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quinta-feira, 16 de junho de 2011

ZFM: Velha aos 44 anos

Recentemente ( na última sexta-feira, 10) escrevi aqui no post "Uma UEA forte. A melhor do Norte"
(http://nogueiraclaudio.blogspot.com/2011/06/uea-forte-melhor-do-norte.html) sobre a necessidade de mudanças no modelo da Zona Franca de Manaus. Falamos da necessidade de saírmos de um aglomerado industrial, para um cluster industrial baseado na inovação ou de base tecnológica, como em alguns exemplos citados ( Bangalore, Barcelona e Cingapura). E como se consegue isso ?
Onde se aprende a fazer essa passagem de aglomeração para inovação ? Existem vários especialistas do assunto no mundo. Um dos mais famosos é Michael Porter da Harvard University; há também o canadense Roger Voyer, que conheci pessoalmente, e que me ajudou na minha tese de doutorado, além de vários outros. Todos são da academia? Não. Mas os acadêmicos estão estudando há muito tempo o que deu certo e o que deu errado nessas concentrações industrias pelo mundo todo.
Todos os anos o TCI, The Competitiveness Institute (http://www.tci-network.org/) faz uma conferência sobre o assunto, onde vem gente de toda parte do mundo: acadêmicos, gestores, presidentes de empresas, governadores, políticos, etc. Esse ano, a 14th TCI Annual Global Conference, será realizada no período de 28 de novembro a 2 de dezembro na cidade de Auckland, Nova Zelândia. Eu tive a oportunidade de paticipar da Sétima Conferência,em 2004, realizada em Ottawa, Canadá. Mas, não tão longe daqui, em Minas Gerais, mais precisamente na cidade de Ouro Preto, este ano, no mês de maio, o TCI realizou a 6a Conferência Latino Americana de Clusters (CLAC - http://www.tci-network.org/news/card/308). E gostaria de pedir: entre os responsáveis pelo futuro do nosso PIM, quem estava presente à conferência levante a mão.
- "Lá vem ele de novo com essa história !"
- Eh!? Então leia, a opinião desses senhores, dita no dia que a ZFM fez 44 anos.
O Post sobre a UEA e o PIM, na realidade, subverteu a ordem das coisas. O que está escrito abaixo foi escrito no dia 28 de fevereiro de 2011, no dia que a ZFM de Manaus fazia 44 anos, mas não foi publicado. Escrevi, mas ficou como rascunho no arquivo deste blog. O post "Uma UEA forte. A melhor do Norte" é uma resposta ao que foi mencionado abaixo:


