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quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Pedindo Votos

O Fernando Haddad queria o apoio do Fernando Henrique. Não sabe nada inocente. Como é que o FHC vai apoiar o PT se a única coisa que sobrou do PSDB foi o Dória? Esse vai ser o dono do partido e está apoiando o Bolsonaro.
O PSDB saiu das eleições nanico. Sem o governo de São Paulo, ele sai anão. O pior é que a velha guarda tem de engoli esse sapo. Não é a toa que o prefeito de Manaus, Arthur Neto, já pensa formar um novo partido. Pessoalmente, é bom para o FHC que o PSDB esteja no poder; pelo menos no seu estado. Isso abre muitas portas. Ele está viciado na mordomia que isso proporciona.
O Dória foi ao Rio para se encontrar com o Bolsonaro, logo depois do primeiro turno. Deu com os burros n’água. O encontro não ocorreu. Dória, com cara de leso, disse que o Bolsonaro estava indisposto naquela manhã. Mas, segundo a imprensa, não estava indisposto para receber a Regina Duarte.
E quem disse ao Dória que o Bolsonaro quer que ele ganhe? Ganhar pra quê? Pra concorrer contra ele em quatro anos? É claro que o Bolsonaro prefere o Márcio França. Parte do eleitorado que hoje vota no Bolsonaro, votava no PSDB.
Marina Silva resolveu apoiar o Haddad. Disse que é um apoio crítico. Falou e ficou por isso mesmo. Tchau e benção. Para que serve um apoio desse a essa altura do campeonato? Pra nada. Se realmente quisesse apoiar, subiria no palanque e faria campanha. Será que quem votou nela estava até agora indeciso ou vai mudar o voto por causa desse apoio crítico?
Quem inventou esse negócio de apoio crítico foi o Ciro Gomes. O coitado ficou numa sinuca de bico. Se o Haddad ganhar, corre o risco de ficar oito anos no poder. Se Haddad perder, o Ciro vai concorrer contra ele novamente em quatro anos.
Na realidade Fernando Haddad, se não repetir o Aécio Neves, está numa situação bem confortável. Se mesmo com essa onda antipetistas e muito fakenews vai ter mais de 50 milhões de votos; então, estará no páreo novamente daqui a quatro anos. 
Eu queria saber quem é o candidato de Deus nessas eleições. Tenho vários amigos que têm certeza em quem Deus votaria. Tenho uma amiga que vai a missa todos os dias e me disse que vai voltar no Bolsonaro porque ele vai acabar com corrupção. Aí perguntei como. “Vai torturar todos esses corruptos.” 
Outra, carola do araque, manda mil mensagens todos os dias dizendo que quem não votar no Bolsonaro vai ser excomungado. “Tá na Bíblia.” 
Ó Senhor ! Quanta blasfêmia é dita em teu nome. O pessoal do Google ainda não atualizou isso, porque quando escrevi no buscador: bolsonaro, excomunhão e bíblia, o que apareceu foi: "Bolsonaro diz que Bíblia prega armamento: O Globo". Deve estar escrito:"Armai-vos uns aos outros". Mas não há nada sobre excomunhão. 
Falando em armamento será que vai haver venda de armas pelo crediário? “Compre sua metralhadora agora e só comece a pagar depois do carnaval.” Será que as Casas Bahia, Bemol, Ponto Frio, Carrefour serão autorizadas a vender armas?

terça-feira, 9 de outubro de 2018

A Esquerda Acabou


Stephen Kanitz escreveu há alguns dias: “ A Esquerda Acabou. Saiba Por Quê.” Como se diz em inglês: Not so fast my friend. O PT elegeu a maior bancada da Câmara; e a esquerda vai ter um bom número de deputados. Embora o partido que mais tenha crescido a sua participação tenha sido o PSL. 
O que me admira é você queimar seu filme misturando desejo com realidade. A direita, representada pelo DEM, patinou muito, mas nunca acabou. Era Arena, mudou para PFL, depois para PDS e agora é DEM. Camaleou-se várias vezes para agradar o eleitor. Nem por isso morreu. Essa estória de que a esquerda ou a direita vão acabar é bobagem. Pode ser que isso aconteça no futuro, mas no momento, companheiro, está difícil.
Jornais e portais noticiaram ontem que o PSDB teve uma votação de partido nanico. Então, vou me apressar e dizer: o PSDB vai acabar. Nada disso.Vai rachar, mas vai superar essa fase. Mas no momento a situação está bastante complicada. Os caciques do partido estão de um lado e Dória do outro. O presidente do partido, Tasso Jereissati, sentido o quanto feio o seu candidato faria nessa eleição, antecipou-se e deu uma longa entrevista fazendo a mea culpa sobre a contribuição que deram para a situação política polarizada que nos encontramos. Com poucos votos Geraldo Alckmin já não pode falar grosso; José Serra, que um dia foi candidato a presidência, tomou chá de sumiço. Aécio fez campanha escondido. Teve míseros 106 mil votos para deputado federal. Foram 54 milhões para presidente há 4 anos.
Diante desse quadro, Dória, que ganhou o primeiro turno para o governo de São Paulo, e vai para o segundo contra o atual governador, sem consultar ou pedir autorização de ninguém, anunciou que era Bolsonaro desde criança. E agora Jereissati? E agora FHC? Que já disse ter medo do Bolsonaro, porque esse disse que um dia pensou em matá-lo.
Em ato contínuo, Dória expulsou do partido o ex-governador de São Paulo, Alberto Goldman: “Ex-governador de São Paulo e uma das principais lideranças históricas do PSDB, Alberto Goldman foi expulso do partido pelo diretório paulistano dos tucanos nesta segunda-feira (8) por ´infidelidade partidária`. O PSDB paulistano expulsa Goldman sobretudo por suas críticas ao candidato ao governo de São Paulo João Doria, que disputará o segundo turno contra Márcio França (PSB).” Publicou o Portal IG.
Segundo o Portal: “ Goldman, por sua vez, reagiu à altura. Em sua avaliação, "Não tem nenhum panaca nesse partido que tenha condição moral de pedir a minha expulsão". 
"Será que ele tem o AI-5 na mão e eu não sabia? Tem gente que está pensando que está na ditadura e que ele é o ditador", completou o ex-governador, ainda à Folha .”
É o Dória colocando as manguinhas de fora.

