador é do PMDB, portanto, já faz parte do governo. E o Amazonas ? De quem é o mérito desses votos todos ? Quem vai cobrar essa fatura? Em 2002, Serra contra Lula, o tucano teve votos 311.175; oitos anos depois Serra contra Dilma, os votos dele encolheram para 275.333. Há oitos anos nós não sabíamos como o governo Lula trataria o Amazonas, agora já sabemos.
Acabou-se o tempo em que quem ganhava em São Paulo, ganhava no Brasil. O Estado deu uma vantagem de 1.846.036 votos a Serra. Minas Gerais praticamente anulou isso. O segundo colocando no ranking de Serra foi o Paraná com uma vantagem de 633.130. Lá o governador eleito, Beto Richa (PSDB) - que entrou na justiça e ganhou, para que as pesquisas de intenção de voto não fossem divulgadas na impressa - prometeu um milhão de votos de diferença pró-Serra, mas não cumpriu o prometido.
Retirando São Paulo, a soma dos outros dez estados em que Serra ganhou somam 1.697.242 votos. O Maranhão sozinho tirou essa diferença. E depois os PSDBistas querem colocar a culpa no Aécio. Como disse Zé Dirceu ontem a noite no programa "Roda Viva": "Agora é crise no partido porque eles estão praticamente empurrando o Aécio Neves para fora do partido. E quem autoriza isso está querendo que ele saia." Ele sai num dia, noutro o Lula marca um encontro com ele. Não creio que Lula o convide para o PT, mas vai querer "ajudá-lo" a decidir para qual partido deva ir. Não acredito que saia. Se sair leva a metade do PSDB e Minas inteira junto. Esperemos acalmarem-se os ânimos.
Com a vitória de Dilma abre-se um novo posto de trabalho para as mulheres no Brasil. Mas em outros paises da América Latina isso não é novidade. Dilma Roussef será a 11ª mulher a ocupar o esse cargo. Oitos foram eleitas: Isabel Péron, Argentina (1974-1976); Lídia Tejada, Bolivia (1979-1980);Violeta Chamorro, Nicaragua (1990-1997);Rosalia Arteaga, Equador (1997);Mireya Moscoso,Panamá(1999-2004); Michelle Bachelet, Chile (2006-2010); Cristina Fernández, Argentina (desde 2007); Laura Chinchilla,Costa Rica (2010). Janet Jagan da Guiana (1997-1999) e Ertha Pascal-Trouillot do Haiti (1991) não chegaram ao poder pelo voto direto.

Resultado da Eleição Presidencial de Domingo II

No post "Resultado da Eleição Presidencial de Domingo" de 29.10.10 considerando a pesquisa Datafolha que previa que Dilma teria 56% dos votos válidos e Serra 44%, eu escrevi que nesse caso Dilma teria 56.890.485 votos e Serra teria 44.699.667 votos, fazendo uma diferença entre eles de 12.190.818 votos. A diferença de domingo foi 12.041.141 votos. Não estou tão mal assim.
Os institutos de pesquisa dizem as margens percentuais, mas não o valor absoluto, porque ninguém sabe quanto será a abstenção, os votos brancos, os votos nulos e para onde vão os votos dos indecisos, que segundo a pesquisa era 4%.




Os resultados reais e minhas previsões:

Dilma votos obtidos = 55.752.529
Dilma votos previstos = 56.890.485

Serra votos obtidos = 43.711.388
Serra votos previstos = 44.699.667

Diferença real = 12.041.141 votos
Diferença prevista = 12.190.818 votos

Erro absoluto = 149.677 votos
Erro percentual = 0,14%

sábado, 30 de outubro de 2010

Eleição 2010: A Globo mente novamente

A Globo está desesperada, assim como a revista Veja, e um bocado de gente que conheço com a possível derrota de Serra. A Veja fez uma reportagem previnindo-nos que o Lula pode ser um ditador disfarçado, que gosta de imitar o Fidel. Escrevi um comentário, mas eles não postaram. Agradeci a revista pela matéria e pelo serviço que prestava advertindo-nos do perigo que estávamos passando. Essa matéria era para ser publicada antes. Se ele tivesse se tornado um ditador de fato, ela teria um pouco de culpa por não nos ter advertido há mais tempo.
A outra desesperada é a Rede Globo. Depois daquela "coisa" atirada sobre Serra, que nem os computadores da NASA foram capaz de identificar o que era exatamente, ela bem que ainda tentou ajudar o tucano. Hoje, 30.10.2010, presenciei uma coisa imediata. Primeiro estranhei o fato de que as margens de erros das pesquisas divulgadas para governadores no JN, nos estados que terão segundo turno, serem de +/-3%. Depois a pesquisa Ibope para presidente tinha uma margem de erro de +/- 4%. Eu nunca vi isso em toda a minha vida. Primeiro, porque são empresas que fazem pesquisa há muito tempo. Se você contratar uma empresa para fazer pesquisa de uma coisa tão importante e ela te der um resultado com a margem de erro de +/-4%, não aceite, procure outra, ela não presta. Até parece uma empresa caboquinha de pesquisa que conhecemos.
Mas meu desconfiômetro não parou aí, fui na página do Jornal Nacional no site g1.com: http://g1.globo.com/especiais/eleicoes-2010/noticia/2010/10/dilma-tem-56-dos-votos-validos-e-serra-44-mostra-o-ibope.html e lá a margem de erro diminuiu para +/- 2%. Nesse mato tem coelho.
Antes que alguém diga que me enganei quanto a margem divulgada no JN, quem assistiu-o pode comprovar. E no momento da divulgação estava ao celular conversando com um irmão que também assistia o jornal, e comentávamos essa margem tão dilatada. Obviamente, é mentira. Como li hoje em vários sites de notícias, os tucanos agora querem ver se conseguem diminuir o prejuízo. Teríamos como saber se a diferença vai aumentar. Bastava mostrar o movimento das estradas de São Paulo rumo ao litoral. Se ela for intensa, o Serra não vai conseguir diminuir nada.
Mas por que a Globo faria isso ? Obviamente para não informar a diferença maior entre os candidatos, que deve ser a realidade, posto que a Dilma está subindo. Desta forma quando for divulgado o resultado das urnas; e se ele for mais dilatado, ela poderá dizer que acertou porque estava dentro da margem.
Havia um senhor, há muitos anos atrás, no Paraná da Eva, AM, que era consultado pela mulheres grávidas para saber qual seria o sexo da criança. Quando perguntado, ele nem pestanejava e respondia: "Menino." E completava: "Vou anotar aqui na minha caderneta o sexo do bebê." E anotava menina. Quando errava e a mãe voltava para tomar satisfação, ele dizia: "Vamos consultar as minhas anotações. Taqui. Tá escrito menina, você é que entendeu errado."
Assim a Globo e Ibope estão fazendo. Uma margem de erro de 4% para mais ou para menos dá um intervalo possível de 8%. Assim companheiro, até eu. Obviamente, uma margem tão grande tem treta, e o Ibope preferiu ver sua credibilidade abalada a ter de admitir a verdade.
Já disse isso em outro post, mas vou repetir agora. Na segunda-feira (já vi isso antes) na maior cara de pau William Bonner ou Fátima Bernardes vai dizer, para as pesquisas "erradas" para governador, que o eleitor mudou de voto no dia da eleição. Acredite quem quiser. Eles já sabiam o resultado, mas tentaram mudá-lo.
Bom! Vamos esperar até amanhã a noite, para a Globo anunciar o resultado verdadeiro, e que teremos a primeira mulher presidente do Brasil. Gostando ou não.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Resultado da Eleição Presidencial de Domingo