44 anos da Zona Franca de Manaus - 28.02.2011

Hoje a Zona Franca de Manaus completa 44 anos. Essa jovem senhora tem momentos de euforia e depressão. Mas motivos para isso não lhe faltam. Em 1990-91 o Collor matou sua irmã gêmea, a Zona Franca comercial,e junto com ela o turismo de compras para Manaus. Do dia para a noite viu-se nas lojas de todo o país produtos importados que, no Brasil, eram encontradas só por essas bandas. E em 2001, no final do governo de FHC - que semeou medo no mercado, com uma possível vitória de Lula - a relação real-dólar subiu para 4 por 1. Aí matou de vez algumas importadoras de Manaus.
A Zona Franca de Manaus não raro fica deprimida, por não saber quanto tempo terá de vida ou sobrevida. Seus inimigos a acusam de fazer maquiagem, para aparecer artificialmente bonita. E muito turista brasileiro que aqui chega, não raro afirma, ao andar pelo nosso centro, que a ZFM de Manaus morreu. A verdade é o que o Pólo Industrial de Manaus (PIM) está bombando, e a ZFM de Manaus é um projeto que nos fez um bem danado. Ruim com ele, muito pior sem ele.
Ela (ZFM) é quem nem parente: não permitimos que gente de fora da família fale mal, diga que ela encheu a cidade de favelas, e que não é um projeto correto, modelo perfeito. Perfeito não é não. Mas graças a ela, a floresta Amazônica, no que diz respeito a sua parte no Estado do Amazonas, está ainda com 97% intacta. Ela distribuiu muita renda via Pólo Industrial, é verdade. Mas poderia ser melhor: "O PIM pagou em salários, para um universo de 108 mil trabalhadores,US$ 920,80 milhões, e recebeu de ICMS US$ 308,74 milhões, o equivalente,a 2,62% e a 0,87% do faturamento total do parque industrial. Considere-se, adicionalmente,que,com base em dados de 2009, 54% do total da mão de obra empregada no PIM ganhava até 2 salários mínimos, contra apenas 26% em 1988." A afirmação é do economista Osirís Silva, ex- secretário de Economia e Finanças de Manaus.
Contudo, a distribuição de renda ainda é melhor que em muitos Estados. O Estado do Pará, por exemplo, não é um estado pobre, é rico em minérios, que geram muitos impostos, mas vai para o governo e não para o contra-cheque do povo. É por isso, viu Amazonino (!?), que eles (paraenses, maranhenses e piauienses) estão vindo para cá.
Todavia, como qualquer parente que admiramos e queremos bem, não podemos ficar cegos as necessidades emergentes, e nem deixar de apontar erros congênitos.
Nesse dia 28, encontramos na mídia, felizmente, um pouco mais do que as mensagens de congratulações que todos os anos as empresas dirigem a Suframa. Houveram reflexões interessantes que devem ser levadas em consideração.
No seu site, http://www.blogdosarafa.com.br/, o ex-prefeito de Manaus, Serafim Corrêa, como economista, escreveu sobre o tema: "Zona Franca de Manaus: 44 Anos depois". Excelente reflexão com informações importantes. No jornal A Crítica alguns dos entrevistados citaram o texto do Serafim: "Hoje, 44 anos depois do Decreto Lei nº 288/67 [certidão de batismo da ZFM], temos o mais importante pólo industrial do Norte/Nordeste brasileiro que, no entanto, têm dificuldades que precisam ser equacionadas.
São de duas ordens[:]A primeira em relação aos incentivos e a segunda em relação às condições objetivas de funcionamento das empresas (transporte, portos, aeroporto, comunicações e recursos humanos).
Em relação aos incentivos propriamente ditos 44 anos depois o Estado brasileiro ainda tem dúvidas sobre alguns deles. E ora entende de um jeito, ora entende de outro, gerando a insegurança jurídica que é fatal quando se trata de atração de novos investidores..."
Vá lá e dê uma olhada.
A Crítica fez o dever de casa e coletou opiniões. Muitas delas repetem o que Serafim e outros já mencionaram, a falta de infraestrutura:
"Em 44 anos de existência a ZFM se agigantou, mas a infraestrutura não acompanhou esse crescimento. Há gargalos agudos e crônicos que se arrastam há anos sem previsão de solução e que desafiam aqueles que querem produzir e escoar sua produção, atingir mercados regionais ou distantes e mesmo para a movimentação da população na Região."Diz o economista José Laredo, que também crítica o nosso aeroporto, tanto em relação a prestação de serviços ao passageiro, quanto ao serviço de carga.
Fala mal do nosso aeroporto já virou lugar comum. A sua absolescência é visível, não somente porque opera muito acima da sua capacidade limite, e sobretudo a má qualidade do serviço. A recepção no posto da Polícia Federal para que vem do exterior é simplesmente ridícula. É um péssimo cartão de visita da nossa cidade para o turista estrangeiro. Dois funcionários apenas para atender uma fila enorme de passageiros, além da aparência precária do quiosque de atendimento. Será que isso permanece até a Copa do Mundo ?
Segundo um pessoa bem informada- trabalhando num ministério em Brasília - vão ser gastos milhões para aumentar apenas mais dois fingers (tunéis) de embarque, e acrescenta: "Presta atenção quando for divulgado o valor da expansão do aeroporto de Manaus, com mais dois fingers apenas. Compara com o valor gasto na construção do aeroporto da cidade do Panamá [100 milhões de dólares em sete anos - segundo o site dele: http://www.tocumenpanama.aero/] e que tem 35 fingers".
Isso exige um parêntese e uma reflexão. Segundo a coluna Sim & Não do jornal A Crítica, o prefeito Amazonino Mendes tenciona construir um novo teatro na Ponta Negra. Isto é, se o Tiago de Melo deixar, pois como presidente do Conselho Municipal de Cultura, prefere vê-lo construído na periféria. O valor da obra é a pechincha de 100 milhões de reais. Segunda a coluna, a arquiteta não vai cobrar nada. Pois sendo ela filha do prefeito, resolveu dar esse presente ao papai.
Um aeroporto (do Panamá) daquele tamanho custou 100 milhões de dólares; então, o teatro do Amazonino deve ser uma coisa grandiosa pois vai custar mais ou menos uns 58 milhões de dólares.
Para o e-leitor ter noção do que será o novo teatro, basta lembrar que o viaduto Miguel Arraes na Recife (hoje av. Umberto Calderaro) com a Darcy Vargas; o viaduto da bola do Coroado, Complexo Viário Gilberto Mestrinho e o viaduto da Paraíba, Antônio Simões juntos custaram 75 milhões de reais. Dinheiro obtido pela Prefeitura na administração anterior, junto a CAF ( Corporación Andina de Fomento). Esse recursos hoje ainda pagam a construção do viaduto da bola do São José.
E como um assunto puxa outro, vou perguntar: o Amazonino se queixa de ter construído o viaduto Gilberto Mestrinho em 11 meses, a construção do são José começou em setembro, será que ele entrega pronto em agosto deste ano ? Terão se passado 11 meses. Esperamos que sim.
Voltemos ao assunto deste post:
"Outra ação que exige urgência, segundo Machado [José Alberto da Costa Machado,ex-coordenador de projetos (COGEC) da Suframa], é a definição pelas agências responsáveis do futuro do abastecimento energético de Manaus, vez que o Linhão de Tucuruí teve sua operação adiada para 2013 e o uso de gás natural para geração de energia elétrica ainda está começando.
Temos também problemas graves de Internet e telefonia celular que, além de caras, estão entre as piores do Brasil. Há também a necessidade de melhorias na malha rodoviária para integração e fluxo de produção referente aos principais eixos de integração do Estado: as BRs 319 (Manaus-Porto Velho) e 174 (Manaus-Boa Vista)."
Há outros gargalos que impactam sobre o desenvolvimento do PIM, a falta de mão de obra qualificada para que a ZFM se lance a voos mais altos: "No entanto, após mais de quatro décadas, as fábricas ainda são obrigadas a importar técnicos qualificados em diversas áreas ou arcar com os custos de qualificação.
A falta de mão-de-obra, principalmente engenheiros, com o perfil que a indústria precisa, ainda é um gargalo quase tão sério como as limitações da logística. É outro desafio que precisa ser superado para que os números do PIM continuam batendo recordes." A
firma ao jornal o economista José Laredo. Essa é a parte que eu mais gosto. A falta de mão de obra ? Sim. Não... Eu gosto quando alguém lembrar da falta interação indústria-academia. Da falta de formação de mão de obra direcionada, específica.
"Ainda não se conseguiu um modelo sustentável poderoso que caminhe lado a lado com o PIM. Isso exige tempo, vontade política e muito investimento em pesquisa e desenvolvimento [P&D].
O reconhecimento do fato é do secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Odenildo Sena, que explica ser novo o sistema estadual de ciência e tecnologia. Só começou em 2003 com a criação do sistema público estadual de C&T"
Na reportagem de A Crítica, o professor José Alberto Machado lembra o distanciamento entre a universidade e o PIM. E "Deusamir Pereira concorda com a análise de José Alberto Machado [esses dois já tiveram no passado um desentendimento sério sobre direitos autorais e plágio] sobre esse distanciamento e dá um exemplo emblemático. Enquanto a cadeia produtiva para fármacos e cosméticos a partir do guaraná tem um enorme potencial em Maués, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) realiza cursos de graduação em Educação Física e Contabilidade no município. 'Qual é a lógica? Isso é samba do crioulo doido', compara Deusamir. Sou obrigado a concordar.
Eu conclamo ao e-leitor a comprar o jornal A Crítica do dia 28 de fevereiro de 2011, ir até a página 15 do caderno especial " ZFM 44 anos" e ler o artigo "ZFM, ano V, que rumo tomar", de autoria de Osíris Silva. Ele faz uma reflexão da evolução na indústria eletrônica:"...fita cassete foi sucateada pelo CD, que já está sendo superada pelo MP3 e o pen drive." Menciona também a evolução enorme no tamanho das memórias dos computadores, e de alguns aparelhos eletrônicos que cairam em desuso, porque "hoje encontram-se totalmente fora de uso ou substituidos por novidades tecnologicamente mais avançadas."
Mas a parte que eu mais gosto é essa: " Nesse contexto, temo que a ZFM haja se convertido numa velharia, no sentido de antiquada, arcaica. Atingida de morte em sua identidade conceitual - inúmeras as mutilações sofridas durante seus 44 anos de existência no núcleo dos incentivos fiscais que lhe deram formato - enfrenta grave crise de absolescência no que tange a tecnologia de produto e processo, a sistemas de comercialização e gerenciais, em cujas áreas pouco investiu. Ao contrário da Coreia do Sul e da China. A China, que já produz imagens de N. Sa. Aparecida, tapete persas, cristais de Murano, carro elétrico, quinquilharias de todos os tipos, calçados, confecções e produtos eletrônicos que invadem o mundo ameaça superar o PIM como principal fornecedor junto ao mercado brasileiro no tocante aos bens de constituem a base da indústria da ZFM: eletroeletrônicos, duas rodas, relojoeiro, bens de informática, termoplástico,químico e metalúrgico.
Diante de todo esse cenário ainda assistimos a declarações pouco convicentes - e até irresponsáveis - alusivas a uma fictícia "intocabilidade" da Zona Franca de Manaus. Em que sentido, afinal de contas? É urgente que se encare e avalie o quadro conjuntural com muita objetividade e pragmatismo."
Preciso dizer mais alguma coisa ? Como dizia o colunista social Little Box, o Caixinha: "Pano rápido!"
Tenham todos um bom dia !
Cláudio Nogueira