sábado, 23 de junho de 2018

Banho de Rio

Do livro  “Os Quinze do Beco
...
“Diz para o teu pai que a comida está pronta. Pergunta dele se eu posso servir ou ele vai tomar banho.” Todo domingo era a mesma coisa. Todo domingo tinha essa pergunta. Eu detestava ir perguntá-lo, pois já sabia a resposta. Estávamos morrendo de fome e a resposta era: “Diz pra ela que eu vou tomar banho.”
Por que é que ela não fazia essa pergunta um pouco antes de aprontar a comida? Eu sempre pensava nisso. Assim não teríamos de esperar mais quando a comida estivesse pronta.
Domingo era o único dia que sentávamos todos a mesa. Dia de semana isso era impossível. Além do papai trabalhar – apesar de vir almoçar em casa todos os dias – havia aqueles que estudavam à tarde. Nenhum menino podia senta-se a mesa sem camisa e ninguém podia se levantar sem receber a autorização. Só saímos da mesa quando o almoço era dado por encerrado pelo pai. Aí daquele que se levantasse sem ser autorizado. “Onde você pensa que vai seu moço?” Papai perguntava.
Ele tinha sempre de encerrar o almoço comendo algo doce. Se não tivesse uma sobremesa, ele dizia: “Me traz o açucareiro.” E comia uma colherinha de açúcar.
Domingo era assim: mamãe na cozinha e o papai no atelier de costura. Nome chique para o que chamávamos de quartinho. Um cubículo de menos de dez metros quadrado; onde tinha todo o material necessário para uma pequena alfaiataria: réguas enormes, retas e curvas; tesouras normais e gigantes; dedal, giz de alfaiate, para fazer marcas no tecido; agulhas e tubos de linhas de todas as cores, pequenos e grandes. Além da máquina de costura Necchi, que um dia foi manual, mas agora era elétrica, apesar de ser um modelo antigo. É claro que não faltava a mesa enorme que ocupava um terço do espaço.
Mas havia domingo que o papai não costurava; aí, nós: Geraldo, eu, Thomaz, Júnior e algumas vezes o Vicente, íamos tomar banho de rio.
O beco da Indústria deságua na rua Wilkes de Matos, bem na frente da Companhia de Eletricidade de Manaus (CEM), cujo prédio inicia-se na rua Alexandre Amorim e termina no rio Negro. No final da Wilkes de Matos, na frente da CEM ficava o Estaleiro do Plano Inclinado. A rua acabava no rio. E era por aí que entravamos no rio Negro. Lembro-me muito bem e com saudade das inúmeras vezes que tomamos banho ali. Tomar banho no rio Negro foi a opção encontrada de se refrescar em águas correntes, depois que os padres redentoristas venderam as Pedreiras, na época, um pequeno paraíso na Terra; hoje é o Parque do Mindu.
Nosso banho dominical era nas águas escuras e limpas do rio Negro. Papai de calção e com os peitos enormes de homem gordo. Nadava muito bem. Ficava parado,ereto, barriga para cima. Parecia uma tora de madeira flutuando. Nunca vi ninguém fazer isso. Ás vezes íamos para o porto das catraias que ligavam a Aparecida com o São Raimundo, no final da rua Dr. Aprígio, ao lado da serraria Hore, no igarapé do são Raimundo. A rua Dr. Aprígio é paralela a rua Wilkes de Matos, onde estava localizado a fábrica de cerveja Miranda Corrêa. Lá havia uma coisa interessante: uma mini-cachoeira, onde a CEM devolvia ao igarapé a água retirada do rio Negro. Era bom porque saia norma. Ficávamos lá até alguém vir avisar: “Papai, a mamãe mandou avisar que o almoço está pronto.”
Vou plagiar um pouco: belas tardes de domigos, quantas alegrias. Belos tempos. Belos dias.
Quanto saudade do meu velho.



Cláudio Nogueira

quarta-feira, 18 de abril de 2018

A Prisão de Aécio Neves

Um amigo muito querido me mandou a foto abaixo e disse: “Cláudio eu vou fazer chilli (comida mexicana feita com feijão + boi ralado + páprica picante e outros temperos) pra comemorar a prisão de mais um”. Eu disse: Tô dentro ! Vou levar a cerveja. 
Quando ele desligou eu fiquei pensando: o Aécio foi preso? Que legal !!!
Aí, de repente, eu me lembrei que li na revista Super Interessante, ano passado, que o Supremo só julga 6% dos processos. Nos 94% restante, ele espera prescrever ou julga depois de prescrito a pena. Assim é moleza. 
Quando ele desligou me lembrei que duas semanas atrás o senador José Serra foi condenado, mas não vai acontecer nada porque a pena está prescrita.Também me lembrei que há alguns anos o deputado federal,do Amazonas,Silas Câmara foi condenado por falsidade ideológica, mas não aconteceu nada porque a pena estava prescrita. Lembrei-me, também, que o ministro Moreira Franco foi condenado esse ano, mas não vai cumprir a pena por causa da idade. Vou ajudar a minha mãe a assaltar um banco.