No primeiro turno desta eleição votaram 111.193.747 eleitores, e se abstiveram de votar mais de 24 milhões. Em São Paulo, muito perto de 5 milhões de pessoas faltaram a votação; em Minas foram 2.675.492. Totalizando 7.674.948 abstenções em dois estados de governos PSDBistas. No Café ganhou o Serra, e no Leite, mesmo com Aécio, ganhou a Dilma. Alguém pode alegar que ela é mineira.
Dos mais de 111 milhões de votos, somente 101.590.153 foram válidos, os outros foram nulos ou brancos. A distribuição dos votos válidos entre os três primeiros colocados ficou assim:
Dilma Roussef 47.651. 434 (46,91%)
José Serra 33.132.283 (32,61%)
Marina Silva 19.636.359 (19,33%)
Com uma diferença entre Dilma e Serra de 14.519.151 votos.
A abstenção nesse domingo, 31 de outubro de 2010, deverá ser maior; primeiro pelo número de candidatos envolvidos. No primeiro turno eram milhares de candidatos; segundo tem um feriado na terça-feira.
As últimas pesquisas divulgadas - ontem a do Ibope no JN, e a de hoje do Datafolha - apontam para a vitória de Dilma Roussef.
Segundo o Ibope, Dilma terá 57% dos votos válidos, restando, obviamente, 43% para Serra. E o Datafolha prevê uma vitória de Dilma com 56% contra 44% do Serra.
Se todos que votaram no primeiro turno comparecerem para votar novamente, o que acho muito difícil, o resultado, considerando a pesquisa do Ibope, será o seguinte:
Dilma Roussef terá 57.906.387 votos e;
José Serra obterá 43.683.765 votos,
totalizando uma diferença entre eles de 14.222.621 votos.
O que pode acontecer é que mesmo que o número de abstenções aumente, a diferença entre os candidatos continue por volta de 14 milhões (considerando que o número de abstenções aumentem igualmente nos dois lados).
Como a Dilma tem mais votos nas classes C e D, a diferença poderá aumentar em favor dela; já que um número maior de eleitores das classes A e B se deslocam no feriado.
Só para ser redundante, vou fazer umas continhas aqui:
Dilma = segundo turno - primeiro = 10.254.953
Serra = segundo turno - primeiro = 10.551.482
A soma disso é 20.806.435 (votos de quem não votou nos dois no primeiro turno). Marina Silva teve 19.636.359. O que sobra é igual a 1.170.076, que é a soma dos votos obtidos pelos candidatos nanicos.
Então a conclusão tirada desse resultado (e considerando a pesquisa Ibope) é que os votos da Marina Silva ficaram divididos de forma que não ajudaram a nenhum candidato. Eles não influenciaram (influenciarão) no resultado da eleição. Ela queria neutralidade ? Conseguiu. Na realidade, por uma margem bem pequena, os votos de Marina foram mais para o Serra do que para a Dilma, se considerarmos que os votos de esquerda dos partidos nanicos se identificam mais com a Dilma do que com o Serra.
As primeiras pesquisas logo após o fim do primeiro turno, apontavam que a grande maioria dos votos de Marina iriam para o Serra. O Datafolha dizia que 51% dos que votaram em Marina no primeiro turno, no segundo turno votariam no Serra, e apenas 22% desses eleitores votariam na Dilma. Então, o que se percebe é que os outros 27%, que ainda não tinham decidido em quem votar, decidiram votar na Dilma. Surpreso ? A Marina Silva ficou 30 anos no PT.
Veja no post "A Candidata da Esquerda e o Candidato da Direta" como foi que Serra perdeu ou não conquistou esse votos.
E como ficaria o resultado considerando a pesquisa Datafolha:
56% Dilma, 44% Serra?
Dilma terá 56.890.485 de votos
Serra terá 44.699.667 de votos
Uma diferença de 12.190.818 a favor da Dilma.
Nesse caso Serra abocanhou uma fatia maior dos votos de Marina, mas uma diferença tão pouca, que não foi suficiente para ganhar de Dilma.
O nosso exercício de chutometria, além partir da premissa inicial absurda de que o número de votos válidos vai ser o mesmo nos dois turnos, tem o agravante de que não há pesquisa que possa prever para onde vão os votos dos indecisos, que em ambas as pesquisas somam 4% dos eleitores.
Vamos esperar para ver até domingo a noite, mas se ficarmos na média, Dilma Roussef vai ser a primeira mulher presidente do Brasil, com uns 13 milhões de votos a mais do que José Serra. Já estava na hora. A Argentina já teve três presidentes do sexo feminino, inclusive a atual; e o Chile uma.

domingo, 24 de outubro de 2010

Perpetuum Jazzile

Perpetuum Jazzile. O que é isso, latim? É o nome de um coral da Eslovênia que canta maravilhosamente bem. Fundado em 1983, originalmente como Gaudeamus Chamber Choir, cantam até em português. E cantam muito bem, quase perfeito, sem sotaque. Veja eles cantando "Aquarela do Brasil":

http://www.youtube.com/watch?v=jmttwEHdfB0

Ou " Que Mais Nada" :

http://www.youtube.com/watch?v=PbHtDJA_7Lg&feature=related

"Só Danço Samba":

http://www.youtube.com/watch?v=-nedMqnYa3c&feature=related

Vá lá e se delicie. Se não gostar, eu devolvo o dinheiro.