domingo, 12 de junho de 2011

Brasileiro é o melhor turista do mundo

Deixá-los entrar: Como o brasileiro poderia ajudar a Economia dos EUA.
Esse é o título de uma materia na revista Time online sobre o turista brasileiro nos Estados Unidos.
http://www.time.com/time/world/article/0,8599,2075717,00.html

"Todos devem amar os turistas brasileiros. Eles gastam mais per capita do que qualquer outra nacionalidade. Em todo o mundo, turistas brasileiros desembolsam em média de 43,3 milhões dólares por dia, soltando para um gigantesco 1,4 bilhão dólar, só em abril passado, 83% a mais do que o mesmo o período do ano passado, segundo o Banco Central do Brasil. Em 2010, 1,2 milhão de brasileiros visitaram os Estados Unidos, injetando 5,9 bilhões dólares na economia dos EUA. Até mesmo exclusivo resort de esqui em Vermont estão se mexendo para contratar instrutores de esqui que fale português para atender a inesperada e crescente demanda de milhares de brasileiros aventureiros que querem samba pelas encostas. 'O Brasil é o nosso mercado internacional mais crescente- até 20% na última temporada', diz Chris Belanger do Stowe Mountain Resort."
No portal IG tem um bom comentário da matéria:
http://economia.ig.com.br/setor+de+turismo+dos+eua+pede+fim+de+visto+para+brasileiros/n1597021694789.html

sexta-feira, 10 de junho de 2011

UEA Forte. A Melhor do Norte

Recebi um email convite para a audiência pública, na Assembléia Legislativa do Amazonas, na próxima segunda-feira, 13, às 10:00. Uma manifestação para que seja revogado o Artigo 6º da Lei nº 3022/2005. Este artigo autoriza o governo a aplicar o superávit arrecadado pelo Fundo da UEA em outras ações de governo. O email dizia o seguinte, entre outras coisas: "Não concordamos com esse desvio, visto que enquanto a UEA sofre com graves problemas estruturais, como falta de professores e sucateamento de laboratórios, o Governo do Estado arrecada recursos em seu nome, mas aplica em outras ações. Portanto, pleiteamos que TODO RECURSO ARRECADADO EM NOME DA UEA SEJA APLICADO NA UEA, com a revogação imediata do artigo acima citado." E oferece um link
http://www.maisverbasuea.com.br/assinaturas para aqueles que desejarem participar de um "abaixo assinado" com esse objetivo.