A imagem pode conter: 3 pessoas, texto
“Ah! Mas tem o deputado Paulo Maluf que foi preso”. Ele é capaz de me dizer isso. Meu amigo você sabe quando o Maluf foi condenado ? Em mil novecentos e antigamente: em 1997, e só agora, o Fachin, que ainda é meio novato no Supremo, “apressou-se” e pediu a prisão do deputado.
Sei não. Pelo que acabei de ouvir no rádio, Maluf é muito esperto; é capaz de morrer para escapar da pena.
E o mensalão mineiro? O ex-governador mineiro Eduardo Azevedo foi condenado. Que beleza ! Demorou só um pouquinho. Só 11 anos para sair a sentença. “O tucano já havia sido condenado em primeira instância a 20 anos e 10 meses de prisão. Na decisão de ontem [22 de agosto de 2017], em segunda instância, os desembargadores Pedro Vergara e Adílson Lamounier decidiram por uma pena de 20 anos e um mês de reclusão”.
Peraí !!! Alguém disse 22 de agosto de 2017 e segunda instância? Então o ex-governador deve estar preso.Certo? Errado. 
Eu confesso que quando se trata de entender a Justiça brasileira,estou muito longe de ser um gavião; eu sou menos que um mosquito.Mas me lembro que um amigo uma vez me disse que a Constituição não permite a prisão de tucanos. Ou seria o Ibama ? Agora fiquei confuso.
Seja como for, vou ficar calado, porque não sou bobo; e vou comemorar comendo esse chilli com ele. O pobrezinho está tão feliz, e eu não sou um estraga prazer.

Cláudio Nogueira

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O General e a Democracia – Intervenção nunca mais.

Esse é daqueles textos que gosto de escrever para no futuro compará-lo como as suposições do passado.
Em entrevista recente disponível no YouTube, concedida ao SBT, o deputado e candidato a presidente, Jair Bolsonaro, disse que no seu governo o general Hamilton Mourão não será um subordinado, mas "estará ao seu lado para governar o Brasil."
Para quem gosta de especular  o que está por detrás das palavras – e eu gosto - aqui vai uma oportunidade. Vamos iniciar fazendo divagações.
Dentro da  Constituição ninguém manda mais ou igual ao presidente da República. Fora dela, dizem, umas primeiras damas mandam tanto quanto ou mais; Nancy Reagan era uma delas. 
Levanta a mão aí que viu aquelas fotos que mostram que Michelle Obama mandou o marido mudar de lugar porque  ele estava trocando figurinha com a primeira ministra da Dinamarca, Helle Thorning-Schmidt.
Aqui vai a primeira pergunta: Pra mode de quê o presidente vai dividir o seu poder com um subordinado? Nem a Dilma, que foi eleita com a ajuda do Lula dividiu. Assim que assumiu demitiu o Henrique Meirelles do Banco Central.
E qual seria o cargo desse subordinado ? Vice-presidente? Primeiro-ministro, como foi o Zé Dirceu ou ministro da Fazenda, igual ao Meirelles? A última opção está descartada. O futuro ministro da Fazenda já foi escolhido.
Num grupo de whatspps  há quem aposte que ele será o ministro da Defesa. E para que o presidente da República, chefe supremo das Forças Armadas, vai querer dividir o poder com um subalterno? Dependendo da resposta, isso pode ser preocupante.
Como será que ficou a cabeça do general ao ser citado por Bolsonaro? Ele ainda é a favor da intervenção militar, agora que pode chegar ao poder pela via democrática? Ou será que Bolsonaro fez isso para calá-lo?
“Ê meu irmão! Pare com isso! Eu tenho uma chance concreta de ser presidente, e você vem falar em intervenção ?” Deve ter pensado o Bolsonaro; que por sinal, na entrevista se saiu bem. Está caminhando para o “jair-paz-e-amor” tentando se afastar de figura do "antigo" boçalnaro? Daqui a pouco aparece apertando a mão do Jean Willis.
Ou o seu ato seria para salvar um amigo? No final do governo do general Figueiredo, o brigadeiro Octávio Moreira Lima quase foi preso, pelo fato de ter retirado a foto do presidente da parede e tê-la substituída pela foto de Santos Dumont, ao conceder uma entrevista a revista Veja. O então ministro da Aeronáutica, Délio Jardim de Matos, correu para falar com Tancredo Neves, presidente eleito, e disse-lhe: “ Se o senhor vai tornar o brigadeiro Octávio Lima ministro da Aeronáutica, faça o anúncio logo, por que o presidente vai mandar prendê-lo.”
O fala de Bolsonaro pode ter livrado o general de uma punição maior; poderá acalmá-lo ou torná-lo em algo desconhecido. Vamos esperar para ver. Seja como for ele não deverá fala mais em intervenção; principalmente, se está houver, não será ele o interventor.
A essa altura do torneio início, o general deve ser o maior defensor das eleições democráticas e diretas ano que vem.
E já que falamos em co-presidência e em Nancy Reagan, ela conta em seu livro My Turn que ao ganhar as primárias como candidato do partido Republicano na eleição de 1980, Reagan pensou escolher Gerald Ford, ex e único presidente americano a ser eleito indiretamente, para ser vice-presidente na sua chapa. Ao ser sondado sobre isso por um jornalista e perguntado se seria uma co-presidência, Gerald Ford afirmou que sim. Reagan quando soube escolheu o George Bush como seu vice.
O general Mourão está numa situação mais confortável, se perguntado pode dizer que sim. Aos poucos vamos ficando sabendo como será um possível governo de Bolsonaro. É pegar ou largar.