O site deles em inglês é:

http://perpetuumjazzile.si/en/

A candidata da esquerda e o candidato da direta

Nessa eleição presidencial tínhamos dois candidatos de esquerda, ou centro esquerda. Mas o Serra virou candidato da direita, por isso está perdendo votos, como mostram todas as pesquisas feitas pelos maiores institutos/televisões/jornais do Brasil.
Eu tenho mais de três centenas de amigos que não gostam de nenhum dos dois; uma centena deles gostaria de ver o deputado federal militar Bolsanaro como candidato à presidência, mas como não votam em branco, estão fazendo campanha para o Serra. Simplesmente porque odeiam a Dilma, ou odeiam o PT. Esse nicho de votos o Serra já tinha assegurado. Já era dele.
A grande maioria dos votos da Marina - dados por um eleitor mais esclarecido, como foi apontado pelas pesquisas - migraram para o Serra. Principal motivo: não querem ver mais o PT no poder. O representante deste eleitor verde é o deputado federal Fernando Gabeira, que foi deputado petista, saiu, voltou e saiu novamente. É o voto-magoado com o PT, porque o programa petista e a história de vida do sujeito está muito mais perto do PT do que do programa do PSDB.
Agora, o Serra cai nas pesquisas. Ele tentou abocanhar um market share do eleitorado que já era dele, e se afastou do eleitor de esquerda e de centro: "Na passagem para o segundo turno, a direita serrista trouxe seu arsenal tradicional. Aborto, criancinhas, Deus, terrorismo, ética na política…. Serra é do bem, todo o resto é do mal. Uma receita lacerdista completa." Com direito a santinho e tudo.
Os eleitores da Marina (a ex-petista) seguem Serra até um determinado ponto, a partir do qual entram em crise de consciência. Por isso votos de Marina começam a migrar para a Dilma.
Quando o PSDB escolheu o Índio da Costa do DEM, para ser vice de Serra, não foi somente porque o senador Álvaro Dias, que recusou o cargo, foi mais fiel ao irmão, candidato ao governo do Paraná pelo PDT, e apoiado pelo PT, do que ao partido. A escolha do silvícola foi também um afago a direita orfã. Pelo mesmo motivo foi que Lula escolheu José Alencar para ser seu vice: para acalmar a direita e dizer que tinha até empresário de "peso" lhe apoiando. Deu certo com Lula, mas os resultados desta eleição mostram que o grande perdedor foi o DEM. O partido ficou bastante encolhido; portanto, esse Índio não vai ajudar muito.
Em resumo, a direita já estava garantida, mas os marqueteiros de Serra empurram a campanha mais para a direita, assustando o eleitor de centro-esquerda, e até o eleitor onde-tem-pt-sou-contra.
Além do que o eleitor descobriu que Serra não é santo, apesar de não poder ver um culto ou missa em andamento que faz cara de madre Teresa e entra mesmo sem permissão, como aconteceu na festa de são Francisco no Ceará, onde levou uma mijada pública do padre. "Jereissatti, descontrolado, passou a gritar que o padre era um petista e tentou subir no altar."
E ele mente também. Também porque todo mundo mente, mas nós não somos candidato(a)s a nada, O Serra é. Assinou um termo se comprometendo a não deixar a prefeitura de São Paulo, para concorrer ao governo do Estado. Como diria Orlando Silva: "jurou, mas não cumpriu". Mas isso foi, para um santo, um pecado pequeno, venal. Agora, dizer que não conhecia o Paulo Preto; ser ameaçado pelo sujeito e voltar atrás; se foi um pecado grande eu não sei, mas o resultado está aí. O Paulo Preto é o Erenice do Serra. Muito pior. Dilma nunca disse que não conhecia a Erenice. E Paulo Preto está envolvido, do ponto de vista da Justiça Eleitoral, em pecado mortal, passivo da pena capital: Caixa 2. Dizem que o sujeito deu sumiço em apenas 4 milhões da campanha tucana. E a filha do Preto trabalhava no gabinete do tucano. Com essa Serra teve a santidade revogada.
Outras verdades vieram a tona: "O sigilo [bancário que até hoje ocupa grande espaço da mídia] não foi quebrado pela turma da Dilma, e sim por um repórter de O Estado de Minas, acionado porque o deputado [tucano] Marcelo Itagiba estaria levantando informações contra Aécio Neves." Colocaram a culpa na Dilma, mas era tucano espionando tucano. Aqui está o fac símile da declaração completa do jornalista Amaury Ribeiro Jr. à Polícia Federal: http://www.estadao.com.br/especiais/2010/10/documento_amaury.pdf
Agora é a bolinha de papel. A mise en scène foi forte demais. Virou motivo de gozação no Twitter. Só quem acreditou no rolo de fitas foram os marqueteiros do Serra, ele, a mulher dele, a Globo, o Molina e os que vão votar nele de qualquer jeito. Viram que a repercussão foi um tiro no pé, tanto que ontem não tocaram mais no assunto.
Essa é a última semana da campanha, e promete ser emocionante. Dilma está com 12% dos votos válidos na frente do Serra, mas vale lembrar que cada 1% de votos que Serra conquistar, a diferença entres eles diminui 2%. Então a luta de Serra é para crescer 6%, o que é difícil mas não impossível. É melhor não contar que essa eleição já está decidida. Afinal para que serve um bom escândalo!?