Meus prezados e minhas prezadas,

A UEA, a UFAM, o IFAM (ex-Cefet), que são instituições públicas de ensino superior e todas as outras universidades e/ou centros universitários locais têm uma importância fundamental na sobrevivência do Pólo Industrial de Manaus. O debate não poderia ser mais oportuno. Para uma universidade dinheiro, nunca, jamais e em tempo algum é demais.
Fiz meu mestrado em engenharia industrial na Universidade de Miami, por isso de quando em vez dou uma olhada no que está acontecendo por lá. Ela, como muitas outras universidades americanas, inclusive as mais famosas e as mais ricas, faz rally para coletar dinheiro. O que isso significa ? Significa que essas universidades mesmo sendo privadas, mesmo ganhando muito dinheiro com projetos e mensalidades e doações; anualmente passam o chapéu, ou a sacolinha pedindo dinheiro, de pessoas, de ex-alunos e de instituições. Geralmente tem uma meta a ser alcançada em determinado ano. Há alguns poucos anos atrás, a reitora da Universidade de Miami, Donna Shalala, ex-secretária (ministra) de Saúde e Serviços Humanos do governo Clinton, determinou que a meta de arrecadação seria de 750 milhões a 1 bilhão de dólares, em 2007 essa meta foi mudada para US$ 1,25 bilhões. Esse pedido de dinheiro chama-se Annual Fund, e existe desde 1918.
A Universidade de Harvard, como muitas outras universidades ricas, pede dinheiro sempre. Harvard University tem um página permanente para doações de ex-alunos, que podem ser feitas até com cartão de crédito: http://alumni.harvard.edu/givenow.
Quanto é que cada um de nós estaria dispostos a doar para a nossa querida UFAM, que há 100 anos vem nos servindo? Quantas instituições estariam dispostas a colaborar ?
Por que é que essas universidades pedem ? Porque dinheiro para universidades que ensinam e fazem pesquisas nunca é demais. Há universidades que só ensinam, não pesquisam, justamente por falta de recursos. E mesmo aquelas que têm muito, acreditam que o que abunda não prejudica. E nunca abunda.

Eu fui, reconheço a minha insignificância, contra a extinção da UTAM, e amplamente favorável a criação da UEA. A UTAM, na realidade era ITAM, tornou-se a Escola Superior de Tecnologia da UEA. Fui professor das duas instituições, portanto, posso afirmar que com transformação de uma em outra houve uma melhora significativa - para ser sucinto - em todos os aspectos. Mas ainda assim, preferiria que a UTAM tivesse se tornado, de fato, no Instituto de Tecnologia do Amazonas (o ITAM era da Amazônia) e tivesse, gradualmente, é claro, se tornado no ITA do norte. Tudo é uma questão de vontade política.
Foi graças à vontade política, que tínhamos uma das maiores empresas petrolíferas do mundo, quando a nossa produção de petróleo era muito inferior à produção de muitos países, grandes produtores. Nem Venezuela, nem países da OPEP tinha uma empresa do porte da Petrobrás.
Foi vontade política quem criou a Embraer, quando estávamos muitíssimos longe de sermos um país emergente. Mas a Embraer não existiria sem a existência do ITA, Instituto Tecnológico da Aeronaútica. Uma universidade tecnológica de alto nível
Nós não somos o Estado de São Paulo, mas mesmo assim o exemplo serve: Quando deram a Zeferino Vaz a missão de criar a Universidade Estadual de Campinas, Unicamp, apesar da USP já existir, e outras boas universidades, ele não se limitou a criar mais uma. Sem ela não existiria, hoje, na região de Campinas, o cluster de empresas de base tecnológica (são muitas: de biotecnologia, tecnologia da informação, etc.).
Se a nossa UEA não consegue (como muitas universidades no mundo todo, principalmente por falta de recursos) ser um centro de excelência em tudo, pelo menos, movidos pela necessidade, podemos nos esforçar (=vontade política) para tornar a EST em um centro de excelência, para tentarmos mudar o perfil do nosso PIM, para transformá-lo de fato em um cluster industrial baseado na tecnologia e na inovação.
O projeto Zona Franca de Manaus é um projeto exitoso. Ponto. Publica isso aí. Prós menos contras, o saldo é positivo. Geração de empregos, a floresta em pé (98%), etc. As mazelas vocês conhecem muito bem. Mas o modelo oferece vantagens comparativas que vivem a toda hora sendo ameaçadas. Vou usar um bordão muito utilizado recentemente: O modelo está esgotado. Temos de partir para vantagens competitivas.
Vou repetir o que já escrevi aqui, para que os senhores e senhoras possam fazer uma comparação: Nós começarmos a nossa ZFM em 1967, os indianos começaram o Parque Tecnológico de Bangalore em 1992, ou seja, 25 anos depois. Hoje eles têm mais de 2500 laboratórios de P&D, isto é, labs de pesquisa e desenvolvimento que geram novas criações, patentes e invenções tecnológicas para as suas empresas. Todas as maiores empresas inovadoras do mundo estão lá. E a isenção fiscal é somente por 5 anos, mas uns subsídios, como o de energia elétrica.
E por que é que elas vão para lá e não vêm para cá ? Porque o nosso PIM é formado de empresas montadoras (graças a Deus !) ou as MNC, multinationals corporations, mas que estão aqui pelas vantagens comparativas e atuam de acordo com as regras do jogo. E são essas regras que devem ser mudadas. E quem vai mudá-las ? O governo federal, a Suframa, o governo estadual, os políticos. Ou seja, os principais atores. O processo é top down, mas cabe a nós fazermos pressão. Pressão bottom up , mobilização, já provocaram muitas mudanças.