Cláudio Nogueira

PS1. Sobre a punição que o general Figueiredo queria dar no brigadeiro Octávio Lima, o link é esse:
http://www.arqanalagoa.ufscar.br/pdf/recortes/R02941.pdf

PS2. Entrevista para a SBT:  

https://www.youtube.com/watch?v=yvlkdW61DmQ&feature=youtu.be

PS3. Michelle Obama manda Barack Obama trocar de lugar.
https://noticias.uol.com.br/album/2013/12/11/internautas-sugerem-ciume-de-michelle-apos-selfie-de-obama.htm#fotoNav=1

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Trump e o Kim Jong-un

O mundo está conectado na TV para saber a que horas a guerra da Coreia do Norte contra os Estados Unidos vai começar. E como esse blogueiro de araque adora dar palpites, não vai perder essa oportunidade de comentar essa briga antes que ela comece de fato.

Quando acabou, em 1953, a guerra-não-acabada, que dividiu a Coreia em duas, uma comunista e outra capitalista, os Estados Unidos, com o pretexto de proteger a Coreia do Sul, chegaram a ter até 50 mil homens por aquelas bandas. 
Arrefecendo-se os ânimos com o fim da Guerra Fria, esse contingente diminuiu, mas continua lá. Mas o que o Uncle Sam queria mesmo era ficar o mais perto possível da União Soviética, o que lhe seria vantajoso no caso de uma guerra. 
Os soviéticos tentaram torna Cuba, devido à proximidade com os Estados Unidos, a Coreia do Sul deles. Mas todo mundo sabe o que aconteceu: Kennedy cercou a ilha, e os navios soviéticos voltaram para casa.
Como todo e qualquer ditador que explora o seu povo e vive na maior mordomia no poder, Kim II-Sung, avô de  Kim Jong-un, com medo de ser deposto e invadido pelo sul, e com a ajuda dos chineses começou a se armar. A Rússia tem culpa no cartório também. E muito.
China e Rússia não queriam de forma nenhuma que tropas americanas chegassem tão perto de suas fronteiras. E ainda não mudaram de ideia. A Coreia do Norte era barreira gigante e perfeita para impedir isso.
E ajudou o fato que os norte coreanos não esquecem que na guerra das Coreias: "Em apenas três anos de luta, os EUA realizaram bombardeios contínuos contra a Coreia do Norte, matando um quinto de sua população. O comandante das Forças Aliadas, o general americano Douglas MacArthur, sugeriu o uso de '30 a 50 bombas atômicas', o que, na época, foi muito drástico para o então presidente dos EUA, Harry S. Truman." 
Isso não dá para esquecer não. E mesmo com o fim da Guerra Fria, os Estados Unidos nunca deixaram de fazer maneuver em conjunto com as tropas da Coreia do Sul.
Conhecem o ditado que ensina que não se deve ameaçar demais um covarde, de forma que o medo seja tanto, que ele vire corajoso?
Assim com ajuda financeira e tecnológica dos chineses e, segundo as boas línguas, como o maior fabricante de dólares falsos do mundo, distribuídos via cassinos de Macau, os nortes coreanos foram se armando. E com medo da reação chinesa, os americanos nada fizeram. Só ameaçavam com boicotes econômicos.
Tiveram tempos mais amenos. Nos anos 90 estima-se que cerca de 300 mil norte coreanos morreram vítimas de uma fome devastadora. Houve até ajuda humanitária coordenada  pela ONU. Ao invés de produzirem pão, estavam usando o dinheiro para produzir canhão. E isso se repete hoje. A ONG internacional “Ação contra a Fome” ajuda a Coreia do Norte com mais de dois bilhões de euros. É tudo que o Kim Jong-un quer. Sobrar mais dinheiro para construir bombas.
A guerra fria acabou. Os chineses viraram capitalistas, com uma ditadura de partido único; se tornaram o maior comprador de títulos do tesouro americano. Hoje a dívida americana com a China passa de 1 trilhão de dólares. Já foi maior: em 2013 era US$ 1,3 trilhão. Se fosse considerado Hong Kong esse valor subiria para US$ 1,44 trilhão. Quem é doido de querer briga com alguém que lhe deve tanto?
Todos se tornaram amigos. Os Estados Unidos
diminuíram o contingente na Coreia do Sul (mas não a um nível desejado pela população). Não havia mais necessidade de invadir a Rússia. 
A Coreia do Norte ficou meio desorientada. Chineses, americanos e russos se tornarem amigos não estavam nos seus planos. O fim da guerra fria causou medo a ela. Os chineses não a defenderiam em caso de um ataque vindo do sul. O que ela fez: decidiu se armar mais ainda. Para atacar o sul e os Estados Unidos? Nada disso. Para intimidar possíveis agressores. 
Aí o Porquinho, que tem diarreia toda vez que pensar que pode perder o poder e até mesmo a vida, resolveu se armar até os dentes. 
Amigos meus disseram que os Estados Unidos ainda não invadiram a Coreia do Norte com medo da reação da China. O que poderia iniciar uma guerra nuclear.
Uma guerra nuclear entre a China e os Estados Unidos não sobraria absolutamente ninguém. Então vocês acham mesmo que a China defenderia a Coreia (o que ela ganharia com isso?), e perder a prosperidade econômica que está desfrutando nos últimos vinte anos?