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Serra e o vídeo da Rede Globo

No programa eleitoral de hoje, Dilma não mais tocou no assunto de agressão ao Serra. E nem uma menção sequer por parte do JN, que começa antes e acaba depois. Serra tocou no assunto que parece ter sido esvaziado. Pode ser que eu esteja enganado - nas próximas pesquisas vamos conferir - mas parece que não vai surtir o efeito que os tucanos queriam. Amanhã vai aparecer como notícia requentada. Todavia, ainda hoje a revista Carta Capital, no seu site escreveu algo interessante, dizendo que o que foi apresentado pelo JN ontem é uma farsa desmascarada por José Antonio Meira da Rocha, professor de Jornalismo Gráfico da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM):

Serra e o vídeo da Rede Globo
22 de outubro de 2010 às 15:38h

Professor de jornalismo gráfico desmonta vídeo quadro a quadro e aponta truque de compressão de imagens

Por Antonio Martins*, originalmente publicado no site Outras Palavras

Urgente (22/10, 12h16): Desde o final da manha desta sexta (22/10), o site do professor José Antonio Meira da Rocha (http://meiradarocha.jor.br) foi bloqueado pela empresa que o hospeda — no que pode ser um caso grave de censura na internet. Em decorrência, as imagens que sustentavam a hipótese levantada por ele desapareceram, em dezenas de blogs que reproduziam suas informações.

O Jornal Nacional de ontem fez lembrar o envolvimento da Rede Globo na disputa presidencial que elegeu Fernando Collor, em 1989. Nada menos que 7 minutos foram dedicados à tentativa de demonstrar que José Serra fora atingido, na véspera, por um rolo de fita adesiva. Convocou-se Ricardo Molina, um “especialista” cujo currículo inclui a tentativa de acusar o MST pelo massacre de Eldorado de Carajás, de “assegurar” que PC Farias se suicidou e de questionar as provas sobre a responsabilidade da família Nardoni na morte da menina Isabela. Procurava-se frear a onda de indignação (e de deboche) que correu o país, quando se soube, horas antes, que a “agressão” sofrida na véspera pelo candidato do PSDB fora provocada por uma bolinha de papel. Não, tentou afirmar o Jornal Nacional: a tomografia a que se submeteu o candidato justificava-se. Ele havia sido atingido também por um rolo de fita adesiva…

Até mesmo esta versão está sendo contestada agora. José Antonio Meira da Rocha, professor de Jornalismo Gráfico da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), analisou as imagens do Jornal Nacional quadro a quadro e chegou às seguintes conclusões, publicadas em seu blog: a) o suposto rolo de fita crepe, ou durex, não aparece em nenhum dos quadros anteriores ou posteriores ao momento em que se “choca” com a cabeça de Serra. Teria surgido do nada; b) um truque elementar na manipulação de vídeos (um artifact de compressão) é suficiente para gerar imagem idêntica à exibida no Jornal Nacional.

A análise de Meira Rocha pode ser conferida abaixo. Adicionalmente, um post no blog de Luís Nassif mostra: o suposto “choque” da fita adesiva com a cabeça de Serra deu-se numa parte da cabeça totalmente distinta daquela em que, segundo seu médico, ele foi atingido…

Leia, a partir daqui, a análise do professor José Antonio Meira da Rocha:

http://www.cartacapital.com.br/destaques_carta_capital/serra-e-a-fita-crepe-questionada-autenticidade-de-video-da-globo