O que é que os indianos têm que nós não temos ? Vontade política e bons institutos de tecnologias produzindo uma massa crítica de engenheiros que atendam as necessidades especifícas do mercado. Pergunte ao pessoal do Instituto Nokia de Tecnologia (INdt), da Fundação Paulo Feitoza e do CT-PIM, uns dos poucos centros de pesquisas existentes em Manaus, se eles encontram a mão-de-obra necessária aqui. Sabe o que acontece ? O nosso PIM produz mais de 30 bilhões de dólares por ano, e está meio conformado com isso. Essa semana mesmo foram divulgados números excelentes. Mas vivemos sobressaltados. Vivemos enganados.
A propósito, falando em faturamento do PIM, lembro-me que em certa ocasião, assisti, na Uninorte, uma palestra de Samuel Hanan (lei Hanan e UEA, tudo a ver), onde ele dizia que não era bem assim não. Essa dinheirama toda não ficava aqui.
Portanto, eu nunca pensei que fosse concordar com o deputado Sinésio Campos (PT), mas (seja lá qual motivo for) quando ele diz que os tabletes (eu sei que é tablets ) não vão ser fabricado aqui por falta de mão-de-obra qualificada, talvez ele tenha razão. Talvez. Porque resta comprovar que esse é realmente o real motivo.
Não sei se isso acontece com os tabletes, mas com certeza, muita coisa deixou de ser produzida na ZFM por falta dos chamados knowledge workers.
Então deputado, o senhor que é lider do governo, mostre ao seu patrão (e deputado tem patrão ? Não seria o povo ?) da necessidade de um melhor aparelhamento da nossa UEA.
O que vamos fazer com o gás natural ? Ficar só acendendo lâmpadas com ele ? A indústria petroquímica se utiliza de nafta ou do gás natural tratado. A UEA tem papel importante na formação de especialistas nesta área. Gás é que não nos falta.
E é só em função do PIM que a UEA deve existir ? Não. Por que não torná-la em um centro de excelência na área de saúde pública, em medicina tropical, em parceria com o Hospital de Doenças Tropicais, ou em outras áreas, em parceria com o CBA , Centro de Biotecnologia da Amazônia ?
Por que não se preparar para ser referência no estudo do meio ambiente ? Eu preciso dizer que nós estamos na Amazônia, etc. etc. ?
As universidades canadenses e australianas têm centros de estudos aborígenas, ou first nations, primeiros povos, como eles chamam seus nativos. E por que não criarmos um centro de estudos indígenas ?
Na área tecnológica fazer curso para estudar sexo dos anjos não serve para nada. Vou repetir o que já escrevi antes: a Universidade Autónoma de Barcelona tem um campus dentro do distrito industrial da Zona Franca catalã. O nome do jogo é interação entre as instituições. De 2000 para cá foram criados 7 novos institutos de tecnologias na Índia.
UEA, UFAM, IFAM, Fucapi, etc. têm tudo a ver com o Pólo Industrial de Manaus. O futuro do PIM passa por essas instituições.
Alguém está pedindo para desmontar as montadoras ? Nada disso. O que se deseja é o fortalecimento e/ou criação de centros tecnológicos que formem trabalhadores qualificados para que o perfil do PIM mude. Que ele possa atrair empresas inovadoras, ou que as existentes tragam centros de pesquisas para cá, para produzirmos bens de maior valor agredado, maior competitividade, alta produtividade.
Cingapura é outro bom exemplo. Em 1963, quando obteve a independência da Malásia, ela era nada. Nada. Uma ilha no fim do mundo. Até 1980 encontrava-se no mesmo estágio do PIM, só tinha montadoras. Então decidiram passar para o próximo nível, o qual teimamos em ficar parados, e partiram para uma política agressiva de transformação do seu parque industrial.
No post “ Um Novo PIM” (http://nogueiraclaudio.blogspot.com/2011/01/um-novo-pim.html) dizia que iria ler o livro “From Agglomeration (nós, o PIM) to Innovation (Bangalore, Cingapura, Barcelona, etc): Upgrading Industrial Clusters in Emerging Economies. Li. Lá entende-se que eles resolveram abandonar a “manufatura intensiva de mão-de-obra” (estágio que não conseguimos sair) para “intensiva de tecnologia” (estágio que devemos buscar). Precisa dizer como foi transformada a economia deles ? Eles não mandaram empresas embora, mudaram a política industrial. De montadoras (nós, o PIM) passaram a manufaturar produtos “high-tech” (estágio que devemos buscar). Aqui não há espaço para contar toda a história. Apenas uma: Em 2002, decidiram que queriam um cluster farmacêutico de nível mundial. O que eles fizeram ? Diminuiram as verbas para ensino e pesquisa ? Não. “Implantaram estrutura de conhecimento público, isto é, universidades e instituições privadas de pesquisa. Isso requereu a criação de novas instituições. Ou a restruturação da instituições existentes, ou a criação de novos cursos, dando prioridade aos campos de pesquisas e educação necessária aos cluster em desenvolvimento.”

Em fevereiro deste ano, li nos jornais, que segundo o governador Omar Aziz, o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloízio Mercadante, prometeu ajudar na construção da cidade universitária da UEA: "Todos os cursos, alojamentos, restaurantes, laboratórios, como um campus universitário, mas numa área grande, onde será toda a nossa universidade" disse o governador. Muito bom!!! Vamos fazer o ministro cumprir a promessa. Vamos pressionar o governo federal para que gaste um pouco das reservas cambiais (312 bilhões de dólares, segundo o último relatório do Bacen), que tem um custo de manutenção enorme, e afetam a nossa política fiscal. Vamos gastar, um pouco dos dólares guardados com C&T, na formação de centros de excelências, na construção de laboratórios, no envio de bolsistas para se especializarem no exterior, e até mesmo na importação de cérebros, como os países ricos sempre fizeram, ou na repatriação de cientistas. Afinal, a nossa moeda está fortíssima, e não sofre nenhuma ameaça especulativa, a nossa economia está estável, estão para que servem as nossas reservas cambiais ? Deveriam no mínimo (considerando a estabilidade econômica) ser para renovar, aprimorar e adquirir tecnologia para o nosso desenvolvimento, modernizar nosso parque industrial, equipar e tubinar nossas universidades.
É tudo uma questão de vontade política. Quanto é que vamos gastar com o trem bala, com os novos estádios de futebol ?

Dinheiro, para qualquer universidade comprometida com o desenvolvimento da sociedade em que está inserida, da comunidade em seu entorno, nunca, jamais é demais. Esse dinheiro é sempre bem vindo, principalmente, quando ele é de menos e ainda há muito a ser feito.