Há alguns dias a Coreia do Norte explodiu uma bomba de hidrogênio. O Trump falou, falou, falou, escreveu, escreveu, escreveu no twitter dele, e não fez nada. 
Chamou o Obama de frouxo. Mas Kim Jong-un lança um míssil atrás do outro e o Trump não faz nada. Só tuíta e ameaça. Depois morde e assopra. Está perdido. 
O homem mais poderoso do mundo descobriu que tem maluco que brinca de ser mais poderoso do que ele. Trump está de mãos amarradas. Por quê? Explico já. Não age, só reage.
E por que isso? Porque ainda lhe resta um pouco de juízo. Kim Jong-un continua lançando bombas-foguetes não porque deseje a guerra - pois ele sabe que se houver uma ele será o principal alvo - mas justamente para persuadir os Estados Unidos a não atacá-lo. Mas será que isso vai dar certo? Até quando essa corda vai ser esticada? Esse menino não tem mãe para dar umas palmadas nele ?
Na época da guerra fria dizia-se que os Estados Unidos poderiam acabar quatro ou cinco vezes com a União Soviética, e que essa poderia acabar uma vez com os Estados Unidos. Aqui é a mesma coisa.
Os Estados Unidos estão numa sinuca de bico. Trump disse que responderia com "fogo e fúria." Até parece nome de filme. Mas primeiro precisa ser atacado. Nunca foram tão humilhados. 
Kim Jong-un explodiu uma bomba de hidrogênio e os Estados Unidos tiveram que pedir ajudar da ONU. Mas Mr. Trump, o senhor não é um tough guy, um cabra macho ? O frouxo não era o Obama?
O little bad boy coreano é maluco, mas não é burro, nem suicida. Não vai atirar a primeira pedra. Entrementes, vai curtindo o seu passatempo predileto: ameaçar os Estados Unidos e produzir bombas voadoras. Observem que todas as vezes que aparece perto de uma bomba, ele está rindo.
As bombas voadoras de Kim Jong-un não atingem os Estados Unidos. Eles estão muitos longe territorialmente. Levariam certo tempo para chegar ao território americano. Elas seriam interceptadas por navios americanos e/ou pelas bases militares americanas na Europa. Ou por outra coisa que não conhecemos e que nunca fui usada. Mas elas seriam interceptadas se fossem lançadas sobre o Japão? E sobre Seul?
Recebi um vídeo, e coloco-o aqui, de exercícios militares americanos perto da fronteira das Coreias. Um amigo foi à loucura. Disse que em trinta segundos os Estados Unidos acabariam com a Coreia do Norte. Como dizem os americanos: Just like that? It is easier said than done. No vernáculo: falar é fácil. Se isso fosse possível já teriam feito. Só se ele jogar uma bomba atômica matando milhares de civis, como fez em Hiroshima e Nagasaki.
Vejam o vídeo. Artilharia assim os norte coreanos também têm. Eles têm bomba atômica, por que não teriam tanques assim? Esse é o problema. É a resposta porque os americanos estão de mãos amarradas. Seul, a capital do sul fica apenas 60 km da fronteira. Mísseis lançados do norte chegariam em segundos, matando imediatamente milhões de pessoas. Os Estados Unidos reageriam, mas aí a Inês, suas amigas e várias outras mulheres, homens e crianças já estariam mortos. Ele venceria essa guerra, mas muita gente no sul morreria. Então, ele não pode esperar se atacado. Teria de atacar primeiro.
A situação está complicada. Kim Jong-un com medo de ser atacado vai continuar mostrando o seu poderio militar, e os Estados Unidos cada vez ficam mais desmoralizados. Só na retórica. 
Situação jamais vista no mundo: o rato encurralando o leão. Não.  Peraí. Isso lembra a guerilha na guerra do Vietnam. Onde isso vai acabar? 

Relatório da CIA disponível na internet, sobre a Coreia do Norte, diz que: “O estoque de capital industrial [leia-se máquinas industriais] é quase irreparável como resultado de anos de subinvestimento, falta de peças sobressalentes e falta de manutenção. O gasto militar em larga escala e o desenvolvimento de seu programa de mísseis balísticos e nuclear derrubaram os recursos necessários para o investimento e o consumo civil. As fábricas industriais estagnaram anos níveis de produção pré-1990. Os problemas frequentes nas colheitas relacionados com o clima agravaram a escassez crônica de alimentos causada por problemas sistêmicos em curso, incluindo a falta de terras aráveis, práticas agrícolas coletivas, má qualidade do solo, fertilização insuficiente e falhas persistentes de tratores e combustível.” É grana que Kim Jong-un quer.
Para mim uma solução sem a guerra, passa por uma pressão séria dos chineses (que compram mais de 76% das exportações norte coreanas. O resto é quase todo vendido para o Irã) sobre o monstrinho que eles criaram, ou por alguns bilhões de dólares dados a Kim Jong-un pelos americanos, com a garantia de que poderá ser ditador pela resto da vida. Aí ele vai pensar em discutir a redução do seu arsenal nuclear.
Em caso de guerra, e como uma possível vitória americana, unido as Coreias, quem não vai querer esse arsenal atômico por perto são os chineses e russos. E a presença militar americana na península não terá mais sentido. 
Seja como for Trump nunca mais vai chamar Obama de frouxo.
Rezemos todos pela paz.