Por uma UEA forte ! A melhor do Norte !
Essa deve ser uma bandeira de todos os deputados: situação, oposição. A UEA não tem dono, ela serve a todos.

Um bom domingo, uma boa semana.

Cláudio Nogueira

PS1. Atenção historiadores de plantão, no ano que a UEA faz 10 anos: Qual foi o insight que o Amazonino teve para criar a Universidade (ele está vivo para confirmar ou negar) ? Em uma viagem para Cuba, Vicente Nogueira, meu brother, o então titular da SEDUC, sugeriu ao Negão que ele criasse uma universidade estadual. Ele ficou de pensar no assunto, mas não disse sim, nem não. Posteriormente Vicente Nogueira voltou ao mantra, alegando que seria uma oportunidade do Amazonino entrar para a história (argumento político) e, principalmente (motivo real), existia a necessidade, devido a elevada demanda pela UFAM. A proliferação de instituições superiores privadas, em Manaus, comprovavam isso. E em uma outra viagem internacional, desta vez para o Japão, Amazonino disse ao Nogueira que criaria a UEA.

PS2. Atenção historiadores II: O governo de Eduardo Braga fez a sua parte. Ele expandiu a Universidade criando novos cursos, abrindo novos campi no interior, realizando concursos para professores, aparelhando-a melhor, com microcomputadores para professores e alunos, etc. etc. Agora dizer que ele consolidou a UEA, isso não é verdade. É impossível se consolidar uma universidade em tão pouco tempo. Nem o Omar, nos poucos mais dos três anos que lhe restam vai consolidá-la. O importante é ele fazer a sua parte, e fazê-la continuar crescendo, principalmente em qualidade, mas a consolidação mesmo demanda tempo, só ocorrerá em mais anos: quando tiver bons laboratórios, um número razoável de mestrados e doutorados em andamento, um percentual elevado de professores doutores, e estiver fazendo pesquisa. Mas isso pode ser conseguido (se for) em muitos e muitos anos, ou ser abreviado para um período mais curto: o nome do jogo é Vontade Política.
Lembrando que a pedra fundamental da Unicamp foi lançada em 5 de outubro de 1966, ontem. Portanto, ela ainda não tem 45 anos, e há mais de 20 já é considerada um excelente universidade. O importante é perguntar onde estará a UEA daqui a 1o anos ?

PS3. O que é um cluster ? E uma aglomeração de indústrias, com estreita interação, integração com as universidades e centros/institutos de pesquisas (definição parcial e incompleta). Essa interação produz um ambiente que gera inovação. Inovação que pode ter sido gerada na universidade e materializada na indústria. As concentrações industrias com esse perfil são chamadas cluster industriais baseados no conhecimento, ou clusters industriais de base tecnológica. Embora, se mencione sem nenhum prejuízo, que temos dois clusters no PIM, o de duas rodas e o relojoeiro, isso não é verdade. Distrito Industrial é um conceito Marshaliano, Knowledge-based Industrial Cluster é um conceito criado por Michael Porter (http://www.isc.hbs.edu/), professor da Universidade de Harvard, que dedicou a sua vida a estudar essas aglomerações industriais.
Várias universidades americanas e canadenses têm os seus Science or Technological Parks voltados para a inovação. Eles criam, as empresas materializam. Existe até uma associação congregando esses parques: Association of University Research Parks, AURP, http://www.aurp.net/
Em um cluster, em vários países, o ambiente de cooperação e competição (formal e informal ) é intenso, fazendo com que inovações e patentes sejam geradas em maior velocidade.
O que é a competição informal ? No Vale do Silício existem pubs e bares que os engenheiros se encontram para tomar um cerveja e discutir idéias entre si. Nesse pubs nasceram várias indústrias na área de Tecnologia da Informação e Comunicação (IT&C). Na Índia foram criados “clubes”, locais de encontros com essa finalidade.

PS4. Aconselho, a quem interessar possa, a leitura de dois livros: O Valor da Inovação – Como as empresas mais avançadas atingem alto desempenho e lucratividade, de Ronald S. Jonash e Tom Sommerlatte, da editora Campus; e Valor Econômico de Inovação de Empresas de Moysés Simantob e Roberta Lippi, da editora Globo.

PS5. Por uma questão de justiça, não posso deixar de mencionar que uma emenda no orçamento da União, proposta pelo então deputado federal Marcelo Serafim, em 2010, conseguiu 17,2 milhões de reais para a UFAM. Assim é que tem de ser, as nossas universidades precisam de verbas e da ajuda de todos.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Encontro nacional de karaokê

Como deve ser do conhecimento dos senhores e senhoras, sou muito ligado a comunidade japonesa, por ter vivido no Japão, e como ex-presidente da Associação da Amazônia Ocidental dos ex-Bolsistas no Japão -AMEOJAPÃO, por esse motivo sempre que me é solicitado, divulgo atividades culturais que possam interessar aos senhores e as senhoras.
Recebi da assessora cultura do Consulado Geral do Japão em Manaus um email com os seguintes dizeres:
"Envio através desta o cartaz eletrônico para divulgação do evento de karaokê.
Virão em torno de 60 pessoas de São Paulo para participar do concurso e terá um show dos veteranos de karaokê.
Vai ter vendas de comidas e doces japoneses.Venha desfrutar com a familia e amigos.
Solicito a gentileza de divulgar este evento para as pessoas que gostam de musica e da comida japonesa.
Sandra Nagase "
Está divulgado. Abaixo segue o cartaz com detalhes. Não percam.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Tiger, Tiger