Um bom feriado a todos.

Cláudio Nogueira




PS1. Em 2018, Trump e Kim Jong-un encontraram, apertaram as mãos, e por hora então em paz. Minha teoria estava certa. O mal menino da Coreia do Sul pegou um puxão de orelha da China, sem a qual ele não é absolutamente nada. Primeiro deve ter ouvido os gritos pelo telefone; depois pegou um trem e foi a Pequim pedir desculpas e pegar o puxão de orelha pessoalmente.
Trump a muito vinha pressionando os chineses a darem uma prensa no líder coreano. Funcionou. Os chineses são muito pragmáticos. Eles tinham tudo a perde com uma guerra na península coreana.

PS2. "A misteriosa chegada de trem norte-coreano a Pequim e os rumores sobre a primeira viagem de Kim Jong-un ao exterior."
 https://www.bbc.com/portuguese/internacional-43553355


terça-feira, 5 de setembro de 2017

Louisiana State University: 5 de setembro de 1987

Para Maria Fernanda, João Paulo, Pedro Henrique e Maria Rafaela.

Num post anterior intitulado “Georgia Institute of Technology: 23 de junho de 1986” (click nele que ele abre), narrei como foi a minha aventura de ir para os Estados Unidos, pela primeira vez, para aprender inglês. 
Deixei o emprego na Gradiente (fui obrigado, quem leu o texto sabe por quê) e fui embora. Quando voltei, fui trabalhar na VTA, uma pequena empresa que fazia os cabos elétricos para os aparelhos da Gradiente e as fitas de VHS com a marca Gradiente. 
Foi admitido como chefe de controle de qualidade e engenharia industrial, por indicação, do meu saudoso amigo e ex-chefe na Gradiente, Aldenir Alencar.

Agora aqui descrevo como foi essa segunda experiência, nove meses depois de voltar da primeira. Na realidade, só voltei porque o meu pai estava morrendo, e para juntar mais dinheiro.
Desta vez não fui mais para Georgia Institute of Technology, ou Georgia Tech,  pois encontrei uma escola com o mesmo preço, mas com sete horas de aula de inglês por dia. Isso significava que até um cara como eu teria condições de aprender inglês.
Fui para Baton Rouge. Fui para Louisiana State University (LSU), lar dos Tigers.

ELOP
  O diretor, Ricardo, duas funcionárias, dois Cláudios, Mila e Ana Cristina
Há trinta anos, em 5 de setembro de 1987, após participar da festa de casamento de um irmão, embarquei num voo do Lloyd Aero Boliviano (LAB) com destino a Miami. Lá chegando, repeti o que tinha feito no ano anterior: me dirigi à estação da Greyhound para pegar um ônibus para Baton Rouge; viagem que durou um dia.
O ônibus parava mais do que jegue de verdureiro no interior do nordeste. O bilhete de passagem não era uma única folha, mas várias. Em Tallahassee, ainda na Flórida, tive de descer do ônibus. Ele seguiria viagem para o norte, e o meu destino era na direção oeste. Isso aconteceu mais duas vezes.
Eu, Érica, Mila e Cláudio
O curso era de doze semanas, com um break  de uma, e iria até a primeira semana de dezembro.
Aqui a história do ano anterior se repete, mas com uma agradável diferença. Se em 1986 eu não tinha reserva de hotel, fui atrás de um para ficar, e somente depois fui à administração do curso de inglês. Em Baton Rouge, do terminal da Greyhound, fui direto para o prédio do ELOP, English Language and  Orientation Program, o departamento da LSU que administra o Intensive English Program.   
Tem um pequeno detalhe nessa minha chegada. Toda a primeira segunda-feira do mês de setembro é o Dia do Trabalho nos Estados Unidos. É o primeiro de maio deles. A universidade estava fechada. Mas por muita sorte tinha uma alma viva, creio que de plantão. Identifiquei-me como aluno do curso; descobri que era feriado. Disse que não tinha para onde ir. A moça fez uma ligação, falou com o diretor e me alojou num apartamento da universidade. E poderia ficar lá por três dias free of charge até me mudar para um
Brasileiros no ELOP 
dormitório dentro do campus – para o qual eu já tinha reserva - na quinta-feira dia 10. Essa hospedagem, de certa forma, foi paga um mês depois. 
Estudavam no curso uns dez brasileiros (e uns trezentos salvadorenhos - depois explico isso melhor). 
Logo depois houve no Rio de Janeiro uma exposição de cursos de inglês nos Estados Unidos. O diretor (que estou fazendo de tudo para me lembrar do nome dele)  foi para essa exposição e nos pediu para gravarmos, cada um, uma mensagem sobre o curso. Ele era uma pessoa muito simpática e, talvez porque sua secretária era brasileira, tinha certa ligação conosco. Nos convidou para almoçarmos juntos uma vez, quando foi tirada a foto acima.
Ele foi ao Rio de Janeiro divulgar o Intensive English Program da LSU. Quando voltou, me disse que foi ao Maracanã  e sentiu medo quando ouviu as torcidas gritando. 
Amigos de El Salvador e do Japão
E disse-me que um amigo padre o levou para visitar uma favela. Lá, compreendeu porque as ideias de esquerda eram bem recebidas na América Latina.
E sobre os salvadorenhos que entraram nesse texto como Pilatos no credo? 
Tinha uma quantidade enorme de estudantes de El Salvador. Marta, uma colega de classe, me disse que havia um acordo do governo deles com a universidade. O fato de se ouvir muita gente falando espanhol pelos corredores deixava o diretor muito preocupado. Eu aproveitei para melhorar o meu. Como na Georgia Tech, ali também, pagava-se por um idioma e aprendia-se dois.

LSU

Embora em grande parte dos Estados Unidos LSU seja pronunciado “élé si iu”, na  Louisiana eles dizem: “é lé shi iu”. Foi a primeira coisa que me chamou a atenção. 
LSU, com a sua famosa torre e um gramado espetacular na frente dela, está localizada na cidade de Baton Rouge, nas margens do rio Mississippi, uma pequena cidade universitária, capital do Estado da Louisiana. Um local muito tranquilo para se viver, uma universidade muito bonita para se estudar. Com um adicional muito importante: fica perto de Nova Orleans, que na época era uma das cidades mais animadas/visitadas dos Estados Unidos. É famosa por ser o berço do jazz, por suas ruas alegres, cheias de turistas - como a Bourbon Street, no famoso French Quarter - com sua arquitetura francesa, e pelo seu carnaval, chamado de Mardi Gras. Que nada mais é do que “terça-feira gorda” em francês.
Nova Orleans
New Orleans com os seus bondes, que inspiraram Tennessee Williams a escrever "Um Bonde Chamado Desejo".
Então o local era perfeito. Os dias de semana em Baton Rouge para estudar, e New Orleans no fim de semana para se divertir.
Em 1989, estive lá com irmãos e, novamente, no Ano Novo de 1990, com outros irmãos, cunhados e minha mãe.  
Nova Orleans era uma festa a céu aberto. Infelizmente, quando estivemos lá, em 2014, já não era mais assim. A cidade parece ter sofrido muito com o furacão Katrina, que a inundou em parte em 2005. Aquele glamour e magia nas ruas já não existiam mais.
A vida em Baton Rouge se resumia ao campus universitário. Para mim era mais do que suficiente. Tinha tudo: lojas, igrejas de todas as denominações, ampla estrutura para se praticar esportes, o estádio para o campeonato de futebol americano, com capacidade para mais de 100 mil pessoas, e o ginásio para as partidas de basquete. O soccer, no final da tarde, com sol até às 20 horas, era perfeito.
O campus tinha mais de cinco mil alunos que moravam nele. Tinha vida própria. Havia ônibus circulando somente dentro do campus. O interessante mesmo eram algumas paradas. Havia aquelas que tinham a maior quantidade de loiras por metro quadrado do mundo. Eu não tinha nenhuma pressa para pegar o ônibus. Um brasileiro uma vez me disse: “Nunca vi tantas Xuxas juntas.”
Tigers cheerleaders
A vida no campus era uma festa. Como a maioria das universidades americanas, LSU tinha o seu time de futebol e de basquete: os Tigers. Tinha até um tigre de verdade como mascote. Eu adorava assistir aos jogos de basquete. Sentia-me como se tivesse entrado em um filme.

Começar de Novo

Eis que chegou o dia de se registrar no programa e entrar no dormitório. Mas na hora da matrícula encontro uns cinco ou seis jovens do Ceará; uns dez anos mais jovens que eu; mais uma senhora, Ana Teófilo, que era mãe de um deles, Cláudio Teófilo, e que também seria aluna do programa. Todos estariam acomodados em um complexo de apartamentos, administrado por uma cearense casada com um americano de ascendência chinesa.
Nem fui me registrar no dormitório; fui morar onde eles moravam, dividindo um apartamento com um dos jovens, Lucas, o que tornava o aluguel ainda mais barato. Mas nosso convívio durou pouco mais de um mês. A diferença de idade e ideias pesaram; e um dia, por pura falta de comunicação - " Quem fechou a porta e deixou o outro de fora ?" - nos desentendemos, e ele foi morar em outro apartamento. Mas isso não nos impediu de nós termos uma convivência saudável. 
Ana, a esposa do senhorio, se esforçava para agradar. Se satisfeitos, os cearenses ajudariam a trazer futuros hóspedes.  Lembro-me dela e do marido fazendo um barbecue de frango na beira da piscina, que ficava no centro do complexo de apartamentos, e de nos levar para um festival em Lafayette, cidade distante pouco mais de uma hora de Baton Rouge.

Cajun

O Festival International de Louisane em Lafayette 
José Rubens e Ana Cristina à esquerda
é hoje o maior festival internacional de música dos Estados Unidos. Em 1987 era a sua segunda edição. São cinco dias de festa no centro de Lafayette, no mês de abril.
Esse festival é uma conexão entre a Acadia ou o Cajun e o mundo francófono nos Estados Unidos. Cajun é a pronúncia americanizada de (les) Cadiens ou (les) Acadiens, grupo étnico que vive principalmente no estado da Louisiana, composto pelos descendentes de exilados acadianos, francófonos que vieram da L'Acadie, províncias da costa leste do Canadá. Hoje, os Cajuns constituem uma parcela significativa da população do sul da Louisiana e exercem um enorme impacto na cultura do estado. Nos estados da Louisiana e Texas vivem mais de um milhão e meio de descendentes acadianos ou cajuns. A comida cajun servida no Festival é muito boa.
Para Lafayette fomos em dois carros. E devido à minha idade, coube-me a responsabilidade de ir dirigindo um deles.
Em tempo: Louisiana é uma homenagem a Louis XIV, rei da França. A região central dos Estados Unidos, desde o Canadá até a Louisiana foi comprada da França. 