Quando estava, em fevereiro, surfando por alguns jornais, encontrei no site do New York Times, um comentário sobre um livro recém lançado nos States : Tiger, Tiger de Margaux Fragoso, professora universitária, PhD em escrita criativa, que usou seus conhecimentos teóricos para escrever sobre a sua vida, suas memórias, dos sete anos aos vinte e dois anos.
E o que tem de especial nisso ? O intrigante da história dela é que nesse período ela se relacionou amorosamente com um homem. Quando a relação começou ela tinha 7 anos e ele 51 anos, quando acabou ela tinha 22 anos e ele 66.
A história acontece na cidade de Union City no Estado de Nova Jersey, onde tem uma colônia de porto riquenhos, como o seu pai. Apostei que seria uma leitura interessante, e comprei o livro, não me decepcionei.
Ao dizer para a Fabiana, que seria um filme e tanto, ela exclamou: "Como é que uma história dessas pode ser interessante ?" Outra pessoa me disse: "Nem me conta, nem me conta, não quero saber".
A pergunta da minha senhora não me causou surpresa, era esperada. Mas ela pergunta porque não leu o livro.
O que aprendi com isso ?Aprendi que pedófilo não tem cara de pedófilo, muito menos cara de mau sujeito, nem comportamento anti-social. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas, não é mera coincidência.
Eu queria saber sim... saber como é a lábia de um sujeito desses, o que faz para conseguir os seus objetivos e ter a cumplicidade de uma criança, que mesmo quando crescida, entendia que ele era um pedófilo - até chegou a chamá-lo de molestador de crianças - mas mesmo assim não o abandonava. Entender porque as pessoas em volta não percebiam aquele relacionamento, e qual o campo fértil que contribui para que isso aconteça.
Na realidade, algumas pessoas estranhavam a eterna companhia um do outro. Foram denunciados. Ela, já com 16 anos, ajudou-o a se livrar das acusações feitas por uma assistente social enviada pelo Estado, para verificar o relacionamento deles.
O livro é um perigo, um manual para aprendiz de pedófilo, ou para quem deseja aprimorar a técnica.
O sujeito era um monstro. Para ter a atenção da criança, se tornou o seu melhor amigo, um anjo protetor, o único que a entendia e lhe dava carinho, usou a seu favor a carência causada por um pai violento, e uma mãe doente mental; juntando-se a isso o perfeito conhecimento de que uma criança gosta de ver e brincar, além de um micro zoo na sua casa.
Conquistou também a mãe, dizendo-lhe tudo que ela gostaria de ouvir, um perfeito ouvinte da suas lamentações, da vida de inferno que ela tinha em casa, com o marido.Ele era a personificação do bom moço, lobo em pele de cordeiro, que apesar dos senões, conseguiu enganar até o pai de Margaux, que era sempre muito desconfiado de tudo, e se julgava muito esperto. Até dinheiro deles, ele conseguiu tirar.
É uma história cheias de personagens, é uma coisa surreal. Casado, convence a (segunda) esposa a acabar o relacionamento amoroso, e permitir que ele permaneça dentro da casa, junto com o enteados. Convive pacificamente com o namorado de sua ex-esposa, a qual leva todos os domingos para passear, causando um enorme ciúme em Margaux. Adota crianças para molestá-las, e confessar a Margaux que molestava suas filhas, sendo denunciado pela primeira esposa. Confessa também... Não eu não vou contar todo o livro aqui, né ?
Após sua morte - sim o desgraçado morre, comete suicídio se jogando de um penhasco - Margaux pergunta de sua mãe, onde é que ela acha que ele está agora, ela responde : "No céu...". E completa: "Eu acho que ele era a reencarnação de Jesus Cristo". O cara era um profissional.
O livro não é exatamente um livro sobre sexo. Quem disse isso não foi eu, mas concordo plenamente. Embora, ela descreva algumas coisas em detalhes chocantes.
O meu prezado e-leitor e a minha prezada e-leitora já percebeu que eu recomendo a leitura do livro, principalmente para aqueles que têm filhos pequenos, para estudantes e profissionais da psicologia, sociologia, antropologia e outras orgias. Se estudássemos somente as madres teresas de calcutás, como entenderíamos a mente e a alma humana? Como saber o que é certo, se não tivermos o errado para comparar?
O livro, ainda sem edição em português, pode ser adquirido no site do Amazon.com, ou ser comprado e baixado pelo livro eletrônico Kindle, também da Amazon.com, ou baixado pelo Ipad ou qualquer tablete.
No final - a autora, que em nenhum instante se comporta como "tadinha-de-mim", já casada e mãe de uma menina - em um texto escrito em outubro de 2010, portanto, já com 32 anos, explica porque escreveu o livro. Cita um doutor especialista no assunto, e a pesquisa que fez depois da morte de Peter Curran, comprovando com documentos da Justiça que houve processo contra ele por abuso sexual de crianças adotadas.
No site http://www.arlindo-correia.com/230411.html tem os comentários dos mais importantes jornais de língua inglesa sobre o livro. Se você tiver a última versão do Microsoft Internet Explorer 9.0, basta clicar no canto superior direito que todos os comentários são traduzidos para o português.
Boa leitura.