Moving out

Com Mike e amigos.
Fiquei pouco mais de um mês junto com os brasileiros, mas querendo praticar mais o inglês, fui em busca de um roommate nativo da língua. Não era americano, mas sua língua materna era o inglês. Era de Gana, mas já morava há muito tempo nos Estados Unidos. Era estudante de doutorado em fisioterapia. Morava numa casa muito interessante. A fachada era uma casa normal, com uma porta larga ao centro, uma janela de cada lado da porta; e acima das portas, no segundo andar, duas janelas. Mas quando você passava pela porta de entrada, descobria que se tratava de quatro casas. Ao passar pela porta, já dentro do imóvel, havia uma porta à direita e outra à esquerda dando acesso às duas casas. E à sua frente tinha uma escada, dando acesso a mais duas casas. Mike morava sozinho. A casa era bem ampla, com sala, cozinha e três quartos. Estava muito bem localizada. Bem perto tinha uma plaza, com lojas e um supermercado.
Mike e uma amiga
Ficamos muitos amigos. Era muito religioso. Foi a primeira pessoa a me falar das aparições de Nossa Senhora em Medjugorje. Jogamos futebol muitas vezes depois das aulas. Jogava muito bem. Tinha bons amigos e amigas que frequentavam a casa. Fazia bico de garçom num dos restaurantes da universidade; e sempre trazia uma torta doce de alguma coisa pra casa.
Havia uma coisa que me chamava a atenção nele e me deixava preocupado. Toda segunda-feira à noite era dia de futebol americano. Ele não pedia um jogo. Sentava-se na frente da TV com um vidro grande de manteiga de amendoim (yummy !!!) e um pacote inteiro de pão de forma, durante a partida devorava tudo; às vezes até um pouco mais. Fico pensando como anda o fígado dele hoje.

Na sala de aula
Barbara, a monitora do lab.
Para mim, as aulas eram o maior barato. Fui para o nível cinco no total de seis. Mrs.Cordes, uma idosa senhora muito séria, era a professora de gramática e autora do livro adotado; Mr. Soucier era o professor de pronúncia ou inglês falado. Havia também a professora de leitura e interpretação de texto, magérrima, cujo nome não recordo mais. Havia também aulas de conversação com jovens universitários americanos e as aulas de laboratório com a Bárbara, que deveria ter uns 25 anos no máximo. Os homens barbaravam por ela. Mas foi com Khaled - um árabe, mais feio que bater em mãe, cheio da grana - com quem ela ficou. Gosto é que nem umbigo; cada um tem o seu.
Também estudava  inglês intensivo um casal de médicos brasileiros, dois oftalmologistas, que nos tornamos amigos. cuja  casa eu frequentava.
Barbara e eu
Recordo-me com saudades deles. Estavam melhorando o inglês para passar uma temporada no Boston Children's Hospital. Ana Cristina e José Rubens, que eu chamava de Zé das Medalhas, em referência a um personagem de Armando Bógus, na novela Roque Santeiro da Globo. Lembro-me dela dizendo que de olho ela sabia tudo e fazia qualquer tipo de operação. Por meio deles conheci Amanda, uma paraense casada com um americano e que já morava há muitos anos em Baton Rouge. Tivemos vários encontros na casa dela; inclusive a festa de Halloween, onde conheci outros brasileiros.

No jogo de basquete com José Rubens
e Ana Cristina.


Halloween na casa da Amanda

Voltando pra casa

Acabou o curso. E o dinheiro também. Pedi à minha mãe que transformasse em dólares um resto de poupança. O curso acabaria em 5 de dezembro e o dinheiro não chegava. A remessa não era tão fácil como é hoje. Os tempos eram outros. A comunicação mais cara. Finalmente, dia 3 de dezembro recebi uma carta postada nos Estados Unidos, vinda dos padres redentoristas, que trabalham na nossa paróquia em Manaus, e tinham casa em Baton Rouge. Fiquei surpreso: o que eles querem comigo? Como me acharam aqui? Ao abri-la, a surpresa e a alegria. Tinha um cheque de 600 dólares e um bilhete: "Sua mãe mandou pra você."
Ainda assim, como diria meu cunhado Cristiano Soares: a situação era tensa. Põe tensa nisso.
Amanda, de vermelho.
Os gastos seriam com aluguel, comida, passagem de ônibus até Miami - mais um dia de viagem - e bilhete de Miami para Manaus. Resumindo: quando embarquei no avião de volta pra casa, eu tinha 12 dólares no bolso.
De Baton Rouge eu liguei para o Lloyd Aero Boliviano para fazer a reserva. Não tinha internet. Eu disse que iria comprar a passagem na hora do check-in. O sujeito me disse que a reserva poderia cair se comprasse depois do check-in aberto. Expliquei a minha situação e pedi ao gerente que pelo amor de Deus segurasse a reserva. O dinheiro ficou tão curto que até para pegar um táxi do terminal de ônibus para o aeroporto de Miami, tive de pensar duas vezes.
Mas Deus é bom sempre. Deu(s) tudo certo. Voltei em paz. 
Isso era dezembro de 1987. Em 5 de abril de 1988, eu embarcava para mais uma aventura, dessa vez por dois anos, no Japão.

Cláudio Nogueira
Tenham todos um bom feriado !


Cláudio Nogueira