PS 1. Tablet ou tablete ? Eu estava doido por uma oportunidade para escrever tablete, ou invês de tablet. Lembro-me de um colega de trabalho no início dos anos 80 me corrigindo porque falei "interface", do jeito que está escrito em português, porque a palavra existe na nossa língua. Ele prontamente me corrigiu, dizendo que a pronúncia era interfeici. Se existe aqui, vou dizer interfasse, e lá interfeici. Lá pode ser tablet, aqui, at least for me, é tablete. Não tem gente escrevendo em livros aprovado pelo MEC: nóis foi, nóis vai e nóis era ? Então!? Qualquer coisa o Taqui Pra Ti me defende (Os Xerifes da Língua, no site: http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=918)


sábado, 21 de maio de 2011

Formatura em Harvard

Nessa próxima quinta-feira, 26, na Harvard University é o Commencement Day. O que isso significa? É o dia da formatura. E no meio dos formandos, estará se graduando em Ciências Políticas, uma amazonense, que fez 22 anos essa semana, Daniela Lima Nogueira. Lá também estuda a sua irmã, Heloísa Lima Nogueira.
Daniela é filha do meu brother Geraldo Nogueira, que trabalhou vinte e tantos anos na Philips. Inicialmente trabalhou na Philips da Amazônia, depois foi enviado para Piracicaba, posteriormente para São Paulo, e depois voltou para Manaus. A Dani, a irmã e o irmão, foram alfabetizados em Frankfurt, Alemanha; para onde o pai foi transferido para trabalhar... Lá e na Hungria. Ia e voltava de um país ao outro.
Um belo dia Dani chegou em casa dizendo que a professora falava português. Nada disso. O fato de ela começar a entender alemão, a fez pensar que a professora estava falando sua língua. Depois de morarem dois anos na Alemanha foram transferidos para El Paso, no Texas, bem na fronteira com o México, separada da Ciudad Juarez pelo rio (nem tão) Grande. Seu pai atravessava a fronteira, e a ponte de tráfego intenso e lento, todos os dias, era o plant manager da fábrica da Philips localizada na cidade mexicana. Em El Paso moraram por dez anos, até o Geraldo sair da Philips, e se mudarem para Raleigh, capital da Carolina do Norte.
Daniela que desde pequena dizia que iria estudar em Harvard, também havia sido aceita com bolsa de estudo completa para toda a graduação na North Carolina University, na cidade de Chapel Hill. Ou seja, a universidade tem campi por todo o Estado, mas é a de Chapel Hill que é famosa pela qualidade do ensino, uma das melhores do States. Taí o Google que não me deixa mentir. O sonho de estudar em Harvard fez Daniela recusar a bolsa.
Estamos muitos orgulhosos disso. Daniela chegou lá porque se esforçou muito, ralou muito. Ninguém entra ou conclui um curso em Harvard sem muito esforço pessoal. Um grande beijo para a Dani, a picorruxa. Que Deus lhe abençõe. Pois pelo que sei, vai precisar da proteção dele. Seu próximo assignment será trabalhar em Israel. Poderia ser Paris, pois teve a oportunidade de escolher, e escolheu ir para Israel.
Não obstante o esforço da Daniela (somente ela, e ninguém mais poderia fazer isso por si mesma), não posso deixar de registrar e de lembrar os esforços dos seus pais para que esse dia acontecesse. Geraldo - que não nasceu em berço nenhum, foi ajudante de pedreiro, pedreiro amador (ajudou a levantar algumas paredes da nossa casa) e vendedor de côcos na feira ambulante de Aparecida - é Master of Science in Management (MScM), engenheiro eletrônico formado pela UTAM, com cursos de pequena duração no MIT, os quais ajudou a deslanchar sua carreira. É também um ex-aluno de Harvard, onde estudou num programa onde somente são admitidos presidentes ou vices- presidentes de companhias, o Advanced Business Management Program. Um curso de 12 meses com carga de 14 horas por dia. Na época ele era o vice-presidente da Global Supply Chain (Cadeia Mundial de Suplimentos), da multinacional inglêsa Invensys. Voltou para o Brasil (SP) em janeiro de 2010 para trabalhar na Gradiente. Como!? Isso mesmo na Gradiente, que já anunciou sua volta para muito em breve. Parabéns Geraldo.
A mãe de Daniela, Mônica Lima Nogueira, é Ph.D em engenharia de computadores, formada em engenharia elétrica pela UFAM.Quando professora ajudou o curso de Computação a se tornar um dois mais qualificados da instituição, motivando os alunos a fazerem mestrado e doutorado. Ela é filha de Ivens Lima, que o mais antigos devem conhecer, porque foi radialista no Amazonas e, posteriormente, delegado da Receita Federal no Estado. Parabéns para eles também.
Não poderia de deixar de parabenizar as vovós Maria da Glória e Maria do Carmo. Não há espaço suficiente para lembrar aqui a contribuição dada por elas, que além dos bons exemplos, o carinho e amor que deram a Dani e ao seus irmãos, deram também apoio logístico pessoal tomando conta deles em determinadas ocasiões.
É um grande momento para agradecermos a Deus por tantas graças recebidas.
Muito obrigado Deus todo poderoso por esse dia. Deus de Isaac, Abrahão e Jacob. Essa com certeza, seriam as palavras de seu avô paterno, Brígido Torres Nogueira, se vivo estivesse.

PS1. No dia do aniversário da Dani, 19 de maio, sua prima Luciana Sarah Jacob Nogueira concluía o mestrado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, e embarcou em seguida para trabalhar na Holanda. Parabéns Lulu.
PS2. "Mais vale procurar refúgio no Senhor do que confiar no homem.Mais vale procurar refúgio no Senhor do que confiar nos grandes da terra." (salmo 117)."Feliz o homem que pôs sua esperança no Senhor." (salmo 39)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Festa para vítimas japonesas

Prezados e Prezadas,
Com certeza todos estão cientes da tragédia que ocorreu no Japão recentemente: Terremoto, Tsunami e, consequentemente, mortes e desabrigados. Para ajudar financeiramente a Cruz Vermelha japonesa, e outras instituições, grupos de pessoas e entidades estão desde então se mobilizando para levantar fundos em prol dos desabrigados. Várias atividades já foram realizadas e neste sábado, 21 de maio, haverá na Arena Amadeu Teixeira uma grande festa de comida e cultura japonesa. Estejam todos convidados. A entrada é franca. Convide seus amigos, leve sua família, que será uma grande festa. Muito obrigado.